Academia Jovens Promissores -Fic Interativa
25 Seus segredos estão a flor da Pele FINAL
Notas iniciais
Algumas horas Antes – Pela Manhã
Instituto Xavier
Steve andava pelo jardim vendo vários jovens tentando viver uma vida normal, não que fosse fácil, ou que fosse simples, mas todos sentiam a necessidade de serem iguais.
–Quando eu vim para cá tinha muitas duvidas, eu não acreditava ser possível viver em paz, sinceramente ainda não acredito muito. – Disse Gambit com um sorriso debochado, ele estava interessado na visita do Capitão ao Instituto e por isso se ofereceu para levá-lo até Charles que naquela manhã estava ensinando alguns jovens perto do lago.
–A paz começa dentro de nós mesmos. – Steve falou com calma olhando para o mutante que apenas ajeitou seu chapéu de lado.
–Belas palavras, você aprendeu isso antes ou depois de matar os Russos? – Gambit desafiou Steve que pensou em responder, mas apenas respirou fundo.
–Algumas batalhas são necessárias. – Ele falou firme, mas antes que Gambit pudesse dizer qualquer coisa Charles surgiu em sua cadeira de rodas.
–O Capitão está certo. – Disse Xavier suavemente enquanto outras crianças corriam entre eles.
–Quem sou eu para discutir isso. – Gambit falou piscando para uma aluna mais velha que sorria para ele.
–Todos aqui, eles estão apenas sendo pacíficos, ninguém aqui quer lutar, ninguém aqui quer ser um soldado, por isso sempre pedi a SHIELD para que se afasta-se de nós, porque podemos até ter recursos e treinamentos de combate, mas não para atacar e sim para proteger. – Charles falou olhando ao redor enquanto um grupo de garotos jogava basquete.
–Stark foi falar com o presidente, eu sei que isso pode ajudar de alguma forma, vamos garantir um pouco mais de segurança para todos enquanto as reformas na Academia começam. – Steve falou da sua forma habitual, sério e decidido.
–É mesmo uma pena que tudo tenha ido para os ares, eu já estava ansioso para freqüentar aquele lugar, principalmente agora. – Gambit sorriu enquanto pensava em seu passado.
–Tudo voltara a ser o que era antes, isso eu posso prometer, bem, eu vim aqui apenas avisar que as negociações com o Presidente começaram, todos estão um pouco abalados então talvez não seja tão simples assim. – Steve sabia que os militares iriam querer algum tipo de ofensiva da parte de Tony. –Nós sabemos que muitos canais estão mostrando atentados, pequenos crimes e muitas manifestações contra e a favor dos mutantes pelo país, alguns acham que devemos ser protegidos, e outros querem que sejamos condenados, não apenas os mutantes, mas qualquer um com poderes. – Steve sabia que se isso acontecesse sua família também ficaria em sério risco.
–Obrigado pelas informações Steve, mas eu sei que seu motivo aqui é outro, você quer saber se eu tenho alguma informação sobre Eric não é? – Charles falou com seu jeito gentil de sempre, mas nem por isso menos tenso, Steve não concordou, mas a verdade era que Fury queria muito algum tipo de informação sobre um dos mutantes mais perigosos da história e por isso, inteligente o suficiente para esconder muito bem os seus rastros.
–E você teria? – Steve falou firme.
–Eric sempre foi meu maior amigo e pior inimigo, eu nunca vou conseguir superar isso, nem vou conseguir mudar a mente dele, eu sempre esperei que as coisas fossem diferentes, mas ele nunca foi capaz de ouvir, o sofrimento que vivemos no passado não foi esquecido por ele, nem por mim. – Charles falou enquanto andava até a entrada do Instituto. –Quando cheguei aqui tinha o objetivo de ajudar os jovens, mas acima de tudo, de me ajudar também, mas Eric sempre arranjou uma forma de dificultar isso, acredite em mim Capitão, ele está envolvido nisso tanto quanto nós. – E dizendo isso Charles entrou pela grande porta de madeira.
–Dê um tempo a ele, Charles sempre fica assim quando falam em Magneto, eles foram muito próximos no passado. – Gambit falou pensando no sofrimento do homem na cadeira de rodas e aquilo impressionou Steve.
–Não sabia que você se importava tanto. – Falou o Capitão usando o mesmo sorriso debochado do outro.
–Existem muitas coisas que você não sabe. – Gambit falou mais sua expressão era séria. –Bom, vamos mudar de assunto, esse papo de guerra não me faz bem pela manhã, me diga Capitão, você já viu a filha da Ororo?
–Andressa Munroe? Sim, ela já está em aula hoje, na verdade pelo que fiquei sabendo eles começaram ás quatro da manhã com o Logan. – Steve falou rindo, Logan era muito exigente com os jovens, tão exigente quanto um militar.
–Acha que existe alguma desculpa para que eu apareça por lá? – Gambit falou sorrindo.
–Bom, eu não sei, mas se deseja aparecer por lá porque simplesmente não aparece? – Steve perguntou achando aquilo engraçado.
–Ororo é o problema, ela não costuma gostar da minha presença. – Disse o mutante meio chateado.
–Olha, normalmente eu não me envolvo nessas coisas, principalmente quando se trata de um homem trambiqueiro e uma garota quase com a idade da minha filha, mas se quer ver Andressa, eu disse VER, entendeu, acho que posso conversar com Bruce a respeito. – Steve falou passando a mão nos cabelos sentindo um desconforto, Stark era bom com essas coisas não ele.
–Bruce? Bruce Banner? Isso fica cada vez mais estranho.
–Olha, apenas apareça lá amanhã á noite, tenho certeza que depois da aula de hoje com Logan e Coulson amanhã teremos um dia de descanso, por isso vá depois das sete, vou tentar resolver algumas coisas. – Steve falou sem jeito, mas a verdade era que todos estavam felizes com o envolvimento de Bruce com Ororo, mas o cientista precisava de um apoio para seguir a diante com seu romance.
–Ok, eu vou aguardar, e olha só quem diria que o Capitão certinho podia ser útil afinal. – Gambit sorriu animado, estava querendo consertar algumas coisas do seu passado e Andressa era uma delas.
–Mas eu não concordo com isso, só vou dar uma oportunidade para vocês conversarem, se Ororo não gostar disso não vou mais ajuda-lo em nada. – Steve falou fechando a expressão como em alerta e Gambit apenas sorriu.
–Relaxa ok? Minha história com a Munroe é algo intenso, talvez um dia você encontre algo assim, quem sabe um caso. – Gambit sorriu enquanto subia as escadas de volta para o piso principal na entrada do Instituto.
–Caso? Eu não sou um homem de caso. – Steve falou mais para si mesmo do que para o homem que ainda sorria enquanto girava uma carta nas mãos.
{...}
Algumas horas Depois ainda no mesmo dia – Noite 21:54.
Em uma sala da Torre Stark – 3º Andar
Renata Castellamary, 19 anos
–E então o que vai jogar na minha cara? – Renata falou olhando firme para Coulson que estava cansado, agora o relógio já mostrava 21:30 da noite, mais de uma hora havia se passado, ele estava esgotado, assim como todos ali, mas agora faltava pouco.
–David Swan te lembra alguma coisa? – Coulson falou e no mesmo instante uma imagem de um jogador de futebol americano surgiu nas telas, a mais ou menos 3 anos atrás ele havia tido um encontro com Renata, um encontro que não acabou muito bem.
–David era um idiota, hoje eu sei disso. – Reh falou sentindo uma pontada no peito.
–Mais era um idiota que você gostava e isso causou queimaduras graves no rapaz, por sorte ele pode continuar a carreira de jogador, mas a sensibilidade para a guitarra nunca mais foi á mesma, por isso ele abandonou a banda que tanto amava.
–Foi um acidente, eu nunca quis queimar ninguém, não é fácil sabia? Não é fácil controlar uma coisa que está ligada a suas emoções quando todos á sua volta mexem com isso. – Reh aprendeu desde cedo a viver com a intolerância das pessoas, ela sempre foi tratada como um monstro.
