Academia Jovens Promissores -Fic Interativa
33 Prova de Sobrevivência Terceiro Dia - Parte 3
Notas iniciais
Em algum lugar de New York
Era possível ouvir o som da tv por todo o apartamento, tudo parecia tranqüilo, apenas um homem andava pelo local enquanto sua mente permanecia focada nas noticias.
“O presidente dos Estados Unidos disse hoje em uma entrevista para todas as emissoras e a mídia internacional que está preocupado com os ataques terroristas que New York e as outras cidades mais importantes do país andaram sofrendo nos últimos meses.”
“Ele disse que estará mantendo o exercito sobre aviso e que nenhum ataque será perdoado.”
“-Nós não queremos uma guerra, nós não queremos nossas crianças mortas, mas nós não vamos deixar o inimigo nos destruir, não importa o seu poder, os mutantes podem ser poderosos, mas nós estamos em maior numero, eu não gostaria de entrar em guerra com meu próprio povo, mas precisamos proteger aqueles que são mais fracos, precisamos proteger as crianças que não tem poderes, as mulheres que defendem sua família, precisamos apoiar os homens que dão suas vidas por seu país, esse é o jeito americano.”
“As palavras do presidente inspiraram muitas pessoas, alguns de forma positiva, outros nem tanto, nós já temos imagens de mutantes criando conflitos em alguns lugares públicos.”
O homem caminhou tranqüilo até a janela de onde podia ver toda a cidade e com um movimento da mão desligou a tv.
–Veja Mística, o mundo está entrando em colapso sozinho. – Eric falou com um sorriso motivado.
–Não acredita mesmo nisso não é? – A mulher falou de forma debochada. –Afinal, nós destruímos a Academia que era o símbolo da paz entre mutantes e humanos, nós continuamos com ataques em Manhattam e no Brooklin, nós estamos por trás de tudo isso desde o inicio dessa história. – A mulher caminhou tranqüila até o homem, mas ele permaneceu onde estava sem nem ao menos se preocupar em virar-se para ela, com isso Mística foi até a pequena mesa de madeira onde havia uma garrafa de whisky com alguns copos de cristal, ela serviu uma dose para si e bebeu de uma só vez.
–Sim, mas ainda não é o suficiente, precisamos tirar David Jones da jogada antes que ele consiga a imortalidade para si. – Eric falou ainda focando as ruas logo abaixo.
–E por quê?
–Porque nós é que devemos nos tornar senhores da vida e da morte, para isso vamos nos aliar a ele e suas pesquisas, quando conseguir o último ingrediente vamos roubar a formula para nosso uso e dar um fim em David, assim como em seu irmão Daniel, ambos devem morrer.
–Não acredito que será fácil assim. – Mística falou com um sorriso debochado.
–Nunca é minha cara, por isso é que vamos estar sempre alertas a qualquer problema indesejado.
–Como Jackson? – Mística tinha uma grande implicância com o rapaz, ela sabia que Jackson não era tão mau quanto gostava de dizer, e que ele estava cada dia mais apegado aos seus amigos da Academia.
–Se Jackson se tornar um problema, ele será descartado como todos os problemas que tivemos que enfrentar até agora. – Magneto falou de forma calma pensando no rapaz, ele não queria se desfazer tão rápido do jovem, ele tinha potencial, sem falar que, Jackson havia se tornado amigo de Anne e Edward, talvez houvesse uma esperança para seus netos de passar para o lado vencedor.
–Acha que eles vão descobrir sobre tudo o que ele fez? – Mística sabia que o rapaz era bom, mas ele não era tão experiente nessa área de espionagem.
–Bom, foi ele quem nos avisou onde atacar os filhos dos vingadores no nosso ultimo ataque a Manhattam, foi ele quem passou informações privilegiadas sobre as instalações da Academia e foi ele quem matou várias pessoas na festa á fantasia alguns meses atrás, ele não é apenas um traidor como também é um assassino, eu não sei se vão descobrir, mas se descobrirem ele não ficará vivo por muito tempo, além do mais, foi ele quem passou as ultimas informações sobre a Ilha, e será com essas informações que você vai se aproximar de David esta noite. – Magneto falou enquanto entregava um pen drive á mulher que parecia motivada.
–Como quiser, eu vou preparar as coisas, devo chegar lá em poucas horas, e quanto ao Jackson se ele for descoberto e nós precisarmos realmente dar um fim nele, bem, eu mesma quero fazer isso. – Mística falou firme com um sorriso malicioso que fez Eric sorrir.
–Sempre me surpreendendo.
–Faço o melhor para o melhor. – Houve um momento de silencio e Mística seguiu seu caminho.
Magneto permaneceu ali olhando para as ruas e pensando em todas aquelas pessoas que não faziam a menor idéia de seus planos, logo elas iriam saber e não poderão fazer nada a respeito.
{...}
Leste da Ilha
A noite havia caído, a Ilha ficava cada vez mais fria e mais sombria, Erick sabia que Renata era corajosa, que ela era forte e que provavelmente já devia estar a caminho da saída, ele confiava nela, também pensava em Bárbara, ele havia visto durante os últimos dois dias uma série de raios disparados a alguns quilômetros dali, ele sabia que devia ser ela.
Pensar em todas as coisas que seu pai havia lhe falado era algo irreal no momento, mas ele não conseguia parar de ver a imagem do deus em todos os lugares, as palavras dele não saiam de sua cabeça.
“– Você gosta dela?” – Disse Loki encarando o filho.
“-É minha única família além da minha mãe, é claro que eu gosto.”
“-Não foi isso que perguntei.” – Loki manteve uma postura firme falando isso, mas Erick fingiu não entender.
“-Renata é minha namorada, nós estamos juntos á alguns meses, ela controla o fogo, temos um relacionamento bom, acho que ela me entende, não me vê como um monstro ou coisa do tipo.” – Erick falou simples se lembrando de todas ás vezes em que Renata ficou do seu lado.
“-Eu sinto mesmo que se sinta assim com ela, você sabe que esse romance não vai poder continuar não é?” – Loki por alguma razão não conseguia ser direto, no fundo, não queria magoar seu filho.
