Academia de Poderes Inúteis
35 O poder que ela já me mostrou
Notas iniciais
— Muito bem, agora cadê os tais convidados? – Breno indagou.
— Eram esses. – Ienaga colocou as mãos na cintura e jogou o cabelo para o lado.
Eu teria ficado mais indignado se não estivesse pensando em Milena. Por que sempre que eu conversava com ela parecia ter uma lacuna entre um momento e outro? Por que ela estava sempre tão esquisita? Qual era o problema daquela novata?
— Hã? – Victor berrou. – E por que fez a gente limpar essa droga de lugar? – cerrou os dentes.
— Porque ninguém mais aguentava a poeira. – a líder deu de ombros. – E pelo menos saiu bonitinho na chamada de vídeo.
— Você sabia disso? – Breno olhou para Eduardo com um ar de incredulidade.
— Eu só faço o que ela manda. – o vice ergueu os braços inocentemente e sorriu.
Sem dizer nada, levantei-me e deixei o esconderijo o mais rápido que pude. Milena não podia estar tão longe. Peguei meu celular e tentei ligar para ela, mas apenas caiu na caixa postal. Procurei por cada canto do corredor e nada.
No outro dia foi a mesma coisa. Não atendia minhas ligações. Não encontrava ela nas aulas. Não aparecia nos andares.
— Parece até que ela desapareceu. – murmurei perdido.
— Ei. – uma voz me chamou.
Virei a cabeça por cima do ombro e me surpreendi. Yara me analisava de cima a baixo com uma sobrancelha arqueada. Fiz o mesmo, reparando que ela usava duas tranças estilo boxeadora.
— Você mudou o cabelo. – balbuciei vendo-a se aproximar.
— Ah, sim, ontem também. – ela deu de ombros. – O que tá acontecendo com você? – deu um peteleco em minha testa.
Esfreguei o local atingido e afastei-me um pouco, envergonhado por ela ter perguntado. Respirei fundo e a encarei no fundo dos olhos, sabendo que se havia alguém para quem contar, era ela. Sempre ela.
— Vem. – segurei sua mão e a puxei delicadamente.
Subimos os lances de escada até nosso andar e com a maior discrição do mundo a coloquei dentro de meu quarto. Sabia que Kaíque não estava ali, porque costumava matar tempo no terraço.
— Céus, isso está pior do que a primeira vez que entrei aqui. – ela arregalou os olhos e colocou sua mochila em um canto.
— É, o Kaíque não tem jeito. – suspirei pesadamente.
— Estou falando do seu lado. – ela avaliou minha cama desarrumada.
Corei dos pés à cabeça e disfarçadamente comecei a passar as mãos pelo lençol, alisando-o.
— É que hoje eu acordei atrasado e… – afofei os travesseiros.
Yara deu uma risada abafada e dirigiu-se à janela, abrindo o vidro e afastando as cortinas para deixar a brisa entrar. Terminei de dobrar o cobertor e chutei as peças de roupa e tênis para debaixo da cama, escondendo-os.
— Então, o que é tão importante que precisamos falar aqui? – apoiou-se no parapeito e fechou os olhos suavemente.
Ainda ruborizado, bati uma mão na outra e juntei-me a ela na janela para observar o céu azul e as nuvens branquinhas a moverem-se lentamente. Respirei fundo e coloquei as mãos no parapeito, exclamando:
— A Milena. Tem algo de errado com ela.
Contei sobre as lacunas, o modo como em um momento ela chorava e no outro sorria e o jeito em que saiu do esconderijo no dia anterior. Yara ouviu calmamente sem me interromper.
— Eu percebi. Só não as lacunas. – ponderou. – Talvez você seja a melhor pessoa para lidar com isso, já que é o que tem mais intimidade com ela.
Torci a boca e apertei os dedos. Por um lado, eu não estava maluco. Por outro, aquilo seria um desafio.
— E se… – Yara virou-se para mim, reflexiva. – O poder dela tem algo a ver com esquecimento e por isso você não se lembra dos momentos com ela?
Uma luz se acendeu em minha cabeça. O poder que ela não mostrava para ninguém, ela perguntou se eu queria vê-lo no dia do acampamento. E eu esqueci, só podia ter esquecido, não tinha outra alternativa.
— Ah, Deus, ela já me mostrou o poder dela. – arregalei os olhos. – Mas eu não me lembro de jeito nenhum.
O que eu fiz depois daquela pergunta?
Tive um estalo, recordando-me de que eu apertei sua mão em um instante e no outro já não sabia o que havia acontecido. Milena disse que eu dormi, porém, duvido que tenha feito isso naquela floresta escura debaixo de chuva.
Foi assim no bebedouro e na frente da enfermaria também, todas as vezes foi assim. E ela se negou a segurar minha mão na quadra.
