Academia Jovens Promissores -Fic Interativa

24 Seus segredos estão a flor da Pele


Notas iniciais
Oie gente que eu amo demais! Bom em primeiro lugar como sempre quero agradecer a participação e os comentários que recebi durante a semana. Também estou muito feliz em saber que tenho novos leitores, então já sabem, deixem suas opiniões, é muito importante saber o que estão achando. Eu me esforcei ao máximo e consegui terminar o capitulo ainda hoje para postar, porém fui obrigada a dividi-lo em duas partes porque ele ultrapassou a quantidade de palavras permitidas. O.O Mais não fiquem chateados, semana que vem tem mais com todos os personagens que ainda não apareceram. Eu espero que gostem porque coloquei um pouco do que eu mesma vejo em cada personagem, infelizmente percebi que muitos leitores antigos sumiram, então eu fico meio a deriva tentando imaginar o que eles iriam querer para seus personagens. Eu cheguei a pensar em tirar alguns dos personagens da fic (Sério, super chateada por dizer isso mais é verdade) Só que descobri uma coisa importante, além de escrever para vocês meus amores, eu também escrevo para mim, e gente, eu amo demais essa fic e cada personagem que eu construí aqui, eu realmente quero o melhor para a história e por isso me dedico tanto. Eu tenho 26 personagens interagindo entre si hoje, e sinto como se cada um fosse parte da minha própria família *-----------* Semana que vem vai sair á próxima parte do capitulo então já sabem, quem não apareceu hoje vai aparecer sábado que vem. Eu ando sentindo uma dor muito forte no pulso, mas vou me esforçar para que dê tudo certo, eu costumo tentar adiantar algumas coisas e com isso estou sempre escrevendo hauhauhauahua, até esse recado foi escrito bem antes da postagem, tipo dois dias antes, eu faço tudo planejado para não correr o risco de deixar vocês na mão. AVISO IMPORTANTE Uma leitora nova pediu para que eu colocasse no Blog as casas e quem pertence a elas, então fiz uma listinha e postei lá, assim todo mundo pode entender melhor o que significa essa coisa de divisão de casas. Bom Coulson vai estar bancando o durão nesse episódio e confesso que gostei muito dele assim hauhauahuahauha. Beijos e Boa Leitura. Juh

Cobertura – Torre Stark

O barulho do helicóptero era forte, eles ainda estavam aproveitando a luz boa da manhã, Tony precisava ir para Washigton ver o Presidente e Pepper iria acompanhá-lo dessa vez, ela sempre foi uma pessoa mais diplomata, Scott também iria, ele acabou ficando com medo de deixar Tony sozinho, por mais que o Presidente sempre se mostrou admirador do Homem de Ferro, Tony tinha habilidades incríveis para ofender pessoas e destruir contratos.

–Vocês precisam ser rápidos, todos aqui estão em perigo. – Natasha falou séria entregando uma pasta preta para Scott. –Precisamos manter o apoio do Presidente em relação á Academia, ele precisa acreditar que nossos alunos não são uma ameaça. – Natasha falou firme encarando o mutante.

–Em pensar que nós é que somos os mocinhos. – Scott falou com um leve sorriso um pouco triste.

–Você sabe que depois de tudo o que houve naquela noite, as pessoas estão com mais medo dos poderes dos alunos do que da verdadeira ameaça, aqueles malditos sem face. – A ruiva tinha razão, desde o ultimo acontecido, todas as pessoas permaneciam apavoradas e nunca houve tanta discriminação com mutantes como nos últimos dias.

–Nós sabemos, eu ia passar no Instituto mais não tive tempo, peça ao Capitão para fazer isso por mim, ele é um bom homem e tenho certeza que Charles vai adorar conversar com ele.

–Pode deixar. – Natasha verificou mais uma vez a nave para garantir que nada de errado havia passado, assim como Clint também.

–Você verificou os motores também? – Clint falou com um ar de piada, mas Natasha manteve o olhar sério.

–Duas vezes. – Ela disse por fiz fazendo o agente ficar sem graça.

–Ruivas, sempre problemáticas. – Clint falou dando sinal de positivo para os outros agentes indicando que tudo estava certo.

–Eu concordo plenamente. – Tony surgiu usando um de seus ternos caros e seus óculos de sol, ele queria ficar na Torre e ver como seus filhos iriam se sair na aula com Coulson, mas o dever o chamava e ele não ia poder dizer não.

–Você demorou demais. – Pepper falou arrumando o rabo de cavalo lateral que havia feito de forma discreta.

–Desculpe por não ser prático, mas eu estava zerando um jogo e isso não pode ser apressado. – Tony sorriu puxando Pepper para um beijo enquanto a ruiva apenas ria inconformada.

–Quando será que você vai crescer? – Ela perguntou enquanto puxava o homem pela gola do paletó branco.

–Um dia talvez, mas por hora. – Tony beijou Pepper até ouvir alguém tossir.

–Não temos tempo para isso Tony, você pode agarrar sua esposa depois de vermos o Presidente. – Scott falou sério e Tony revirou os olhos sendo obrigado a concordar.

–Nós vamos ficar aqui caso alguma coisa estranha aconteça. – Natasha falou fazendo sinal ao piloto.

–Tudo bem, e não deixe de avisar o Steve para falar com Xavier, tenho certeza de que ele vai achar muito interessante. – Scott sorriu para a ruiva e entrou no helicóptero.

–Esse cara tem algum problema com ruivas. – Clint falou e Natasha socou o ombro dele com cuidado.

–Clint, não seja bobo, Scott e Emma estão juntos a um bom tempo, você devia parar de fazer piadas sobre os outros e pensar no que pode fazer quanto a nós.

–Nós? Eu pensei que não houvesse mais nós? – Clint olhou para á ruiva, cheio de significado.

–Acho que já é tempo de existir um nós novamente. – Natasha falou dando um beijo rápido e discreto nos lábios do arqueiro.

{...}

Em uma sala da Torre Stark – 3º Andar

Coulson sabia que aquela aula seria difícil para todos, ás vezes ter seus segredos revelados assim a queima roupa não é nada fácil para suportar, mas ele sabia que devido ás situações atuais ele precisava trabalhar o psicológico de cada um ali, esse era o seu dever e sua obrigação, não apenas como agente, mas como professor também, sem contar que cada jovem ali tinha muito a oferecer, por isso era de extrema importância que todos tivessem a chance de se protegeram não apenas dos inimigos como de si mesmos.

–Bom estou esperando por um voluntário, mas pelo que vejo isso não será possível, bem, não vou culpá-los por isso, neste caso já fiz minha lista pessoal com os nomes na ordem que devem seguir. – Disse Coulson ainda de forma calma, ele caminhou até uma grande mesa de madeira e ficou encostado nela de forma simples. – Não precisam entrar em pânico, ninguém aqui perderá membros ou coisas do tipo, mesmo assim a idéia é testar o psicológico então precisam manter a mente fria, assim que eu achar que acabou com um vamos passar para o próximo e assim por diante, quem for terminando pode ir para o quarto descansar, mas se quiserem ficar eu acho melhor assim, devem ver o que o outro tem a dizer, é assim que as coisas funcionam aqui, não existe espaço para o cansaço, nem para fome ou medo, você precisa ir até o fim sempre. – Coulson falou firme e apertou um botão fazendo uma luz fraca iluminar uma lousa negra como as de escola.

Os nomes estavam na seguinte ordem:

Bárbara Frost

John Salvatore

Anne Maximoff

Stefan Malfoy

Charlie Schultz

Mason Hill Gordon

Khatarine Fletcher

Jackson Wilson

Sophie Pryde Rasputin

Nicholas Romanoff Barton

Victória Carter Rogers

Andrew Swanson

Renata Castellamary

Erick Lewis

Ângela Banner

Howard Stark

Gerard Mustan Howlett

Lacey Anne Darkholme

Seth Grey Strange Rasputin

Andressa Munroe

Edward Wetler

Layane Marry Mikaelson

Theodora Eleonor Brigton Cromwell Xavier

Megan Stark

Todos leram a lista com certa dificuldade, mas por fim, entenderam que era á hora de começar. Coulson fez um gesto para o primeiro da lista e Bárbara engoliu em seco.