–Você incendiou sua casa duas vezes, você ateou fogo na escola mais ou menos umas 5 vezes, e feriu muitas pessoas, David não foi o único, depois dele houve uma série de situações parecidas.
–Sim é verdade, muitas pessoas já se feriram por minha causa, eu nunca quis que isso acontecesse, eu nunca quis ser perigosa. – Ren falou olhando para as próprias mãos, do outro lado da sala Erick sentia-se arrasado por não poder ajudá-la, aquele era um demônio muito pessoal, cada um ali tinha o seu, e mesmo que um amigo desse um apoio ainda sim não se pode matar os demônios dos outros.
–Você sempre foi um perigo para todos, como se sente sabendo disso? – Coulson falou enquanto fazia algumas anotações em sua planilha.
–Péssima, como acha que me sinto? Eu estou arrasada com tudo, sempre me senti um peso, um perigo para minha família, no começo quando meus poderes se manifestaram eu cheguei a pensar em me mudar sozinha para New York, nós nos mudamos várias e várias vezes, eu cheguei a passar um tempo na casa de minha tinha no Canadá, eu não queria ser assim, mas toda vez que ficava feliz ou triste, eufórica ou com raiva, alguma coisa sempre, sempre pegava fogo. – Renata sentia-se muito mal naquele momento, seus olhos se acenderam em chamas e todos olharam para ela de forma espantados, um calor muito grande começou a emanar na sala, era possível ver que suas mãos ficavam em brasa causando uma queimadura forte na cadeira que mais uma vez mostrou ser resistente, mas por fim ela conseguiu se acalmar e para garantir que o calor não continuasse Erick usou seu poder criando uma nevoa baixa e fresca para diminuir a tensão entre todos.
–Você está começando a controlar seus poderes, mas não pode deixar seu emocional abalar você, isso serve para todos aqui, quando se é capturado e se é obrigado a passar dias e dias, algemado no escuro, você enlouquece, você não sabe onde está, não sabe o que fazer, as coisas ficam confusas, tudo é louco, você começa a ter alucinações, ver coisas que não se deve, ter medo de tudo, ás vezes você pensa em morrer, por isso estou aqui passando esses ensinamentos para cada um, eu conheço seus medos, conheço seus segredos e se eu sei dessas coisas é provável que nossos inimigos também saibam. – Houve um grande silencio entre todos, Coulson olhava para Renata que tentava fazer seus batimentos cardíacos voltar ao normal, ser confrontada com seus medos e suas incapacidades nunca foi uma coisa fácil para ela, principalmente quando envolvia ferir outras pessoas.
–Não importa o que eles saibam, algumas coisas não podem mais nos ferir. – Renata falou firme enquanto se levantava tirando os fios do braço.
–Espero que quando chegar á hora isso seja mesmo verdade. – Coulson falou sério encarando a morena.
–Você está falando isso porque vai nos colocar em uma missão? – Howard perguntou do canto da sala olhando sério para Coulson.
–Eu não posso afirmar nada ainda, mas provavelmente vocês serão testados de uma forma que nunca imaginaram. – Aquilo foi o suficiente para deixar a todos com receio.
–Acha que o governo não vai mais querer nos apoiar? – Teddy perguntou preocupada, ela sabia como era difícil quando o governo estava contra os mutantes, ela mesma já havia passado por muitos problemas no passado e lutava contra o sentimento de vingança e tristeza todos os dias.
–Stark está falando com eles agora, espero que tudo esteja resolvido amanhã, mas devemos nos manter firmes, ninguém aqui vai ficar sozinho, nunca mais. – Coulson falou olhando para Teddy que sorriu sincera por um segundo e depois adotou seu sorriso malicioso de sempre.
–É bom mesmo, bom para eles se quer saber, porque qualquer um que fique contra nós será dizimado. – Theodora falou firme fazendo alguns jovens sorrir.
{…}
Erick Lewis, 19 anos
Coulson não queria falar sobre Loki na vida de Erick, ele sabia o quanto aquilo era doloroso para o rapaz e para si também, Loki havia tirado sua vida, muitas coisas ruins aconteceram com ele depois disso, coisas que a SHIELD mantinham escondido dele até hoje, muitas verdades já haviam aparecido, como os experimentos que foram realizados para lhe trazer a vida de novo, mas ainda sim tudo ainda permanecia em mistério absoluto.
–Erick, você é filho de Loki, um dos maiores inimigos da terra, você nunca conheceu seu pai e as únicas coisas que sabe sobre ele é o que sua mãe contou, você se incomoda com isso? – Coulson falou olhando sério para o rapaz que apenas respirou fundo se lembrando do passado.
–Antes sim, quando eu era garoto e os meninos olhavam para mim e descobriam meus poderes e quem é meu pai tudo ficava confuso, eu fui agredido várias e várias vezes, eu nunca entendi o porque de me odiarem até que minha mãe falou sobre Loki. – Erick parecia entristecido com aquela conversa, mas aquele era o seu medo sombrio, o fato de ser filho de um vilão. – Para ela, meu pai surgiu em sua vida como algo surpreendente, ela nunca imaginou que um romance entre eles poderia acontecer, na verdade até hoje ela ainda acha que tudo foi uma grande loucura.
–Loki matou muitas pessoas em sua passagem na terra, ele odiava a humanidade acima de tudo, como me explica o fato dele ter tido um filho com uma humana se tinha tanto nojo da humanidade. – Coulson falou pegando um pouco pesado nas palavras.
–Eu sei que é difícil de entender, eu também não entendo. – Erick falou pensando em quantas vezes se questionou sobre o relacionamento de Loki com Darcy.
–Você não pensa que no fundo Loki simplesmente pode ter usado sua mãe enquanto ele esteve aqui? Afinal, ele é um homem, porque não? – Coulson falou sentindo o quanto aquelas palavras soaram ofensivas para Erick que segurou a cadeira com força congelando uma pequena parte nos braços dela. –Muitas mulheres são usadas, em falsos relacionamentos, muitos aqui já fizeram isso com algumas garotas, porque não um homem usar isso contra uma mulher? – Coulson falou sério vendo a expressão de raiva brotando nos olhos do rapaz.
–Minha mãe não foi usada como uma qualquer. – Erick falou sério encarando Coulson. – Não importa o que pensem, o que digam, eu não vou concordar com isso, e garanto que um dia terei a chance de provar isso para todos aqui.
–Seu pai só queria vingança! – Coulson gritou diante de todos assustando os jovens. – Ele me matou, ele controlou Clint, ele fez tudo errado e traiu Thor milhares e milhares de vezes, porque acha que ele não faria algo de ruim com sua mãe? Porque ele amava ela?
Os olhos de Erick ficaram vermelhos, sua pele de um tom azulado, as veias surgiram vibrantes diante de todos e Renata ficou impressionada com a aparência do gigante de gelo diante dela.
–Eu sou assim, isso sou eu, eu sou um monstro. – Erick falou firme encarando Coulson que estava preparado para tudo naquele momento.
–Não é verdade! – Gritou Renata de onde estava para o jovem. – Não é verdade e você sabe disso, assim como sua mãe viu o homem por trás do monstro em Loki, eu também vejo o homem por trás dessa sombra em você. – Disse a menina indo até o rapaz que estava tão gelado quanto um cubo de gelo.
–Obrigado, mas isso não muda as coisas. – Disse Erick voltando a sua imagem real.
–Exatamente Erick, e esse é o seu medo, o seu verdadeiro medo, como o relacionamento de seus pais interferem na sua vida. – Coulson falou firme.
–Eu queria dizer que não, queria dizer que já superei isso, mas é mentira, eu nunca vou superar e sabe o, por quê? Porque nunca conversei com meu pai, eu não sei qual é a verdadeira opinião dele sobre isso tudo, as únicas verdades que tenho são as que minha mãe me conta, mas quem garante que ela não está inventando as coisas? Quem me garante que ela apenas está tentando ser uma boa mãe? – Erick parecia arrasado a idéia de ser apenas uma conseqüência desagradável na vida do pai dele sempre mexeu muito com seus sentimentos e isso sempre seria um peso em seu coração até o dia em que pudesse descobrir a verdade por si só.