“-Porque eu sou imortal e ela não?” – Erick disse debochado o que fez Loki rir, seu filho tinha os mesmos olhos, a mesma boca, o mesmo jeito de ser, só escondia muito bem isso.
“-Porque você deve se casar com a filha de Thor para mostrar aos nove reinos que estamos comprometidos com o futuro de Asgard e que nenhum inimigo será capaz de nos destruir.” – Loki falou por fim encarando o filho enquanto Erick parecia ter levado um choque.
Aquelas palavras ainda queimavam em sua mente como o fogo de Renata quando eles se enfrentavam, era algo fora de seu controle, algo que o tirava do sério, o medo de perder e o medo de querer algo que não devia ser seu.
Seu desafio não tinha sido tão grande quanto esperava, quando acordou á três dias atrás estava preso em uma caverna de gelo, aquilo era o mundo dele, um reflexo sobre quem ele era realmente, não um Asgardiano, mas sim um Gigante de Gelo, o frio intenso do local fazia com que sua face ficasse azul, que seus olhos ficassem vermelhos, que toda a humanidade que existia em si, simplesmente sumisse.
Ele podia se lembrar dos momentos em que ser considerado um monstro mudou sua vida.
Flash Back On
Em uma cidade do México
Erick voltava da escola caminhando sozinho pela estrada, a calça jeans surrada, os tênis empoeirados, a mochila meio aberta sobre as costas, o cabelo negro balançando calmo contra o vento.
–Você devia ir de ônibus como todo mundo. – Disse uma voz um pouco cansada a suas costas.
–Você também, parece cansada. – Erick falou rindo para uma loira de grandes olhos azuis e sorriso animado, era Maria, morava perto de sua casa e gostava muito de falar sobre estrelas com ele, o único problema de Maria era o irmão, Carlos, ele odiava a presença de Erick, alguma coisa relacionada a alguns acontecimentos do passado, Carlos sabia a verdade, ele era mais velho, ele havia visto os jornais.
–Se você consegue fazer uma caminhada eu também consigo. – Maria falou tentando apressar o passo.
–Eu não estou cansado, mas você parece que vai morrer a qualquer momento, tem certeza que não precisa que eu a carregue nas costas. – Erick riu e Maria fez uma careta para ele.
–Seu idiota. – Ela mostrou o dedo para ele o que o fez rir ainda mais, Maria era forte, mas tinha o rosto de uma boneca.
Um carro começou a se aproximar rapidamente deles, a poeira cobria toda a estrada, mas Erick não parecia nem preocupado, nem surpreso, apenas parou de andar enquanto Maria cobria os olhos para evitar a terra.
–Carlos?
–Entra no carro agora. – Carlos falou enquanto seus amigos desciam do carro indo em direção a Erick formando um circulo ao seu redor.
–Carlos pare com isso eu....
–Entra no carro agora! – Carlos foi na direção da irmã, ele agarrou o braço da jovem que deixou um grito assustado surgir.
Erick deixou sua mochila cair no chão e foi para cima do homem, no mesmo instante os amigos de Carlos se adiantaram para impedi-lo, um soco no estômago, um chute nas pernas para que ele caísse, um gancho de direita para deixá-lo inconsciente.
–E agora Erick você ainda quer lutar? – Carlos falou rindo enquanto Maria ainda se debatia tentando fugir.
O rapaz no chão deixou um sorriso frio surgir em seus lábios, um sorriso que assustaria qualquer um, ele olhou para Carlos que sentiu um gelo na espinha, um medo incompreensível nascer.
–Acha que eu preciso mesmo lutar com você? – E dizendo isso Erick ficou de pé estendendo suas mãos na direção de cada um dos rapazes ao seu lado e um por um foram se transformando em estátuas de gelo.
Maria ficou com uma expressão de medo no rosto, ela nunca havia visto o amigo desse jeito, aquilo era surpreendente demais para ela.
–Seu monstro. – Carlos foi na direção do rapaz, mas Erick atravessou a mão dentro do corpo dele indo até seu coração e sentindo o órgão antes quente e pulsante se transformar em uma pedra fria e sem vida.
–Maria....- Disse Erick voltando a si, ele havia sido tomado por um poder fora de seu controle, um poder que só depois de muitos anos ele iria saber se tratar da força dos Gigantes de Gelo.
–Fique longe de mim. – Maria gritou apavorada indo na direção do carro, ela foi embora e algumas horas depois á policia e o resgate chegou, todos estavam mortos, claro, Maria nunca mais foi vista por Erick, ele a magoou de uma forma que ninguém poderia mudar, alguns dias depois a cidade toda queria Erick e sua mãe Darcy fora de lá, por fim, a SHIELD veio e com ela toda a verdade, e naquele momento Erick sabia que sua vida jamais seria a mesma.
Flash Back Off
Durante horas Erick ficou sem chão, vendo a si mesmo refletido nas paredes de gelo e sentindo um vazio fora do comum, ele era um monstro, sua aparência verdadeira deixava isso bem claro, mas não, ele não ia se entregar a isso e com muita força de vontade usou todos os seus poderes para abrir uma passagem no meio da rocha.
Erick estava cansado, a força usada para fugir de sua prisão de gelo havia sido grande demais, agora ele vagava perdido procurando pela direção certa, apesar de ser um deus ainda tinha problemas com localização, nunca prestou muita atenção nessa aula e sinceramente sentia falta disso agora. Para não ficar em uma situação tão ruim, o rapaz começou a seguir o sol, o sol sempre foi um ponto de referencia para os navegadores, talvez ele fosse capaz de chegar ao Norte dessa forma.
No meio do caminho ele encontrou rastros que indicava a presença de alguém por ali, pegadas e sangue, assim como pedaços de tecido, ele sabia que precisava seguir aquela trilha de migalhas até chegar ao verdadeiro dono delas.
Depois de algumas horas ele viu um vulto alguns metros á frente, com cautela ele foi se aproximando até que percebeu se tratar de Sophie.
–Sophie? – Ele perguntou para a menina que parecia catatônica.
