Academia Jovens Promissores -Fic Interativa
34 Prova de Sobrevivência Quarto Dia - Parte 4 FINAL.
Notas iniciais
Oeste da Ilha
A chuva havia parado algumas horas atrás, o fogo do acampamento improvisado tinha se apagado á poucas horas, mas o frio da manhã era grande ainda.
Anne olhou para o lugar onde a fogueira estava e com um gesto de mãos o fogo voltou, ela tinha um grande controle sobre os elementos e isso facilitava muito as coisas.
Anne havia sentido um vulcão em erupção por perto, ela sentiu a presença de alguém emanando do calor, sabia que provavelmente era Renata, assim como sentiu a força dos raios caindo sobre a terra, ela sabia que isso só podia ser coisa de Bárbara, tudo, simplesmente tudo o que sentia das forças da natureza a levava para alguém que ainda estava vivo, a chuva lhe trouxe a presença de Andressa e isso a preocupou, o trabalho dela para ajudar os outros seria não deixar a chuva cair, se a chuva estava caindo então devia ser um problema, também tentou entrar em contato com Charlie, mas a mesma não respondia, das duas uma, ou ela havia saído da Ilha, ou estava com grandes problemas, Anne também pensou na Teddy, ela era muito poderosa, só no fato de pensar na garota ela sentiu sua mente sendo invadida.
“Você está bem?” – Perguntou Theodora.
“Sim, mas estou sozinha, eu estou andando nessa Ilha maldita á quatro dias acho, falta apenas um dia e eu nem ao menos sei onde estou.” – Anne respondeu de forma telepática.
“Não se preocupe, alguns dos nossos estão se aproximando de você, só precisa continuar andando nessa mesma direção, eu não posso falar mais, de qualquer forma fique viva.” – Teddy falou séria e Anne respirou fundo.
“Como se fosse fácil.” – Respondeu á loira revirando os olhos e continuando sua caminhada na mesma direção.
Anne se lembrou de todo o tempo que passou na Academia, quando conheceu as meninas que se tornariam suas amigas, pensou nos rapazes e suas diferenças, pensou em Stefan, na coragem dele de lutar contra seu lado negro, lado esse herdado pela família, assim como Edward, uma vitima das ações dos outros, aqueles pensamentos fizeram com que ela se lembrasse de momentos do passado que jurou esquecer.
Flash Back On
A escada de mogno escuro não era um lugar para uma criança, Anne sabia disso perfeitamente, mas não tinha medo. Sua coragem era considerada petulante pela mãe, mas Luna sua irmã adorava isso, até o momento em que sua mãe praticamente proibiu as duas de brincarem juntas.
Naquela escada Anne passou uma boa parte do tempo, ela escorregava pelo corrimão, ela fazia as bonecas mergulharem em queda livre por entre os degraus, e o que mais gostava, jogava os brinquedos do alto para levitá-los de volta com a força do vento, em uma noite, passado do horário de dormir, Anne acordou com fome e resolveu ir até a cozinha, ela cruzou com uma bola no meio do caminho e sentiu-se tentada a fazer sua brincadeira como de costume, naquele momento se aproximando da escada ela ouviu vozes nervosas falando do andar de baixo.
Havia dois homens, um de terno marinho com uma camisa branca e blazer aberto, era seu pai Pietro, elegante como sempre, do outro lado um homem com trajes simples, porem havia uma postura nele acima de qualquer elegância, uma postura que apenas homens com grande poder consegue possuir.
–Não devia estar na minha casa a uma hora dessas. – Pietro falou frio, frio demais para quem fala com o próprio pai.
–Você desistiu mesmo não é? Dos poderes, da vida que sonhamos para nós? – Eric perguntou encarando o filho enquanto andava com calma pela grande sala de estar e observava os vários retratos nas paredes.
–Nosso sonho? Você criou um sonho suicida e colocou sua família nisso, eu e Vanda, nós não tivemos escolha, nós nunca tivemos escolha de nada, ela também estava tentando e você destruiu tudo, tem idéia do que fez a ela? Tem idéia do que ela pode fazer conosco? – Pietro ficou em silencio por um tempo, ele sabia o quanto aquela conversa era perigosa, ele sabia o quanto a irmã era poderosa, e além disso, ele sabia que Vanda tinha um filho igualmente poderoso, um garoto chamado Edward.
–Tem medo da sua irmã?
–Tenho medo de você! – Pietro encarou o pai por um longo tempo enquanto Anne permanecia agarrada ao corrimão da velha escada.
–Tudo o que eu quero é um mundo livre para mutantes viverem em paz. – Eric falou encarando por fim uma ultima foto onde toda a família estava reunida.
–Você quer um mundo sem humanos, um mundo onde você seja o líder supremo e todos temam seu nome, um mundo onde você usará sua família para fazer o seu trabalho sujo, assim como faz com Mística durante todos esses anos. – Pietro sentia o coração batendo forte contra o peito, ele não sabia ao certo o que estava sentindo, mas sabia que não era bom.
–Você devia proibir esse comportamento de Crystalina, ela é o símbolo de tudo aquilo que abominamos Mercúrio. – Disse a voz grave de Eric mudando o foco da conversa enquanto o filho que cerrava os punhos em uma tentativa vã de manter o controle.
–Deixe minha esposa fora disso, assim como minha filha ouviu?
–Anne tem poderes extraordinários e sua mulher a trata com descaso, você devia dar um fim ao lado podre da sua família, você tem uma filha perfeita, não precisa do resto. – Magneto falou sorrindo pensando em todos os poderes que Anne possuía, ele já tinha Edward em suas mãos, se conseguisse usar Anne teria um membro valioso em seu exercito.
–Eu tenho duas filhas, duas, Luna é minha filha assim como Anne.
–Luna é apenas humana, ela não vai chegar a lugar nenhum e você sabe disso. – Eric fitou os olhos do filho por um minuto, mas Pietro foi apenas até a porta e abriu a mesma com um movimento ríspido.
–Deixe minha família em paz, por favor, e fique longe da Vanda também, ela precisa de um tempo para superar a morte do marido, marido esse que você matou e nós sabemos muito bem disso, sem falar no seqüestro. – Pietro tinha certeza que o filho da irmã tinha sido levado por Magneto por algum motivo irreal.
–Como quiser, mas um dia eu vou voltar a bater nesta porta e desta vez não será para falar com você. – E discretamente Magneto olhou para o alto da escada surpreendendo Anne com uma piscada amigável.
Pietro fechou a porta e arremessou vários vasos contra a parede, assim como retratos e tudo o que encontrou pelo caminho, a partir daquele momento Anne entendeu o quanto Magneto podia ser perigoso e que no fundo ele sempre seria uma sombra atrás dela e de seus poderes.
Flash Back Off
A jovem estava com fome, com as roupas úmidas, e preocupada com os outros, ela sabia que já havia se passado mais de três dias desde o começo daquela loucura, e até agora, ela ainda não tinha encontrado ninguém, apenas a voz de Teddy em sua cabeça.