–Um dia você vai conseguir respostas Erick, no final sempre conseguimos a verdade. – Disse Coulson para o rapaz, mas no fundo dizia aquilo para si mesmo.
{…}
Ângela Banner, 18 anos
Ângela sentiu o corpo tremer ao sentar-se na cadeira fria, ela olhou para á frente e viu com horror imagens de seu pai transformado no Hulk, aquela imagem sempre seria uma imagem ruim, nada no mundo podia deixá-la pior do que ver isso, ver a dor de seu pai e a forma como as pessoas o viam, por sorte, muitos ali não enxergavam Bruce Banner apenas como monstro, Howard conhecia Bruce pelo o que ele realmente era, assim como Andrew que adorava o cientista por trás da mascara verde.
–Seu pai não é muito amado pelas pessoas não é mesmo? – Disse Coulson de forma calma como sempre. –Bruce Banner ou no caso, o Hulk é conhecido por destruir várias e várias cidades o que sempre acaba fazendo dele um transtorno, um problema, e não alguém amado. – Coulson falou encarando a jovem que começava a ter os batimentos cardíacos alterados.
–Não, ele não é amado pelos outros. – Ângela confirmou com frieza na voz.
–Seu pai já matou muitos inocentes também, como se sente em relação a isso? – Disse Coulson enquanto na tela muitas cenas de Hulk em ação continuavam a aparecer.
–Todos aqui já mataram de alguma forma e eu não julgo ninguém, meu pai não é o único a ter cometido erros, o senhor mesmo já deve ter matado pessoas que não mereciam morrer, e não é só isso, pesquisas matam pessoas, bombas matam pessoas e armas matam pessoas, e todos aqui estão envolvidos nisso, até mesmo política mata pessoas. – Ângela parecia firme em suas respostas.
–Seu pai sempre foi visto como um monstro? – Coulson perguntou congelando o telão em uma imagem do Hulk rugindo.
–Sim, isso é verdade.
–Mais você acha que ele não merece ser tratado assim não é mesmo?
–Exato, meu pai é um grande homem, então não importa o que diga sua opinião ou de qualquer outra pessoa não vai mudar o que sinto em relação a ele. – Ângela parecia firme, muito mais do que Coulson pensou.
–Você sempre se mostrou frágil Ângela, sempre foi á pequena Angel da turma, você não acha que essa mudança teria alguma coisa haver com seus poderes? – Ângela sentiu um estremecer, não queria falar sobre aquilo.
–Não! – Disse fria, mas o detector de mentiras apitou.
–Mentir é pecado, todos aqui sabem que você não quer ser um monstro, todos aqui sentem a sua dor quando se trata disso.
–Vocês não sabem de nada. – Ângela deu um tranco nas fivelas que a mantinha com o braço fixo na cadeira, o que fez o chão estremecer um pouco e os outros alunos se afastarem no momento com medo de que alguma coisa caísse ou quebrasse.
–Viu, todos eles tem medo de você, assim como você mesma. – Coulson falou vendo a menina começar a lutar contra as lágrimas.
–Isso não é verdade.
–Você tem medo que Howard não se interesse mais por você também, tem medo que Tony não queira seu filho namorando alguém como você e mais, você tem medo de ferir as pessoas que ama. – Ângela puxou o braço com força ficando de pé e encarando o agente.
–Eu fui espancada quase até a morte quando era criança, ninguém nunca gostou de mim e eu nem tinha poderes naquela época, eu era só uma garota normal, aliás, até pouco tempo eu era só uma garota normal, apavorada e tímida, mas meus poderes surgiram, e o melhor de tudo, a fera não surgiu, eu pude lutar, eu pude ajudar as pessoas como naquele dia na ponte, todas aquelas pessoas sobreviveram por causa dos nossos poderes, eu não tenho mais medo disso, eu sei que tenho medo do que as pessoas pensam a respeito do meu pai, mas eu não sou um monstro, e meu pai também não é. – Ângela falou decidida deixando seus amigos orgulhosos.
–E eu tenho muito orgulho dela. – Howard puxou Ângela em um abraço beijando a menina fazendo todos gritarem eufóricos. – Ela é a melhor namorada que um cara como eu poderia ter. – Howard falou deixando Ângela emocionada, ela segurou firme a mão dele sentindo-se apoiada.
–Que bom que pensa assim senhor Stark, porque você é o próximo. – Coulson falou fazendo um sinal para o rapaz que percebeu que não seria nada fácil.
{…}
Howard Stark, 23 anos
–Senhor Stark, é de conhecimento publico que você passou algum tempo em uma clinica de reabilitação não é? – Coulson falou olhando para Howard de forma firme.
–Ninguém é perfeito Phill. – Respondeu o rapaz com seu sorriso charmoso.
–Também é conhecido por esbanjar dinheiro, pegar garotas fáceis e se envolver em corridas de carro, várias coisas ilegais, vários pontos negros na sua conta. – Coulson falou e Howard olhou para Ângela com medo de deixá-la indignada com seu passado.
–Eu já parei com tudo Phill, eu realmente não me orgulho de quem era, mas aquela foi uma fase negra na minha vida e não pretendo voltar a viver nenhum desses vícios.
–Isso é ótimo Stark, mas a verdadeira questão aqui é, por quê? – Disse Coulson se sentando sobre a mesa.
–Como assim por quê? – Howard ficou um pouco confuso, mas a verdade era que ele sabia bem o motivo, só não queria ouvi-lo ali na frente de todos.
–Porque alguém jovem, rico e bonito perderia tempo, dinheiro e saúde com esse tipo de coisa. – Coulson falou percebendo que Howard tentava controlar os batimentos assim como a respiração.
–Você me acha bonito Phill, isso realmente me desconcerta. – Stark falou com seu sorriso de lado fazendo quase todos no lugar rirem.
–Sabe, eu tenho uma opinião, assim como essa atitude arrogante, você usou todos esses vícios e problemas para se esconder do verdadeiro X da questão, você queria a atenção de seus pais, uma coisa bem infantil na minha opinião.
–Você não sabe de nada, acha isso infantil? Tente ser uma criança de seis anos vendo os pais brigarem o tempo todo por causa de vagabundas e cassinos. – Howard falou olhando com um sorriso frio para Coulson. –Prefiro eles brigando comigo, mas juntos, do que brigando entre si.
–Muito bonito de sua parte, mas sabe, eu acho que ainda tem mais, acho que você sempre fez essas coisas porque tinha medo de que as pessoas a sua volta tivessem qualquer expectativa sobre seu futuro, porque querendo ou não você sempre será o filho do Homem de Ferro, e todos vão esperar o mesmo de você. – Coulson falou enquanto as imagens no telão mostravam Tony em sua armadura aparecendo na Expo Stark e uma imensa multidão aplaudindo e gritando o nome dele.
–Sabe Phill, o verdadeiro problema de ter um pai herói é que sempre vão usar isso contra mim, sempre vão esperar que eu seja exatamente como ele e sabe por quê? Porque ás pessoas tem medo de perder seus ídolos, veja, todos esperam que nós aqui sejamos os próximos vingadores, que nós façamos tudo o que nossos pais fizeram um dia, por isso esse peso sobre nossos ombros e isso não é justo. – Howard falava olhando para Nick, para Ângela, Bárbara e Vicky, para cada um ali que tinha como pai um Vingador. – Olha, até mesmo os mutantes aqui tem um grande peso, como Charlie e Teddy que são do mesmo sangue que Charles, todos esperam que elas sejam poderosas e que acabem com os inimigos enquanto fazem as unhas, ou Sophie, filha de mutantes conhecidos e amados no Instituto, como Andressa, todo mundo aqui é filho de alguém importante do seu jeito e por isso todos esperam de nós, mas sabe o que é uma droga mesmo? Todos esperam que eu seja a merda de um líder, e eu não quero isso. – Howard desabafou encarando Coulson com firmeza.
–Eu entendo.
–Não, não entende, mas talvez um dia possa.
