Academia de Poderes Inúteis
41 Fazemos algumas descobertas - Parte I
Notas iniciais
Milena apertou minha mão fortemente e prometeu que não a soltaria mesmo que eu passasse pela porta. Respirei fundo e algumas imagens vieram em minha cabeça: a primeira foi quando cheguei a API e tive de procurar os quatro líderes, a segunda foi do pequeno incêndio que causei na roupa da professora Vera e a terceira foi quando descobrimos sobre Hanna Sato.
Fechei os olhos, por mais que isso não impedisse os flashbacks. Meu coração acelerou-se e o suor brotou em meu rosto conforme eu me aproximava do fogo. Minhas pernas queriam fraquejar de insegurança, mas a determinação em meu peito obrigava-me a continuar.
O que aconteceria se eu passasse? Era uma boa pergunta. E o que aconteceria se eu não passasse? Era a pergunta que faria a ansiedade vencer a hesitação.
Cerrei os dentes e subitamente coloquei um dos pés dentro da porta. Por algum motivo, eu sabia que não me queimaria. E não me queimei. O calor ultrapassou minha calça, entretanto, não fez mal algum a minha pele.
Expirei mantendo a calma e coloquei o segundo pé, estando enfim totalmente dentro da porta e rodeado pelo fogo. Franzi as sobrancelhas e dei um passo à frente.
Assim que abri os olhos, concluí que havia atravessado a porta. Segui o olhar por nossos braços estendidos e as mãos entrelaçadas sobre as chamas, visualizando a feição perplexa de Milena.
— Aconteceu alguma coisa? – perguntamos ao mesmo tempo.
Dei uma risada nervosa e olhei para meu próprio corpo, procurando por mudanças. Não sentia nada de diferente, então apenas neguei com a cabeça.
— Você atravessa ou eu volto? – indaguei.
Milena analisou o fogo, franziu os lábios e assentiu. Por fim, pulou sobre as chamas e encostou seu corpo ao meu, suspirando de alívio, mas essa sensação durou pouco, pois abruptamente virou sua cabeça como quem procurava algo.
— O que foi?
— Tem uma porta. – ela balbuciou apavorada. – Tem uma porta me chamando.
— Te chamando? – fiz uma careta.
Ela confirmou rapidamente e puxou-me para o que parecia ser o final do corredor, isso se aquele lugar tinha um fim. Arregalei os olhos ao notar 4 portas que se destacavam por causa de sua cor cinzenta e madeira apodrecida.
— Essas... São o poder de alguém? – questionei em um sussurro.
— Contando com as outras portas, no total ficam cem. – Milena engoliu em seco. – Mas temos apenas noventa e seis alunos, noventa e sete comigo, na academia.
— Acha que são pessoas que pagaram a multa para não se matricular?
Milena abaixou a cabeça e a agitou negativamente.
— Olhe de perto. Está vendo esses números?
Um tanto quanto confuso, reparei que no batente de cada uma daquelas portas havia pequenos números brancos que pareciam flutuar feito névoa. Semicerrei os olhos e entendi que eram datas.
— Cinco de fevereiro de dois mil e três... – murmurei. – Cinco de fevereiro. Essa data me lembra alguma coisa. – olhei para cima.
Então tive um estalo na cabeça. Cinco de fevereiro foi o dia em que Yara voltou para a academia depois das férias e tivemos aquela conversa no terraço sobre a amiga dela e...
“ — Hoje é aniversário dela. – Yara fungou. – Cinco de fevereiro. Fico pensando qual seria o poder inútil dela. Se é algo que realmente foi injetado em nós, já havia um dentro dela… Ela só não chegou a ativá-lo. Ah, esquece. – curvou-se um pouco.”
Empalideci e paralisei no lugar, o que fez Milena fitar-me assustada.
— Você está bem?!
— Acho que sei de quem é essa porta. – apontei. – E a dona dela... – cerrei os dentes. – Morreu.
Milena ficou estática por um segundo, desviou o olhar e encolheu os ombros.