–Aranhas...aranhas...pequenas e grandes...por toda a parte....eu...eu vi....elas vieram me pegar....- A jovem parecia em choque, Erick percebeu de forma assustadora que havia várias aranhas na roupa da jovem, algumas passavam pelo rosto dela e Sophie apenas continuava repetindo a mesma coisa.
–Sophie está tudo bem agora, as aranhas são nojentas, mas são pequenas, você pode esmaga-las, você pode assustar elas também. – Erick segurou os ombros da jovem enquanto tentava traze-la sem muito sucesso a realidade.
–Aranhas...aranhas...pequenas e grandes...por toda a parte....eu...eu vi....elas vieram me pegar....
–Acorda Sophie. – Erick criou uma bola de gelo em suas mãos, a luz do gelo se formando iluminou todo o local e ele percebeu que Sophie estava tomada por aranhas, ela provavelmente deve ter sido abandonada em um ninho.
–Aranhas....
Erick precisava tirar Sophie daquele transe, sem pensar duas vezes ele acertou um forte tapa no rosto da jovem e a puxou com força fazendo seu corpo balançar em sua direção.
–Sophie, você odeia aranhas, você precisa reagir, você sabe onde está? Sabe quem eu sou? Olhe para mim Sophie, abra seus olhos. – Naquele momento Sophie parou de encarar o nada e fitou os olhos de Erick por alguns segundos, aquilo trouxe lembranças.
Um dia atrás....
Sophie se viu em uma parte escura e úmida da Ilha, uma parte cheia do que parecia teias de aranha imensas, por algum tempo ela se questionou sobre quem seria responsável por ela ter ido parar bem naquele lugar, ela caminhou perdida por todo aquele local, o medo tomando conta dela, mas quando a noite chegou as criaturas surgiram e ela se viu engolida por elas.
O pânico, o medo, a dor, tudo invadiu o interior dela de uma forma que nunca havia acontecido, ela havia chegado no seu ápice do pânico.
Agora...
Um grito saiu da garganta de Sophie como se fosse sua única chance de sobreviver, Erick deu alguns passos para trás enquanto Sophie ia derrubando aquelas aranhas de seu corpo e esmagando com as próprias mãos, ela estava cansada de ter medo, estava cansada disso, ela usou seu poder e todas as aranhas caíram no chão sem ter uma massa sólida a qual se agarrar.
–Você está bem? – Erick perguntou vendo que Sophie permanecia ofegante.
–Bem? Eu por acaso pareço bem para você? Eu esmaguei essas malditas aranhas com as minhas mãos, eu não estou nada bem eu.....eu esmaguei as aranhas com as minhas mãos....-Sophie percebeu o que havia acabado de fazer e ficou em choque.
–Calma ok, você tinha que fazer isso e....
–Eu esmaguei as aranhas com as minhas mãos, Erick isso é incrível. – Ela correu até o amigo e o abraçou com força, apesar de Erick saber que estava sendo totalmente sujo por entranhas de aranhas ele sorriu, sorriu por ver que Sophie estava começando a se libertar de seu medo.
–Ok, eu entendo seu sentimento, agora vamos procurar um lago ou uma cachoeira para você lavar essa sujeira toda, eu não quero passar mais um dia totalmente gosmento. – Erick falou fingindo estar enojado e isso causou mais risos em Sophie que parecia outra pessoa. -Onde estamos? – Erick perguntou desejando intensamente que a jovem soubesse lhe dar alguma resposta direta, e para sua alegria ela abriu um imenso sorriso.
–Estamos a Leste, precisamos chegar ao norte o quanto antes, não temos veiculo, nem comida, nem água doce, não temos roupas de frio para encarar a noite, mas sei que para você isso não é um problema, de qualquer forma estamos ao que seria um dia de caminhada para o lado Norte, isso claro se tivermos sorte.
–Você é mesmo inteligente, isso ajuda muito numa situação como essas. – Erick falou rindo satisfeito por não se sentir totalmente perdido.
–E você será os músculos dessa missão. – Sophie falou dando um soco no ombro de Erick.
–Não sei se isso é uma coisa positiva. – Erick falou de forma indignada o que fez Sophie rir mais uma vez.
–Obrigada, obrigada por me trazer de volta, por me ajudar. – A jovem parecia cansada e ferida, mas estava feliz por não se sentir mais perdida naquele lugar.
–Vamos procurar um lugar para passar a noite.
–Acho que não é uma boa idéia Erick, se perdermos muito tempo não vamos conseguir chegar no prazo marcado.
–Bom, então acho que precisamos ganhar um pouco de tempo. – Erick deu alguns passos na direção de Sophie e a pegou no colo sem dar qualquer explicação.
–Ficou doido? – A jovem falou enquanto Erick apenas piscava para ela, de seus pés surgiu uma camada grossa de gelo, e no mesmo instante foi como se uma pista gelada surgisse para eles conforme Erick andava, e no minuto seguinte ele estava deslizando como se tivesse patins abaixo dos pés. – Isso é loucura. – Sophie gritou se agarrando ainda mais no rapaz enquanto eles deslizavam em uma velocidade incrível passando por todos os obstáculos.
–Não minha querida, isso é o que Gigantes de gelo fazem para se divertir. – Erick riu alto enquanto continuava como se fosse apenas uma brincadeira.
–Direita. – Sophie gritou para ele desviar de uma rocha, mas ao invés de desviar ele fez surgir uma rampa diante de si e fez uma manobra por cima da pedra. –Eu odeio gelo. – Ela falou afundando o rosto no peito do rapaz que resolveu não se exibir mais.
–Foi mal eu não consigo me controlar quando faço isso. – Eles avançaram vários quilômetros na direção correta até que Erick parou. – Acho que estamos em uma posição melhor, agora que ganhamos vários quilômetros em tão pouco tempo podemos em fim descansar.
–Acha mesmo necessário dormir agora? – Sophie perguntou enquanto colocava os pés no chão e sentiu uma forte dor na perna, estava cansada, ferida e precisava de um tempo.
–Acho que é muito necessário. – Erick encontrou um local calmo para ficarem, era uma caverna bem ampla, talvez fosse o melhor lugar até agora para se estar, eles fizeram uma fogueira enquanto barulhos estranhos rondavam o local.
–Você está bem? – Sophie perguntou enquanto comia uma banana.