–Anne? – Disse uma voz firme ás costas da garota.
–Nate? Nossa, graças a Deus um ser humano, eu precisava tanto ver alguém eu.... – Mas antes que eles começassem a falar sobre suas experiências na Ilha, o rapaz puxou Anne e cobriu sua boca com uma das mãos colocando-a atrás de uma arvore enquanto olhava para alguma coisa passando.
Do outro lado de algumas folhagens vários homens passavam de forma apressada com alguns aparelhos e uniformes negros, meio camuflados.
–O que é isso? – Anne falou de forma baixa e um pouco assustada.
–Eu estou seguindo eles desde ontem á noite, são homens especializados em armamentos e explosivos, dá para ver isso só pelos trajes.
–E porque você não os derrotou ainda? – Anne perguntou pronta para a briga.
–Porque não é assim que as coisas funcionam, precisamos primeiro de uma estratégia, sem falar que a SHIELD já deve estar de olho nesses caras.
–Talvez não, talvez o sistema de segurança deles tenha sido corrompido, você sabe que sempre existe espaço para desertores. – Anne falou preocupada olhando mais uma vez os homens sumirem no meio das folhas.
–De qualquer forma tem outra coisa importante senhorita sabe tudo, eu não sei quem está vivo, quem morreu ou onde os outros estão, não posso partir para cima sem ter certeza que minhas ações estúpidas não vai colocar a vida de ninguém em risco. – Nate falou sério encarando Anne que engoliu em seco.
–Ok, desculpe pela vontade de querer quebrar alguns ossos, mas já estou cansada de ficar nesse lugar sozinha, com fome e perdida. – Anne saiu andando rápido na direção dos homens misteriosos, ela não sabia exatamente o que estava acontecendo ali, mas queria saber a verdade, principalmente se alguém estivesse por trás disso, Nate respirou fundo e pensou em tudo o que havia direcionado seus passos até agora, ele era um problema desde o começo, sem amigos, sem interesse, apenas alguém que foi criado desde criança para ser forte e agüentar as coisas, para ele até agora tudo o que havia visto naquela Ilha não o tinha chocado, não quando se tem marcas tão profundas na pele que ninguém pode arrancar.
Flash Back On
A França devia ser um lugar mágico, um lugar bonito onde as pessoas apaixonadas passam seus dias abraçadas e sorrindo, mas isso não era para Nathaniel, e na mente dele jamais seria.
O velho quarto alugado por seu pai era um verdadeiro lixo, eles estavam em uma instalação próxima de um bar que também servia como prostíbulo, Gambit adorava esses lugares vulgares, era uma forma de acreditar que a vida já não valia a pena e mostrar a Nate á realidade do mundo.
Pelas costas do rapaz e por todo o peito era possível ver ferimentos ainda sangrando, marcas criadas em um de seus treinamentos com o pai, Gambit queria que o filho fosse forte, firme, e cruel, não porque seria bom, mas porque seria necessário.
–Você não vai sair hoje? – Gambit perguntou arrumando seu chapéu de lado com um ar mais Inglês do que francês.
–Não, vou tomar um banho se tiver água quente e me preparar para amanhã. – Nate falou sério olhando para o pai que mantinha um sorriso animado no rosto.
–Você não devia desperdiçar seu tempo com isso, em breve você vai fazer parte da nossa luta, você tem visto todos esses anos como as coisas caminharam no Instituto, Charles não está formando alunos, ele está formando soldados e você precisa ter uma formação especial.
–E porque eu? – Nate gritou o mais alto que pode surpreendendo Gambit, o jovem tinha apenas quinze anos, estava cansado de tudo aquilo, queria ser normal, queria ao menos ficar mais no Instituto que os outros, queria ter uma vida feliz.
–Porque o Instituto não te ensina a sangrar sozinho, não te ensina a cuidar das feridas, não te ensina a ver as pessoas que ama morrer, como a sua mãe. – Gambit falou ainda mais alto enquanto atirava um copo de whisky no chão.
–Eu estou cansado disso. – Nate falou indo até a janela encarando o céu nublado.
–Eu também, mas de uma coisa eu sei, nossos inimigos não vão desistir, se você quer lutar por alguma coisa importante um dia precisa estar pronto para isso, não pode ter medo ou se achar fraco, se quer salvar seus amigos ou até mesmo um grande amor precisa estar pronto para sangrar por eles, ou você está dentro ou fora. – Gambit encarou o filho que permanecia de costas, Nate ficou assim por um longo tempo até que deixou um sorriso fraco e até mesmo incrédulo surgir.
–Eu escolho o bar dessa vez. – Nate falou se virando para o pai e estendendo a mão para ele.
–É assim que se fala. – Gambit sabia que pegava muito pesado com o filho, mas precisava prepará-lo sempre para o pior.
Flash Back Off
Pela primeira vez em muitos anos Nate sentiu falta do pai, sentiu falta da sua presença, e agradeceu muito por toda a dor que ele lhe causou, porque como ele havia dito, o mundo nunca pegaria leve com ele.
Anne continuou seguindo o rastro dos homens misteriosos na tentativa de ver o que realmente estava acontecendo.
–Dá para andar mais discretamente? – Nate falou tentando puxar Anne para um lado mais afastado da estrada.
–Eu sei perfeitamente o que estou fazendo e digo mais.... – Desta vez outra pessoa surgir por entre as arvores, mas agora era Vicky, estava suja e cansada, mas parecia decidida em descobrir alguma coisa, ela tapou a boca de Anne enquanto parecia tentar ouvir alguma coisa além dos homens presentes.
–Tem alguém com eles, alguém que parece estar dando ás cartas, precisamos encontrá-lo, localiza-lo e destruí-lo, tem mais alguém com vocês? – Vicky perguntou séria com o rosto todo sujo de terra.
–Não, estávamos sozinhos até meia hora atrás, eu encontrei a Anne bem na hora em que esses caras estavam passando por aqui, eu só não sei bem onde estamos. – Nate falou encarando a postura totalmente militar que Vicky havia incorporado aos seus dias até naquele momento.
–Nós estamos a Oeste da Ilha, aqui tem muita vegetação e pouca comida, existem outras áreas, como ás montanhosas, e o campo deserto, também tem vulcões e lagos gigantes. – Vicky falou enquanto andava rápido atrás dos estranhos.
–Como sabe tanto? – Anne falou olhando para a loira que parecia com muita energia no corpo.
–Eu sempre gostei de livros, eles me ensinaram como fazer uma visualização de um ambiente hostil sem muitos problemas. – Vicky parecia confiante, ela sabia que precisaria de toda a força para sair daquele lugar.
–Vamos, precisamos descobrir onde isso vai dar. – Nate falou de forma tensa, estava preocupado com Charlie, mas além disso estava preocupado com o resto do grupo.