Bárbara Frost, 21 anos

Barbie passou por todos e foi em direção á cadeira, não era muito confortável e se sentir observada daquele jeito também a deixou com uma sensação estranha.

–Então você é a filha do deus do trovão? – Coulson falou calmo enquanto colocava o detector de mentiras na mão dela assim como o medidor de batimentos cardíacos.

–Sim, isso mesmo! – Bárbara tentava se manter firme, era uma jovem corajosa, não ia se intimidar com alguns aparelhos bobos e o agente Coulson.

–Como se sente sabendo que ele nunca veio ver você? – Coulson falou dando um choque em Bárbara, ela não sabia que eles iriam atingir tão fundo em suas dores.

–Ei não fale isso. – Vicky falou tentando proteger a amiga dando um passo a frente, mas Barbie fez um gesto com a mão livre para que ela ficasse no lugar.

–Tudo bem, meu pai não pode vir a terra porque é um deus, um rei de um mundo muito melhor que esse. – Bárbara falou tentando manter a postura firme.

–Sim é verdade, e nunca passou pela sua cabeça que ele poderia levar você e sua mãe para viver com ele em Asgard?

–O que quer dizer com isso? – Bárbara falou um pouco mais nervosa que o habitual.

–Que talvez ele não te ame o suficiente para abdicar do poder para viver ao seu lado, talvez ele nem ame sua mãe e você seja apenas fruto de um caso qualquer. – Todos na sala estavam chocados, ninguém nunca tinha visto Coulson ser assim, apenas claro, Mason e Nicholas, eles já sabiam como funcionava essa parte da SHIELD, essa coisa de entrar na mente das pessoas e deixa-las loucas.

–Isso não é verdade!!! – Bárbara gritou socando com força a cadeira e quase quebrando tudo, foi naquele momento que perceberam que apesar da cadeira parecer simples ela era de um material muito resistente.

–Então me diga o contrário, me diga que você não chora pensando nisso? Diga que você não tem medo de não ser amada o suficiente e por isso sempre quis ser uma heroína, como uma forma de talvez chamar a atenção de seu pai. – Coulson ia anotando várias coisas em uma planilha em suas mãos, ele permanecia sentado em uma mesa á frente de Bárbara e apenas permanecia com seu sorriso que agora a jovem achava insuportável.

–Eu não vivo chorando pelos cantos isso é um absurdo eu não estou me esforçando para ser uma heroína, eu sou uma heroína, sempre fiz minha parte, sempre ajudei as pessoas, você não pode tirar isso de mim. – Bárbara estava começando a perder o controle e isso era visível.

–Você sabe que Thor é um deus, ele é imortal e tem todo o poder e tempo do mundo para ver você e nunca fez isso, acha que ele deve ter outra família e amar mais eles? – Coulson falou inclinando-se um pouco para frente, mas naquele momento Bárbara perdeu a cabeça, ela se levantou rápido, puxou todos os fios presos a ela e encarou Coulson com frieza e lágrimas.

–Eu não ligo para o que pensa, nem para o que os outros pensam, eu não me importo com isso eu.... –Ela parou por um minuto tomando ar e sendo vencida por suas dores internas. –Eu queria que ele estivesse aqui, queria conhecê-lo, queria que ele gostasse de mim, eu sempre quis, eu sempre me achei menos, eu acho que ele não vem por que não quer, porque não se lembra mais de nós, eu vivo perdida nisso, mas quer saber? Eu não vou me afogar nesse drama, eu não vou deixar você ou qualquer outra pessoa usar isso contra mim, eu conheço meu sofrimento e seu que todos aqui também, mas eu não vou deixar que isso seja uma arma contra mim. – Bárbara falou firme encarando Coulson que apenas a observou por um tempo, por fim ele sorriu e colocou a planilha de lado na mesa, Bárbara tremia olhando para o agente como se ele fosse o símbolo de sua dor, mas Coulson foi até ela colocando sua mão no ombro da jovem.

–Pode se sentar Bárbara, você foi muito bem. – Coulson sabia que essa fase não era nada fácil, era um dos momentos mais tensos de qualquer aprendizado, o momento de revelar seus medos.

Bárbara foi caminhando como se estivesse perdida e sozinha até um banco ao fundo da grande sala, ela se sentou ali e fez um gesto para dizer a Vicky que ficasse longe, naquele momento ela precisava ficar sozinha, apenas sozinha.

{…}

John Salvatore, 24 anos

John já sabia o que vinha a seguir, ele respirou firme e se preparou para o pior, e como imaginou o telão a frente se iluminou com imagens de um assassinado mal resolvido alguns anos atrás.

–Robert Morgan, conhecido como Bobby pelos amigos, foi ele que tentou agredir sua namorada não é? – Disse Coulson enquanto uma imagem do corpo morto de Bobby aparecia na tela deixando os outros um pouco chocados.

–Sim, ele mesmo. – John respondeu de forma fria.

–Isabelle Jones, era uma linda jovem ainda na flor da idade que também foi morta por seus poderes descontrolados não é mesmo?

–Lizzi era tudo para mim, mas eu não posso viver assombrado por isso, eu preciso me perdoar pelo que aconteceu, não foi minha culpa. – John falou enquanto tentava manter a calma.

–Você nunca mais voltou á Califórnia não é? Nunca mais foi ver sua família ou a família de sua namorada não é mesmo? Como se sente sendo excluído por todos aqueles que você amou? – Coulson fez uma pausa e houve um grande silencio.

–Me sinto destruído, me sinto perdido e sozinho todos os dias, quando eu olho para o meu rosto no espelho eu me lembro de meu pai, lembro dele mexendo na nossa caminhonete velha, lembro de como ele gostava de dirigir em dias ensolarados, eu me lembro de tudo o que ficou para trás todos os dias pela manhã, sempre que encontro algum doce que minha mãe sabia fazer, sempre que vejo algum ator que minha irmã amava, sempre que ouço alguma musica especial envolvendo a família toda, mas eu sei que não posso voltar. – John parecia arrasado assim como todos ali, era duro ter uma família e não ser amado por ela, se Jeremy estivesse ali daria apoio a ele, os dois haviam se tornado grandes amigos nos últimos meses, mas infelizmente o amigo ainda estava no hospital.

–E porque não pode voltar Salvatore? – Coulson perguntou firme.

–Porque mesmo não sendo mais um monstro ou uma ameaça aqueles que amo, sempre haverá uma desconfiança com a qual não poderei lutar, se alguém morrer todos irão me apontar, sempre que algo de ruim vier eu serei o motivo, e, não posso por minha família em risco dessa forma. – John falou com um sorriso fraco enquanto a imagem de Lizzi permanecia vibrante na tela.

–Mesmo depois de tudo o que aconteceu você não sente mais raiva ou dor em relação aos seus pais? – Coulson sabia que aquela conversa era muito importante para o crescimento de todos ali e por isso precisava ir a fundo.

–Não, eu ainda sinto dor e raiva, mas acho que no fundo eu me odiava muito mais do que a eles, e bem, agora não me odeio mais. – John sorriu sincero, ele havia feito um acordo consigo mesmo, ele nunca mais iria se magoar com esse assunto e pela primeira vez na vida estava se saindo bem.

–Muito bom Salvatore, de todos aqui você era o que mais sofria com seus problemas do passado, saber que está lidando melhor com isso me dá forças para crer que seu futuro pode ser muito grande, lembrem-se todos aqui, quando um inimigo está em posse de nossas dores ele sempre vai usar isso contra nós, todas as fraquezas, todos os medos, todas as duvidas, por isso precisam encarar tudo de frente. – Coulson falou enquanto fazia um gesto para John sair, ele tinha ido muito bem e agora podia se considerar um novo homem.

{…}

Anne Maximoff, 19 anos

–Bom, não é segredo para ninguém que você é neta de um criminoso muito perigoso neste mundo. – Disse Coulson enquanto tomava um copo d’água que permanecia em cima da mesa.