— Eu imaginei. – resmungou. – Até porque parecem portas inativas. E Fábio me contou que convenceram todos os pais a matricularem seus filhos na API ao invés de pagarem a multa, mesmo os que haviam se mudado para outro estado. Acho que é muita sorte que nenhum deles tenha saído do país.
A pequena fechou os olhos, bagunçou seus cabelos com a mão livre e respirou fundo.
— Essa é a porta que está te chamando? – a observei preocupado.
— Eu escuto um zunido. – ela mordeu o lábio inferior. – Como se fosse para você passar por essa também. Mas eu não sei o que vai acontecer. Não quero que você se machuque.
Submerso em minha coragem, ousei tocar na maçaneta e senti um arrepio percorrer meu corpo. A reação instantânea de Milena foi querer largar minha mão, porém, a segurei firmemente e indiquei as letras embaralhadas em branco que surgiram na porta.
— O que está escrito? – levantei as sobrancelhas.
— Apagar! – Milena gritou. – Está escrito “apagar”, não consegue ler? – me encarou extasiada.
Pisquei os olhos lentamente e olhei da pequena para a porta e da porta para a pequena. Não, eu não conseguia ler.
— E acha que se eu passar... Isso vai apagar meu poder? Tipo, os poderes não têm pegadinhas por serem inúteis?
Milena pareceu ponderar por um instante até ganhar um semblante de perplexidade.
— Há quanto tempo a dona da porta morreu?
— Dois anos, eu acho. Dois anos e meio. – respondi.
— Se ela não fez quinze anos... – segurou seu queixo. – Ela não ativou seu poder, ou melhor, a parte inútil. Talvez o poder dela esteja todo aqui, inteiro e útil.
Um nó começou a se formar em minha garganta, pois pensei em como teria sido ter Lorena conosco na academia e sabia que Yara devia pensar o mesmo quando estava sozinha.
Talvez estivéssemos interpretando errado. Talvez estivéssemos completamente errados. Todavia, aquela era a hora de assumir riscos. Lancei um olhar para que Milena me acompanhasse e apesar do receio, ela concordou e juntos passamos pela porta.
Meu coração saltou uma batida, fora isso não me senti diferente. Analisei a porta por cima dos ombros, perguntando-me se de fato estávamos errados. Não tive muito tempo para questionar, porque o corpo de Milena pendeu no meu.
— Estou cansada. – confessou baixinho.
De soslaio, notei uma caixa flutuando próxima de nós. Pousei a mão livre em sua tampa e a abaixei até o chão, sentando-me em cima dela e chamando Milena para sentar-se ao meu lado.
Ficamos um tempo em silêncio, apenas avaliando o que estava ao nosso redor. Deixei os ombros caírem de frustração.
— Essa caixa é algo que o Eduardo fez desaparecer lá de fora?
— Ah, não. – ela bateu na lateral da caixa. – Minha mãe pediu para eu guardar isso aqui. Posso trazer coisas para o corredor.
Afirmei vagamente, virei a cabeça e torci a boca. Havia algo me incomodando, então aproveitei o assunto:
— O que seus pais...
— Ei, que tal se olharmos o que tem na caixa? – Milena me cortou.
Entendi que ela não queria falar sobre aquilo (bem, talvez eu também não quisesse tanto assim ouvir sobre o Rodrigo), por isso dei um sorriso amarelo e comentei:
— Sua mãe não vai achar ruim?
— Ela não vai saber. – a garota levantou-se. – Eu abro a tampa e você pega o que tem dentro antes que a caixa voe.
Entrando na onda, ergui-me ao mesmo tempo em que ela puxou a tampa e agilmente agarrei o conteúdo da caixa, tendo em minha mão um amontoado de papéis amarelados.
— Será que são cartas de um ex-namorado? – Milena ficou nas pontas dos pés para conseguir ver do que se tratava.
— Posso imaginar ela pedindo para esconder algo assim. – dei de ombros e passei os olhos pelas folhas.