–Há, só mais uma coisa, eu também encontrei a Teddy, bem, não fisicamente, mas ela falou comigo mentalmente a mais ou menos vinte minutos atrás. – Anne falou séria olhando para os outros que pareciam ainda mais felizes com a noticia.
–Ótimo, é muito bom ver que mais pessoas estão conseguindo, talvez todos os outros já tenham saído da Ilha, mas agora o mais importante é continuar seguindo esses caras e outra coisa, eles estão indo para o Norte e isso é muito bom, porque lá deve ter um grupo de resgate para os sobreviventes, se esse pessoal for do mal eles já eram. – Vicky sorriu arrumando os cabelos que caiam sobre o rosto, ela estava tão preparada para aquele momento que nada parecia estranho ou perigoso o suficiente, sua única preocupação era com Jeremy e seu estado.
Ela pensou em sua vida, em como era feliz com seu pai e sua mãe, como gostava de participar da SHIELD indo lá ás vezes para testes de força, ela adorava as amigas e nesse momento estava morrendo de saudades de Bárbara e Ângela, ela queria apenas que tudo voltasse a ser como antes, o que ninguém podia imaginar era que sua vida também não havia sido tão fácil assim, ser filha do Capitão América também tinha seus lados negativos, seus problemas, suas frustrações, mas esse pensamento não era dividido com ninguém, isso era uma coisa que Vicky levava consigo.
Flash Back On
Sobre a cama bem iluminada pelo sol da manhã um lindo vestido brilhava delicado, era azul celeste e bem curto na opinião de Victória que nem ao menos sabia o, porque daquele vestido ali em seu quarto.
–Você não me disse uma cor então trouxe esse, vai combinar com seus olhos. – Sharon falou sorrindo olhando para a filha que ainda parecia chocada.
–Do que está falando? – Vicky perguntou confusa olhando para a mãe.
–Eu vi o convite que Howard passou para você, vai ter uma festa na casa de praia dele em Malibu e eu acho que você precisa ir. – Sharon se aproximou da filha e lhe deu um beijo na testa.
–Mãe, eu não sei se isso é uma boa idéia. – Vicky não gostava muito de sair, ela se sentia deslocada no meio das pessoas, não por medo ou timidez, mas porque as meninas costumavam sentir inveja de sua beleza e força e os meninos não tinham coragem de se aproximar. –Da ultima vez eu fiquei em um canto conversando com a Ângela que foi a única que me deu atenção de verdade, nenhum dos meninos me chamou pra dançar e toda a vez que resolvi andar pela festa eu via um olhar de medo.
–Medo? Medo de que?
–De que eu contasse alguma coisa para o meu pai ou para a policia sei lá, pelo fato de sempre ter gente mais jovem bebendo sem autorização, ou pelas drogas, ou pelos caras transando com garotas menores de idade, você sabe que em todas as festas tem esse tipo de coisa, principalmente as festas do Howard, e ninguém me quer por perto quanto um crime está acontecendo. – Vicky deixou o ar sair dos pulmões e se jogou sobre a cama.
–Você precisa mudar sua imagem querida, não que ser quem é seja ruim, mas você precisa mostrar aos outros que você não é o seu pai, você é uma pessoa totalmente diferente, você tem a sua personalidade e a sua forma de pensar e não vai conseguir mostrar isso aos outros deitada nessa cama. – Sharon falou sorrindo e pegando um par de sapatos pretos no armário. – Quero ver você pronta em duas horas, e você vai com o Nick, eu pedi para ele buscar você, é melhor do que chegar com seu pai e acabar com a festa antes mesmo de começar.
–Obrigada mãe, eu amo você. – Vicky falou sorrindo para a mulher dando um pulo da cama para poder abraça-la.
–Só estou fazendo o meu trabalho, agora vá e faça o seu, seja feliz. – Sharon sorriu para a filha e saiu para que ela pudesse mostrar ao mundo quem ela era de verdade.
Flash Back Off
Vicky havia parado de andar por alguns momentos e isso fez com que os outros percebessem aquilo.
–Vicky ta tudo bem? – Anne perguntou olhando para a loira.
–Sim, é só que, esses últimos dias eu tenho pensado muito na minha vida, nas coisas que me trouxeram para cá, no meu passado, em tudo sabe? – A jovem falou com um sorriso fraco e voltou a caminhar novamente.
–Você não é a única, eu fui explodido junto do Jeremy, aquilo mudou a minha vida, se não fosse o seu namorado provavelmente eu estaria morto agora, eu não sei o aconteceu na sua mais pode ter certeza, você não está sozinha. – Nate colocou a mão no ombro da jovem e sorriu, mas o breve momento de calma foi interrompido por um forte barulho, uma explosão.
O barulho dos tiros era algo assustador, vários homens surgiram ao redor deles, todos pareciam ser membros do mesmo grupo que seguia a frente com o armamento.
–Anne, pare as balas. – Gritou Vicky de um ponto onde tentava derrubar alguns soldados com sua força.
–Como? – Anne estava com medo, ela havia sido atingida na perna, mas naquele momento ela olhou para trás e viu Nate lutando com os homens como se fosse sua ultima luta, a camisa aberta, o sangue escorrendo no meio das feridas de tiro, o ar arrogante ao invés de sofrimento, ele agarrou um soldado pelo pescoço e o jogou contra outros dois, correu até Vicky e ambos lutaram juntos chutando cada um, um novo soldado que surgia ao redor, Anne apertou os punhos e deixou sua força fluir, ela usou o fogo em uma intensidade tão forte que derreteu as balas e ao mesmo tempo o ar que as fez virar pó, ela correu até os amigos e os apertou firme. –Prendam a respiração e não abram muito os olhos. – Dizendo isso ela se jogou para o centro da terra de uma forma impressionante, a terra passava por ela como em um metro, a escuridão se desfez com a ajuda do fogo e o ar criava uma verdadeira bolha ao seu redor para que as pedras e raízes não machucassem eles.
–Isso é impossível. – Vicky falou olhando com cuidado para aquela imagem.
–Tudo é possível, você já devia ter aprendido isso. – Anne sorriu para a amiga enquanto Nate tentava se manter firme, seu corpo havia sido muito baleado.
Por fim todos conseguiram sair da terra explodindo como uma flor que nasce em meio ao caos.
–Onde estamos? – Anne parecia perdida, mas era possível ver que eles estavam muito longe do lugar anterior.
–Pelo clima e por essa sensação de maresia no ar eu diria que estamos a Norte e a frente dos nossos inimigos, nós só precisamos encontrar a praia e o ponto de encontro. – Vicky falou olhando os coqueiros que haviam surgido no lugar das arvores, isso era um forte indicio de que o mar estava perto.
Elas ouviram um gemido e o corpo de Nate tombou para o chão.
–Você está bem? – Anne perguntou ajudando o rapaz a ficar de pé.
–Estou sim, foi só um pequeno arranhão, a gente consegue, mas precisamos ser rápidos. – Nate respirou fundo enquanto Vicky usava a camisa de tecido fino que estava por cima de sua regata para fazer um curativo improvisado em um dos tiros.
