Academia de Alquimistas
3 Capítulo 3 - Apenas a Verdade
Notas iniciais
Eu sentei na cama, estava meio tonta...
— Aii, minha cabeça! – reclamei segurando-a de leve pois ela estava latejando, e comecei a coçar meus olhos na tentativa de me acostumar a luz do ambiente – Mas que droga de sonho bugado... Almas, demônios, morte, espíritos, médicos gostosões, tão estra...
Meus olhos se adaptaram e eu pude ver os dois caras do meu sonho, Michael estava pegando um biscoito no pote e Kevin abria um sorriso de felicidade na cara.
— Merda – falei simplesmente
— Então você nos acha GOSTOSOS? Lembre-me de nunca trocar de roupa na sua frente. – falou Michael brincando com um sorriso malicioso
— Você está viva – falou Kevin se aproximando de mim, parecia que ele quase não acreditava em suas próprias palavras.
— Óbvio, ela tá se mexendo, além do mais, ela não deve ser uma humana normal – falou Michael de uma vez.
— Por favor, me digam que vocês não estão falando de mim – fechei os olhos rezando para que tudo fosse um sonho, era muita coisa para que meu cérebro computasse.
— Não, não, estamos falando da tiazinha cadáver do quarto ao lado – retrucou Michael enquanto comia um biscoito.
— Michael já chega, ela está confusa, não percebe? – falou Kevin rapidamente, fazendo Michael revirar os olhos em deboche.
— Tudo bem, parem um pouco, deixem-me ver se entendi direito o que aconteceu até agora. – falei tentando lembrar melhor do que tinha acontecido anteriormente – Os demônios me mataram e vocês vieram me salvar, é isso?
— Bom, resumindo tudo, sim, foi isso – falou Kevin coçando a cabeça.
— Mas eu fiquei em forma de espirito e ... – parei para tentar entender – como vocês conseguiam me ver? O que vocês são?
— Então... – Kevin começou olhando para Michael, que fez um sinal positivo com a cabeça, permitindo que continuasse – somos comissários da morte, somos enviados quando há problemas em relação à passagem da vida, no seu caso, roubo de alma. Os demônios não fazem muito isso atualmente, mas quando resolvem fazer, tentam passar por cima de nós para conseguirem. – falou suspirando – A técnica deles é criar um dia bom e fazer suas vitimas acreditarem que foi perfeito, para então quando matarem, elas aceitam mais facilmente seu “destino” – ele me olhou de maneira triste – como eles quase conseguiram fazer com você.
— Oh. – falei quando percebi – agradeço a vocês por terem me salvado, apesar de que vocês já devem estar acostumados com isso.
— Nem tanto – falou Michael tampando o pote de biscoitos, depois de ter comido quase a metade – essa é a primeira vez que conseguimos impedir uma alma de aceitar isso. Você, só por conseguir sair de seu corpo e continuar viva, já é diferente – falou me deixando surpresa – Mas conseguir quebrar uma maldição de um demônio, você com certeza não tem sangue humano.
— Espera! Como assim? “Não tenho sangue humano”? Por quê? O que eu sou então meu filho? – comecei a perguntar tentando entender tudo o que estava rolando.
— Não sabemos ainda, é por isso que vamos fazer algo como um exame – falou Kevin olhando para trás – mas o seu sangue deve ser o motivo deles virem atrás de você.
— Realmente, esse é o motivo – falou uma voz elegante atrás de mim. Eu me virei rapidamente para ver quem era e me deparei, adivinha com o que... falando no demônio, sim ele estava ali, o “Demun”, o príncipe lindo daquele dia, que na verdade era um demônio, o que é bem irônico pelo nome, estava ali, sentado na janela – mas o que me admira é ver que vocês, Anjos da Morte, não descobriram ainda o que ela é, deve ser falta de experiência, huhuhu.
— Você! – disse Michael puxando uma espada de dentro do jaleco e, sinceramente como aquilo estava lá? – Ela está viva, não vê? Sua tentativa falhou. Desista dessa alma que já provou ser forte. – falou fortemente enquanto entrava na minha frente.
— Aí, ô demônio – falou Kevin debochando – ela já sabe o que você é, não precisa mais esconder essa cara feia, essa fantasia de fadinha não combina com você.
— Ora, já que é assim, que tal ser o bicho papão? – disse o demônio, ele começou a se transformar e, sinceramente aquilo foi a coisa mais estranha que eu já vi.
O cara ficou muito escroto, sua pele foi se enrugando até ficar pior que um velho acabado, ficou com uma aparência de escamas, e o seu cabelo se encurtou e começou a se espetar, como se tivesse tomado um banho de gel, e ficou de uma forma que lembrava chifres, e além disso, seu interior parecia que não existia mais, ele ficou mais que raquítico, chegava a mostrar o formato completo dos ossos.