–Seu pai também não queria isso para ele, seu pai nunca quis ser visto dessa forma, e pelos mesmos motivos, ele tinha medo de decepcionar as pessoas, mas veja, isso não aconteceu, e também não precisa acontecer com você. – Coulson entendia bem aquele sentimento, era o que no fundo sentia em relação ao irmão, Rick estava passando por um momento difícil e ele queria muito ajudar, mas talvez não fosse possível e por isso ele se sentia culpado, mesmo estando ali.
{…}
Gerard Mustan Howlett, 21 anos
Gery tinha certeza de que as perguntas seriam sobre seu passado, sobre sua prisão por roubar jóias e provavelmente sobre sua mãe, ele não queria falar sobre a vida difícil ou sobre como sofreu com a morte da única pessoa que o protegeu e o amou incondicionalmente, também não tinha certeza se alguém já havia falado aos outros sobre o fato dele ser filho de Logan, no fundo ele queria continuar guardando aquele segredo como se falar sobre ele tornasse tudo um sonho.
–Sua mãe, Jessica Mustan, era uma mulher muito pobre, pelo que sabemos ela trabalhava em um bar como garçonete, estou certo? – Coulson perguntou olhando para Gery.
–Está sim, mas isso nunca foi um problema. – Gery falou se lembrando da mãe e de como ela era amorosa.
–Bom, não é o que temos aqui na sua ficha, sua mãe morreu doente, acredito que isso foi principalmente pelo fato de não ter muitos recursos para cuidar da saúde dela, assim como seus registros escolares mostram que sempre freqüentou escolas publicas e que sempre foi muito humilhado pelos outros por isso.
–Você sabe como é, alguns tem muito, outros não tem nada, eu sei que o dinheiro nunca me fez falta, minha mãe sim. – Gery falou sincero, Lacey não imaginava que um cara de aparência tão rústica pudesse ter um coração tão bom.
–E quanto ao orfanato? Você fugiu de lá cedo.
–Eles não iam muito com a minha cara, e eu tinha que viver, eu posso dizer que foi uma das minhas melhores decisões. – Gery sorriu verdadeiro ao se lembrar da emoção de olhar para trás e ver o orfanato ficando cada vez mais longe.
–E quanto ao seu pai? – Coulson já sabia a verdade, mas era necessário perguntar.
–No começo eu tive duvidas, eu pensei que ele tinha sido apenas um idiota, mas hoje não sinto mais isso, eu sei que ele não sabia, mas sei que ele amou minha mãe. – Gery não queria falar sobre Logan na frente de Kate, principalmente envolvendo outra mulher, mas Kate era madura, ela apenas sorriu e fez um positivo com o polegar.
–Você sempre foi um viajante solitário, pode explicar isso?
–Minha mãe morreu, eu não tinha mais ninguém, meus poderes são perigosos, eu não queria correr o risco de machucar outras pessoas, ou perder alguém, eu já estava sozinho, e quando se está sozinho é muito mais fácil sobreviver.
–Ei Gery seu babaca, você não está mais sozinho a muito tempo. – Gritou Kate olhando para ele com um grande sorriso o que surpreendeu até mesmo ele, Kate se lembrou da ultima luta para proteger Stefan na cantina.
–Ela tem razão gato, você já faz parte do nosso grupo. – Charlie falou surpreendendo á todos já que havia saído da sala antes, Kate sorriu e foi até a amiga abraçando a mesma, Stefan aproveitou e se jogou sobre as duas, os três fizeram um sinal para Gery, ele apenas revirou os olhos achando aquilo ridículo, mas não conseguiu se segurar.
–Foi mal Coulson, mas acho que realmente estou errado. – Gery lutou contra toda a sua natureza durona e se jogou sobre os amigos enquanto riam, aquilo deixou muitos ali emocionados.
–Não se esqueça que deve abandonar o medo de ficar só Gery, porque ninguém pode viver sozinho, ninguém. – Coulson sorriu para o rapaz que estava sendo abraçado pelas garotas deixando Lacey um pouco irritada sem saber ao certo o, por que.
{…}
Lacey Anne Darkholme, 19 anos
–Seu pai Joseph é um homem comum não é? – Perguntou Coulson já causando um grande desconforto em Lacey.
–Sim, ele é um bom homem, mas não tem poderes como eu. – A menina falou tentando se ajeitar na cadeira dura.
–E você o ama não é? – Coulson falou e Lacey apenas balançou a cabeça em um sim mudo. –E você já sabe sobre isso? – E Coulson apertou o botão mostrando no telão várias imagens de uma mulher azul com cabelos ruivos olhando para a casa onde Lacey morava com o pai na Califórnia.
–Quando essas fotos foram tiradas? – Disse a menina com medo sentindo um arrepio percorrer toda a espinha.
–Só posso dizer que isso foi recente, você pode me dizer por que sua mãe não a quis quando era pequena? – Coulson falou apagando as imagens e deixando Lacey em um escuro assustador com seus pensamentos.
–Bem, quando eu nasci não demonstrei nenhum tipo de poder aparente, na verdade, demorou um pouco para isso acontecer, minha mãe não é uma mãe comum, Mística sempre foi conhecida por ser uma incrível estrategista, e ter uma filha humana não iria ajudá-la de nenhuma forma, por isso ela me deixou com meu pai e foi embora. – Era possível sentir a dor nas palavras de Lacey, ser abandonado dessa forma pela própria mãe não é algo fácil de superar.
–E é verdade que alguns anos depois ela foi atrás de você, Mística queria que você fosse um de seus soldados ao lado de Magneto, e não passou nem por um segundo seguir os passos dela? – Coulson falou objetivo, mas Lacey parecia chocada com aquele pensamento.
–Não!!! Claro que não, eu nunca iria fazer parte disso, eu não poderia fazer parte disso, eu não acredito que ferir as pessoas ou começar uma guerra seja a melhor solução para os problemas mutantes, eu sou totalmente contra isso e meu pai, meu pai não merece essa vergonha. – Lacey tentou controlar as lágrimas, mas era algo quase impossível diante dos fatos.
–Porque entrou para a Academia? Você chegou a pensar em algum momento em ser espiã? – Lacey ficou horrorizada, ela nunca quis fazer mal a ninguém, ela sempre foi uma boa pessoa, e jamais iria ferir um ser humano ou mutante.
–Não, eu não sou assim, eu.....
Mas Lacey começou a chorar, um dos seus maiores medos era ser considerada um perigo, ser considerada como sua mãe, sem contar que em nenhum momento desejou envergonhar a família, ela amava o pai acima de tudo e ser questionada diante de todos daquela forma a deixava arrasada.
–Eu acredito nela. – Gery falou sorrindo olhando para a menina que o encarou em silencio por alguns instantes.
–Você não pode simplesmente dizer que acredita nela Gery, isso não muda os fatos. – Coulson falou olhando sério para o rapaz.
–Eu também acredito. – Anne falou encorajando Lacey que sorriu para a jovem, Anne entendia muito bem como era sentir-se daquele jeito.
–Eu também. – Disse Edward se aproximando de Anne e sorrindo, eles eram da mesma família, eles entendiam a dor de ser considerados monstros por todos.
–Viu Phill, todos nós acreditamos e isso torna uma duvida em algo real, Lacey é uma de nós. – Gery falou sorrindo e Lacey não disse mais nada, ela simplesmente saiu correndo e abraçou Gery e depois os outros.
–Obrigada gente, eu sei que vocês não me conhecem muito bem ainda, mas prometo que não vou decepcioná-los. – Lacey apertou firme Gery que sorriu por poder ajudar alguém, alguém que ele considerava especial.
–Lembre-se Lacey, você não é a sua mãe, então não deve se abalar quando alguém dizer isso a você. – Coulson concluiu encarando Lacey de forma séria.
–Ok, eu entendi. – A menina parecia mais segura agora que podia contar com seus novos amigos.
{…}
Enfermaria – Torre Stark
Bruce olhava os relatórios mais uma vez para ter certeza de que tudo estava certo, claro que ele não era especialista naquela área, mas não iria deixar os jovens sem atendimento.