Tive um baque no peito e meus olhos não acreditaram no que viram. Minha boca secou e eu tive de ler e reler aquilo dez vezes. Ao terminar, apertei os papéis com força, enrugando-os.
— Milena… – minha voz saiu feito um fio. – Por que sua mãe tem isso?
— O que é? – franziu o cenho, confusa.
Uma certidão de nascimento, documentos rasurados e impressões de notícias. Todos esses ligados por um único nome: Hanna Sato.
— Milena, isso é extremamente sério. – meu maxilar ficou tenso. – Precisamos conversar com a sua mãe. – as informações misturaram-se em minha mente.
— Por que você ficou desse jeito? – os lábios de Milena tremeram. – O que tem de errado com a minha mãe?
— Você sabe que estamos procurando pela Hanna Sato, não sabe? – soei um pouco ríspido, por mais que não fosse minha intenção. – Isso… Isso é uma prova. E quem sabe sua mãe…
— Não! – ela berrou. – Não, a gente não devia ter mexido nisso. É um engano, só pode ser. – ofegou.
— Escuta, Milena. – usei um tom calmo, arrependido por tê-la deixado daquele jeito. – Precisa me contar o que aconteceu aqui quando sairmos, entendeu? É muito importante, eu não posso esquecer. – olhei no fundo de seus olhos marejados.
Milena engoliu em seco, olhou dos papéis para nossas mãos entrelaçadas e sussurrou um pedido de desculpas.
>>>
De noite, no meu quarto, me peguei pensando no tempo em que passei com Milena. Ela me disse que encontramos a metade do meu poder e o apagamos em uma outra porta, porém, eu ainda sentia uma lacuna em nossa conversa.
Kaíque por algum milagre havia tomado banho e estava passando perfume, o que foi péssimo para minhas narinas. Meus olhos lacrimejaram e um espirro escapou. Esfreguei o nariz e percebi o olhar incrédulo de meu colega de quarto sobre mim.
— Que foi? – fiz uma careta.
— Você não espirrou fogo. – ele arregalou os olhos.
Ergui as sobrancelhas e fiquei boquiaberto, conferindo imediatamente a gola de minha camiseta, as mãos e tudo o que estava ao meu redor. Nada de cheiro de queimado também.
— Impossível. – sussurrei. – Me faça espirrar de novo! – aproximei-me abruptamente do garoto, obrigando-o a recuar alguns passos.
— Tá, tá, calma. – ele borrifou um pouco de perfume no ar e observou-me atentamente.
Tentei aspirar o máximo possível da fragrância (de bebê?) que se espalhou pelo ambiente. Não espirrei somente uma vez, mas sim uma sequência de pelo menos cinco espirros.
— Por que não estou soltando fogo? – indaguei chocado.
A resposta veio feito um tapa. Sem dizer mais nada, corri para fora do quarto e atravessei as escadas o mais rápido que pude, chegando ao andar da garota que procurava.
Para minha sorte, ela acabava de fechar a porta de seu quarto. Andava de cabeça baixa com uma toalha no antebraço e uma necessaire na mão, indo em direção ao banheiro.
— Milena! – gritei para chamar sua atenção. Sabia que a inspetora carrancuda me daria uma bronca se eu avançasse demais para o lado feminino do dormitório.
A garota pareceu surpresa ao me ver, varreu o local com os olhos e apesar da hesitação, veio ao meu encontro.
— Alguma coisa errada? – murmurou apreensiva.
Outros alunos passaram por ali e nos mandaram olhares de soslaio, mas logo voltaram a conversar entre si. Cerrei os dentes de maneira nervosa, abaixei-me até ficar na altura de Milena e questionei o mais baixo que pude:
— Tem certeza de que eu apenas atravessei as duas portas dentro do seu poder?
Ela levantou as sobrancelhas e balançou a cabeça positivamente.
— Não aconteceu mais nada? – insisti. Aquela lacuna estava me incomodando.
— Nada que tenha a ver com seu poder. – negou tão rápido quanto afirmou. – Se sente diferente?