— Eca – falei horrorizada – Alguém de um sanduiche para esse cara, me da fome só de olhar!
— Aceito o lanche – falou o príncipe demônio – Mas devo pedir desculpas e negar a outra proposta... Não vou desistir dessa alma tão facilmente. – disse e no mesmo momento que terminou de falar, ele mostrou suas garras, rugindo forte.
— Merda! – exclamou Michael segurando com a espada a primeira investida do demônio. Um som forte de metais afiados batendo encheu o ar – KEVIN PEGUE-A E LEVE PARA O VELHO! – gritou no mesmo momento em que se soltava para segurar outra investida.
Kevin me pegou no colo rapidamente e saiu correndo, ignorando todo o equipamento que eu estava ligada, e deixando Michael para trás. O corredor do hospital era largo, os pisos eram brancos e antiderrapantes, haviam quartos no lado oposto ao meu e uma janela no final, em uma divisão em T, com mais dois corredores.
— Aquilo doeu idiota! – gritei enquanto tapava o ferimento em meu braço e sem me importar se ele ficaria ofendido ou surdo – não se arranca tubos de soro assim sem mais nem menos!
— Foi mal! Desculpe, mas não temos tempo para isso. – disse Kevin enquanto fazia a curva pra direita correndo – tenho que te levar até a casa do... – parou assim que viu um cara parado na nossa frente.
— Você – falei reconhecendo a figura, ele era o garçom daquele dia, ele abriu os olhos e eu pude ter certeza, eram olhos como o do principezinho.
— Está indo a algum lugar? – falou calmamente o garoto – tenho a impressão de que está com algo que me pertence.
— Ah mas não pertence mesmo! – exclamou Kevin e, rapidamente, puxou uma pistola de dentro do bolso da calça e atirou na cara do demônio, mas para minha maior surpresa, o que saiu foi uma bola brilhante, com uma explosão que nos empurrou para trás.
Fomos parar a outra ponta, no outro corredor, ao lado do que nós viemos e, aproveitando a distancia ganha, Kevin se virou e recomeçou a correr, agora mais rápido.
— Que droga foi aquela véi? – exclamei indignada com o que aconteceu
— Isto é uma pistola de luz – falou guardando no jaleco – assim como a espada de Michael, ela é uma arma espiritual e, como um comissário, está é minha... como vocês chamam? Foice?
— Eu não estava falando disso! – comecei irritada – ele falou que eu era dele, mas que horror!
— É isso que te preocupa? – disse Kevin rindo – você é realmente uma garota estranha.
Kevin corria cada vez mais rápido e fazia as curvas quase subindo na parede, o som do demônio ficava mais forte e era seguido de barulhos de explosões em todos os cantos, o hospital dava eco de maneira assustadora em todos os sons.
— Isso não faz sentido – falei enquanto percebia o que estava obvio, o hospital estava vazio, não havia ninguém por perto – onde está todo mundo?
— Esse é um hospital um pouco diferente, não acha? – disse Kevin inquieto, ele estava obviamente escondendo informações.
— Kevin... Onde estão os meus pais? — perguntei ao perceber que eles nunca me deixariam sozinha, além do jeito de criança culpada na voz dele.
— Eles estão bem, quero dizer, eles estão na sala de espera, estão seguros lá – falou sem conseguir me olhar nos olhos.
Mas por uma coincidência do destino nós passamos por uma sala que estava com a porta aberta e, lá dentro, haviam pessoas caídas, claramente estavam desmaiadas, haviam médicos, enfermeiros, pacientes, todos apagados.
— KEVIN O QUE VOCÊS FIZERAM COM ELES?!? – perguntei quando percebi que meus pais não deveriam estar melhor do que os outros.
— Nós só os colocamos para dormir, para que pudéssemos chegar até você – disse com uma voz falhando, ele sabia que aquilo não estava certo e se sentia culpado, e sabia também que eu estava furiosa.
— Me leve até meus pais. – eu disse tentando manter a calma para não deixa-lo mal.
— Eu não posso fazer isso, eu tenho que te levar até o ancião – reclamou tentando ficar sério
— Kevin, me leve até eles! – repeti secamente, eu estava preocupada com eles, não eram os melhores pais do mundo, mas eram meus pais e eu os amava, o que iria acontecer se os demônios os pegassem?
— Eu não...
— AGORA KEVIN!!! – gritei e no mesmo momento houve uma explosão ao nosso lado, e adivinha só, a droga do demônio garçom estava lá, mas agora não era bonitinho, estava parecido com o que o demônio príncipe se tornou.
Ele saiu de dentro da explosão e veio pra cima da gente, Kevin desviou, mas para o nosso azar, havia um zelador dormindo e um balde de água e sabão virado e, sim você acertou, Kevin pisou no piso molhado e, devido a velocidade, fomos direto contra a janela, o vido se quebrou e nós caímos.
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