— O poder dela… – sussurrei pasmo. – É ativado por um aperto de mão.
Yara torceu a boca e abaixou a cabeça para pensar, entretanto, a levantou assim que ouvimos batidas na porta. Paralisei no lugar, não tinha por que Kaíque bater e só restava a opção de alguma inspetora ter nos visto.
Juntei coragem e fui até a porta, abrindo somente uma fresta e deixando uma mão livre para sinalizar para Yara caso ela devesse se esconder. Mas não era uma inspetora. Tinha cabelos louros escuros e uma expressão de nervosismo.
— Norte, eu preciso da sua opinião. – Fábio tocou a maçaneta e empurrou a porta, expandindo a fresta e revelando o interior do quarto.
O que ele viu primeiro foi a bagunça, algo que ele deixaria passar, mas era impossível ignorar a figura feminina que tentava se esconder debaixo da cama (tardiamente, graças a minha sinalização que nunca existiu).
— Ô-ou. – Fábio ficou estático.
— Tô ferrado? – mordi o lábio inferior.
— Sua mãe sabe disso? – ele cerrou os dentes.
— Hã… Não. – conferi Yara por cima do ombro. Ela suspirou pesadamente e sentou-se sobre suas pernas.
— Mas pelo menos vocês são namorados? – Fábio abaixou o tom de voz. – Não quero ser o cara chato, mas não acho legal fazer isso sem estarem nam…
— Parou, parou! – coloquei as mãos em frente ao corpo e as balancei. – Não é nada disso! Estávamos conversando! – virei um tomate de tão vermelho que fiquei.
Ai, Senhor, que vergonha. Podia ser qualquer adulto me repreendendo e falando sobre você-sabe-o-quê, mas tinha que ser justo o namorado da minha mãe? Deus, me leva.
— Conversando, certo, ufa. – Fábio soltou o ar, aliviado. – Tudo bem, eu não conto que você trouxe uma menina para a parte masculina dos dormitórios se vocês não contarem que vim aqui. – apertou os papéis em sua mão.
Me virei para Yara, vendo se ela confirmava. Ela assentiu e eu repeti seu movimento, cruzando os braços.
— Ultimamente, os alunos parecem meio agitados. – ele cerrou os dentes e terminou de fechar a porta atrás de si.
— Agitados? – Yara juntou-se a nós e Fábio encolheu-se.
— Muito agitados. – ele consertou. – Os inspetores têm reclamado todos os dias, pedindo para nós do R.C.E. darmos um jeito nos ânimos dessa academia.
E eu que achava que os inspetores estavam acima do R.C.E, já que eles eram bem mais assustadores.
— Então pensei em fazer um evento aqui na academia para deixá-los menos estressados. – Fábio estalou os papéis. – E queria a opinião de algum aluno antes de apresentá-lo ao Heitor. – olhou para cima. – Projetei um sarau cultural para daqui três semanas, onde os próprios alunos cuidarão das atrações para se envolverem melhor uns com os outros.
Eu e Yara nos entreolhamos intrigados. A coisa que os alunos menos queriam naquele momento era se envolverem. Se disséssemos o que realmente estávamos pensando, seríamos dedurados?
— É uma boa ideia. – disparei.
— Você acha? – ele sorriu esperançoso.
Senti o olhar pesado de Yara sobre mim, castigando-me por mentir. Ora, eu fiz aquilo pela minha pele e pela dela.
— A-Acho. – engoli em seco e afastei a mão da garota que puxava a barra de minha camiseta.
— Bem. – Fábio pigarreou e ajeitou sua postura. – Isso fica apenas entre nós. Não pega bem eu dizer que pedi a aprovação de um aluno antes da aprovação de Heitor, sabe?
— Sei. – assenti rapidamente, dei um sorriso amarelo e torci para ele ir embora logo.
— E se possível… – abriu a porta e tocou a maçaneta pelo lado de fora, pronto para partir. – Terminem logo a conversa de vocês antes que outra pessoa venha aqui. – aconselhou e desapareceu de nossas vistas.
Bufei e joguei as mãos para o ar. Seria possível que todo mundo naquela academia tinha problemas que eu precisava me envolver?
— Bom, acho que nossa conversa acabou. – Yara puxou sua mochila de volta, indiferente.
Inconscientemente, fiz um biquinho emburrado, não queria que ela fosse mesmo sabendo que ela precisava ir. Tinha me perdido no escuro de suas írises.
— Nos vemos amanhã. – ela passou por mim.
— Nos vemos. – balbuciei colocando as mãos nos bolsos.
Todavia, Yara interrompeu seus passos, girou nos calcanhares e tocou meu ombro. Ia perguntar o que tinha de errado, mas minhas palavras sumiram quando ela deu um beijo em minha bochecha.
Sem dizer nada, saiu de meu quarto, deixando-me paralisado com a mão no rosto e um sorriso bobo.