–Está tudo pronto senhor Banner, os jovens já foram medicados e estão prontos para receber visitas. – Disse a enfermeira do local. –Também já entramos em contato com o hospital e avisamos sobre a situação.
–Obrigado, eu vou avisar os amigos deles que está tudo bem. – O homem parecia cansado, a noite já tinha trazido sensações confusas demais.
–Está tudo bem por aqui? – Disse Clint olhando para o cientista, ele foi a pessoa que encontrou os garotos na recepção com os ferimentos já sangrando devido a viagem horrível de caminhonete.
–Acho que agora sim, mas me diga o que Jeremy e Nate disseram quando chegaram hoje?
–Que foram atacados no hospital por uma enfermeira, ou uma pessoa vestida de enfermeira, algo assim, ela levou uma bomba que explodiu todo o andar onde eles estavam, muitas pessoas morreram desnecessariamente, eu odeio esse tipo de atentado. – Clint falou sério enquanto segurava um jornal nas mãos, ali já constava as noticias do atentado do dia anterior.
–E porque eles demoraram tanto para aparecer? – Bruce perguntou curioso.
–Porque Jeremy usou seus poderes e acabou levando os dois dentro de sua mente para um lugar muito afastado, aparentemente ele não sabia que podia usar isso, mas acabou descobrindo sem querer. – Clint falou como se fosse á coisa mais normal do mundo, eles saíram da enfermaria deixando a mulher cuidando dos garotos e seguiram pelo grande corredor até chegar no grande laboratório de pesquisas de Bruce, lá era o lugar onde sempre se sentia bem.
–Ok, isso é mesmo estranho. – Bruce falou rindo discreto enquanto terminava de preencher os relatórios.
–As coisas só estão começando á ficar estranhas, eu sinceramente nunca tinha visto tanta coisa maluca junta, veja esse problema com os Sem Face é algo inédito para a SHIELD, esse projeto foi cancelado por não ser seguro, criar uma forma de vida robótica com partes biologicamente modificadas não é a melhor forma de se vencer uma guerra. – Clint estava preocupado com as noticias que havia conseguido com outros agentes sobre esse projeto dos Sem Face, e todos os contratempos que já haviam ocorrido por sua ineficácia.
–Vou montar um grupo de pesquisa voltado apenas para esse problema, precisamos descobrir de onde vem esse exercito de Sem Faces e depois acabar com isso de uma vez por todas. – Disse Bruce pensativo. –Estou pensando em chamar Andrew para me ajudar, ele é um bom garoto e muito inteligente também, acho que pode me dar um apoio verdadeiro.
–Pensei que fosse chamar o seu genro para isso. – Clint falou com um sorriso debochado deixando Bruce um pouco mais sério que o normal.
–Howard é muito inteligente, tão inteligente quanto o pai, mas assim como o pai ele tem uma capacidade enorme de me irritar e não queremos isso. – Bruce falou sério pensando em como estava preocupado com esse namoro maluco.
–Acho que você está apenas com ciúmes, acho que não quer conviver com Howard porque tem medo de gostar dele e descobrir que apesar de ser um Stark ele tem um bom coração e que ama realmente a sua filha. – Clint falou indo até uma bancada e pegando uma xícara de café.
–Minha filha, Starks e amor não parecem combinar muito bem na mesma frase. – Bruce falou sorrindo, mas a verdade era que estava mesmo tentando se controlar.
–Talvez você ainda tenha a oportunidade de descobrir a verdade sobre os sentimentos do Howard, eu sei que ele merece uma chance, afinal, são apenas jovens Bruce, apenas jovens. – Clint sorriu e Bruce apenas revirou os olhos.
Do lado de fora Jackson que já tinha saído da sala de interrogatório ouvia tudo com atenção, ele tinha começado a ouvir a conversa quando viu os dois homens andando pelos corredores, depois os seguiu até o laboratório, ele precisava avisar Magneto das pesquisas de Bruce, talvez fosse necessário explodir a Torre também, mas por alguma razão aquele pensamento começava a se moldar dentro de sua mente, ele tinha ouvido tantos problemas, tantas verdades horríveis dos outros jovens, ele não conseguia entender como podia ser necessário matar os alunos.
–Ouvir atrás da porta é feio. – Disse Natasha olhando para o rapaz com frieza.
–Só estou um pouco perdido nessa Torre, as coisas aqui são muito grandes. – Jack falou passando a mão nos cabelos e fingindo que tudo estava bem.
–Assim como a curiosidade de alguns. – Natasha estava cansada, o dia todo tinha sido muito tenso, desde a manhã com a viagem de Tony, até a tarde com o inicio das aulas e as investigações da SHIELD, ela não queria perder tempo com um problema tão simples. – Bom, faça o que achar melhor, só espero que não incomode o Bruce, ele não costuma ficar sempre de bom humor. – E com um sorriso ainda frio a ruiva deixou o rapaz com cara de poucos amigos parado ali, apenas observando, ela já tinha percebido que alguma coisa muito errada estava acontecendo, só não sabia ao certo o que.
{…}
Seth Grey Strange Rasputin, 18 anos
Seth respirou fundo quando percebeu que era a sua vez, ele estava o tempo todo tentando manter o controle enquanto seus amigos eram questionados, ele tinha medo do que poderia acontecer se por acaso acabasse se descontrolando.
–Você é um jovem muito talentoso Seth, pode mudar a matéria e transformar as coisas criando um universo alternativo, seus poderes vão além dos mentais, seu pai era o doutor Estranho não é? Ele te ensinou muitas coisas, mas no fim ele apenas te transformou em uma bomba e foi embora. – Coulson falou encarando os olhos sérios de Seth.
–Eu não sou tão poderoso assim, posso ser derrotado também. – Seth falou se lembrando da aula de Logan, ele era bom, mas podia perder como todo mundo.
–Eu sei, e também sei que seu controle sobre essa carga enorme de energia é apenas um fino fio desencapado, e qualquer coisa será motivo para uma explosão. – Coulson encarou o rapaz por mais alguns minutos, ele sabia que aquele era um momento delicado, afinal, desafiar uma pessoa com grandes poderes nunca é uma boa opção, mas esses eram ossos do oficio.
–Digamos que eu seja como o Hulk, eu preciso estar concentrado a maior parte do tempo, por isso sou uma pessoa tão focada, eu também não me incomodo com esse papo de amizade e brincadeiras, acho que manter a seriedade é o que me mantém vivo e o que mantém os outros vivos. – Seth respondeu com a voz calma, no fundo ele gostava de fazer amigos sim, mas tinha medo de se descontrolar e matar alguém, além do mais, ele sempre foi criado em locais fechados, como a SHIELD, e como as profundezas do limbo, lugar onde sua mãe havia levado quando ele ainda era um bebê. –A solidão está nas minhas veias Coulson, você sabe disso.
–Você ficou na SHIELD por muitos anos, não se sente traído por seus pais, ou pior, não tem raiva de nós por isso? Sempre o consideramos um perigo para a sociedade e hoje você está aqui, queremos mais uma vez usa-lo para os nossos fins. – Coulson encarou o rapaz que deixava a paciência de lado pela primeira vez, um pedaço a cadeira quebrado por Ângela levitou diante dele, a madeira virou água, depois virou uma cobra e por fim se transformou em pássaro e saiu voando pela sala.
–Eu tenho raiva de mim mesmo, eu podia ter fugido inúmeras vezes, podia ter explodido tudo e matado todos os agentes, mas nunca fiz isso, eu nunca quis isso. – Seth falou lembrando de Natasha, ela sempre lhe estendeu a mão quando ele entrava em crise e ele devia muito a ela.
–Você sabe que precisa de ajuda não é? Você sabe que se não tomar cuidado pode matar a todos sem querer, ou no mínimo nos transformar em um bando de ratos brancos. – Coulson falou e alguns alunos acabaram rindo da situação, mas aquilo não era nada engraçado, ao contrário, aquilo só os deixava mais preocupados.
