Academia Heróica
1 Life Will Change
Em uma cidade perto do litoral cheia de alarmes e pedidos de socorro, haviam luzes, um palco enfeitado de ursinhos rosas e lilases, música e uma garota animando uma multidão inteira com sua cantoria, seu sorriso contagiando os corações de seus espectadores, seus cabelos azuis longos se moviam com o vento e seus passos de dança e os lacinhos brancos de seu vestido rosa também. Nesta noite, meu coração batia forte, enquanto eu me apresentava com tudo o que tinha. O fim da penúltima música chegou.
— Obrigada pela participação, de verdade! — Exclamei, recebendo uma calorosa gritaria vinda da frente do palco. — Agora, é hora da canção que todos esperavam-
Um disparo se transformou em um furacão em poucos segundos, sem perceber, eu havia tirado algumas pessoas da reta deste, meus pés estavam fora do chão. Como isso é possível? Sem pensar muito, resgatei mais um grupo de adolescentes que quase foram sugados para dentro da ventania, foi neste momento que meu pai chegou, trajado de vermelho, azul e amarelo, acompanhado de um garoto de cachecol azulado e cabelos ondulados brancos.
— Subam todos no palco! — Ordenou o herói.
E assim fizeram, em seguida o garoto congelou a ventania, que tornou-se sólida em poucos segundos. Neste momento, repórteres chegaram, cercando ele, papai e eu, apenas acenei e sorri, então eles desviaram seu foco para as vítimas do ocorrido.
— Mandou bem, filha. — Não o vi se aproximar. — Este é Sora. — O jovem herói manteve uma expressão neutra.
— Olá. — Me cumprimentou.
— Ele não é de falar muito, mas temos várias matracas na Academia Heróica. — Riu.
Meus olhos brilharam nesse momento, há uma escola para heróis? Porém, sei bem que meu pai é do tipo que visa apenas a fama e competir por ela e, se lá for a mesma coisa? Jovens passando por cima um do outro para serem famosos? Afastei o pensamento, afinal que mal há em participar? Caso seja o que penso ser, não é tarde para uma mudança.
— E eu vou estudar lá? Diz que sim, diz que sim, diz que sim! — O circulei como uma criança pequena querendo um doce.
Ele suspirou.
— Claro que sim, Rosie. — Colocou uma mão em meu ombro. — Quero lhe dar o futuro mais brilhante que estiver ao meu alcance.
No dia seguinte, minha mãe preparou meu uniforme e traje para que eu comparecesse às aulas, não antes de apertar minhas bochechas e postar a novidade em todas as redes sociais.
— Tenha um ótimo primeiro dia de aula, querida! — Gritou antes de eu correr para pegar o ônibus escolar.
Quando o veículo chegou, fui recebida pelos alunos, alguns queriam me conhecer, outros se mantinham conversando entre si. O assento vago era do lado do memo rapaz de antes, ele lia um livro com o título "Assassinato no Trem", decidi não incomodá-lo. Passamos a viagem com dois dos alunos cantando e rindo, um era loiro e usava uma máscara cobrindo seu nariz e boca, outro tinha dreads azuis e um moletom preto. Após um longo tempo observando a paisagem e me distraindo com as brincadeiras dos meus colegas, chegamos ao destino desejado, a Academia Heróica.
— Chegamos! — A motorista anunciou, se não me engano é a senhorita Reed, a famosa heroína Iron Lady. Ela começou a nos mostrar o pátio da escola, o piso era de tijolos de pedra no formato circular, se estendia como um caminho entre as árvores, as estruturas e a grama. Então nos dirigimos em direção a uma estátua do herói Hope Maker perto da entrada, nos foi dito que ele era um professor e herói muito querido que lutou contra um vilão de outro planeta e saiu machucado o suficiente para precisar ser afastado. Me pergunto como era essa escola quando ele estava aqui.
Então nosso atual professor chegou, o herói espadachim.
— É com você agora, Ronin. — Ela piscou para ele, que fez um gesto para o seguirmos.
Junto da turma, adentrei o grande prédio, nele haviam diversas salas e um refeitório, porém nós éramos apenas doze alunos, o que levanta a questão se esse colégio era para ter mais estudantes. Por fim, subimos as escadas e nossa sala estava perto dela, na direita. A porta indicava, "turma A".
— Aqui estamos. Todos presentes? — Ele parou em frente à entrada.
— Sim! — Exclamamos.
Então cada um pôde entrar em fila, fiquei em último porque prefiro não pegar a carteira da frente. Assim que todos já tinham seu lugar, procurei o meu, encontrando justo o de frente para o instrutor. Passamos o dia decidindo equipes, fui colocada junto de Hector e Sora. No dia seguinte, teríamos de ir para a cidade atender a pedidos de socorro e cumprir com nossa missão como um time. De resto, foi decidido quem seria líder de turma, ganhei por quase unanimidade.
Assim que a aula acabou, voltamos de ônibus para nossas casas, meus pais estavam me esperando, eles me congratularam por meu primeiro dia, então passamos a noite conversando. Por mais estranho que pareça, eu me senti em casa pela primeira vez em muito tempo.
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