–Vamos rápido, não podemos perder tempo agora. – Disse a loira para os outros que assentiram.
Todos estavam preocupados, mas uma coisa era certa, aquela equipe de homens pela Ilha não podia ser coisa boa.
{...}
Sul da Ilha
Theodora sempre foi uma mulher da cidade, sempre gostou de viver no luxo e com bom gosto, claro que a idéia de uma ilha não era algo tão ruim assim, mas daí a ficar perdida no meio daquele mato todo cheio de pernilongos e insetos era outra história, afinal, ela vivia em uma ilha, um lugar feito apenas para si mesma, um refugio do mundo que a assustava tanto.
Ela sabia que algumas pessoas haviam saído da Ilha, mas foi proibida de saber sobre quem se tratava.
“Não vai ajudar ninguém se ficar dando dicas de tudo.” – A voz de Emma falou dentro da mente de Teddy.
“Mas nós juramos que iríamos nos ajudar.” – Teddy parecia revoltada, ela assim como Charlie havia jurado ajudar os outros que estivessem com mais dificuldades, indicando direções ou indicando onde os outros alunos estariam.
“Eu sei o que foi prometido, mas assim como sair da Ilha voando, ou se teletransportando será considerado um erro, ficar dando dicas telepaticamente também, deve dizer apenas o mínimo.” – Era visível que Teddy não teria muita escolha, por isso continuou seu caminho.
Quatro dias havia se passado, a única pessoa que entrou em contato com ela durante todos esse dias havia sido Anne, mas como Emma já havia advertido ela não pode passar muitas informações importantes o que a deixou muito frustrada, queria ajudar mais, tinha poder para isso, ela estava suja, tinha conseguido pouca comida até agora, nada que fosse suficiente para sustenta-la, mas iria continuar procurando, ela estava cansada e se fosse em outra situação já teria ido embora a muito tempo, mas nada havia sido um grande desafio até agora, apesar de ter acordado em meio a um cenário de guerra criado especialmente para ela no meio da Ilha, um cenário que lhe trouxe muitas lembranças do seu passado, quando o efeito do gás passou a quatro dias atrás ela se viu no meio de um nada, exatamente como havia acontecido a mais de oito anos atrás.
Quando sua mãe morreu era jurou manter o controle, mas isso foi algo impossível, o desespero, a sensação de solidão, aquilo dominou Teddy de uma forma que nada no mundo seria capaz de fazer, ela era jovem, ela não havia encontrado segurança em nenhum lugar desde que seus poderes foram descobertos, durante sua vida Richard foi o único a ser bom para ela e nesse momento ele se encontrava morto, aquela dor no peito era conhecida, a sensação de não poder fazer nada para mudar o passado perturbava a mente de Teddy de uma forma assustadora e isso a vez pensar no pior momento de sua vida, quando nada no mundo podia ser mais perigoso do que ela mesma.
Flash Back On
Ásia Menor – Alguns anos atrás
O pequeno vilarejo parecia calmo, os ventos do Sul indicavam uma tempestade próxima, mas o povo estava sempre pronto para enfrentar situações assim, eles só não sabiam que aquela tempestade não era natural.
Pelas ruas de terra uma jovem caminhava com um olhar totalmente perdido, suas mãos estavam tremulas, seu sangue fervia nas veias e tudo o que ela conseguia pensar era no fim, em toda a dor que sentia em seu peito, ela estava só, definitivamente só.
Um helicóptero se aproximou, na porta do mesmo um homem de cadeira de rodas surgiu sendo bem preso por um cabo de segurança enquanto tentava entrar nos pensamentos da jovem.
–Theodora você precisa despertar desse momento de dor, você está criando um holocausto ao seu redor, será que não vê? – Disse o homem encarando a jovem que parecia totalmente desorientada.
–Fique longe de mim. – Teddy gritou com toda a força de seu pulmão e aquilo vez o vento ao redor ficar ainda mais poderoso.
–Senhor, vamos precisar sair daqui imediatamente, o helicóptero não vai resistir muito. – O piloto advertiu Charles, mas o mesmo sabia que não podia partir agora.
–Vão vocês, eu vou ficar e ajudar Theodora a encontrar o caminho. – Charles soltou o cabo de segurança que o mantinha preso ao helicóptero e simplesmente sorriu fazendo a cadeira levitar diante de todos.
–O senhor sabe que vai estar por conta própria não é? A SHIELD não tem mais controle sobre a situação. – Disse um dos soldados usando o uniforme da agencia.
–A SHIELD nunca teve controle algum sobre isso, foi um grande erro da minha parte pensar que eles iriam controlar Theodora, afinal, ela é minha filha e precisa de mim. – Charles desceu em direção ao solo enquanto as casas ao redor começavam a se desintegrar.
–Theodora você vai matar as pessoas desse lugar se não me ouvir agora, você precisa assumir o controle da situação, lembre-se de quem é. – Charles falou tentando se aproximar o máximo possível da filha, mas o poder dela era muito grande.
Teddy lembrou de alguns momentos da infância, da mãe dedicada e do pai adotivo, lembrou da primeira vez que seus poderes surgiram, se lembrou das dores de cabeça, dos desmaios, e dos comas, se lembrou da SHIELD e da tentativa vã de conter os poderes dela, mas nada doía mais do que lembrar da morte da sua mãe e do fato de estar mais uma vez sozinha.
–Eu sou um monstro, um problema, eu estou farta disso, eu não quero ter esse poder todo, eu só quero a minha vida de volta, só isso. – Naquele momento as coisas começaram a se desprender do chão, Teddy levitou uns dez metros na frente de Charles e ele percebeu que era tarde demais, o poder já havia tomado conta de tudo e não tinha mais volta, pelo menos não naquele momento.
Algumas pessoas ainda corriam para proteger suas vidas, mas Charles sabia que seria inútil, ele se retirou o mais rápido que pode, não tinha poder suficiente para controlar aquela onda de poder, talvez um dia ele fosse capaz, mas não agora.
O vento ficou cada vez mais forte enquanto árvores, pedras, telhas, pedaços de ferro e coisas do tipo voavam em circulo em volta de Teddy, ela sentiu uma luz crescendo dentro do peito, mas não era algo positivo, era algo assustador, uma força fora do comum, uma força que dá medo.
Um minuto de silencio no meio do caos.
A explosão com potencia nuclear aconteceu, tudo foi desintegrado diante de Theodora, todas as pessoas que ainda estavam no local, todas as casas, os animais, tudo, não havia mais nada, a área era apenas um grande deserto agora.
Charlie conseguiu fugir usando seu poder para criar um campo de proteção até que pudesse voltar á base da SHIELD que havia sido construída próximo dali.
A morena deixou seu corpo descer ao chão lentamente, como uma pena solta no ar, ela deixou seus pés tocarem a terra devastada, uma enorme cratera havia se formado onde antes havia civilização, Teddy sabia que depois daquilo, sua vida não seria mais a mesma, e se antes ela era considerada um problema agora então ela seria a inimiga numero um do governo.