–Claro, eu passei por momentos difíceis, mas estou de pé não é mesmo? – Erick falou tentando deixar o clima mais leve.
–Não foi sobre isso que perguntei, estou falando dessa loucura toda de você ser noivo da Barbie mesmo sem saber disso, eu sei que sua cabeça deve estar rodando. – Sophie fitou as chamas diante dela, nada podia parecer mais confortante que aquilo.
–Eu olho para a Reh e vejo uma pessoa maravilhosa, vejo uma mulher incrível, alguém por quem vale a pena morrer. – Erick fez uma pausa respirando fundo e olhando para o céu cheio de estrelas. – Então eu penso na Barbie, em sua força e coragem e em como eu admirava ela no inicio dessa história e penso que uma vida ao seu lado não seria tão ruim. – Erick estava sendo sincero sobre esse assunto pela primeira vez, á verdade era que aquela história toda mexia com ele.
–Você foi afim dela no começo não foi? – Sophie perguntou com a voz calma.
–Acho que eu admirava demais a fibra dela. – Disse o rapaz convicto de seus sentimentos e isso o fez rir.
–Você vai levar isso á diante? – Sophie perguntou sentindo uma ponta de preocupação, ela não pensava apenas em Bárbara, também havia John e Renata no meio desse caos.
–Apenas se ela desejar isso, apenas se não houver outro jeito e apenas se meu amor por Renata não for o suficiente.
–Acha que Renata não te ama? – Sophie perguntou incrédula.
–Acho que nosso amor é forte porque eu estou aqui, mas se por acaso for obrigado a viver em Asgard por um tempo talvez isso não seja possível, eu tenho medo. – Erick olhou as estrelas, ele não queria perder a vida que conquistou ao lado de Renata, mas também sentia um chamado estranho que o levava a olhar aquelas luzes todas as noites.
–Vai dar tudo certo. – Sophie falou com um sorriso calmo e se preparou para dormir.
{...}
Sul da Ilha
O céu parecia nublado, Andressa estava usando suas forças para manter a chuva sobre controle, mas não estava sendo uma tarefa fácil.
Quando acordou na Ilha se viu em uma parte meio árida, no começo parecia simples, ela só precisava usar seus poderes para trazer um pouco de chuva e controlar o calor e a sede, infelizmente isso não foi o suficiente, minas terrestres começaram a explodir em seqüência a partir do momento em que ela esbarrou sem querer na primeira.
A terra se levantou e pedaços de arvores secas começaram a voar em todas as direções, Andressa pensou em voar, talvez fosse sua única chance de escapar sem maiores problemas, mas infelizmente não conseguiu fazer isso a tempo, pedaços de madeira entraram em seu ombro, em sua perna e costelas.
Agora olhando para o céu e sentindo muita dor Andressa sabia que sua vida estava por um fio, ela já havia perdido muito sangue e não tinha mais forças para manter a chuva afastada, então ela apenas fechou os olhos e a deixou cair.
Seus pensamentos foram na única direção que parecia segura naquele momento, ela pensou na mãe, pensou em Gambit, pensou em todos que amava.
Flash Back On
–Você está linda com esse vestido. – Gambit falou para a jovem de forma divertida.
–Você é muito charmoso sabia. – Andressa riu alto de uma forma atrapalhada enquanto tentava arrumar os cabelos de uma forma sensual, ela ainda era muito jovem, mas sabia algumas coisas sobre como seduzir alguém.
–Andressa eu preciso de você no andar de cima com o Charles. – Disse Ororo surgindo na porta com seu ar reprovador de sempre.
–Mãe! – O tom indignado de Andressa só deixou a mulher mais tensa. – Eu volto logo. – Andressa falou se virando para Gambit que apenas fez um gesto com a cabeça e sorriu, a menina saiu passando por Ororo com um olhar fuzilante.
–Você não devia trata-la dessa forma, ela já é quase uma adulta.
–A palavra quase tem um peso muito grande na sua frase Gambit, eu não quero que você atrapalhe a vida dela, assim como fez com Nate, você precisa se afastar. – Ororo falou séria sem saber que Andressa estava atrás da porta ouvindo tudo.
–Eu nunca irei me afastar, ela é importante para mim. – Gambit falou sério, ele sabia que nunca seria a melhor opção para a garota, mas não iria desistir sem lutar.
–Então eu darei um jeito de afasta-la de você. – E dizendo isso Ororo saiu da sala, para sua surpresa Andressa estava na porta encarando a mulher com uma expressão de dor, raiva e frustração.
–Andressa eu....
Mas a jovem não deu tempo da mãe lhe falar nada, apenas saiu correndo pelos corredores desejando encontrar uma maneira de viver sua história de amor.
Flash Back Off
“Vamos ficar juntos para sempre”
A voz de Gambit surgiu nos pensamentos de Andressa quase como se ela pudesse vê-lo ali.
–Nós vamos. – Ela disse deixando suas lágrimas se misturarem com a chuva.
***** Perto Dali *****
Andrew estava cansado, mas ainda sim satisfeito consigo mesmo, ele estava caminhando á dois dias, e graças ao seu poder de gravidade podia flutuar calmamente sobre qualquer obstáculo que viesse a aparecer.
Por algumas vezes ele viu minas escondidas no chão, e fios ligados a explosivos, apenas uma vez esbarrou sem querer em um deles, mas com seu poder Andrew criou um campo gravitacional ao seu redor impedindo a explosão de tocá-lo.
–E tem gente que não me acha capaz. – Ele falou rindo para si mesmo pensando em como as pessoas o tratavam de forma diferente por ele ser muito inteligente. Durante sua infância essa qualidade foi admirada pelos pais e invejada por outros, na adolescência isso se tornou um motivo de brincadeiras de mau gosto e rótulos como nerd, rato de laboratório e tantas outras coisas que detestava.
Mas quando descobriu seus poderes as coisas mudaram, claro que para a maioria das pessoas ele ainda continuava sendo o mesmo garoto focado em estudos, mas agora ele sabia que não era apenas isso.