–Sim, todos já sabem disso. – Anne falou fazendo uma expressão tediosa e mexendo nos cabelos.

–Bem, você sabe que, á morte de vários mutantes, e humanos resultou de muitos trabalhos e planos bem e mal sucedidos de seu avô. – Enquanto Coulson falava várias imagens iam surgindo na tela, coisas horríveis, coisas das quais Anne ainda não tinha total conhecimento.

–Meu avô é um psicopata maluco e megalomaníaco, ok, eu posso conviver com isso, acho que devemos ir para outro assunto. – Anne falou tentando não olhar para a tela.

–Por mim tudo bem, que tal abordarmos o fato de sua mãe não amar você o suficiente? – Coulson falou da mesma forma calma, mas Anne sentiu como se tivesse levado um soco no estomago, ela não costumava comentar sobre seus sentimentos em relação a isso com ninguém, um pensamento lhe passou pela cabeça, alguém devia ter lido sua mente assim como a mente de todos ali e por isso Coulson tinha tantas informações pessoais, não só por ser da SHIELD, mas por ter amigos com poderes como Emma e Charles, que conheciam bem os pontos fracos de todos ali.

–Eu não quero falar sobre minha irmã. – Anne falou de forma decidida, mas isso não impediu o agente de ligar o telão e mostrar imagens de Luna em sua plena beleza fazendo compras com a mãe das duas.

–Esse vídeo foi gravado a poucos dias, ambas se dão muito bem, acho que se parecem até mais do que com você. – Coulson falou firme e alguns alunos sentiram um tremor de terra.

–Já falei que não quero falar sobre isso, Luna não tem nada haver com isso, então se quiser falar do meu avô doido tudo bem, mas deixe minha irmã e minha mãe fora disso. – Anne parecia tentar se controlar mais não estava indo bem.

Edward via a tudo de forma preocupada, ele sabia que Anne era sua prima, apesar dos dois não ter nenhum contato antes, mas só pelo fato de saber que ela era parte de sua família, isso doía demais, afinal, Magneto também era seu avô e ele entendia muito bem o que isso significava.

–Seu avô parece não surtir mais tanto efeito, talvez seja porque você está ficando mais forte, ou porque namora um assassino muito pior que ele. – E dizendo isso Coulson lançou um olhar direto para Stefan que seria o próximo da lista.

–Stefan não tem nada haver com isso, pare de envolvê-los, deixe-os em paz, seu problema é comigo. – Anne parecia enfurecida, seus punhos estavam fechados e a qualquer momento ela iria perder a cabeça.

–Não podemos deixá-los de fora Anne, porque quando estiver sendo torturada ou interrogada por nossos inimigos eles não vão deixar seus amigos ou família de fora, agora eu quero que responda, o que está sentindo Anne? – Coulson falou enquanto suas mãos permaneciam em volta da cadeira praticamente prendendo e intimidando Anne, mas ela não se sentiu assustada, ao contrário, apenas riu fazendo tudo tremer mais um pouco.

–Eu estou com raiva, raiva de ter como sombra minha irmã pelo resto de minha vida, raiva por minha mãe nunca ter me amado, eu odeio isso, odeio tudo e odeio ser diferente, eu queria ser apenas uma pessoa normal.

Anne explodiu, por fim percebeu seu reflexo no telão e sentiu vergonha de como estava, os cabelos meio bagunçados, o rosto suado, os olhos vermelhos, ela estava com raiva de si mesma por não ser capaz de se controlar, mas ainda sim, reuniu o máximo de dignidade que possuía e se levantou com o consentimento de Coulson indo em direção aos bancos ao lado de Bárbara que ainda parecia arrasada.

Edward pensou em ir até ela, mas achou melhor respirar fundo e permanecer ali, afinal, eles não tinham tanta intimidade assim e ir até lá poderia ser algo ruim, talvez em uma próxima vez.

{…}

Stefan Malfoy, 18 anos

–Você é um assassino conhecido por vários criminosos como você, alguém que foi usado apenas como experimento pelos próprios pais, alguém que participou da Hidra e que só tem o pior para passar para os outros.

–Acho que sou um garoto mal. – Disse Stefan com um sorriso debochado, mas a verdade era que aquelas palavras o incomodavam profundamente.

–Você é muito jovem ainda, acabou de completar 18 anos e já tem nas costas uma carga tão pesada, eu sei que provavelmente você não se lembra, mas queria que desse uma boa olhada no telão. – E com isso Coulson começou a colocar imagens de vários homens na tela, alguns conhecidos pela SHIELD, outros apenas importantes para o contratante, Stefan era um assassino de aluguel, ele não queria saber nada além do necessário sobre a vitima.

–São os caras que eu matei, e daí? – Stefan parecia nervoso com a situação, ele apertava os punhos tentando manter a respiração controlada, não era a primeira vez que passava por algo assim, quando foi capturado pela SHIELD na primeira vez foi obrigado a passar por dias e dias de interrogatório e conversas com psicólogos, mas agora era diferente, agora ele sentia dor, sentia-se mal, ele tinha Anne, ele tinha deixado o passado para trás e não queria continuar se sentindo um monstro.

–Bem, eu não sei se você consegue entender, mas uma pessoa tem família, não importa o que seja, mutante, humano, ou de outro mundo, todos nós temos família, não vê, até Loki tem uma família, por mais que seja impossível pensar nisso, quando se mata alguém se destrói uma família por completo e você fez isso por várias vezes. – Coulson apertou um botão e começaram a surgir imagens de pessoas comuns, de crianças, mulheres, fotos do dia a dia e depois alguns depoimentos dados para as autoridades, pessoas que não sabiam o que havia acontecido com seus maridos, pais, irmãos, pessoas com medo de que seu ente querido estivesse seqüestrado, ou morto em algum lugar, pessoas implorando para que se ele por acaso tivesse fugido, que voltasse para eles. – Viu o que eu disse Stefan? Todas essas famílias destruídas por sua causa, todas essas pessoas estão sofrendo e vão continuar assim porque não sabem ao certo o que aconteceu com seus parentes e sabe porque? Porque não foi um assassinato normal, você não é só um assassino, você tem sangue mutante e DNA injetado pela HIDRA, não podemos espalhar essas informações pelo mundo, essas pessoas vão viver sozinhas e confusas para sempre e............

–Não é culpa minha! – Explodiu Stefan ficando de pé e encarando Coulson. –Eu também queria ter uma vida normal, meus pais foram tirados de mim, eu não tive escolha, eu fiquei sozinho naquela droga de orfanato, eu não tive escolha, eu precisava me defender, e essa foi a forma que eu encontrei, eu não queria ser assim, eu queria ter meus pais aqui, mas eles também eram criminosos, será que não vê que ser um assassino era o meu destino? De um jeito ou de outro isso ia acontecer comigo. – Stefan parecia chocado consigo mesmo, ele nunca havia ido tão fundo em seus próprios sentimentos, muito menos na presença de outras pessoas, ele olhou em volta com medo do que cada um ali pudesse estar pensando, mas para seu espanto encontrou apenas apoio de cada um, principalmente nos olhos de Anne.

–Você é forte Stefan, por muito menos já vi grandes homens se afundarem na culpa, a culpa é o pior de todos os sentimentos, mas de tudo o que disse eu não concordo com uma coisa, não era seu destino ser um assassino, seu destino era lutar contra isso até o fim. – Coulson falou fazendo um gesto para que o rapaz se sentasse junto aos outros, Stefan saiu sem dizer uma palavra e por fim jogou-se em um dos bancos sem abrir os olhos, como se procurasse por alguma coisa dentro de si.

{…}

Charlie Schultz, 21 anos

Charlie passou por todos com seu ar de superior, mas no fundo ela já sabia o que estava por vir, ela não queria ter seus segredos revelados, mas as vezes é a única forma de se livrar da dor.

–Charlie Schultz, ou devo dizer Xavier? – Disse Coulson com uma pasta nas mãos.

–Você pode escolher querido, eu sou toda sua. – Charlie falou cruzando as pernas enquanto sorria maliciosa fazendo Kate rir.

–Você sempre foi uma garota problema, seus pais nunca souberam ao certo o que fazer com você e sinceramente acho que nem você mesma.

