Academia Heróica
2 Attack of the Killer Queen
Como de costume, encontrei meus colegas aglomerados em frente ao portão da escola, pedindo para entrar, com a exceção de Sora, que lia recostado em uma grande árvore em meio a calçada de concreto. Hector me viu chegar e se locomoveu como um trem-bala em minha direção.
— Ei! — Acenei para ele. — Ansioso para o teste de hoje?
Ele balançou a cabeça para cima e para baixo.
— Estou, mas também me sinto calmo, tipo o paradão ali! — Riu.
O de cachecol azul abaixou seu livro e se dirigiu até nós sem pressa. Com sua expressão neutra, nos observou por uns instantes.
— Vejo que estão um pouco despreparados. — Concluiu. — Este será um teste de responsabilidade que provará se saberemos lidar ou não com as tarefas de um herói. Hector, Rosalie, podem continuar tranquilos, mas não se esqueçam que precisaremos dar tudo de nós hoje.
O moreno elevou os dedos indicador e o médio à testa, enquanto esbanjava um sorriso confiante. Lá atrás, todos estavam falando sobre algo, seja seus relacionamentos, jogos, filmes ou a prova de hoje. Havia um burburinho sobre números de equipes, a melhor seria a número um. Pelo visto, eu estava certa sobre a competição. Me questionei por um momento se isso é o que realmente quero, então me lembrei de ontem. Imagina se aquelas pessoas tivessem sido atingidas pelos ventos?
Isso me motivou a seguir com este objetivo de me tornar uma heroína, ao sair de meus pensamentos, vi meus companheiros de equipe montarem um plano. Pior que eu não ouvi nada!
— Sabe, eu gostaria que você repetisse para entendermos bem! — Pedi meio sem jeito, mas fingi que era apenas para recapitular. — Assim teremos uma ideia mais clara sobre o que faremos.
— Certo. É o seguinte: caso o pedido de socorro envolva um assalto, teremos que encontrar um jeito de salvarmos todos sem que armas sejam disparadas contra as vítimas. — O de olhos azuis começou. — Este é o crime mais comum que encontramos entre criminosos normais, então é seguro admitir que teremos que lidar com isso hoje.
— Só não poderemos deixar as balas atingirem os civis, de resto acho que podemos pegar eles. — O de olhos castanhos terminou.
Coloquei a mão no queixo, pensativa.
— É um plano bem sólido.
Por fim, o professor apareceu e nós voltamos para o ônibus, que parou no movimentado centro de Hero City. Haviam adultos tirando fotos do Ronin e da Iron Lady, acenei sorrindo para alguns fãs que me reconheceram e se alegraram ao me ver.
— Lumina! A filha do Power Man! — Falou um deles.
— Eu coleciono todos os seus pôsteres! — Expressou outra.
Voltamos nossa atenção para procurar pedidos de socorro, Iron Lady ativou sua armadura e voou até uma casa, meus colegas e eu corremos até lá, encontrando um homem armado prestes a atirar em uma família inteira ao ver que não tinham dinheiro. Ele ameaçou de forma mais intensa ao ver a heroína profissional chegar, vi apenas uma barreira de gelo se formar ao redor dos ameaçados, então uma rápida sequência de chutes de todos os lados o levaram ao chão. Não deu nem tempo de eu fazer nada, mas fiquei feliz pelos dois terem dado conta. O de cabelos brancos quebrou a espessa parede congelada, que se desfez aos poucos.
— Agradecemos pela sua ajuda, se não fosse por vocês... — Confortei a mãe da família a dando um breve abraço.
— Está tudo bem, ok? — Lhes falei. — Nenhum patife incomodará mais vocês enquanto estivermos aqui.
E o dia foi salvo, ou quase. Apareceram mais pedidos, demos conta de todos aos poucos. Vi Natsumi teletransportar pessoas para o hospital, Jasmine curar outras que estavam muito feridas, tudo isso por causa de um ataque a um posto de saúde local. Os criminosos foram cobertos com uma tinta escura de consistência grossa, pareciam não conseguir se mover direito, outros tinham marcas de mordida e arranhões na perna, foram levados escoltados para receberem tratamento por Power Man. Leilani carregava algumas pessoas em suas costas, as deixando na ambulância em seguida. Kazuya cantava uma canção para distrair as crianças presentes, achei isso legal da parte dele. Ronin veio e nos reuniu em frente ao estabelecimento, porém, notei que ele resguardava em suas costas um de nossos colegas, Mark, inconsciente e com suas roupas um pouco rasgadas. O que deve ter deixado ele assim?
— É o primeiro dia de muitos e vocês lutaram de forma justa. — Sorriu. — Ainda teremos muito caminho pela frente, mas eu acredito que farão o que devem com maestria.
Neste exato momento, quando começamos a comemorar, uma mulher com uma risada irritante pairou sobre nós com um trono mecânico, ela vestia roupas parecidas com as que minha mãe usaria, um vestido chique e um casaco felpudo, seu rosto era coberto por um capacete roxo similar ao de um motociclista, seus cabelos eram médios, ondulados e loiro escuros, também familiares. Essa situação está ficando estranha.
— Hohoho! Bravo! — Ela bateu palmas. — Agora é hora do verdadeiro show, queridinhos!
Começou a disparar bombinhas que explodiram em ácido, corroendo todo o asfalto em que encostavam. Por sorte, eu e Hector conseguimos levar o pessoal para longe da reta das bombas, então eu avancei contra a vilã recém-chegada, ela desviou de minhas investidas com seu trono.
— Não quero te machucar, docinho. — Usou seu propulsor para vir em minha direção de forma ágil e me jogou para longe. Então ela utilizou todo o seu poder ácido para criar uma armadura do tamanho de um prédio, enquanto ria daquela mesma forma característica. Ela foi avante em direção aos meus colegas e Ronin, que utilizou os prédios para pegar impulso e pular em cima do mecha, porém, sua espada e parte de sua roupa começaram a derreter e a se desfazer. Ele caiu, Isabelle formou outras dela mesma de tinta que se fixaram no robô gigante, cobrindo ele com o material, porém, este começou a corroer também. Neste momento, Leilani arremessou seu tridente de ouro em direção à cabeça da grande armadura, que perfurou a proteção que Sra. Veneno usava e a deixou machucada no estômago. Quando Iron Lady chegou para detê-la, a mulher se transformou em puro ácido e se foi por uma abertura para o esgoto.
Voltamos para a escola, os dois heróis conversavam entre si sobre o que houve no final do dia, decidiram fazer uma patrulha por toda a cidade. Power Man e Silver Fox chegaram, Natsumi correu para abraçar sua mãe, que demonstrou estar feliz pelo primeiro resgate de sua filha. Cheguei em casa, encontrando minha mãe com faixas na região da barriga, porém ela de forma rápida as escondeu.
— Não é nada, meu doce, eu estou apenas cansada da sessão de fotos de hoje. — Bocejou.
Dei um pequeno sorriso.
— Se cuida, mãe.
Voltei para o terraço, fiquei um tempo observando a vista e pensando em como as coisas se conectam de um jeito nada bom. Às vezes, eu via alguns dos heróis passarem perto. Neste momento, uma moça de cabelos castanhos amarrados em um rabo de cavalo apareceu, meus olhos brilharam em vermelho instintivamente. Ela se mostrou estar desarmada.
— Calma aí, eu preciso te contar uma coisa. — Suspirou. — Fui eu quem atacou o seu show naquele dia.
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