–Eu sei que preciso de ajuda, e desta vez estou aqui por mim mesmo, eu estou cansado de ser e fazer o que os outros esperam de mim, eu conheço meus limites, sei que posso ser um grande soldado nessa guerra, sei que posso ajudar a todos aqui, mas sei que se não tiver um apoio posso explodir e matar qualquer um que entre no meu caminho. – Seth respirou fundo trazendo o pássaro de volta, por fim ele fez toda a transformação no reverso e voltou a ser madeira.
–Nós estamos aqui para garantir que nada vai sair errado, não queremos punir nem matar ninguém, mas é preciso que você aceite suas fraquezas e principalmente, aceite toda a ajuda que for surgir em seu caminho. – Coulson sorriu fraco, ele estava cansado, estava com fome, mas estava feliz, a maioria dos alunos haviam tido grandes evoluções, alguns ainda precisariam trabalhar melhor essa coisa do medo, esquecer o passado, se libertar dos traumas, mas no fundo ele estava muito feliz, ele também sabia que Emma assistia a tudo usando o poder de sua mente, ela tinha medo que os jovens com poderes telepáticos pudessem por em risco a vida dos outros ou no caso á própria Torre. – Vou torcer para que encontre seu caminho. – Coulson falou respirando fundo e Seth sorriu, um sorriso discreto, fino e quase imperceptível, mas ainda sim, sorriu.
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Andressa Munroe, 21 anos
–Sua mãe Ororo que é uma de nossas novas professoras, sempre foi considerada uma grande mulher para a Academia e para o Instituto, ela sempre foi um símbolo para todos e isso por alguma razão é um problema para você. – Coulson falou enquanto Andressa revirava os olhos de forma debochada e retocava sua maquiagem.
–Olha, minha mãe nunca foi uma boa mãe, ela pensa que é boa em tudo, mas veja, ela não foi capaz de cuidar de mim, ela só se preocupa com os outros. – Andressa falou pensando em como nunca ficava com a mãe quando era criança, o fato de Ororo ser importante para as instituições a obrigava participar de muitas palestras em nome dos mutantes, em muitos cursos em atividades sociais e até mesmo festas de caridade, Ororo sempre foi uma mulher comprometida com a causa mutante e isso tirou totalmente o seu tempo com a filha.
–E por isso você foi mandava para a África, você foi deixada com seu pai. – Coulson falou sentindo o incomodo na expressão de Andressa.
–Foi, eu fui obrigada a sair de New York para ir morar no meio da África em uma aldeia qualquer, claro, claro, você vai dizer, “Não diga isso Andressa o seu pai é um rei”. –Falou Andressa fazendo uma imitação da voz de Coulson que fez muitas pessoas rirem. –Mais eu te digo, eu não gostei nem um pouco disso, eu sou jovem, sou poderosa e não quero ficar me escondendo no meio do nada. – Andressa falou fazendo as pessoas aplaudirem a atitude cheia de convicção dela.
–É claro que não quer se esconder, afinal, você tem um caso que precisa continuar vivo. – Coulson falou colocando na tela uma foto de Andressa muito jovem com Gambit, ambos muito próximos. –Você sabia que ele podia ter sido preso?
–Ele já foi preso algumas vezes, não acredito que um beijo bobo iria deixa-lo por tanto tempo atrás das grades. – Andressa falou firme, mas ela também tinha medo que no passado sua mãe denunciasse o envolvimento dela com Gambit para as autoridades.
Do outro lado da sala Kate fez um sinal de positivo com os dedos sibilando um “Gostoso” para Andressa que precisou abafar o sorriso, e Charlie fez o mesmo dizendo “Mandou bem garota”.
–Você foi embora por ele não foi? – Coulson falou firme trazendo Andressa mais uma vez para um momento de tensão.
–Isso não é da sua conta. – Andressa não queria admitir a verdade, ela se preocupava com Gambit e não queria que nenhum mal acontecesse a ele, afinal, ele foi o único que havia ficado ao lado dela quando todos os problemas começaram, quando ela sentiu a falta da mãe, quando ela se sentiu isolada no mundo, Gambit com seu jeito cafajeste foi o único que conseguiu preencher o vazio de sua alma e ele nunca se aproveitou dela, por isso, não era justo que ele pagasse assim.
–Tudo é da nossa conta senhorita Munroe, incluindo isso, agora me diga, diga a verdade, foi por ele que você aceitou ir para a África?
–Não vou responder isso. – Andressa falou cruzando os braços.
–Vamos Andressa, você precisa aceitar. – Coulson se aproximou mais da jovem encarando a mesma.
–Não, eu não vou concordar com essa loucura. – Um forte vento surgiu dentro da sala e os papéis sobre a mesa de madeira começaram a voar por todos os lados, os olhos de Andressa ficaram brancos e era quase possível ver uma corrente elétrica entre suas mãos.
–Admita, admita que não quer perde-lo. – Coulson praticamente gritou forçando a jovem a aceitar a sua verdade.
–Não. – Andressa gritou em resposta.
–Aceite. – Mas Andressa disparou um raio que atingiu Coulson em cheio, ele caiu para trás e com isso a menina ficou apavorada, ela correu até o homem e percebeu que ele estava bem, só com o terno um pouco chamuscado.
–Desculpe, desculpe, desculpe, ela disse tentando não chorar enquanto os outros se aproximavam para ver se estava tudo bem.
–Tudo bem. – Disse Coulson ainda atordoado pelo impacto, mas sem ferimentos graves.
–Eu não quero perdê-lo. – Disse Andressa baixinho. –Não quero me sentir sozinha nunca mais. – Ela falou por fim encarando o homem que sorriu para a mesma, ele sabia como era difícil aceitar a própria fragilidade.
–Isso foi chocante. – Falou Nick do outro lado da sala fazendo todos olharem para ele. –Que foi? – Disse o rapaz de forma simples. –É só uma piada gente.
{…}
Edward Wetler, 18 anos
–Seu avô é Magneto não é mesmo? – Coulson falou olhando para o rapaz que fechou a expressão ao ouvir aquilo.
–Eu não tenho mais avô. – Respondeu de forma dura.
–Seu pai está morto não é? Pelo que sabemos Magneto o matou logo quando você ainda era um bebê, e depois o seqüestrou para levá-lo até algum centro de treinamento escondido. – Coulson sabia do centro, o local havia sido desativado á anos, mas havia muitos registros sobre as coisas horríveis que aconteciam por lá.
–Sim, isso tudo é verdade, eu tinha quatro anos quando os treinamentos começaram. – Ed apertou o braço com força, no mesmo havia um enorme ferimento próximo ao ombro que descia até o antebraço, era uma marca profunda do que seu avô fazia a ele.
–Como você se sente com tudo isso? – Coulson perguntou se sentando na mesa já que suas costas agora estavam doidas.
–Eu sei que você deve ter muitas imagens ai, porque não coloca algumas para chocar os outros como fez antes? – Ed falou firme encarando o agente que realmente queria evitar aquela exposição, mas não podia sentir-se intimidado pelos alunos e sem dizer uma só palavra apertou o botão revelando imagens horrorosas.
Uma jovem tinha parte da pele sendo arrancada enquanto ela permanecia acordada, o tecido cheio de sangue era colocado em um pequeno frasco.
Em outro caso, um jovem com capacidade de regeneração tinha uma perna amputada, logo em seguida, outra perna nascida para ser cortada novamente.
–Esses são os vídeos de quando o centro de treinamento era usado por Nazistas, Magneto também foi levado para lá quando jovem, veja, não estamos querendo poupá-lo de nada, mas ele também passou por coisas horríveis, alguns anos depois o centro foi dominado por Eric e ele passou a fazer os mesmos experimentos só que agora em humanos, tentando descobrir uma forma de transformá-los em mutantes para unificar a raça. – Coulson falou enquanto os outros alunos tentavam esconder os rostos, pois as cenas eram horríveis demais. – Depois de ver que não havia sucesso Magneto transformou o centro em um local de treinamento para os mutantes, e você foi um dos primeiros alunos do local, agora me diga, como se sente diante disso? – Coulson insistiu, mas dessa vez Edward não iria deixá-lo sem resposta.