–Meus pais tem medo de mim porque tenho poderes iguais aos do meu avô, essa é a questão, sempre foi, mas você se esqueceu de uma coisa Coulson, eu tenho poderes, eu leio mentes, eu sei muito bem quando alguém tem medo de mim, isso foi um problema no passado, eu chorei, eu bebi e eu fui cantar em boates, mas hoje eu não tenho mais problemas com isso, já me acostumei com toda a situação e sei que meus pais estão começando a aprender sobre como eu funciono, então, é melhor abordar outro assunto porque esse não me incomoda mais. – Charlie sorriu decidida e Kate assoviou para ela dando incentivo, até mesmo Teddy parecia ter gostado da postura firme de sua sobrinha.

–Quero que saiba que seus pais não era meu assunto principal, e caso pense no porque de não conseguir ler minha mente, te digo que é simples, Emma está bloqueando meus pensamentos para que você não interfira. – Coulson falou calmo indo mais uma vez para perto do telão, ele apertou o botão e, a imagem de três homens surgiu.

Charlie olhou por um segundo e segurou os braços da cadeira com toda a força possível, ela sabia bem quem era cada um deles.

–Edgar Milles, 24 anos agora, Scott Duncan 25 anos e Allan Simon, 23 anos, sei que reconhece o rosto de cada um deles, foram os três rapazes que á seis anos atrás estupraram você. – Disse Coulson de uma só vez chocando a todos de uma forma que ninguém esperava, por um segundo Charlie agradeceu a Deus por Nate não estar ali, ela não queria ter que falar com ele sobre aquilo.

–Esses idiotas não são ninguém hoje, eu não me importo mais com isso. – Charlie falou, mas sem seu sorriso habitual.

–Você tinha 15 anos, estava na escola como todos os dias e eles cercaram você, sempre foi bonita Charlie, sempre chamou a atenção, isso devia ser algo bom, mas não foi o caso para você. – Coulson falou com calma ele também sabia o quanto esse assunto era delicado, sem falar que Charlie podia por abaixo toda aquela sala e ninguém queria isso.

–Homens são idiotas, isso foi uma coisa que aprendi cedo, mas eu não ligo. – Charlie falou controlando a raiva que sentia enquanto via aqueles rostos no telão.

–Você nunca teve um namorado sério, nunca se importou com a possibilidade de ter um filho, você....

–Cala a boca, cala a boca, eu não quero ouvir isso seu imbecil. – Charlie se levantou puxando os fios com força, as luzes começaram a piscar e o telão desligou, Charlie tremia de raiva sentindo uma onda percorrer todo o seu corpo.

–É melhor se sentar ai, não terminamos nossa conversa, você não pode simplesmente fugir, mas, é isso que tem feito o tempo todo não é? Você tem medo de ter uma vida normal, você não quer ter um marido ou filhos por medo de sofrer novamente. – Coulson mantinha o olhar fixo em Charlie, mas ela apenas deixou um sorriso nervoso surgir, as lágrimas desceram quentes pelo rosto da jovem.

–Aqui vai uma informação que você não tem sobre mim, eu não posso ter filhos, isso nunca vai acontecer, naquele dia, aquele do qual você não para de falar, naquele dia eu fiquei desacordada por horas, eles me espancaram, eu queria reagir mais não consegui, eu ainda não tinha controle dos meus poderes, se tivesse teria matado os três, eu fiquei lá, sozinha, nua, e jogada no chão para morrer, se não fosse um grupo de garotas passando por ali eu provavelmente teria morrido, eles me deixaram em um local no campus onde ninguém ia muito, mas apesar de ter lutado para sobreviver eu sangrei muito, eu tinha muitos hematomas e meu útero não conseguiu resistir numa boa, eu nunca vou ter um filho, eu nunca foi saber o que é ser mãe, então não fale bobagens para mim. – Charlie passou por todo mundo indo em direção a porta, Jackson olhou intenso para a jovem, ele não sabia de todas aquelas histórias, Magneto não havia contado o sofrimento e a vida difícil de cada um ali e isso o deixou muito mal, ele sabia que não devia sentir, sabia que cada um tem o que merece, mas por alguma razão as palavras de Charlie tocaram fundo em seu coração.

{…}

Mason Hill Gordon, 21 anos

Houve um minuto de silencio enquanto todos tentavam absorver o que havia acontecido ali, Charlie tinha saído da sala mais o clima de tensão não.

–Manson, você já me conhece e conhece todos os procedimentos da SHIELD, eu sei que é difícil entrar na sua mente e isso sem duvida alguma é um desafio para mim, sei que nada do que eu diga aqui vai abalar o seu emocional, ao menos nada que já tenha sido dito, como seus poderes, seus pais problemáticos que não lhe dão o devido amor e coisas assim, afinal, todo mundo aqui sabe como Hill é, sempre foi focada no trabalho é hoje é considerada uma das melhores agentes da SHIELD, alguns até dizem que ela pode vir a substituir Fury um dia.

Coulson fez uma pausa olhando para o rapaz que se mantinha tranqüilo, ele estava tamborilando os dedos de forma brincalhona no braço da cadeira e seus batimentos cardíacos eram tranqüilos.

–Então Phill, se já sabe como me sinto em relação a tudo devia passar para outro aluno aqui, alguém que não seja um nível 8 como eu, ou alguém que não tenha sido refém em uma missão na Rússia como eu já fui, ou melhor ainda, alguém que se importe com os outros, porque definitivamente eu não dou a mínima. – Mason parecia firme, Nick olhava para o amigo com orgulho, ele queria conseguir controlar suas emoções dessa forma, mas a verdade era que as coisas nunca eram tão simples quanto se parecia.

–Como eu disse, não vamos falar de coisas que já foram faladas no passado, vamos falar de coisas novas, coisas que sua mãe sempre tentou esconder da SHIELD e do resto do mundo, o que ela conseguiu por certo tempo, mas nada, eu repito, nada fica longe do alcance da SHIELD.

–Tenta me atingir, vamos ver se você consegue. – Mason inclinou o corpo para frente como se tentasse desafiar Coulson, mas o agente apenas apertou um botão fazendo aparecer uma imagem na tela, um menino, um garoto de 7 anos, uma criança com um grande sorriso e muito parecido com Mason.

–Jack Hill Gordon, seu irmão de sete anos, foi morto em um ataque a sua casa em Manhattam, todos culparam os terroristas, mas no fundo você sabe que podia ter salvo a vida dele.

–Não é verdade, eu também era só um menino, eu era um pouco mais velho, tinha 13 anos, não era tão bom quanto sou hoje. – Mason sentiu uma pontada de nervosismo, ele nunca falava sobre o irmão, nunca.

–Você estava na casa quando os criminosos chegaram, você correu e ligou para a SHIELD, mas só depois do que já havia acontecido, você tentou lutar contra eles no inicio, você pegou a arma de seu pai no escritório e tentou conter os criminosos sozinho, por isso seu irmão morreu, porque você não foi capaz de protege-lo, foi pura incapacidade. – Coulson conhecia aquela história, era algo cruel, assim como a história de Charlie, mas justamente por ser algo pesado era necessário ser levado até o final.

–Você não sabe de nada, não sabe o que é ser criado dentro da SHIELD, eu sei como é isso, Nicholas também sabe, com a diferença que os pais dele são legais, meu pai não fala comigo a mais de dois anos, ele vive em missão e eu nunca consegui me aproximar dele, nós não conversamos, não discutimos e não interagimos de forma alguma, essa é a nossa história, é assim que vivemos, minha mãe então é pior ainda, desde criança ela sempre me viu como um transtorno, nunca me valorizou, até aquele dia, até o dia em que meu irmão morreu e ela me viu lá, com sangue pelo corpo e uma arma na mão, era isso o que ela queria, que eu fosse como ela e como meu pai, que eu arriscasse tudo para salvar o mundo ou algo assim, ela queria que eu me tornasse um herói, e é exatamente isso que estou fazendo aqui, tentando ser o herói que não consegui ser naquele dia. – Não havia lágrimas, nem sinal de abalo emocional, apenas uma profunda e sentida tristeza, esse era o sentimento que invadia a cabeça de Mason naquele momento, apenas uma tristeza impossível de ser arrancada.

