Academia de Alquimistas

2 Capítulo 2 - Um Novo Início


Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo, não se preocupem que daqui a pouco começa a palhaçada ok ;P

Estava tudo escuro, eu escutava vozes distantes, não sentia dor, mas senti o vento frio que veio junto do barulho da janela se abrindo, e com isso abri meus olhos.

Estava bem claro, apesar da dificuldade de me acostumar com a luz, pude perceber onde estava, era um quarto de hospital, minhas roupas eram de um interno e a cama era reclinada, logo em frente tinha um criado mudo simples com um ursinho e um vaso de plantas em cima que, possivelmente, vieram de meus pais, pois era um vaso com terra e, ao lado, um pote de biscoitos.

Eu levantei de minha cama, eu não sentia dor e meu corpo estava leve, as cortinas batiam e lá fora estava um pouco escuro, eu cheguei e peguei um biscoito, então percebi as vozes que eu estava ouvindo, dois caras entraram falando sobre “medidas rápidas”, eles estavam com roupas de médicos e foram direto para a cama, não haviam me visto, então eu percebi o porquê.

Na cama estava deitada uma garota morena de cabelos cacheados, cheios e escuros... era eu.

Eu estava me vendo naquela cama e, quando percebi, soltei o biscoito que estava na minha mão. Um dos médicos me viu e logo quebrou o silêncio:

— Oh Ou! – falou o médico que aparentava ter 17 anos de idade, era moreno e tinha cabelo curto. Espera... médico de 17 anos?

— O que? – perguntou o outro que não aparentava ser muito mais velho, ele estava mais perto da cama, era branco e tinha cabelos longos e ondulados. – Merda – Ele falou quando me viu.

— Por que eu estou naquela cama? Como isso aconteceu? – Falei rapidamente – Ah não, pera, fui esmagada por um caminhão, então eu morri? E agora sou uma alma penada? – acrescentei incrédula e ironicamente.

— Acalme-se, você não morreu ainda – falou o moreno tentando me acalmar.

— Ai Meu Deus! – Exclamei percebendo o que tinha acontecido e o que eu havia falado – Eu Morri!?!

— Não, não, tá aí olhando em um espelho – falou o cabeludo obviamente sendo irônico.

— Michael! – Gritou o outro – É pra acalmar ela pra podermos salvá-la!

— A Culpa não é minha se ela é idiota pra só perceber agora! – Falou Michael – Acalme-a você, Kevin, enquanto eu faço isso aqui.

— Perae!! – Falei – Para Tudo! Que que você vai fazer com meu corpo?

— Seu corpo está bem, já se recuperou do acidente sofrido – Respondeu Kevin – Por isso você não iria morrer, mas sua alma foi retirada do corpo por demônios.

— Tá, então demônios existem? – Comentei sarcasticamente

— Sua alma tá fora do corpo, você tem algo para acrescentar? – retrucou Michael, me quebrando totalmente

— Hum, acho que não, mas por que demônios iriam querer minha alma?

— Sua alma é diferente das demais, o que fez eles desejarem você a ponto de passar por cima de nós. – Explicou Kevin – Eles dão um “dia perfeito” para a vítima, fazendo com que ela aceite mais facilmente seu “destino”.

— Eles... Eles tem por um acaso... – Comecei – Teriam olhos verdes com mel ou amarelo com verde?

— Os olhos? Sim essas são as características mais marcantes – Falou Michael

— Fudeu. – Falei

— Como assim? De repente... – Começou Kevin

— Eles apareceram pra mim – Falei – Não fizeram meu dia ser magnífico, mas meu dia foi ótimo, foi quase perfeito, eu não briguei, não me estressei nem fiquei triste, apenas me diverti.

Eu percebi que, mesmo que eles sejam demônios, eu tinha morrido, voltar a vida não seria natural, e também...

— Acho que é um pouco justo... a minha vida por um dia tão perfeito. – Suspirei

— Não pense... – Kevin começou a falar quando senti uma coisa gelada segurar meu pescoço, era uma corrente de ferro, era escura e fria, de um gelado como o vazio, e só me trazia sentimentos de tristeza.

— O que... – comecei a falar e vi a visão de Kevin ficar triste, um som constante de apito começou, eu olhei pro lado e vi o painel de meus batimentos (ou dos batimentos de meu corpo, sei lá tá tudo confuso), meu coração havia parado, eu havia morrido...

Minha mente se encheu de minhas memórias, das mais felizes as mais tristes, até de memórias tão antigas que eu já havia esquecido. Tudo que eu conseguia sentir além do gelado da corrente e do vento que vinha da janela era o sentimento que eu mais odiei minha vida inteira, a tristeza, com pena e saudade.

Eu não gostava daquele sentimento, lágrimas começavam a cair tão rápido quanto as imagens a passarem em minha mente, e então eu senti algo a mais, um calor acolhedor, um sentimento de segurança, um abraço amigo, alguém que me entendia...

Michael estava me abraçando, apesar de eu ser só alma ele conseguia me encostar, ele estava conseguindo me acalmar, e tudo o que eu queria era ficar naquele abraço.

— Você não precisar se sentir assim, está tudo bem – falou calmamente – você pode tentar voltar para seu corpo e terminar sua vida direito, sem esses sentimentos, poderá transformá-los em coisas boas... pode fazer desse momento, um momento de alegria, sem arrependimentos... É só aceitar mais este desafio e enfrentar mais algumas batalhas.

Aquilo era o suficiente, o abraço estava bom, me fazia continuar, e aquelas palavras, me davam a força que faltava...

Eu fechei meus olhos mais uma vez, eu estava mais calma, o vento da janela havia parado, o gelado das correntes havia desaparecido assim como elas, eu não aceitava mais um destino tão simples, eu não iria desperdiçar uma chance de fazer melhor.

Tudo ficou escuro mais uma vez, ouvi vozes ao fundo, um cântico rápido, um som da janela se abrindo, assim como meus olhos.

Notas finais
Espero que tenham gostado, não sou muito boa com essas coisas, muito menos com ortografia, por favor, quem se interessou, comentem ^.^