–Eu acordava todos os dias com uma sirene de guerra, isso começava ás três da manhã, não tínhamos muito suprimento, na verdade a maior parte do tempo eu passava fome, meu avô queria que eu usasse os meus poderes ao máximo, e isso era doloroso, por muitas vezes ele injetou soros em mim, coisas desenvolvidas para dar mais força física ao mutante, mas aquilo queimava nas minhas veias, então, você quer saber como eu me sinto? Minha mãe nunca se apresentou, ela não impediu nada, meu pai foi morto antes mesmo de tentar alguma coisa, e eu tenho todas essas lembranças ruins presas dentro da minha mente, agora eu te digo, você quer saber como eu me sinto? Eu me sinto incapaz, incapaz de proteger o meu pai, incapaz de proteger as pessoas ao meu redor, eu só vim para cá para tentar ser um pouco menos sozinho, eu sei que isso é dramático demais e por Deus acho ridículo dizer isso, mas você quer saber como eu me sinto, e bem, eu me sinto exatamente assim. Meu avô é um monstro e não me importo nem um pouco com as coisas que fizeram a ele.
–Você sabe que a culpa não foi sua não é? Você era só uma criança quando tudo isso começou, você não devia se sentir tão responsável, nós procuramos por anos esse centro de pesquisas e só á pouco tempo conseguimos destruí-lo, e se quer saber, muitos jovens foram resgatados de lá. – Coulson falou com um sorriso mostrando uma outra foto, uma foto atual da menina com a pele retirada, na foto ela aparece sorrindo, um pouco mais velha, mas muito mais bonita. – Helena Miller, ela foi uma das pessoas resgatadas na nossa ultima missão ao local.
–É bom saber disso, ao menos não me sinto tão pior, mas ainda sim é difícil retirar toda essa raiva de dentro de mim, talvez um dia eu consiga. – Ed sorriu enquanto tirava os fios do braço e se levantava indo em direção aos bancos, mas no meio do caminho ele se deparou com Anne que o encarava séria.
A jovem não disse nada, ela sentiu as lágrimas invadirem seus olhos e teve certeza de que seu avô tinha feito mais mal ao seu primo do que a ela, naquele momento Edward entendo o sentimento de Anne e ambos se abraçaram, mesmo sem ter muito contato, afinal, eles nunca participaram de almoços de domingo, mas ali estavam os dois, ambos com o mesmo problema, ambos odiando a mesma pessoa.
{…}
Layane Marry Mikaelson, 18 anos
Coulson estava cansado, ele já tinha olhado para o relógio no mínimo umas seis vezes desde a ultima hora, o relógio agora marcava 22:30, claro que isso já tinha acontecido outras vezes, ficar horas e horas interrogando uma vitima não era fácil, mas ele era um homem preparado para o serviço. O agente sabia que no fundo sua inquietação era por outros motivos, motivos que não queria compartilhar com os alunos agora, como Tony e Scott que haviam ido falar com o presidente em Washigton, ou o fato de Bruce estar focado em pesquisas sobre aquelas criaturas desde quando eles chegaram ali, ou pior ainda, não queria falar sobre a explosão que aconteceu no hospital na noite anterior, ele não queria assustar ninguém com aquilo.
Mas no fundo, sua maior preocupação ainda era Richard.
Layane se aproximou sentindo que as coisas não seriam fáceis só porque Coulson estava cansado, ela sabia que muito iria ser usado contra ela, como sua tentativa de suicídio, seu medo de não ser amada pelas pessoas e o fato de seu pai não dar a mínima para ela.
–Seu pai é um homem muito poderoso não é mesmo? Vocês têm muitas casas e muitas empresas dentro do circulo da família, no entanto, isso o faz ficar sempre afastado de você.
–O que posso dizer, um homem precisa trabalhar. – Laláh falou pensando em como aquilo doía nela, todas as viagens do pai, o abandono, a forma como ela sempre vinha em segundo ou terceiro plano.
–Temos informações de que no ano passado ele ficou mais de oito meses sem ver você na ultima clinica de reabilitação, isso é verdade? – Coulson perguntou e Layane apertou os punhos sentindo um grande incomodo.
–Sim, é verdade, não foi algo tão ruim assim, ao menos ele não me viu vomitar devido á abstinência. – Ela falou fingindo indiferença.
–Como você se sente com esse abandono?
–Como alguém que não ganha um presente de natal. – Ela falou tentando ignorar seus pensamentos ruins sobre o assunto enquanto olhava para o teto.
–Você passou por clinicas de reabilitação por causa do álcool não é mesmo? Foi internada várias vezes, na ultima deu um pouco de trabalho aos enfermeiros, você estava tendo uma crise. – Coulson falou enquanto algumas fotos do local apareciam na tela, algumas fotos de Laláh sendo carregada para uma ambulância também surgiu. –Acredito que isso não deve ser nada fácil para você, tenho certeza de que gostaria de ter a companhia de seu pai quando essas crises ocorreram.
–Fazer o que, ninguém pode ser perfeito e infelizmente esses são os meus vícios. – A jovem sorriu como se nada estivesse acontecendo. – Eu não ligo, não ligo mais se ele está aqui ou não, eu já aprendi a viver sem me importar com as expectativas dele. – Laláh parecia triste, mas ao mesmo tempo mostrava um grande autocontrole.
–Temos relatos que você também tentou se matar, algumas vezes, ou melhor, várias vezes, isso é verdade?
Naquele momento um grande silêncio invadiu a sala, tratar dessa questão não era algo fácil para as pessoas ali, alguns também já tinham passado por isso, mas escondiam dentro de seus corações, outros, apenas haviam ficado com o pensamento.
–Sim, isso é verdade, foi uma pena não ter conseguido. – Ela falou passando as mãos nos pulsos onde as cicatrizes ainda eram muito aparentes.
–Não devia pensar assim Layane, as coisas podem ser melhores no futuro, agora você tem uma nova família. – Coulson falou enquanto a menina já se levantava, ela não queria chorar na frente de ninguém.
–Tudo o que aprendi sobre família não me levou para um bom lugar. – E dizendo isso ela foi para um dos bancos e ficou lá pensando em tudo o que havia sido dito.
–Está na hora de aprender coisas novas sobre família. – Vicky falou sorrindo para a jovem e colocando sua mão sobre a mão dela.
–Obrigada, mas eu não sei se estou pronta para isso. – Disse Layane feliz por sentir parte de alguma coisa agora, algo maior.
–Ninguém está, mas nós tentamos mesmo assim.
{…}
Theodora Eleonor Brigton Cromwell Xavier, 22 anos
Theodora caminhou calma e elegante por toda a sala até onde Coulson estava, ela não foi direto para a cadeira como a maioria, ao contrário, ela andou até o homem e o puxou pela gravata a fim de lhe dar um beijo no rosto e desconcerta-lo por alguns instantes. Teddy conhecia Coulson desde criança praticamente, e ela ainda se lembrava de um agente jovem e divertido.
–É um prazer estar aqui agente. – Disse Teddy sorrindo de lado fazendo Coulson respirar fundo para por as idéias no lugar.
–Você destruiu uma cidade na Ásia menor quando sua mãe faleceu não foi? – Disse ele falando firme e direto enquanto a mesma caminhava até a cadeira novamente.
–Já que você quer falar de negócios ao invés de prazer, bem, eu destruí sim. – Teddy cruzou as pernas revelando a pele torneada através do tecido fino do vestido caro.
–E você não se incomoda com isso? Com todas as vidas que destruiu? – Coulson falou passando a mão nos cabelos e checando os batimentos cardíacos.
–Eu sofri muito com isso, não posso dizer que sou insensível á essa questão, muitas pessoas perderam suas vidas e a culpa foi minha, eu sempre fui vista como uma aberração principalmente pela SHIELD, você sabe disso agente Coulson, você me viu crescer praticamente, assim como Fury que sempre esteve lá, eu sou uma garota com um enorme poder e por isso todos me temem. – Teddy falou olhando para o telão no momento em que as imagens de lugares destruídos iam aparecendo, lugares que ela havia destruído.