–Você sabe que precisa fazer aquilo que você deseja, não pode se forçar a viver essa vida porque alguém acha que isso é bom, quando se entra nesse caminho, nunca mais se consegue sair. – Coulson falou sentindo uma emoção estranha dentro de seu peito, ele entendia muito bem o que era aquilo.

{…}

Em algum lugar próximo a New Jersey

A estrada estava deserta, não havia nenhum sinal de carros ou vida por perto, alguns metros do encostamento havia uma velha cabana abandonada, ela podia ter sido usada antes por alguém, mas era visível seu abandono e desgaste.

–Agora mais uma vez desde o começo, nós viajamos dentro da sua mente? – Disse Nate procurando por algum pano limpo ou algo mais próximo nos armários da velha cabana.

–É mais ou menos isso, antes eu só tinha o poder de sonhar e entrar nos sonhos das pessoas, isso me dava a capacidade de fazer o que quisesse com qualquer um, mas agora eu consigo levar corpos para dentro de meus pensamentos incluindo o meu e transportar para outro lugar, ou consciência. – Jeremy falou de forma confusa, Nate apenas balançou a cabeça tentando entender toda a situação, em um minuto estavam despencando da janela do décimo sexto andar e agora estavam ali, a quilômetros de distancia do hospital.

–E porque nesse maldito lugar? – Nate falou olhando mais uma vez sem sucesso.

–Eu não sei, eu só queria um lugar seguro e longe de problemas, não imaginei que poderia ir para o outro lado do mundo. – Jeremy sentiu uma forte dor no lugar dos curativos feitos no seu peito.

–Precisamos voltar logo para a Torre, eles precisam saber o que aconteceu e precisam saber se estamos bem. –Naquele momento um barulho de carro surgiu bem ao fundo, era possível ouvir devido ao barulho horrível de escapamento que a velha caminhonete vermelha fazia.

Os dois rapazes correram para a estrada, precisavam garantir uma carona ou poderia ser tarde demais, eles começaram a chamar a atenção com sinais balançando os braços até que o motorista parou.

–Meu Deus, porque vocês estão vestidos assim? – O velho senhor de idade falou coçando a barba branca enquanto três garotas um pouco mais jovens que os meninos riam olhando para eles do vidro de trás.

–Nós, bem, fomos obrigados a sair desse jeito, mas a verdade é que precisamos ir até a Torre Stark, o senhor sabe onde fica? – Nate falou firme mesmo sentindo-se nu graças aos olhares curiosos das garotas a sua volta, como ele e Jeremy estavam no hospital não usavam roupas e sim aquelas calças leves azuis, por sorte ainda usavam elas, era isso ou aqueles aventais que deixam o bumbum de fora.

–Sei sim senhor, mas não sei se vão ser bem recebidos lá. – Falou o senhor olhando para os dois de forma desconfiada.

–Parece estranho senhor, mas nós conhecemos as pessoas que estão morando lá e precisamos muito avisa-los sobre nossa saída do hospital. – Jeremy tentou sorrir com mais simpatia o que fez as jovens do carro ficarem ainda mais animadas.

–Vovô o senhor não pode deixar os dois aqui no meio do nada! – Disse a loira com tranças.

–É vovô, o senhor sempre diz que devemos ajudar as pessoas. – A outra falou arrumando seus óculos grandes.

–E eles nem tem carro, se ficarem aqui vão passar o dia todo sem comida, água ou qualquer outra coisa, isso é muito cruel. – Disse por fim a terceira com uma mochila em forma de ursinho.

–Ok, ok. Vocês me convenceram, mais vocês dois vão lá atrás. – O velho fez um gesto para os meninos que apesar dos ferimentos e de saber que a viagem não seria nada fácil aceitaram prontamente.

–Ei Jer, será que você poderia nos transportar pela sua cabeça de novo? – Nate falou baixo para não alarmar as pessoas do veiculo.

–Desculpe, mas isso funciona por pouco tempo, como é uma habilidade nova eu não domino muito bem, então ainda preciso de prática. – O rapaz falou passando a mão pelos cabelos e levando as meninas a loucura.

–Já vi que vai ser uma longa viagem. – Nate se deu por vencido e se acomodou em um canto da carroceria.

{…}

Em uma sala da Torre Stark – 3º Andar

Khatarine Fletcher, 24 anos

Kate tinha visto como Charlie havia ficado naquela aula, ela não queria passar por algo parecido, mas sabia que não poderia se esconder para sempre, havia coisas no seu passado das quais ela não gostava de lembrar.

–Khatarine Fletcher, provavelmente esse nem seja seu nome verdadeiro, não existem muitos registros sobre suas atividades nos últimos anos, mas com toda a certeza o que temos aqui é pesado. – Coulson falou enquanto a menina apenas sorria de forma sedutora, esse era o estilo dela, sempre rir na cara do perigo.

–Isso mesmo Phill, eu sou uma caixinha de surpresas, mas não me lembro do meu passado sórdido e tão pouco me lembro de alguma coisa que me faça mal, então, pode tentar me horrorizar, mais isso não vai acontecer.

–Você foi adotada no passado, eu sei que isso deve ter trazido alguma coisa boa e ruim a sua vida, já que seus pais eram pessoas normais e você, bem, você não pode ser considerada normal.

–É eu tenho seios maiores que os dá média, então acho que posso ser considerada diferente. – Kate falou rindo de forma debochada, ela cruzou as pernas, sedutora e ao contrário de Charlie, ela mantinha mesmo uma postura firme.

–Você veio preparada para isso não é? – Coulson falou afrouxando um pouco a gravata.

–A verdade sobre mim Coulson é simples, eu não tenho nada, eu não tenho passado ou família, meus pais adotivos morreram, isso não foi fácil mais eu superei, quanto aos meus poderes, eu controlo eles muito bem, digamos que estou aqui mais em busca de respostas do que de ensinamentos, a maior verdade sobre mim é que estou ligada ao Logan não só pelos nossos esqueletos de adamantiun, mas sim, por todo o nosso passado, eu sei que é louco, sei que é confuso, mas eu não me sinto nem perdida, nem entristecida, eu não tenho medos, meu único medo era viver no escuro, sem respostas, mas desde que entrei na Academia as coisas começaram a se iluminar para mim, eu não sou uma pessoa muito amorosa, todos aqui sabem disso, eu tenho um caso com um homem incrível, tenho uma amiga de pavio curto e gosto de estar sempre por cima, se é que me entende. – Disse Kate de forma calma cruzando mais uma vez as pernas e fazendo Coulson sorrir, ao menos ela tinha fibra e potencial.

–Você não percebeu uma coisa com tudo isso, apesar do controle que fingi ter, dos poderes que possui e da liberdade que tanto saboreia, você é apenas uma pessoa sozinha, uma pessoa sem grandes amores, sem grandes amigos e sem grandes futuros, você não tem idéia do que tem a frente e isso é porque não sabe o que tem atrás, você tem pesadelos ainda, você sonha com um passado coberto de neve e um Logan que não amava você, um Logan que amava outra mulher. – Coulson falou frio, mas no fundo Kate sabia quem estava falando ali, era Emma, eram as palavras dela saindo pela boca do agente, Kate respirou fundo e sorriu, sua pulsação batia normalmente, ela conseguia manter a frieza, afinal, viveu a vida toda em buscas de respostas e foi obrigada a fazer coisas horríveis para conseguir uma direção, por isso não iria se abalar tão fácil assim.

–Você pode ter razão, mas pode avisar a Emma que invadir a minha mente não vai mudar o fato de que sou mais gostosa que ela, você pode me cortar em duas se quiser, mas dor também não vai mudar nada, eu já senti dor de verdade, eu já fui partida em dois, eu já tive meu peito perfurado mais de uma vez, eu sou imortal, assim como Logan, eu nasci para viver uma vida longa, e não preciso me preocupar com futuro, para mim, só existe o presente. – Kate puxou os fios de seu braço e saiu da cadeira como se nada tivesse acontecido, mas no fundo todos ali sentiram a dor nos olhos dela, uma dor que só aqueles acostumados á solidão podem entender.