As lágrimas de Teddy mancharam seu rosto, pela primeira vez em muitos anos ela estava verdadeiramente sozinha, mas naquele momento ela decidiu que não deixaria ninguém tomar as rédeas da situação, ela mesma iria criar seu mundo, um lugar seguro e confiável, um lugar onde ela pudesse dormir a noite sem medo de estar sendo monitorada vinte e quatro horas por dia, ela iria ser dona do próprio poder e nunca mais seria manipulada, era hora de vencer por si só.
Flash Back Off
E era exatamente isso que Teddy buscou em sua mente, era hora de vencer por si só, ás imagens que encontrou pelo caminho de uma cena recriada daquela destruição não iria afetar sua mente, até porque aquela brincadeira de mal gosto não se comparava com os pesadelos que costumava ter, nada no mundo poderia machucar mais ela do que ela mesma.
–Richard, eu queria que você estivesse aqui. – Teddy falou com a voz baixa levando seu pensamento ao seu primeiro amigo verdadeiro.
Caminhando entre as folhagens Teddy ouviu algum ruído estranho, parecia gemidos de dor ou alguma coisa assim, ela resolveu se aproximar e viu uma cena apavorante, mais de cinqüenta corpos estirados no chão, um por cima do outro, alguns bem mais afastados, marcas de cortes por todos os lados, nas cascas das arvores, no corpo dos feridos, marcas tão profundas que até o tecido da roupa havia sido cortado, nem todos estavam mortos, alguns apenas feridos gravemente e John encostado em uma arvore com alguns ferimentos á bala, mas ele parecia bem, apesar de tudo, a camisa aberta, o peito vermelho pelo sangue, os braços de lado de forma displicente, e os cabelos negros totalmente bagunçados, seria lindo se não fosse tão macabro.
–John? Você está bem? – Teddy correu até ele, mas John se levantou passando as mãos sujas de sangue nos cabelos.
–Durante muito tempo eu tive medo dos meus poderes, eu nunca pensei que seria capaz de usá-lo com precisão, mas hoje eu descobri que o ar pode fazer muito mais do que apenas levitar as coisas, ele também funciona como lâminas. – John havia conseguido controlar a força do seu poder e molda-lo a sua forma, o ar que antes era usado apenas para levitação ou para retirar o ar dos pulmões de alguém passou a ser uma arma mais física. – Nunca pensei nisso antes, mas agora estou pronto. – John passou pelas pilhas de corpos banhados em sangue, mas nem todos estavam mortos, alguns apenas feridos o suficiente para não ataca-lo e isso era o que fazia toda a diferença para ele.
John acordou sozinho assim como a maioria, ele procurou por uma fonte de água doce e por orientação nas estrelas durante a noite, tentou se abrigar contra as criaturas estranhas da Ilha e ficou fora de confusão o máximo de tempo possível, até que foi inevitável o confronto.
–Quem são esses homens? – Teddy perguntou a John que ainda analisava tudo com cautela.
–Não sei ao certo, eles usam uniformes militares, estão armados, mas não parecem ser da SHIELD, eles apenas me encontraram e partiram pra cima, achei que não ia conseguir, mas daí meu poder se manifestou de uma forma mais controlada e a luta ficou fácil, particularmente eu não gosto de matar, eu já fiz isso uma vez e nunca consegui me perdoar. – John se referia aos problemas com sua namorada, a garota que mais amava no mundo e que ele mesmo destruiu.
–Vamos descobrir, aquele ali parece meio acordado. – Teddy foi até o homem e percebeu que ele ainda estava consciente, ela entrou na mente do homem e começou a procurar por informações úteis. – Precisamos sair daqui o mais rápido possível. – Teddy se levantou jogando o homem no chão e encarando John que parecia confuso.
–Do que se trata? – John quis saber.
–São homens do Ceifador, aquele homem desprezível, eu sabia que devia ter matado ele desde o começo. – Teddy falou se lembrando do seu encontro no hotel com David.
–Você já viu o Ceifador pessoalmente e não comentou nada disso com ninguém da SHIELD? Por quê? – John quis saber de forma mais dura, ele sabia que esse tipo de informação devia ser compartilhada.
–A SHIELD não foi uma boa companhia na minha vida, eu apenas não confio 100% neles e se eu fosse você também não confiaria, você é o namorado da deusa não é? Até quando acha que isso vai dar certo? – Teddy falou firme, queria tirar o foco de si mesma, mas aquilo pegou John de uma forma ainda mais dolorosa que qualquer outra coisa, pensar em Bárbara naquele momento só deixava as coisas ainda mais difíceis, ele queria muito ficar com ela, mas sabia que o mundo não estava a favor dos dois, mesmo assim ele não iria desistir tão fácil.
–Não me importo com o que a SHIELD pensa, ou os deuses, eu só quero viver minha vida de acordo com as minhas regras. – John falou decidido encarando a mulher que sorriu e estendeu a mão para ele.
–Bem vindo ao meu mundo garoto. – Ela queria alguém com quem pudesse compartilhar alguma coisa, talvez John fosse esse amigo. –Agora sugiro que a gente corra o mais rápido possível na direção Norte. – Teddy sabia que a coisa não seria nada fácil, eles estavam correndo contra o tempo e muitas pessoas corriam perigo.
–Você acha que existe um traidor entre nós? – John perguntou de forma cautelosa.
–Sempre vai existir traidores entre nós. – Teddy não descartava a possibilidade de alguém estar passando informações para o Ceifador e Magneto.
–Isso é muito grave, talvez devêssemos avisar Fury sobre isso. – John falou tenso pensando no problema que um traidor podia significar.
–Eu não tenho tanta certeza, afinal, talvez o traidor seja alguém próximo, falar sobre isso só iria deixa-lo preparado para fugir. – Teddy se preparou para o pior, mas de uma coisa ela sabia, iria lutar até o fim.
{...}
Leste da Ilha
A solidão envolveu Megan nos últimos 4 dias, ela era forte e possuía uma inteligência fora do comum o que muitas vezes ficava escondido já que ela era apenas conhecida por ser modelo, mas ainda sim tinha dificuldades como qualquer outro, quando ela abriu os olhos naquela imensidão de terras planas e montanhosas, ela pensou que seu desafio seria derrotar algum monstro, ou enfrentar algum poder da natureza, mas seu verdadeiro desafio era a solidão, o vazio, o medo.
Ela ouviu algumas explosões, percebeu que criaturas estavam á espreita por toda a parte, mas em momento algum durante todos aqueles dias ela ouviu sequer uma voz amiga, ela apenas via o sangue por onde passava e aquelas visões estavam deixando tudo pior.
Por um momento ela pensou estar andando em círculos, tudo era muito confuso, era visível que aquela Ilha não tinha nada de natural, tudo ali era criado artificialmente pela SHIELD, dos animais aos perigos, tudo não passava de uma armadilha mortal.