Infelizmente as pessoas de Ohio não estavam prontas para o seu lado poderoso, em uma tarde tentando descobrir do que era capaz Andrew causou um grave terremoto com a força gravitacional da terra deslocando placas tectônicas causando uma grande destruição, não apenas em sua cidade, mas em outros lugares no mundo. Ele viu as noticias no jornal assim como seus pais e nesse momento tudo ficou difícil.
Sua família ficou com medo, não queria que o filho fosse visto como um monstro ou algo do tipo, e dessa forma eles resolveram se mudar.
Andrew resolveu que não usaria mais seus poderes até ter certeza de que podia controlá-lo, queria ser conhecido como um herói, alguém que salva vidas e não tira.
Algumas horas depois ele começou a ver manchas de sangue, conforme ele caminhava as manchas de sangue se tornavam maiores, por fim, ele viu repousada embaixo de uma arvore alguém que parecia ser conhecida.
–Andressa? – Andrew falou baixo de forma preocupada, mas a morena não respondeu. –Andressa você pode me ouvir? – Ele se aproximou da jovem que sangrava muito, e para seu alivio ela abriu os olhos.
–Andrew? É você mesmo ou é mais uma alucinação? – Andressa sorriu discreta, mas sua testa estava encharcada de suor.
–Estou aqui sim, eu vou ajudar você, mas preciso que seja forte. – Andrew percebeu que havia três pontos feridos no corpo da jovem, ele sabia que iria precisar pressionar os ferimentos e que talvez não tivessem muito tempo. –Você está pronta?
–Acho que não, mas faça o que precisa ser feito. – Andrew rasgou a camisa e dividiu em três partes, depois pegou um pedaço de madeira e deu para a jovem morder, ele sabia que a dor iria ser insuportável.
De uma só vez ele arrancou os pedaços de madeira usando não as mãos, que provavelmente tremeriam, mas sim seu poder, Andressa podia sentir o pedaço de madeira em sua boca se partindo com a força que ela mordia na tentativa de aliviar a dor, mas sem muito sucesso.
–O pior já passou, eu vou amarrar os ferimentos agora, quero que você continue pressionando o ferimento na sua lateral esquerda, ele parece ser mais grave e não podemos perder mais sangue ok? – Andrew deixou Andressa onde estava e foi em busca de algo que ajudasse para o controle da febre e hemorragia, depois de algumas horas ele retornou com várias ervas diferentes.
–Você é muito mais inteligente do que parece. – Andressa falou rindo ainda fraca.
–Eu aprendi algumas coisas, só isso. – Andrew começou a esmagar as folhas e raízes com uma pedra até criar uma pasta verde.
–Agora eu sei por que o doutor Banner gosta de você, obrigada Andrew, eu nunca pensei que você pudesse salvar minha vida. – Andressa segurou a mão do jovem sorrindo sincera.
–Sabe, as pessoas acham que só porque temos algum tipo de poder devemos usar isso o tempo todo, eu discordo, acho que existem outros poderes muito mais importantes em uma história, como a inteligência e a vontade de ajudar ao próximo, foi por esse motivo que eu vim para cá, pelo motivo de querer ajudar as pessoas. – Andrew foi colocando a pasta verde nos ferimentos e Andressa começou a sentir um formigamento e logo em seguida estava mais calma, sentindo pouca dor.
–Algumas pessoas pensam que eu sou indestrutível só porque controlo o clima, sinceramente eu não me vejo como uma pessoa indestrutível, do que adianta meus raios agora se eu não posso fazer uma transfusão de sangue com eles.
Naquele momento eles começaram a ouvir um barulho ao redor de onde estavam, Andrew se levantou lentamente e começou a sentir o barulho ao seu redor, ele estava apreensivo, e sua preocupação teve fundamento no momento em que um mar de dentes afiados surgiu no meio das folhagens, era um lagarto gigante.
–Andrew corre. – Disse Andressa segurando seu ferimento com força.
–Ficou louca? Ele deve ter sentindo o cheiro do seu sangue e por isso está aqui. – Andrew tentava se manter na frente de Andressa enquanto encarava o inimigo.
–Ele vai matar você, você pode fugir, pode voar, me deixe aqui enquanto salva sua vida. – Andressa queria viver, mas não podia pensar que alguém morreu por ela, Andrew deixou um sorriso meio irônico surgir em seus lábios, ele não desviou o olhar do lagarto gigante, mas Andressa sabia que aquele sorriso era para ela.
–Todos acham que eu sou fraco, que meu poder se resume em levitar objetos ou a mim mesmo, isso é um grave erro, eu não sei o que ensinam para as pessoas sobre a gravidade, mas ela não é apenas para fazer truques ou festinhas infantis, o poder que a gravidade cria é tão grande quanto as suas tempestades. – Andrew falou firme enquanto pequenos pingos de chuva começavam a cair novamente, Andressa não estava mais controlando o clima, então eles teriam que aceitar a água e o frio.
–Não estou dizendo que você é fraco, estou dizendo que não quero que morra. – Andressa falou baixo com sua voz fraca, mas Andrew parecia determinado a lutar.
–Não se preocupe Andressa, seu poder é limitado apenas a terra, mas a gravidade está em todo o universo, eu posso tirar a terra do eixo sabia? Eu posso fazer coisas além da compreensão para muitos, digamos que eu apenas não gosto de me exibir. – Mas naquele momento o lagarto disparou na direção do jovem, Andrew se manteve firme e faltando apenas alguns centímetros para tocar ele, o rapaz ergueu a fera no ar, no mesmo instante outras criaturas começaram a surgir e todas tiveram o mesmo destino, por fim, quando o céu estava com tantos lagartos assim como estrelas, Andrew usou seu poder e começou a roda-los no ar criando uma sinistra cena, porem bela, e como uma estrela cadente ao contrário ele enviou todas as criaturas para fora da órbita.
–Onde eles foram? – Andressa perguntou ainda impressionada com o que tinha acabado de ver.
–Eles foram para fora do planeta, não é uma coisa muito fácil de fazer, exige muita energia, mas acho que foi melhor fazer isso do que abri-los ao meio, assim pelo menos foi mais limpo. – Andrew falou respirando fundo, mas naquele momento um lagarto surgiu a suas costas repentinamente sem que ele tivesse tempo para reagir.