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Jackson Wilson, 23 anos

Jackson se transportou de onde estava direto para a cadeira com um grande sorriso no rosto, ele parecia ótimo, olhou para Vicky e mandou um beijo para a mesma que apenas revirou os olhos, ela ainda estava em divida com ele por ter ajudado a salvar Jeremy, mas não queria nenhum tipo de intimidade com ele, afinal, Jackson era cheio de gracinhas, o rapaz colocou os dispositivos no próprio braço e piscou na direção de Sophie que manteve a postura indignada.

–Vamos logo com isso Phill, eu não tenho a noite toda. – Quando Jackson disse noite, todos perceberam que as horas haviam passado muito rápido, no relógio já podia se ver 20:32 da noite, o que chocou a todos, ninguém havia comido, todos estavam sentindo seus corpos doloridos depois da aula do Logan, ninguém tinha almoçado ou qualquer coisa do tipo, como Coulson havia dito, eles não deviam sentir fome, nem frio, nem sede, nem nada, naquele momento eram apenas soldados esperando o resgate.

–Larissa Hime, esse nome te lembra alguma coisa? – Disse Coulson de uma só vez enquanto a imagem de uma mulher surgia na grande tela.

–É a vadia que me deu a luz. – Jackson falou sem olhar diretamente para a foto.

–Você sempre teve problemas com ela? Por isso se tornou um criminoso procurado? – Coulson se sentou sobre a mesa enquanto apoiava o braço sobre a perna.

–Me diga você, aparentemente sabe tudo de todos. – Jack falou debochado.

–Vou dizer o que aconteceu no seu passado, você era um menino, só um garotinho quando sua mãe começou a explorar você, ela o obrigava a viver nas ruas mendigando, ela batia em você nas horas vagas quando não estava trabalhando, e você lembra muito bem qual era o trabalho dela. – Coulson pode ouvir os ossos estralando nos punhos de Jackson, por alguns segundos ele pensou que seria melhor interromper a conversa, mas ao contrário do que imaginou Jackson se controlou com um pouco de esforço.

–Ela era uma prostituta, ela vivia nas ruas transando com aquele que pagasse melhor, eu cresci vendo minha mãe vadia fazer isso até meus 11 anos, mais isso não durou muito, ela foi morta por um desses idiotas. – Jackson sustentava um sorriso no rosto, mas ninguém ali podia sorrir com aquela história horrível, era quase tão horrível quando a de Charlie.

–Então é por isso que trata todas as mulheres como vagabundas? É por isso que faz questão de mostrar aos outros o quanto é homem? O quanto consegue seduzir qualquer mulher sendo ela comprometida ou não? Porque era assim que sua mãe era tratada, apenas como um objeto, apenas como mais uma vagabunda qualquer? – Coulson falou casual e Jackson lhe lançou mais um olhar tenso.

–Não sou o tipo romântico! – Jackson falou enquanto tentava manter o ar irônico.

–Bom, mas podemos presumir que tudo o que você tem de ruim veio de sua mãe, o fato de você virar um criminoso e de ladrão á assassino em pouco tempo foi tudo devido a essa falta de amor.

–Não Coulson, quem eu sou é por escolha minha, eu escolhi ser um ladrão, eu escolhi ser um assassino, antes eu tinha medo, eu sentia vergonha por ter uma mãe prostituta e um pai complicado, mas hoje, hoje eu me sinto forte, hoje eu não tenho medo de ninguém, nada do que me disser vai me abalar, por mais horrível que seja pode acreditar que eu já fiz pior, eu sou um perigo para vocês. – Jackson se virou para todos os presentes e sorriu, Ângela abraçou Howard no momento, ela sentia uma coisa ruim vindo do rapaz, mas também não podia deixar de sentir pena dele por ter uma vida tão infeliz.

–Você possui uma das piores histórias de vida Jackson, talvez um dia possa surpreender á todos mostrando um lado que ninguém conheça. – Coulson falou sério desligando o telão onde a imagem da mãe morta de Jack permanecia, ele desligou, mas antes conseguiu ver um ultimo olhar de ressentimento do menino para uma mãe relapsa.

{…}

Sophie Pryde Rasputin, 18 anos

–Olha Coulson, eu sei que deve ser difícil para você, afinal, esse é o momento em que fala sobre meus medos e as coisas horríveis da minha vida, mas vamos ser sinceros, eu não tenho nenhum problema, veja bem, minha família é super legal, minha mãe é uma grande mulher e meu pai é super amoroso, eu vivi muitos anos no Instituto e sou amiga de várias pessoas o que me torna alguém popular, também não vamos esquecer que meus poderes são demais e eu luto muito bem, não sou criminosa nem matei ninguém para me sentir culpada e olha esse rosto, eu sou super gata. – Sophie falou sem parar fazendo todos ali rirem um pouco, o que no fundo aliviou o estresse da situação, mas Coulson parecia imóvel no lugar apenas observando.

–E não se esqueça do namorado incrivelmente sexy. – Gritou Nick do fundo da sala fazendo a todos rirem.

–Bom, vejo que estou diante de uma pessoa sem problemas, que talvez tenha medo de uma vida solitária como a maioria das pessoas no mundo e que provavelmente vai se tornar um grande membro da sociedade escrever três livros e se casar com um agente da SHIELD para viver um pouco perigosamente, é isso? – Coulson falou tentando esconder um pequeno sorriso no rosto.

–Exatamente Phill, tudo sobre controle. – Disse Sophie sorrindo e fazendo o sinal da paz, mas naquele momento Coulson foi atrás da mesa e pegou uma pequena caixa preta, não era possível ver o conteúdo, mas todos ficaram preocupados.

–Mate. – Disse Coulson abrindo a caixa e jogando uma enorme tarântula negra próxima aos pés de Sophie, a jovem ficou horrorizada vendo aquela criatura com pernas enormes e peludas e seus olhos brilhantes.

Foi visível o espanto e a mudança no comportamento de Sophie, ela encolheu as pernas o máximo que pode ficando ilhada na cadeira como se fosse a única forma de se proteger, seus olhos se arregalaram em pânico e seu rosto ficou branco como um fantasma.

–Tire isso daqui, tire isso de perto de mim, por favor, eu faço qualquer coisa, eu digo qualquer coisa, mas tira isso daqui, eu não posso ficar aqui. – Sophie tinha muito medo de aranhas desde que era apenas uma criança e fora picada por uma, ela ficou traumatizada por culpa da dor e dos remédios que foi obrigada a tomar para desintoxicar o veneno do corpo.

–É só matar a aranha e tudo vai ficar bem Sophie, você só precisa pisar nela, assim que fizer isso tudo acaba, não vai doer nada eu prometo, ao menos não em você. – Coulson falou firme, ele estava mal por ver a jovem tão desesperada, assim como todos os outros ali, mas não podia atrapalhar o andamento da situação. –Você não percebe que apesar de ser uma jovem poderosa e sem problemas, tudo pode ficar fora do eixo com uma simples aranha? Tem que lutar contra isso, ou vai acabar em uma sala repleta delas. – Só de pensar nessa possibilidade horrenda Sophie sentiu um aperto além do inimaginável dentro de seu coração, ela estava prestes a ter uma crise nervosa.

Sophie estava com muito medo, sentia-se sem saída e percebeu que sua pressão tinha começado a cair, ela ficou com medo de desmaiar e cair em cima da aranha, por isso se mantinha ao máximo presa a cadeira.

Ela gritou ao ver a aranha começar a andar em sua direção, sem falar no choro compulsivo.