Durante toda a vida foi sempre á deixada de lado, ao menos era assim que entendia as coisas, sua mãe nunca fez questão de esconder o quanto preferia trabalhar, do que ficar com ela, e o quanto seu pai preferia o outro filho, Howard.
–Agora é com você bonequinha de luxo. – Megan falou debochada para si mesma, naquele momento ela pensou em Jackson e nas suas piadas, em como ele seria útil em um momento como aquele. – Pare de pensar naquele cara, isso não serve nesse momento. – Ela disse reprimindo suas lembranças, mas era quase impossível fingir que aquela noite não tinha mexido com ela.
Flash Back On
–Vai ficar ai o resto do dia vendo a chuva cair? – Disse o rapaz para Meg que não olhou para ele, apenas permaneceu olhando a chuva através dos vidros.
Megan não tinha tido tempo para conhecer Jackson, aliás, ela ainda não tinha tido tempo para conhecer ninguém, nem mesmo seu irmão e a namorada dele, ela estava se esforçando muito, mas ás vezes ser legal não era o seu forte.
–Quando eu trabalho não tenho tempo para mais nada, eu não posso comer as coisas que gosto, não posso beber na hora que quero e não tenho tempo para ver a chuva ou qualquer outra coisa, não me relaciono com ninguém porque não posso ficar faltando aos desfiles e não mantenho relacionamentos sérios porque viajo muito, essa é a minha vida e é assim que eu consegui meu dinheiro, acha mesmo que isso valeu a pena? – Meg parecia falar mais consigo mesma do que com Jackson, mas ele não foi embora, apenas olhou para ela e sorriu enquanto se aproximava.
–Minha mãe era uma prostituta, ela ganhava a vida se vendendo, ela também não tinha tempo para viver as belezas do dia a dia, nem podia ter um grande amor, e a única coisa boa que ela conseguiu no meio disso tudo, ela matou. – Jackson falou encarando a chuva pela primeira vez, mas não quis ficar ali, ele ia se afastar, mas Meg o segurou pelo braço com força, muita força, no inicio a primeira reação dele foi se preparar para a luta, mas por fim ambos se encararam em silencio, era como se pudessem se entender.
Ela buscava um apoio nos olhos dele, um apoio que sempre lhe faltou no decorrer de sua vida e que sempre desejou, mas talvez estivesse escolhendo a pessoa errada.
–Eu lamento. – Disse ela por fim soltando o braço do rapaz ao perceber que ambos estavam muito próximos, ela podia sentir a respiração dele, era algo muito perturbador, aqueles olhos profundos, aquele rosto duro pelo sofrimento, ela sentiu o próprio coração bater e por fim deu um passo para trás discreto.
–Eu também lamentei, mas hoje não lamento mais. – E com isso ele saiu da cobertura deixando Meg com o coração apertado.
Flash Back Off
Será que um dia ela também não iria se lamentar dos próprios problemas? Ao menos ela tinha uma boa vida, uma carreira de sucesso e era mundialmente conhecida, seu pai era ninguém mais ninguém menos que o Homem de Ferro e agora com sua participação na Academia tudo estava caminhando para mais uma obra de caridade para elevar sua popularidade entre seus fãs mutantes.
Mas lá no fundo Meg sabia que não iria conseguir dormir nem mais uma noite naquela cama enorme e vazia, estava com medo, com medo da solidão que a esperava fora daquela Ilha.
“Tem alguém na escuta?” – Megan mandou uma mensagem psíquica e teve uma resposta imediata.
“Aqui é a Teddy, estou com John, estamos perto, você está bem?” – Teddy sabia que não podia dar muitas informações através de seus poderes, mas não iria deixar uma pessoa no vácuo.
“Estou sim, só estou sentindo minha pele arder muito e minha cabeça doi.” – Megan havia acordado no alto de uma montanha, seu corpo ficou exposto ao sol durante muitas horas e ela demorou muito para conseguir encontrar água, mesmo com o extremis em seu organismo ainda sim demoraria um pouco para que ela se curasse tão rápido.
“Não se preocupe, deve ser apenas uma insolação, vamos te ajudar.” – E com isso Teddy sumiu dos pensamentos de Megan, mas pela primeira vez a morena se permitiu chorar.
Megan não entendia o, porque das lágrimas, ela finalmente não estava mais sozinha, mesmo assim a sensação de alivio era tão grande que mexia com todo o seu ser de uma forma poderosa.
Ela ouviu passos e enxugou as lágrimas rapidamente, ela não queria que os outros a vissem daquela forma, mas a verdade era que ela mesma não queria se ver assim, sempre foi uma mulher arrogante e orgulhosa, talvez no fundo isso fosse apenas uma barreira para esconder quem realmente ela era.
–Quem é você, identifique-se? – Disse uma voz militar surgindo atrás de Megan que se virou dando de cara com vários homens, seis ao todo.
–Isso não é da sua conta. – Ela falou com um sorriso frio, Megan era inteligente demais para se intimidar assim, ela percebeu que os uniformes dos homens não eram da SHIELD e que eles pareciam muito mais com mercenários do que com soldados de verdade.
–Você parece ser durona, mas acho que isso não vai ser para sempre. – O homem que falava com ela sorriu apontando a arma na direção da mesma.
–Acha que eu tenho medo de armas? – Meg sorriu de forma sedutora fazendo o homem sorrir também, uma coisa importante que sempre teve consigo é que homens são estúpidos principalmente quando estão diante de mulheres bonitas.
–Acho que você fala demais, você é só uma modelo. – O homem falou sorrindo e vacilando um pouco com a arma, ao menos ele havia reconhecido o rosto de Megan, ela sorriu e se aproximou um pouco, os homens não pareciam prontos para lutar, talvez porque nem ao menos sonhavam que ela estava.
–Então você é um admirador do meu trabalho.
–É difícil não admirar você de lingerie. – Os outros homens pareciam rir, Megan mantinha a expressão tranqüila, não queria passar nenhuma imagem tensa, isso iria deixá-los em alerta.
–Então, o que vamos fazer agora? Vocês vão me matar? – Meg sorriu deixando a mão repousar calmamente sobre a metralhadora fazendo uma falsa expressão de tristeza, o que despertou ainda mais risos.
–Acho que podemos levá-la conosco, talvez possamos nos divertir um pouco antes de tudo ir para os ares. – Megan percebeu o momento exato em que o homem relaxou o dedo que mantinha no gatilho, aquela foi á deixa perfeita para que ela puxasse a arma para si e com um forte golpe, atingiu em cheio o nariz do homem que sangrou vigorosamente diante de todos, que com o susto demoraram tempo suficiente para ter uma reação permitindo Megan a possibilidade de encontrar um lugar para se proteger.
–Foi mal soldado, mas você não faz o meu tipo. – Megan gritou enquanto atirava na direção dos homens.
–Matem a vadia, evitem uma luta corpo a corpo. – Disse o homem com o nariz sangrando.