Um forte raio veio até a criatura o derrubando com muita força abrindo um buraco na cabeça do animal.
–Caramba. – Andrew falou ainda sentindo a presença da eletricidade no solo.
–Viu, meu poder não é tão limitado quanto parece também. – Andressa falou feliz, mas suas forças estavam começando a se esvair.
–Precisamos tirar você daqui o quanto antes. – Andrew pegou Andressa nos braços, ele não podia sair de lá voando por cima da Ilha de forma fácil, mas podia acelerar o processo carregando Andressa para que ela não perdesse mais sangue pelo caminho.
–Você devia descansar, acabou de usar muito poder, isso não vai ser fácil para você. – Andressa falou sentindo muita dor enquanto Andrew tentava conforta-la em seus braços mesmo sabendo que era impossível.
–Não importa como eu estou me sentindo, eu estou aqui por um propósito, o de ajudar as pessoas, então se não puder salvar você, eu não tenho razões para continuar aqui.
–Andrew você é um cara muito legal. – Andressa fechou os olhos e deixou sua fé falar mais alta, ela tinha certeza naquele momento que podia confiar sua vida aquele rapaz.
{...}
Hotel Luis XIII – New York
A luz estava apagada, David mantinha o olhar ficho pela janela do quarto enquanto uma mulher dormia em sua cama, provavelmente ele não se lembraria dela pela manhã que por sinal estava quase chegando.
A camisa branca se destacava com a luz do luar, ele se sentia bem com isso, mas sabia que tudo naquele cômodo, incluindo a mulher nua em seus lençóis era apenas mais uma de suas farsas, a farsa da normalidade. David Jones passava a imagem de um homem rico, bem sucedido e feliz, ainda jovem que gostava de mulheres bonitas e apostar em cavalos, o típico playboy que conquista o mundo com seu charme, mas não, David estava muito além disso.
–Bela mulher. – Disse uma voz a suas costas com um ar de desdém conhecido.
–Você de novo, espero que tenha mais informações privilegiadas, estou começando a achar que sua morte pode me dar mais prazer que Sasha.
–É sobre a localização dos jovens da SHIELD. – Disse James ainda na sombra próximo da porta.
–Vamos para o meu escritório, eu não quero que ninguém ouça essa conversa, a propósito, como entrou aqui? – David perguntou curioso, afinal, ele tinha câmeras e um exercito pronto para protegê-lo.
–Deve pensar o seguinte, ou seus homens precisam de mais treinamento, ou alguém quer que você seja morto. – James falou de forma arrogante.
–Provavelmente os dois. – David falou rindo.
Eles foram para o escritório que ficava ainda mais assustador a noite, provavelmente não seria o melhor lugar para se estar com aquele que se intitulava o Ceifador.
David fez um drink para ambos, sua roupa mostrava tranquilidade, enquanto a postura e os trajes negros de James demonstravam praticidade.
–Você sabe que essa informação foi a mais difícil de conseguir até hoje, e que provavelmente eu precisei matar umas quinze pessoas para chegar até ela, então eu me pergunto, quanto você está disposto a pagar por isso? – James falou se sentando com cuidado em uma das poltronas de veludo ao lado da mesa principal da sala.
–Gosto da sua forma de pensar, sempre objetivo, sempre prestativo, no fundo não consigo entender o, porque de ainda respirar, você sabe que esse seu jeito me irrita. – David falou calmo enquanto mantinha o sorriso no rosto, mas James sabia que aquilo era uma grande ameaça, mesmo assim sorriu de volta.
–Eu descobri o lugar onde todos os agentes são treinados para chegar ao nível máximo da SHIELD, eu descobri o caminho secreto que alguns mercenários fizeram a mais de dez anos quando as primeiras noticias sobre esse lugar surgiu, por essa rota a SHIELD nunca conseguirá rastrear qualquer ameaça que se aproxime, e além disso, eu consegui um avião seguro para partir pelo amanhecer, você estará lá em breve. – James sorriu satisfeito pegando um pen drive do bolso e entregando a David. – Todas as informações necessárias estão aqui.
–Você é mesmo impressionante, eu não entendo como consegue isso, eu simplesmente não sei, para realizar um serviço desses você iria precisar ser várias pessoas diferentes e esse poder eu sei que você não tem. – Ao dizer isso David puxou uma arma que estava escondida embaixo de sua mesa e apontou para a cabeça do homem a sua frente. –Me diga agora mesmo o que quer com isso Mística.
Houve um grande silencio no local, por fim quebrado por uma risada muito mais feminina que a voz anterior.
–Você é um homem muito inteligente, poucas pessoas no mundo teriam percebido tudo, o que foi que me entregou? – James foi se transformando aos poucos em uma mulher de pele azulada e cabelos cor de fogo.
–Sua alto confiança, James é corajoso, mas ele não seria tolo ao ponto de se expor dessa forma, se tivesse mesmo todas essas informações não viria aqui sem homens para garantir sua fuga, James é ambicioso, mas não é tolo, uma informação dessas valeria uma fortuna, para mim seria muito mais cômodo mata-lo do que paga-lo. – David falou por fim colocando a arma sobre a mesa, ele não tinha nenhum motivo para usa-la., sendo que podia resolver tudo com as próprias mãos.
–Você me surpreendeu, nunca alguém conseguiu perceber a diferença em tão pouco tempo. – Mística falou pegando o drink e bebendo de uma só vez.
–Mas me diga, pelo que eu sei nessa história você trabalha para Magneto, e se está aqui é porque ele deseja isso, no entanto, até onde eu sei somos uma espécie de inimigos, agora me diz, o que está acontecendo aqui de verdade? – David falou sentando-se em sua própria cadeira e colocando os pés sobre a mesa, Mística por sua vez andou até sua direção sentando-se sobre a mesma e o encarando de forma divertida.
–Simples, ás vezes precisamos entender que lutar contra não é a melhor posição, ás vezes devemos conhecer o inimigo e torna-lo um aliado, é como no velho ditado, o inimigo do meu inimigo....
–É meu amigo. – David falou sorrindo enquanto bebia seu whisky.