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Dois dias depois, a notícia do Sarau Cultural foi contada pelos professores das primeiras aulas e o conteúdo curricular do dia foi substituído pela explicação e preparação do evento que ocorreria em um sábado.
— Ainda não é certeza, mas talvez recebamos visita nesse evento, sendo o restante do pessoal do R.C.E. e alguns doadores da academia. – ela colocou a mão sobre suas cadernetas. – Infelizmente, não podemos chamar seus familiares, pois isso lotaria o lugar e não teríamos muito controle. – deu um sorriso sem graça.
Apoiei o queixo na mão e virei o rosto para a janela, suspirando tristemente. Apostava que o Sarau seria bem mais divertido com a presença de mamãe e Stefanie, por mais que a primeira ficasse surpresa com o pessoal que ando e a segunda me fizesse passar vergonha por natureza.
Ao pensar em Stefanie, coloquei a mão sobre meu celular que estava debaixo da carteira, na esperança de receber uma mensagem. Mordi o interior de uma das bochechas, levemente ansioso.
— Então, sintam-se livres para tirarem dúvidas com qualquer professor quanto a organização do evento. Não se esqueçam que vamos monitorá-los para ver se estão mesmo trabalhando na programação. – a professora Isadora colocou uma mão na cintura.
— Por que nós temos que organizar o evento se nem pedimos por isso? – um aluno ergueu a mão, entediado.
A mulher respirou fundo e respondeu:
— Primeiro, vocês precisam distrair a cabeça, estão muito estressados. Segundo, se deixarem isso na mão dos adultos, vão reclamar que o evento foi chato.
Ela tinha um ponto.
Uma vibração percorreu minha mão e eu dei um sobressalto na cadeira, assustando o garoto que estava sentado ao meu lado. Disfarçadamente, puxei o celular para o colo e toquei na notificação de mensagem.
Stef: Ainda não achei ninguém de cabelo acaju, lentes azuis e marca de queimadura no braço. [11:51]
Stef: Vou continuar procurando. Saiba que vai me dever pelo resto da vida. [11:51]
Meus ombros caíram, toda minha expectativa foi por água abaixo. Nenhum sinal de Hanna Sato.
Outra mensagem brotou na tela, contudo, não era de minha irmã.
Eduardo: O Informante mandou essas mensagens para nós líderes e disse para mostrarmos aos membros. Olhem os prints. [11:53]
“xxxx-xxxx: Que tal animar as coisas nesse evento?
Cada grupo vai ser responsável por uma atração no Sarau e usaremos fichas para contar pontos. Serão três cores de ficha: azul, laranja e rosa. Cada uma vale, respectivamente, para: alunos, R.C.E. e doadores. Professores e inspetores têm passe livre.”
“xxxx-xxxx: Eles usarão essas fichas para participar de suas atrações. Não direi quantos pontos vale cada uma, isso vocês só irão saber no final do evento.”
“xxxx-xxxx: Boa sorte.
—Informante.”
Ienaga: Reunião depois da aula para decidirmos o que fazer! :P [11:54]
— Henrique.
Ergui a cabeça subitamente, dando-me conta de que a professora e o restante da sala me encaravam, a mulher tinha as sobrancelhas franzidas e os alunos riam baixinho. Guardei o celular e me desculpei em um pigarro.
Parece que Fábio havia jogado gasolina no circo ao invés de apagar o fogo, apenas esperava que eu não fosse indiretamente responsável por aquilo.
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Fui o último a chegar no esconderijo. Victor escrevia alguma coisa no quadro branco e Breno o acompanhava, Érica e Yara conversavam com Eduardo, Ienaga analisava um pedaço de papel e Milena estava sentada em um canto.
Confesso que fiquei surpreso por finalmente rever a garota de cabelos rosas e pensei em ir falar com ela, entretanto, Ienaga agitou o papel e colocou-se no centro da sala, chamando a todos para perto.
— Os outros grupos já decidiram o que vão fazer. – avisou segurando a folha em uma altura que todos pudessem ver.
Semicerrei os olhos para conseguir ler aquele garrancho, entendendo minimamente que o Deslocados projetou um daqueles “acerte e derrube a pessoa no tanque de água”, dizendo que a pessoa a ser acertada estaria encenando alguma peça de teatro.
O Super Gatinhas propôs um stand de acessórios onde cada um seria vendido com o verso de um poema e uma barraca do beijo técnico (sim, isso estava escrito), alegando que aquilo era tecnicamente teatro.
O Era pretendia fazer uma feira de profissões através de narrativas e pinturas. Já o Nova faria uma apresentação de dança, sendo os únicos grupos que se prenderam verdadeiramente ao conceito do Sarau que foi passado pelos professores.
— Só falta a nossa ideia para que o cronograma possa ser impresso. –a líder fez um biquinho.