Megan manteve sua posição enquanto ainda tinha balas, por fim, seu estoque acabou e ela precisou sair do esconderijo, sua força era fora do comum, já que ela possui o extremes dentro de si, mesmo assim ela sentiu a dor quando uma das balas perfurou sua perna.
–Acabem com ela. – O homem gritou, mas naquele momento um barulho de algo rasgando surgiu, todos ficaram em silencio por um tempo que parecia uma eternidade, até que o sangue brotou da barriga dele e suas tripas foram ao chão.
–Acho que exagerei. – Disse John surgindo enquanto derrubava os outros soldados.
–Metido, só porque descobriu que seu poder faz muito mais do que pensava agora ele pensa que é o Rambo. – Teddy falou ajudando Megan a se levantar.
–Caramba, acho que nunca fiquei tão feliz em ver alguém antes. – Meg sorriu para a morena que parecia feliz também.
–Vai ficar tudo bem, agora só precisamos chegar ao lado Norte dessa Ilha o mais rápido possivel, eu tenho certeza que tem alguma coisa muito errada aqui. – Teddy falou olhando para a jovem que assentiu.
–Esses homens não estão para brincadeira e provavelmente deve haver muito mais deles por ai, precisamos avisar a todos, se ninguém deu nenhum alerta ainda é porque não devem estar vendo nada. – Meg falou pensativa enquanto um corpo voava sobre sua cabeça.
–Foi mal. – John parecia outro homem, nem mesmo de longe lembrava aquela imagem tímida e assustada do inicio das aulas.
–Precisamos resolver isso logo, não temos muito tempo. – Teddy fez um sinal para John e os três saíram em direção ao Norte deixando mais uma pilha de feridos para trás.
{...}
Norte da Ilha – Sala de controle do porta aviões
Jackson já havia desligado as principais câmeras da Ilha, não todas, apenas aquelas que mostrariam a passagem dos homens do Ceifador, ele havia vendido uma informação muito importante a Magneto momentos antes de embarcar para a Ilha, ele sabia o que precisava ser feito, mas pela primeira vez ele não parecia tão seguro de si.
Ele entrou naquela para ser um espião, mas agora, fazendo amigos e entendendo um pouco mais sobre cada um ele não tinha mais interesse em destruir nada, nem mesmo o mundo que o havia condenado tanto.
Por fim ele voltou a religar as câmeras, agora seria o grande final, aquele momento em que o vilão surge com seu exercito e surpreende a todos, mas Jackson não seria surpreendido, ele sabia dos seus pecados e sabia exatamente o que iria acontecer.
–E o show acontece na câmera 2. – Disse Jackson olhando para as imagens da praia onde o grupo de resgate estava pronto para receber o próximo sobrevivente.
**** Próximo Dali – Perto da Praia ****
Kate olhava para o imenso mar azul e não tinha palavras para descrever sua felicidade, havia sangue em um ferimento no ombro, mas nada que não pudesse resolver, estava feliz, tinha conseguido.
Ela tinha muitas perguntas em sua mente, mas quando avistou o ponto de encontro sorriu alegremente, tudo o que queria era encontrar seu descanso, os dias na Ilha não haviam sido fáceis, ela precisou lutar contra um bando de largatos gigantes e ainda tinha cicatrizes para mostrar, seria uma bela história para Charlie e Logan, afinal, como queria ver Logan esperando por ela, mas desta vez havia apenas a equipe de resgate, nenhum dos professores estava presente, o que Kate considerou um absurdo, mesmo assim seguiu em frente.
Ela tinha ossos de adamantium e uma cura rápida como Wolverine, mas isso não significava que ela era imortal, por isso, durante todo o percurso na Ilha Kate se certificou de que nada sairia do controle, os animais não eram problema para ela, assim como as lutas pelas quais precisou passar, ela havia vindo de um campo de concentração mutante, alguns mosquitos não podiam vencê-la.
Kate ouviu um barulho estranho por perto, ela viu que ao longe vários homens estavam surgindo, aquilo não parecia ser mais um teste, tinha cara de ser um problema, e dos graves.
–Não tão rápido mocinha. – Uma voz grave surgiu ás costas de Kate que se virou e ficou petrificada.
–Quem é você? — Os olhos de Kate ficaram vidrados no homem a sua frente, bonito, elegante, algo que poderia mexer com qualquer mulher, mas ela sabia que isso não era algo bom, ela viu um exercito surgindo no meio das folhagens apressados, aquilo devia ser um problema dos graves.
–Mande um recado para Charles. – Disse David encarando a jovem e colocando suas mãos nos ombros nus dela.
–Que recado? – Kate parecia preocupada, havia muitos inimigos ao seu redor, ela era boa, mas não tanto assim, por um minuto pensou em Logan, pensou em todas as coisas que gostaria de dizer, pensou em Emma, sua irmã, pensou que poderia ter uma família de verdade agora, pensou em tudo, até o momento em que David tocou seus lábios lentamente.
Kate estava morta.
–Esse é o meu recado. – David soltou o corpo de Kate que parecia estar em uma queda infinita até o chão para todos aqueles que observavam da sala de comando dentro do porta aviões através das câmeras.
–Não...não...NÃO! – O grito de Logan pode ser ouvido por todos a bordo, o sofrimento, a dor, era algo que não podia ser descrito, apenas alguém que viveu aquilo podia entender o som que saia de sua garganta em direção ao vazio.
Na Ilha David ainda encarava a pequena câmera posicionada com cuidado perto dos médicos e enfermeiras prontos para atender os alunos.
–Quero meu irmão de volta Charles, quero meu irmão, ou todos os seus precisos alunos iram cair, um por um diante dos meus pés. – E dizendo isso o Ceifador se retirou com sua equipe em direção a um pequeno jato.
No porta aviões da SHIELD todos pareciam chocados demais para expressar qualquer reação, Charles estava na torre observando o oceano, ele olhava de forma vaga para a praia, mas em sua mente a imagem nítida de David ainda surgia várias e várias vezes, então o Ceifador tinha resolvido levar algumas almas para si, Charles era um homem de paz, mas diante disso ele sabia o que precisava ser feito.
–Logan onde você está indo? – Disse Steve tentando segurar o homem.
–Sai da frente. – Logan empurrou Steve que esbarrou contra as mesas, Logan não queria saber de mais nada.
–Logan pare. – Emma falou enquanto as lágrimas caiam intensas por sua face. –Você não pode morrer também. – Emma encarou o homem e eles ficaram assim por um longo tempo.
–Precisamos pegar o corpo dela. – Charlie falou com um ar totalmente chocado sua melhor amiga estava morta e bem diante de seus olhos.
–Não é inteligente ir lá agora, pelo que nossos radares detectaram existem várias bombas espalhadas por toda a Ilha. – Coulson falou enquanto apertava vários botões na mesa de comando.
–Mas tem muitos alunos lá ainda. – Jeremy falou enquanto os outros ficavam preocupados com os amigos.