–Nós estamos cientes do seu interesse em Daniel Jones, conhecido como Lázaro, eu acredito que seu interesse seja totalmente profissional e que esconde algo muito maior por trás, algo como pesquisas pela imortalidade. – Mística falava com calma enquanto analisava alguns quadros pelo escritório.
–Como chegou a essa conclusão? – David ficou tenso pela primeira vez.
–Faz muito tempo que Magneto tem espiões entre os seus homens, ou acha que ele é o tipo de homem que deixa pontas soltas? Você se acha durão só porque tem o toque da morte? Você é só um garoto assustado na nossa opinião, um garoto assustado e mimado querendo ter o que o irmão mais novo tem. – Mística riu amarga fazendo sua voz ecoar por todos os cômodos, pela primeira vez David ficou irritado, ele não estava acostumado a ter sua autoridade questionada.
–Você é uma mulher corajosa, fico me perguntando, porque razão alguém com tantos talentos ainda continua sendo a segunda peça do jogo. – David estava tentando desestabilizar a ruiva, mas isso não iria acontecer, Mística estava preparada para isso, ela sabia que diante de uma ameaça David iria tentar fazer o possível para se sobressair.
–Lealdade é uma coisa difícil de se conseguir hoje em dia, eu tenho um passado, como todos aqui, e eu sei a quem devo favores. – A mulher falou calma tentando não trazer a tona os pensamentos de uma vida no escuro.
–Bom, vejo que você está aqui falando em nome de Magneto e sua causa, mas o que eu realmente quero saber é, essas informações são mesmo verdadeiras? Ou tudo só passou de um blefe para que você pudesse entrar aqui e me matar. – David encarou a mulher de forma intensa, ela se levantou e caminhou tranqüila pela sala indo até a janela, o vidro foi aberto e o vento de uma manha fria começava a se aproximar.
–As informações são reais, o avião é real e o interesse de Magneto também, aceite isso como um presente, faça o que deve ser feito e em troca você só precisa fazer uma coisa. – Mística falou segurando os lados da janela.
–E o que seria?
–Dividir a imortalidade com ele. – Houve um grande momento de silencio e por fim David acenou a cabeça positivamente, a mulher sorriu e no mesmo instante se atirou pela janela.
David pegou o pen drive com as informações, ele olhou para o objeto com grande interesse e ficou um bom tempo ali, ele sabia que não tinha tempo a perder, mas tudo parecia simples demais, era obvio que não poderia confiar em Magneto ou Mística, mas no momento ele não tinha outra escolha.
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Norte da Ilha
Natasha sentia o sol queimar sua pele clara com muita intensidade, os raios da manhã deviam ser mais fáceis de suportar, mas definitivamente não era. No fundo ela não queria estar ali, afinal, seu filho havia acabado de retornar com vida, ela queria garantir que seus ferimentos eram superficiais, no entanto, Fury achava melhor que os pais não ficassem supervisionando tanto seus filhos nesse momento, por isso ela e Clint estavam ali, sendo o comitê de boas vindas do dia, e Hill havia sido mandada para New York para supervisionar algumas coisas na construção da nova Academia.
–Como sente agora? – Clint perguntou olhando para a mulher que parecia fazer parte daquele ambiente paradisíaco, os cabelos vermelhos bagunçados, a pele clara um pouco corada pelo sol, tudo em Natasha era perfeito para o ambiente, até mesmo sua expressão de seriedade, Clint sempre admirou isso nela, a capacidade de se misturar em qualquer situação.
–Calma, feliz, eu não sei ainda, ver Nick bem é uma sensação positiva indescritível, mas os outros ainda estão lá, eu não consigo aceitar isso muito bem. – Natasha falou encarando o homem que sabia exatamente o que ela sentia.
–Não sei ainda o que pensar. – Clint falou arrumando os óculos de sol. –Só quero que tudo acabe bem e....- Mas ele foi obrigado a se calar, no meio das arvores surgiam rostos conhecidos.
Ângela Banner carregando Jeremy nas costas com um grande sorriso no rosto, o rapaz parecia desacordado, mas vivo, Jackson andando confiante ao lado de Lacey que parecia forte e feliz, um pouco mais atrás surgia Howard com Charlie que tinha o braço ferido, mas parecia muito bem, Edward surgiu com as roupas sujas de sangue e terra, não dava para saber se era dele ou não, mas fora isso tudo parecia bem.
–Não acredito nisso. – Clint abriu um grande sorriso ao ver todos aqueles jovens com vida, todos correram o máximo que conseguiram até chegar á base montada para recebê-los.
–E então, vocês são o grupo de boas vindas, onde estão as garotas nuas? – Jackson falou rindo enquanto Lacey dava uma cotovelada nele.
–Eu estou mais interessada na comida, ficar esse tempo todo vivendo de frutas não tem a menor graça. – Lacey falou rindo enquanto tentava prender os cabelos que estavam bagunçados e sujos.
–Estão todos bem? – Natasha perguntou enquanto o resto da equipe de resgate preparava o barco para levá-los ao porta aviões.
–Deixa eu simplificar para você,garoto gênio, garota cérebro, garota tarzan, garoto ligeirinho, garoto viagem astral, garota músculos e garoto transporte, acha mesmo que não íamos conseguir? – Howard falou encarando Natasha com um ar orgulhoso apesar de cansado.
–Para falar de uma forma menos convencida, todos temos nossas habilidades e para aqueles que não tinham tanta força criamos uma forma de suprir e proteger, foi difícil no começo, mas com o tempo conseguimos sobreviver e escapar. – Angela falou colocando Jeremy em uma maca, ele havia sofrido uma insolação e estava muito desorientado, mas vivo, e isso era o que importava.
–Vicky? A Vicky conseguiu? – Jeremy falou quase sem forças.
–Ainda não. – Natasha falou firme sem demonstrar muito sentimento.
–Mas ela vai conseguir, não se esqueça de quem é o pai dela. – Charlie falou se aproximando do rapaz que deixou um sorriso tímido escapar, mas ainda sim, assustado.
–Vamos levá-los até os outros, vocês não foram os primeiros a chegar. – Clint falou sorrindo, um sorriso que deixava muita coisa transparecer.