–Já chega. – Nick perdeu a cabeça, ele passou rápido por todos e foi em direção a jovem, ele pisou na aranha deixando uma marca gosmenta no chão, por mais que também sentisse horror aquele inseto não podia deixar que Sophie continuasse daquele jeito, ele passou por cima de seus próprios medos para ir até ela e salva-la, por fim foi até Sophie que parecia tremer e a pegou nos braços, ela estava destruída, ele olhou para ela sem dizer uma única palavra, apenas a abraçou forte e beijou sua testa, ele jamais iria permitir que alguém ou alguma coisa fizessem mal a ela, por fim ele a colocou tranqüila sobre um dos bancos e a deixou com Bárbara que ainda estava ali. –Vamos logo com isso Coulson, quer interrogar alguém, comece comigo. – Disse Nicholas sentando na cadeira.

{…}

Nicholas Romanoff Barton, 18 anos

–Você sabe que nem sempre estará por perto para resolver os problemas de todos não é? – Coulson falou olhando sério para Nick.

–Eu sei, mas sempre que tiver a oportunidade de interferir eu vou. – Nicholas permanecia de forma tranqüila sobre a cadeira, mas ainda mantinha o olhar sobre Sophie.

–Você é filho dos melhores agentes da SHIELD, você é considerado o futuro da SHIELD, assim como outros, no entanto prefere agir de forma debochada, você usa as brincadeiras e o ar despojado para fugir da verdade. – Coulson falou olhando para Nicholas que já não sorria mais.

–E que verdade seria essa? Que você já não tem mais cabelos? – Nicholas falou fazendo os outros rirem, mas ele sabia a verdade.

–A verdade que você tem medo de não ser capaz de assumir toda essa responsabilidade para si, que no fundo você acha injusto ter sido criado na SHIELD por mais que você mostre aos seus pais que ama tudo isso, que na verdade você queria ser um menino normal. – Coulson falou sério, ele gostava muito de Nicholas e tinha muito orgulho dele e de seu desenvolvimento na base, para ele era igualmente difícil magoar os sentimentos de pessoas conhecidas, mas trabalhar para SHIELD era assim, você não devia ter sentimentos ou isso poderá sempre ser usado contra você.

–Olha esse papo de menino de verdade fica para o pinóquio ok? Eu não dou a mínima para essa coisa de escola, faculdade, festas ou qualquer outra coisa que um jovem possa fazer, eu amo isso aqui, eu amo estar nessa cadeira com esse monte de fios em mim, eu amo ter que olhar para você e engana-lo com minhas expressões, eu sempre amei ser um agente. – Nick falou com um grande orgulho em seu peito, mas Coulson apenas lhe deu as costas indo em direção ao telão, lá apareceram as imagens do que parecia uma guerra, muitas pessoas atirando, eram Russos, participavam de uma facção extremista e lá no meio vários agentes da SHIELD, e Nicholas pode ver com espanto Natasha um pouco mais jovem atirando e matando vários inimigos.

–Essa missão foi logo depois de Budapest, sua mãe era a melhor, desta vez ela estava sozinha, nós quase perdemos toda a equipe, se não fosse por ela nunca teríamos saído de lá.

–E isso devia me horrorizar, por quê? – Nicholas perguntou confuso, afinal, ver sua mãe jovem em plena atividade e detonando os inimigos sempre foi o que lhe fez mais feliz.

–Por isso. – E naquele momento um homem surge ao lado de Natasha, ela já não tem mais balas e parte para cima dele, ambos começam uma seqüência de golpes impressionante, e apesar do soldado ser duas vezes mais que ela, Natasha parece estar indo muito melhor, mas no momento em que vai dar o golpe final ela leva um tiro dado por outro soldado a distancia, é quase possível ver a bala atravessando seu corpo, o impacto, o sangue pelo uniforme, e a sensação de quase morte deixam Natasha um pouco perdida e naquele momento ela reage, mesmo tendo tudo contra ela, ela ainda reage e consegue derrubar o homem que ainda tentava mata-la.

A tela é desligada e Nick não pode mais ver a imagem da mãe, ele permanece em silencio por um longe período pensando no que aconteceu depois de tudo aquilo, ao menos ele sabia que ela ainda estava vida.

–Que missão foi essa? Eu nunca fiquei sabendo de nada disso. – Nicholas falou de forma calma, mas ainda sim abalado.

–Foi uma das centenas de missões das quais você não tem informação Barton, seus pais quase morreram milhares de vezes e isso nunca foi passado para você, porque eles sabiam como iria se sentir, como a incapacidade de proteger aqueles que ama iria afeta-lo.

–Eu nunca pensei nessa possibilidade. – Nick falou olhando para o chão de forma chocada. –Nunca.

–Seus pais são os melhores agentes que a SHIELD já teve, mas não se esqueça que são humanos, eles podem morrer a qualquer momento, se não for em uma missão será por velhice, eles não tem super soro nas veias, nem são deuses, ou mutantes com capacidade de cura, são apenas pessoas e isso é o que os torna tão importantes para nós, mas ao mesmo tempo tão frágeis.

–Tem razão Coulson, de todos os medos que eu possa ter, perder minha família é o maior deles, mas eu não vou perder a cabeça quando isso acontecer, nem pretendo por em risco nenhuma missão por causa deles, afinal, foram eles que me criaram e tudo o que eu sei é que uma missão não pode ser corrompida. – Nicholas tinha convicção em suas palavras, e era a plena verdade, ele jamais deixaria de fazer o que devia ser feito.

{…}

Victória Carter Rogers, 18 anos

Todos estavam se sentindo muito cansados, claro que Vicky estava preocupada também, mas tentava passar uma imagem mais tranqüila, ela sempre quis ser como o pai, ser um exemplo, e para isso era necessário assumir uma postura firme, mesmo que a situação não fosse tão simples assim.

–Victória, você tem tudo o que uma pessoa precisa para se sentir especial, é filha de um homem importante e uma mulher importante, até porque Sharon já foi uma agente especial da SHIELD. – Coulson começou de forma tranqüila.

–Sim, isso é verdade, meus pais sempre estiveram envolvidos com o crescimento da SHIELD e a proteção dos civis. – Vicky respondeu de forma feliz, adorava quando as pessoas reconheciam o trabalho de seus pais.

–Então me diga, como se sente não sendo capaz de proteger as pessoas que ama? – Coulson soltou de uma só vez, como uma bomba, deixando Vicky branca pelo choque e sem saber ao certo o que dizer.

–Como assim eu....

–Jeremy Singer, estou falando de Jeremy Singer, ele está hospitalizado agora não é mesmo? – As palavras de Coulson soaram fundo na alma da jovem, ela estava tentando lutar até aquele momento com o sentimento de culpa relacionado ao que aconteceu a Jeremy.

–Eu tentei fazer o meu melhor eu....

–Eu perguntei se ele está hospitalizado, apenas responda. – Coulson falou de forma ríspida deixando Vicky ainda mais assustada.

–Está, ele está. – Disse a jovem com a voz baixa.

–E você sabe que a culpa é sua, não sabe? – Coulson sabia que aquilo não era culpa de Vicky, mas precisava pressioná-la de todas as formas, afinal, Jeremy foi surpreendido pela explosão, ele não podia prever isso e também não tinha o fator de cura avançado como alguns ali, ele tinha poderes, mas seus poderes estavam restritos a suas capacidades mentais.

–Eu sei. – Vicky assumiu por fim sentindo-se péssima.

–E você sabe que não é boa o suficiente não é? Se eu estou fazendo essas perguntas a você posso fazer pior com eles, você nunca poderá salvar as pessoas como seus pais, Steve jamais deixaria alguém para trás, você não é como ele.

–Está enganado, eu sou exatamente como ele, eu me esforço todos os dias para ser, se Jeremy está mal eu não tenho culpa, eu fiz o meu melhor, eu fiquei ao lado dele até conseguirmos ajuda. – Vicky explodiu levantando da cadeira enquanto as imagens de Jeremy ferido voltavam a sua mente.

–Você sabe que não é verdade, você devia ter percebido que algo de ruim estava acontecendo na Academia, você devia ter percebido isso, mas não, você não foi capaz e mais uma vez eu te digo, você não é uma heroína. – E naquele momento imagens de Jeremy sendo levado para o hospital surgiram no telão, assim como imagens de toda a Academia destruída, Vicky ficou em choque olhando tudo como se estivesse catatônica, mas naquele momento Bárbara surgiu mais uma vez diante de todos, ela ainda estava arrasada, mas não iria abandonar a amiga.