–Você não está entendendo, o calculo indica que a explosão da Ilha vai destruir não somente a Ilha, mas todos nós. – Bruce falou enquanto fazia cálculos mentais pensando na possibilidade de ser uma bomba nuclear, ele correu até um sistema de alta tecnologia e começou a fazer uma varredura nas leituras quânticas, o sinal disparou mostrando que havia uma quantidade de radiação imensa presente na Ilha, o que Bruce não conseguia entender era como ninguém havia visto isso até aquele momento.
–Renata ainda está lá, assim como Erick, Anne, Andrew, Andressa, todos, todos eles ainda estão lá, Sophie, Sophie está lá. – Nick falou caminhando até eles, a visão do filho com a mão enfaixada e o pé engessado fez Natasha se emocionar. –Eu vou buscar eles, quem vem comigo? – Nick falou olhando para os amigos que ficaram de pé prontamente.
–Conte com a gente. – Howard falou sério enquanto Ângela segurava sua mão em sinal de apoio, Bárbara deu um passo á frente seguida de Jeremy que ainda tinha ataduras por todo o corpo.
–Vocês vão ficar exatamente onde estão, se houver uma chance de vitória não será com a morte de todos a bordo, vocês são os sobreviventes da Ilha esse ano e vão ter que conviver com isso. – Fury falou sério fazendo todos os presentes encara-lo de forma dura.
–Isso não é ser um herói. – Jeremy falou encarando Fury com toda a sua coragem. –Vocês nos ensinam que ser um herói é salvar aqueles que precisam da gente em momentos difíceis, bem, eu acreditei nisso, e nesse momento muitas pessoas precisam da gente, que tipo de heróis ou grupo de resgate nós seriamos se nesse momento, se bem agora, fugíssemos? – Jeremy encarou Steve que o olhou com grande admiração e sentiu um pouco de si no rapaz. – Uma pessoa que amo muito está lá, ela é durona, mas sozinha não vai conseguir, eu não me importo de explodir naquela Ilha, isso não vai me fazer arrepender das minhas decisões, mas, se eu ficar nesse navio e não fizer nada, nunca mais irei conseguir dormir a noite. – Jeremy encarou os amigos que sorriam para ele e alguns choravam, todos eles entendiam suas palavras, todos ali estavam sentindo a mesma coisa.
–Senhor o exercito do Ceifador está se retirando. – Coulson falou sério encarando a tela com a imagem de vários helicópteros sobrevoando o céu.
–Como esses malditos chegaram aqui para começo de conversa? – Clint falou olhando para Natasha que também parecia igualmente confusa.
–Eles vão detonar as bombas a qualquer momento. – Tony falou encarando o filho preocupado, Megan ainda estava na Ilha. – Como ninguém viu isso antes? – Tony estava chocado, mas ele sentiu naquele momento que alguém estava sabotando a operação desde o inicio.
–Já chega disso, eu resolvo tudo. – Jackson saiu do canto onde estava indo em direção a Fury e os Vingadores, ele sabia que aquilo era culpa dele, por um momento ele pensou que o Ceifador não fosse destruir tudo, mas aquilo era demais. – Eu não sou nem de longe um bom cara, eu não dava a mínima para essa Academia ou para vocês, mas não vou deixar que todos morram assim, não por minha culpa. – Jackson foi até Natasha e a puxou em um beijou de cinema. –Para dar sorte amor. – E dizendo isso Jackson desapareceu na frente deles, houve um momento de esperança e ansiedade que consumiu a todos como uma explosão.
**** Perto Dali ****
Depois da saída dos soldados Renata e Layane surgiram correndo indo em direção ao corpo estirado ao chão, ao mesmo tempo Erick e Sophie surgiram, eles estavam tentando chegar ao ponto de encontro e acabaram vendo toda aquela crise, o silencio tomou conta de tudo, não havia nada que podia ser feito.
–Ela está... – Começou Layane, mas foi impossível continuar.
–Sim, não há duvidas de que seu corpo está totalmente morto, de uma forma que eu nunca vi antes. – Renata falou encarando a jovem que parecia tão abalada com aquilo tudo.
–O que vamos fazer? – Layane falou enquanto olhavam para o céu e viam os helicópteros se distanciando cada vez mais.
–Precisamos levar o corpo. – Disse Erick se aproximando também junto de Sophie, ele foi até Renata e a abraçou com força enquanto a mesma parecia não acreditar na presença do deus, ele a beijou desesperado como se aquilo pudesse mudar as coisas, mas ele sabia que não.
–Vocês vem comigo. – Jackson surgiu diante delas agarrando as meninas e as levando sem maiores explicações, assim como fez por toda a Ilha, Erick e Sophie também foram levados, todos os outros grupos também, Vicky, Nate e Anne que estavam se aproximando foram levados sem nem entender o que estava acontecendo, assim como Megan, John e Teddy, apesar de todo o susto Megan sentiu-se feliz por ter Jackson por perto e por não precisar andar mais naquela lama toda, Andrew também ficou feliz ao ver o rapaz principalmente porque ele estava muito preocupado com Andressa que já estava inconsciente a mais de meia hora, e muito pálida com a perda de sangue, por fim Jackson terminou exausto na sala de comando da SHIELD.
Todos ao seu redor, o silêncio tomando conta de tudo, o corpo de Kate estirado ao chão, Logan foi o primeiro a se aproximar ainda incrédulo, ele se ajoelhou lentamente e puxou o corpo da morena em direção ao seu, o grito que saiu de sua garganta foi ensurdecedor.
Charlie olhou para a amiga, suas lagrimas caindo sem parar, Nate que agora estava com ela se aproximou para abraçá-la, mas Charlie parecia tão em choque quanto Emma, o corpo de Kate sem vida deitado naquele chão frio fazia cada um ali presente sentir um sentimento diferente, mas Jack só sentia culpa.
Bárbara abraçou John que sorriu fraco para ela, assim como Jeremy que correu até Vicky para ter certeza de que nenhum ferimento era grave o bastante, todos pareciam emocionados e perturbados ao mesmo tempo, mas ainda não havia tempo para comemorações, nem vontade de comemorar.
–Jack, o que você quis dizer com sua culpa? – Ângela falou encarando o mais novo amigo, mas o rapaz apesar de exausto sabia que seu trabalho ainda não havia terminado.
–Sinto muito amor, mas nem todos nasceram para ser heróis. – E com isso Jackson usou todo o seu poder para transportar todo o porta aviões para outro oceano, ele sabia que fazer aquele esforço provavelmente o mataria, mas era uma coisa que ele precisava tentar, ele tinha que conseguir, não podia perder as esperanças, não agora, não desse jeito.
A explosão.
A destruição.
O silêncio.
Jackson sabia que era demais para ele, podia sentir a cabeça doendo e o sangue escorrendo por seu nariz, mas estava na hora de encarar a verdade e escolher um lado, e ele tinha feito a sua aposta.
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