–Não me diga que....Nick? – Howard abriu um grande sorriso ao saber que o amigo estava vivo, ele abraçou Angela e a rodou no ar e só depois percebeu que o clima não era para isso. – Desculpe. – Ele disse tentando voltar a sua postura de antes, essa coisa de dar um tempo era muito inesperado para ele, pela primeira vez em muitos anos ele estava passando por uma situação assim, teria que aprender a jogar esse novo jogo.
–Tudo bem Howie, não precisa se desculpar, eu também estou feliz por Nick já estar salvo, eu tinha ficado tão preocupada com ele. – A jovem falou de forma tímida com o rosto corado e aquilo foi uma fonte de esperança para o rapaz.
–Quem mais sobreviveu até agora? – Charlie perguntou enquanto enxugava o suor do rosto.
–Mason e Seth também retornaram vivos, mas Nick foi muito ferido, as armadilhas da Ilha são projetadas por especialistas. – Clint falou sério.
–Na verdade você quis dizer por vocês. – Jackson falou enquanto olhava de forma sedutora para uma das enfermeiras que media seu pulso.
–Bom, eu não vou negar, todas as armadilhas foram criadas por nós, mas ninguém tem o direito de saber por quem, assim evita maiores confusões. – Clint concluiu encarando Charlie que ainda se sentia mal depois de tudo o que passou.
–Você quer dizer que evita que nós nos vinguemos. – Charlie falou cruzando os braços sobre o peito e encarando o homem de uma forma até divertida.
–Alguém pode me dizer se Anne está indo bem? – Edward perguntou olhando de Natasha para Clint, mas nenhum dos dois fez qualquer expressão que pudesse ser considerada uma resposta.
–Não podemos dar informações sobre os outros que ainda estão na Ilha, mas podemos deixá-los ver quem já retornou, por hora é só. – Natasha falou firme enquanto se dirigia para o barco.
–Não se preocupe Edward, ela vai sobreviver. – Jackson falou olhando para o rapaz que ainda parecia muito abalado.
–Espero que sim, eu só não acredito que não possamos saber nada sobre eles, será que Fury acha que isso é fácil? – Edward falou pensativo.
–Ela fala como se isso fosse o suficiente. – Lacey falou revirando os olhos enquanto cruzava os braços.
–Nunca é o suficiente. – Disse Charlie sabendo que seu avô estaria presente no porta aviões. Todos começaram a se preparar para ir até o ponto de encontro, mas antes de dar a partida no pequeno barco, Edward ouviu vozes vindo da praia.
–Esperem!!! – As vozes gritaram ao mesmo tempo e para a surpresa deles Bárbara e Gery vinham carregando Stefan que parecia muito mal.
–Barbie. – Angela se jogou sobre a amiga e começou a chorar, era tão bom ver que as pessoas estavam começando a aparecer que isso emocionava até quem estava de fora.
–É bom ver vocês também. – Bárbara abriu um sorriso meio triste, mas tudo ficou esclarecido quando eles olharam para Stefan e viram a situação do rapaz.
–Meu Deus o que houve com ele? – Natasha perguntou tentando não mostrar sua preocupação, mas era impossível.
–Ele me salvou, e quase morreu no processo. – Bárbara falou séria sentindo orgulho do amigo. – Havia muitas bombas, eu tentei ajuda-lo, mas ele se esforçou demais e acabou perdendo muito sangue.
–Vamos logo, ele precisa de cuidados. – Clint falou enquanto os enfermeiros se aproximavam para levá-lo até o barco, ele precisaria de muito sangue e soro. –Sempre soube que Stefan era corajoso, ele não era apenas um assassino como muitos pensavam, ele é um soldado de verdade, um agente de verdade. – Clint falou sorrindo colocando a mão sobre o ombro de Natasha que sorriu para ele.
–E ai garota “eu falou com os animais”, é bom ver que você sobreviveu. – Gery falou encarando Lacey que apenas sorriu tentando não mostrar o quanto estava feliz por vê-lo bem.
–Obrigada, eu sabia que iria conseguir, agora vamos logo, você precisa por uma camisa antes que fure o olho de alguém. – Lacey saiu afobada na frente das pessoas fazendo Gery rir, era sempre bom estar com os amigos.
Eles embarcaram no barco e foram em silencio até o ponto de encontro principal, o porta aviões da SHIELD.
Os jovens foram levados para a enfermaria enquanto os relatórios sobre seus feitos estava sendo analisado por uma equipe principal, Fury claro estava lá para ter certeza que tudo seria visto corretamente.
–Quero ver meu filho. – Tony falou se aproximando mais foi barrado por agentes.
–Sinto muito Tony, mas eles não foram liberados ainda. – Natasha falou séria encarando o homem que parecia frustrado.
–Ficou louca? Meu filho precisa de mim agora.
–Não, ele precisa de repouso, você tem que se acalmar ou eles farão o mesmo que fizeram com a Hill, vão mandar você para longe. – Natasha tinha razão, mas naquele momento Bruce surgiu no corredor com uma expressão determinada.
–Bruce você não pode entrar na enfermaria, foram ordens do Fury e....
–Nunca mais, nunca mais vocês farão isso com nossos filhos outra vez, pode dizer ao Fury que se isso acontecer novamente eu mesmo vou destruir esse lugar todo. – Bruce parecia furioso apesar de estar se controlando.
–Ei Bruce se acalme. – Clint se aproximou, mas Banner o empurrou contra a parede.
–Eu concordei com isso porque acreditei que seria mais fácil, mas cada hora que minha filha ficou naquele lugar foi um inferno para mim e eu tenho certeza que vocês também sentiram isso em relação ao Nick, eu não quero saber, eu só quero ver minha filha e ninguém aqui vai me impedir. – Bruce passou furioso por todos indo em direção a enfermaria, Tony lançou um sorriso para os agentes e seguiu Bruce.
–Vocês ouviram o homem, nada vai impedir ele, e eu sou o melhor amigo dele então, se me derem licença. – Tony passou e correu na direção dos jovens, ele sabia que as coisas ainda estavam apenas no começo, e que no fundo ninguém estava verdadeiramente seguro.
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