–Como se sente sendo filha de Charles Xavier? – Coulson perguntou tentando ignorar sua real proximidade com o caso.
–Como um animal em uma jaula, durante anos todos esperaram de mim o mesmo que esperavam de Jean Grey, todos queriam que eu fosse tão insana quanto a Fênix ou tão destrutiva quanto a mesma, Jean era única, assim como eu sou única, e ser filha do Charles só me trouxe problemas, meu pai é um homem muito poderoso, ninguém é tolo o suficiente para enfrentá-lo, talvez o único que possa seja mesmo Magneto. – Teddy falou pensando em quanto odiava ser comparada a Jean, isso era um elogio e ao mesmo tempo um insulto.
–E você tem medo de perder esse controle que conseguiu com o passar do tempo? – Coulson perguntou sério, ele se lembrava da pequena Theodora presa em uma cela parecida com aquela que existia na base para conter os ataques do Hulk e que no fim acabou sendo usada por Loki.
Ele se lembrou da garotinha que queria ser igual e que não conseguia nem mesmo um simples gesto de carinho ou atenção dos outros, por fim Theodora se tornou uma mulher forte, independente e sem pena de si mesma, ao contrário, ela tinha orgulho e se focava no próprio ego, uma mulher sedutora e perigosa para qualquer um.
–Eu tenho medo, mas isso não me torna incapaz, ao contrário eu treino todos os dias meu autocontrole, eu faça sessões de trabalho mental e procuro ao maximo melhorar minhas habilidades, eu jamais vou deixar que me prendam de novo. – Teddy se levantou e encarou o agente mais uma vez, ela se lembrava de Phill quando ainda era uma criança. – Você era um dos únicos que era legal comigo, talvez eu te recompense um dia. – E sem dizer mais nada Teddy saiu deixando o caminho livre para Meg.
–Espero que seja uma pessoa que cumpre suas promessas. – Coulson falou sorrindo de uma forma mais leve agora fazendo Teddy rir também, afinal existia humor nos funcionários da SHIELD.
–Quem sabe um dia. – Disse a morena sorrindo.
{…}
Megan Stark, 24 anos
Meg queria acabar logo com aquilo, estava cansada e todos os outros estavam cansados também, era hora de por um fim naquela situação.
–Olha Coulson, não há nada que vá dizer que já não tenha dito para os outros, eu estou morrendo de fome e quero muito tomar um banho, então vamos acabar logo com isso, eu não quero.....
Mas Meg não conseguiu terminar de falar, Coulson socou a mesa de madeira com tanta força que o barulho parecia muito mais alto que o normal, todos os presentes encararam o homem com um ar de espanto.
–Isso é um questionário simples senhorita Stark, eu faço perguntas, você responde e depois vai embora, então não atrapalhe o esquema ok? Quando for seqüestrada duvido muito que eles vão se importar com sua fome ou sua vontade de tomar banho. – Coulson falou ríspido, talvez fosse pelo próprio cansaço, mas no fundo ele sabia que precisava ensinar mais do que estava ensinando, aquilo era uma questão de sobrevivência.
–Tudo bem, sinto muito, eu só estou cansada. – Meg falou revirando os olhos de forma indiferente, mas a verdade é que ela havia se assustado muito.
–Você é filha de uma cientista perigosa não é? Sua mãe foi a grande responsável pela criação do extremis que vive em seu sangue assim como vive no sangue de Howard, como se sente em relação a isso? – Coulson falou voltando sua voz ao tom comum.
–Eu não sei, eu não odeio minha mãe, por mais que ela não seja muito bem vista pela sociedade eu não considero ela um monstro, só um pouco obcecada pelo trabalho e as pesquisas dela, eu acredito que isso tudo é culpa do meu pai. – Meg falou tensa encarando Howard do outro lado da sala.
–Como isso pode ser culpa do MEU pai? – Disse Howard dando alguns passos na direção da jovem que parecia encará-lo de forma debochada com um sorriso de lado muito parecido com o dele.
–Minha mãe sempre fez tudo para impressioná-lo, ela queria uma chance, uma chance de viver com ele, e sua forma era dedicar-se as pesquisas e provar que ela não era apenas um rostinho bonito, mas uma cientista de respeito. – Meg falou firme, mas Coulson fez um gesto para Howard se calar.
–Ela está falando da minha família Phill. – Howard falou ficando mais sério que o normal, enquanto Ângela tentava segura-lo pelo braço.
–Não atrapalhe Howard, e você senhorita Stark, como se sente sendo ignorada por seu pai também? Afinal, ele nunca foi um bom pai não é mesmo? – Coulson falou já sentindo uma tensão no ar.
–Tony Stark só serve para sair com garotas pelas costas da esposa, essa é a única atividade na qual ele sempre foi bom, e quer saber? – Disse Meg olhando para Ângela. – Se eu fosse você tomaria cuidado, pode ser genético. – Meg se levantou e saiu da sala, estava cansada demais e seu sangue Stark acabou falando mais alto, depois talvez ela pedisse desculpas, mas por hora ela só queria tomar um longo e demorado banho.
–E a aula termina com um barraco dos Starks. – Nicholas falou tendo mais uma dose de olhares repressivos sobre ele. –Já sei, já sei, mas a piada ainda é boa.
{…}
No final todos estavam arrasados com tudo o que havia sido dito, no entanto, todos estavam mais próximos agora que muitas verdades haviam sido reveladas.
Charlie permanecia com seu olhar vago, o sofrimento que passou foi grande demais, relembrar daqueles que um dia a machucaram daquele jeito não era sua intenção, assim como também não queria que todos soubessem disso.
–Eu não sabia. – Disse Teddy olhando para a sobrinha que sorriu seco.
–Deveria continuar assim. – Charlie falou passando por Teddy seguindo em direção ao corredor.
–Você está bem? – Disse Andrew para Ângela que sorriu para o rapaz.
–Estou sim, não importa o que os outros pensem do meu pai, eu sei quem ele é e não vou me incomodar mais com isso. – Ângela respondeu sorrindo.
–Quer saber? Na minha opinião, ele é um grande homem. – Andrew falou para Ângela que se sentiu muito feliz.
Seth olhava vago para a rua andares a baixo, ele parecia quase encostado no vidro á prova de balas.
–Você tem um grande poder, e não precisa ficar sozinho por isso. – John falou se aproximando com calma, até aquele momento ele não havia falado nada, suas experiências não eram boas em relação ao seu descontrole, mas agora ele havia mudado.
–Talvez seja verdade. – Seth falou para o rapaz com uma expressão amena.
Coulson estava cansado, ele estava ali á noite toda e por mais que tentasse disfarçar era impossível.
–Coulson. – Disse a voz de Natasha vindo da porta.
–Romanoff.
–Aconteceu uma coisa, os agentes já estão investigando e já descobrimos que não foi um suicídio. – Natasha falou com a voz baixa, ela não queria que os outros alunos ouvissem aquilo, mas era impossível esconder.
–O que aconteceu?
–Richard, ele está morto! – As palavras da ruiva pesaram fundo no coração do agente, todos ali ouviram incluindo Charlie que ficou muito chateada, ela se lembrou dos seus momentos íntimos ao lado do galante professor de literatura, assim como Ângela que lembrou-se do dia em que, Rick leu algo para ela chamando-a de Anjo.
–Richard morreu? – Ângela falou sentindo os olhos se encherem de lagrimas, por mais que ele a tivesse magoado, ninguém merecia a morte, ela já estava cansada depois de toda aquela aula, suas mãos começaram a tremer principalmente quando Romanoff assentiu entregando a menina um velho caderno.
–Aparentemente ele queria que isso ficasse com você. – Disse isso enquanto Ângela pegava o objeto tentando controlar as lágrimas.
–Eu, eu preciso saber dos detalhes. – Coulson permaneceu firme, sua aula era sobre isso, sobre ser forte, ele não podia cair agora.
–Sinto muito. – Disse Natasha, mas o homem apenas continuou caminhando em direção a porta.
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