Respirei fundo, fiz um gesto para que se aproximasse e cochichei em seu ouvido:
— Eu perdi meu poder.
— Você o quê?! – Milena exclamou e afastou-se bruscamente.
— Sem gritar. – a inspetora desviou os olhos de sua revista por um instante.
Pressionei o indicador contra meus lábios, pedindo por silêncio enquanto Milena ruborizava e cobria o rosto com as mãos.
— Não acredito… – balbuciou. – Deu certo. Ah, meu Deus, deu certo. Quer dizer que podemos nos livrar desses poderes.
— É, podemos. – encarei meus pés, reflexivo.
Eu me sentia estranhamente vazio. Franzi o cenho e dei uma risada abafada. Podia ser passageiro, podia existir a possibilidade de eu retomar meu poder alguma hora, mas repentinamente achei que estivesse deslocado ali dentro.
— Precisamos contar para a Ienaga antes que ela coloque a teoria do sangue em prática. – Milena arregalou os olhos. – As meninas comentaram que ela estaria no esconderijo.
— Então vamos. – a puxei pelo pulso.
Ao chegarmos ao almoxarifado, escutamos algumas vozes no final do corredor e nos surpreendemos ao ver a porta da sala das cadeiras aberta.
— O que é aquele lugar? – Milena havia colocado sua toalha no pescoço.
— Nosso antigo esconderijo. – respirei fundo sentindo certa nostalgia.
A fim de conferir o porquê de a porta estar aberta e a presença de vozes, nos aproximamos. O receio nos abandonou assim que vimos Ienaga de braços cruzados encostada no batente e acompanhada de Eduardo.
— Ah, desculpa não ter chamado vocês. Foi de última hora. – a líder assustou-se com nossa aparição.
Em sua frente, Victor estava ajoelhado no chão rodeado por papéis repletos de números e anotações em vermelho. Já de costas para nós, Amanda escrevia no quadro branco exalando concentração e ao seu lado havia uma menina de cabelo preto azulado que segurava uma calculadora. Lembrei vagamente de tê-la atendido no café do Sarau.
— Olha só, é o garçom bonitinho! – ela sorriu ao me ver.
— Bonitinho? – uma voz adentrou a sala. Sua dona era ninguém menos, ninguém mais que Yara carregando alguns canetões e fichários.
— Victor, onde eu deixo isso?
Uma figura apressada passou por nós segurando um amontoado de folhas sulfite contra o peito e arfando, até que se afobou e tropeçou nos próprios pés, emitindo um grito agudo e levando seu corpo para baixo.
— Se cair em cima de mim, eu te mato. – Victor estendeu o braço para segurá-lo a tempo e lançou-lhe um olhar ameaçador ao empurrá-lo para ficar de pé.
O garoto ruborizou e recuperou o equilíbrio imediatamente. Também havia o atendido no café, já que estava sentado junto com a garota que me chamou de bonitinho.
— Assustador, assustador, assustador. – encolheu os ombros e cerrou os dentes correndo para perto de sua amiga.
— O que está acontecendo aqui? – pisquei os olhos lentamente, registrando a bagunça que aquela sala estava, desde papéis espalhados até livros abertos e jogados pelos cantos.
— Os gêmeos Dias acham que podem descobrir a data de desativação dos poderes. – Eduardo explicou. – Lembra sobre chegar uma hora em que nossos corpos não vão mais aguentar nossos poderes?
— E essas pessoas são… – Milena pigarreou desconfortável.
— Ela é Yuri Farias, tem o poder de ler o próprio pensamento e ele é Martin Garcia, tem o poder de ver o próprio passado. – o vice-líder apresentou. A garota piscou um olho e o garoto acenou timidamente. – São amigos do Victor. Vieram ajudar.
— Basicamente, estamos descobrindo a data em que vamos morrer! – Yuri gargalhou.
Eu e Milena nos entreolhamos extremamente ansiosos.
— Na verdade, estamos descobrindo quanto tempo temos para nos livrar desses poderes antes que eles nos matem. – Ienaga suspirou.