— Super Gatinhas se inspirou nos filmes estadunidenses, Nova e Era nos saraus comuns de outras escolas, Deslocados em parques de diversões. E nós? – Eduardo olhou da folha para a líder. – Precisa ser algo dentro do prédio, para que você possa participar sem se queimar.
Ienaga segurou seu queixo, pensativa. Após alguns segundos, arregalou os olhos, estalou os dedos e sugeriu:
— Podemos nos inspirar em animes e fazer um maid café, só que literário.
— Primeiro, não temos uniforme de empregada. Segundo, se tivéssemos, eu não usaria. – Yara ergueu o dedo indicador e o médio.
— A ideia do café literário é boa. Podemos tentar sem a parte do maid. – afirmei.
— Mas só o café não atrairia tantas pessoas. – Érica fez uma careta.
— Os professores, talvez. Velhos gostam de café. – Milena deu de ombros.
— Precisamos de algo que atraia tanto os jovens quanto os velhos. – Ienaga franziu as sobrancelhas. – Sabem as fichas? Não sabemos quanto cada uma vale, precisamos de algo que nos renda todas as cores.
— Que tal um show? Música entra no tema do sarau, não é? – Breno comentou. – O Victor sabe tocar e cantar. – deu uma cotovelada discreta no amigo.
— O quê? – Victor arregalou os olhos. – Nem pensar. – bufou.
— Um show não é nada mau. – Eduardo colocou a mão na cintura. – Podemos deixar para o anoitecer, já que as outras atrações terão acabado e as pessoas iriam descansar no café.
Victor desviou o olhar, afundou as mãos nos bolsos e resmungou:
— Se for só de noite, tudo bem. Talvez eu toque uma música.
— Muito bem, café literário e show! – a líder bateu uma mão na outra, satisfeita. – Vamos decidir alguns detalhes antes de escrever o projeto. – caminhou até o quadro branco.
Nos sentamos em frente a Ienaga e a observamos tirar uma foto do que Victor havia escrito (não entendi muito bem, era apenas um amontoado de números), apagar com uma flanela e enfim pegar um canetão e começar a desenhar algumas coisas no quadro. Ao terminar, virou-se para nós, determinada.
— Precisamos bolar nossa estratégia. – bateu com o canetão no quadro. – Kaíque foi esperto por saber que as pessoas não perderiam a oportunidade de dar um banho nele e Bianca também sabia que pagariam para beijar algumas de suas garotas. Então, vamos pensar.
Breno ergueu a mão e Ienaga instantaneamente apontou com o canetão para ele, fazendo-nos depositar nossa atenção no garoto.
— As pessoas não veriam o show só pelo Victor por causa da reputação de mal-humorado. – Breno alfinetou e o amigo praguejou.
— Você tem toda razão, por isso pensei em colocar outro garoto com ele. – circulou na lousa um grupo de três bonequinhos de palito. – Norte está fora de questão porque o “Nova-Era” e o Super Gatinhas não gostam dele. – riscou um dos bonequinhos.
Revirei os olhos e cruzei os braços.
— Quanto a você, não sei o que as pessoas pensam. – Ienaga inclinou a cabeça ao olhar para Breno.
— As garotas não vão muito com a cara dele por causa das cantadas ruins e os garotos têm medo do poder dele. – Victor contou com um sorriso sarcástico.
— Pelo menos, as pessoas gostam mais de mim do que de você. – Breno bocejou. – Mas é verdade, eu provavelmente não atrairia o público. – assentiu para a garota.
— Menos um. – ela riscou outro bonequinho. – Eduardo? – arqueou uma sobrancelha. – Sabemos que você é o que mais chamaria atenção, mas você é bom no palco? – sorriu de canto.
— Acho que posso tentar. – Eduardo cruzou os braços e olhou para cima. – Ou na pior das hipóteses, usamos playback. – brincou.
— Perfeito. – Ienaga animou-se. – Então, show ao anoitecer com Victor e Eduardo. Agora, precisamos distribuir as tarefas do café literário.
Érica levantou a mão timidamente.
— Posso ficar na parte da cozinha? Sou desastrada com ou sem onda, se tiver que carregar bandejas nossos clientes vão sair queimados. – arregalou os olhos.
— Posso ajudar na cozinha também. – Breno balançou a cabeça. – Não quero me gabar, mas sou ótimo em culinária. – falou convencido.
— Ótimo. – Ienaga fez alguns desenhos de doces e xícaras no quadro. – Sendo assim, eu, Yara, Norte e Milena vamos servir as mesas.
Milena ergueu as sobrancelhas ao ouvir seu nome e o meu na mesma frase e me fitou de soslaio. Devolvi seu olhar e foi como se só existisse nós dois naquela sala, longe de todo o burburinho que o grupo produzia sobre o Sarau.
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