–Ela não é como o Capitão, mas ela é uma heroína de sua forma, Vicky sempre tem a melhor liderança, sempre pensa nas pessoas e sempre toma as melhores decisões, se não fosse por ela aquele dia na ponte de Manhattam eu teria fritado os Sem Face, sem nem ao menos me preocupar se eram humanos ou não, Vicky não apenas se preocupa com seu pessoal, ela se preocupa com todos. – Bárbara falou firme e por fim abraçou Vicky tirando a menina da frente do telão.

–Sabe que defendê-la não muda as coisas não é? – Coulson falou frio, mas no seu interior estava feliz por Barbie ter tomado aquela decisão.

–Eu sei, mas no fundo você precisa entender, nunca estamos realmente sós, e se eu posso ver algo de bom nela, talvez ela possa ver em mim. – Bárbara falou levando Vicky de volta para o banco onde Sophie agora já se sentia melhor e Nick estava ao seu lado.

–Obrigada. – Vicky falou sentindo os batimentos cardíacos voltarem ao normal.

–Ei Vicky, não se culpe tanto por não ser capaz de ajudar a todos, seu pai também não foi capaz de proteger o melhor amigo em um momento de crise, você não precisa querer ser sempre como ele, precisa querer ser você mesma. – Coulson falou por fim, ele conhecia toda a história de vida de Rogers, não iria deixar de dizer isso a Vicky naquele momento.

{…}

Andrew Swanson, 20 anos

–Você e seus pais estão morando em New York agora não é mesmo? – Coulson perguntou de forma casual como se fosse apenas uma conversa cotidiana.

–Isso mesmo, nós morávamos em Ohio antes, mas alguns anos atrás, precisamos nos mudar para cá. – Andrew se lembrava bem o motivo e não gostava muito disso.

–Seu pai se chama Daniel e sua mãe Lauren, eles parecem ser boas pessoas, bons civis, você costuma levar amigos em casa?

–Eu não tenho muitos amigos, na verdade, eu não tenho amigos, quando meus poderes se manifestaram, todas as pessoas que gostavam de mim me abandonaram no mesmo instante, só meus pais continuaram do meu lado, eles foram os únicos que me deram apoio. – Andrew falou de forma triste lembrando-se daquele tempo sombrio.

–Entendo, e você não se sente mal por isso?

–Sinceramente não, meus pais me deram força, mudaram comigo para que eu não precisasse vir sozinho, e sempre buscaram formas de manter as coisas em equilibro entre nós.

–Seus pais parecem boas pessoas. – Coulson concluiu por fim levando Andrew a pensar no assunto principal daquela conversa.

–Sim eles são, são tudo o que eu tenho.

–E você não tem medo que algo de ruim aconteça a eles quando essa guerra começar? Você não tem medo que eles sofram por sua culpa? Afinal eles já foram obrigados a abandonar toda uma vida em Ohio por sua causa.

–Eu tenho medo, eu não vou mentir ou ter um ataque histérico aqui, eu tenho muito medo sim, sei que nesse exato momento meus pais podem ser atacados na rua, vitimas de preconceito e coisas do tipo, sei que muitas pessoas serão intolerantes com eles, mas eu não vou conseguir mudar a mente de todos, e não posso matar cada pessoa que se diga contra a raça mutante, então eu apenas observo e espero. – Todos na sala ficaram admirados com o auto controle de Andrew, não era teatro, não era controle de emoções, ele simplesmente estava bem, ele era maduro o suficiente para entender a situação e a conseqüência das coisas.

–Você é uma pessoa controlada Andrew, é difícil encontrar pessoas assim, você também é muito inteligente pelo que vimos na sua ficha, eu fiquei sabendo que você é fã de Bruce Banner, isso é verdade? – Coulson perguntou sentindo-se satisfeito em relação ao rapaz.

–Sim, eu sempre admirei muito as pesquisas do doutor, e se ele me permitisse acompanha-las ficaria muito grato. – Andrew falou olhando para Ângela que sorriu.

–Você já fez algum amigo aqui, ou ainda está á deriva?

–Acho que existe alguém. – Andrew falou sorrindo de forma charmosa o que deixou todas as meninas focadas em seus traços naquele momento.

–Andrew, você tem todas as possibilidades de ser um grande homem, pode virar um cientista, ser apenas um homem da sociedade, agora me diga, porque insiste em participar da Academia? Porque insiste em usar seus poderes o que o torna um problema para uma carreira normal e porque você luta tanto para ser bom como mutante? – Coulson perguntou firme sentindo pela primeira vez uma reação incomoda dentro da mente do jovem.

–Por que só quando for um herói de verdade as pessoas vão deixar meus pais em paz, só quando eu for grande, como Bruce que provou a todos que podia ser bom é que vou ser reconhecido, eu sei que mesmo os heróis tem inimigos, mais ao menos dessa forma não serei um peso para minha família e sim um motivo de orgulho.

Todos olharam para Andrew que ainda sustentava um sorriso, mas discretamente uma lagrima escorria, uma lagrima teimosa gerada por toda a dor e a intolerância que os outros provocaram nele.

–Pode sair, você foi muito bem. – Coulson falou fazendo um gesto para que Andrew se levantasse e fosse até os bancos.

Quando o rapaz foi passando no meio dos outros, todos sorriram para ele, Gery deu um tapinha nas costas do rapaz lhe dando apoio e Ângela foi até ele o abraçando firme.

–Vai ficar tudo bem Andrew, você não está mais sozinho. – Ela disse com o rosto rosado.

–Obrigado, agora, por favor, me solte, eu não consigo respirar. – E Ângela soltou o rapaz que não conseguia respirar devido á força que ela fazia, a menina também percebeu que Howard não havia gostado nada daquilo, mas apenas revirou os olhos, ele estava ficando ciumento demais.

{...}

Laboratório de pesquisas – Torre Stark

Bruce mantinha toda a atenção voltada para um pequeno frasco contendo algumas amostras retiradas dos Sem Face, ele tentava encontrar um significado para a existência deles ou uma dica de onde ou por quem eles haviam sido criados.

–Boa noite Bruce, posso perguntar uma coisa? – A voz de Ororo vinda da porta fez o cientista se atrapalhar e derrubar o frasco no chão, ele respirou fundo e agachou com um pano para limpar a bagunça.

–Claro que pode. – Disse ainda meio sem jeito, afinal, fazia pouco tempo que ele e Ororo tinham tido um pequeno caso, e ainda restava no ar um sentimento de atração entre os dois.

–Stark ainda está na Torre? – A mulher perguntou séria segurando alguns papeis em mãos que Bruce só havia percebido agora.

–Não, ele já viajou para Washigton, ele vai se encontrar com o Presidente e o Governador para discutirem assuntos pendentes.

–Bom, então acho que vou ter que entregar esses documentos para ele outra hora, eu fiquei sabendo que o Coulson está dando a primeira aula dele hoje, pelo visto os alunos estão lá o dia todo, eu pensei que essas medidas não fossem ser adotadas aqui. – Ororo sempre ficava preocupada com o bem estar de todos.

–Eu sei que isso é horrível, mas estamos em guerra, devemos fazer o possível para que nossos filhos estejam preparados, eu sempre vi Ângela como uma garotinha desprotegida, hoje em dia eu já á vejo como uma jovem poderosa capaz de lutar suas próprias batalhas. – Disse o homem orgulhoso.

–Eu entendo você, não que Andressa algum dia foi uma garotinha, acho que ela nasceu dona de si, mas também tinha medo antes, agora eu me sinto mais tranqüila. – A mulher caminhou até o cientista e beijou seus lábios de forma delicada fazendo Bruce se assustar e derrubar mais uma vez o pano com os cacos de vidro no chão. –Você não vai ficar fugindo de mim por muito tempo ouviu? Isso é uma ameaça. – E sorrindo Ororo saiu deixando o homem feliz e meio apavorado.

Notas finais
Bom é isso ae, no próximo sábado teremos a continuidade do capitulo e espero que todos tenham gostado dessa primeira parte *--------------*