Quando eu ia abrir a boca para falar o que aconteceu comigo, fui interrompido pelas próximas pessoas que entraram na sala.
— Eu sei, é surpreendente que o Victor tenha outros amigos além de mim. – Breno riu convencido.
— Conseguimos os livros que você pediu, Amanda! – Érica colocou uma pilha de livros em cima de uma das cadeiras. – Ou será que faltou algum? – ponderou.
Amanda agradeceu, limpou o suor da testa e voltou a dedicar-se ao quadro branco.
— Ienaga, a gente meio que tem algo para contar… – exclamei nervoso.
— Ô do espirro, a sua voz tá me atrapalhando. – Victor resmungou.
— É, esse é o ponto, eu não posso mais… – continuei desesperado.
— Droga, isso não está chegando a lugar nenhum! Yara, me ajuda? – Amanda pediu manhosa.
Cerrei os punhos e as palavras se entalaram em minha garganta. Vendo o caos espalhado por aquela sala e todos os membros ocupados em seus próprios mundos, me senti cada vez mais deslocado.
As vozes não paravam, alguns berravam, outros usavam um tom apressado e o restante sequer falava para não perder tempo. Meus ouvidos zuniram e a cabeça rodopiou.
— Fiquem quietos! – Milena bradou ao meu lado, assustando a mim e a todos ali presentes. – O Norte perdeu o poder dele!
O silêncio não durou mais que um segundo, pois o ambiente foi preenchido por um perfeito uníssono:
— O quê?!
— Era o que eu estava tentando dizer. – relaxei os ombros e suspirei pesadamente. – Eu perdi o meu poder através do da Milena.
Todos os olhares caíram sobre a garota de cabelos rosas, fazendo-a corar e encolher-se.
— Sentem-se. Eu vou explicar como funciona. – Milena desviou o olhar, um tanto melancólica.
A pequena explicou sobre o corredor, as outras metades dos poderes e o jeito como passei pela porta de fogo e pela porta de apagar. Aparentemente, eu disse a Milena que sabia quem era a dona da segunda porta, entretanto, ela não contou isso ao restante. Tive de aspirar o condicionador do cabelo de Yara e espirrar algumas vezes para provar que havia realmente perdido meu poder.
— Isso é… Incrível! – Ienaga ficou admirada.
— Eu que o diga. – Yara amarrou seu cabelo de volta em um rabo-de-cavalo.
— Precisamos traçar um plano. – Eduardo segurou seu queixo. – Não podemos ser os únicos a abandonarmos nossos poderes. A API inteira tem que abandoná-los.
— Por quê? – Érica torceu o nariz.
— Porque por mais que não gostemos de algumas pessoas daqui, não queremos mais ninguém em perigo. – Ienaga cruzou os braços e olhou para cima. – Temos que cortar o mal pela raiz. Temos que acabar com a API. – franziu as sobrancelhas.
Um silêncio esmagador tomou conta do ambiente, tornando a tensão quase palpável.
— O mundo ainda não está pronto para lidar com poderes. – o vice-líder murmurou seriamente e fitou sua própria mão.
— E como vocês vão convencer os outros alunos? – Yuri cruzou as pernas. – Tipo, vocês são vistos como malucos. – rodopiou o indicador ao lado da cabeça.
Ienaga e Eduardo tiveram sua costumeira troca de olhares. A líder hesitou por um momento, molhou os lábios e anunciou:
— Temos um meio. Mas não depende apenas de nós.
— Precisamos falar com uma pessoa. – Eduardo tocou na mão de Ienaga. – Só assim poderemos criar um plano. Enquanto isso, é melhor a Milena não retirar o poder de mais ninguém. Vai ser ruim se os adultos descobrirem.
Todos assentimos de maneira determinada, prometendo que manteríamos em segredo o que aconteceu com meu poder. Até mesmo Yuri e Martin juraram não contar para ninguém, o que eu tenho certeza de que foi influência de uma das ameaças de Victor.
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