Academia Heróica
3 Night of the Living Dead
Rosalie
Cerrei meus punhos, como ela pode ter quase matado aquelas pessoas e então vir até aqui me dizer isso? Respirei fundo, me sentei em uma cadeira, ela pegou outro assento ao meu lado.
— Eu me chamo Alex, não sou uma vilã conhecida ainda, por isso não tenho um codinome ou algo assim. — Me mantive com pouca simpatia ao se tratar dela, e se estiver tentando me convencer a alguma coisa? — Vim aqui dizer que, há um herói muito importante pra mim querendo que eu faça o certo agora, então... Eu posso te informar sobre tudo o que acontece no Covil dos Vilões.
Meus olhos abriram-se ainda mais por uns segundos, ela está querendo sair disso e me dar informações valiosas? Fiquei entre confiar ou não, com esses caras não se pode bobear. De qualquer forma, é a única pista que podemos ter sobre eles, então irei...
— Aceito. — Levantei o dedo indicador. — Porém, se for uma mentira, irei atrás de você!
Ela riu.
— Calma aí. É verdade. Desejo uma nova vida, mas, não posso sair desta completamente. Um dia, você talvez entenderá. — Pulou para o outro prédio, desaparecendo em meio à escuridão da noite.
No dia seguinte, voltei para a escola no ônibus, onde outra vez escutei a cantoria dos meus colegas, neste dia o tempo de espera foi ainda maior para que Ronin aparecesse. Quando voltou, estava acompanhado de três garotos, a quem nos apresentou como Hunter, Six e Zero, transferidos de uma segunda escola de heróis.
— Há uma outra? — Questionei, então finalmente a peça que faltava me veio à mente. — Espera, me lembro de meu pai ter tentado me colocar numa tal Academia Apex, mas fui rejeitada por não apresentar superpoderes.
— Sério isso? — Hector expressou. — Que idiotas.
Sora ajeitou seu cachecol.
— É uma escola rígida, nem todos passam em seu processo seletivo. Os que passam mas não atendem às expectativas são expulsos, também. É o caso do nosso colega Kazuya.
O grupo de novatos foi cercado pelos nossos colegas, que lhes faziam várias perguntas.
— Não temos tempo para isso agora. — O mais proeminente entre os três respondeu, se virando para o lado oposto e deixando todo mundo para trás. O de capuz e rosto obscurecido o seguiu, em seu terno indicava o número zero, no do primeiro o seis. O último, um garoto de sobretudo acompanhado por um tiranossauro, não possuía nenhum número em sua vestimenta. Ele acenou para nós sorridente antes de seguir seu time.
Entramos todos na sala em seguida, passamos o resto do dia conversando e jogando jogos como dominó e cartas, o professor às vezes participava conosco e ganhava na maioria das vezes. A noite chegou. E com ela, uma súbita queda de energia se instalou pela cidade. Meu celular ainda tinha um pouco de bateria, nele um número desconhecido me mandou "cuidado com o Doutor Lápide". Pessoas corriam para encontrar abrigo em todos os lugares, uma horda de mortos-vivos se instalou por todo o perímetro.
Neste momento, o instrutor nos pediu para que nos separássemos em equipes, juntos nós nos apressamos para encontrar parte dos mortos-vivos, dando de cara com um gigante em meio deles, pelo que me lembro, este é o vilão Golias, capaz de causar rachaduras gigantescas no solo com seus punhos. Se eu de fato herdei os poderes de meu pai, não terei tantos problemas com ele, não é? Utilizei as rajadas advindas de meus olhos para cortar parte deles no meio, isso acabou fazendo-os se rastejarem, então fiz o mesmo com o restante. Vendo isso, o antagônico entre eles bateu seu pé no chão, abalando todas as estruturas do quarteirão, se não da cidade inteira, além de causar uma fissura enorme no solo, o de cachecol azul quase caiu lá embaixo, mas, conseguiu fazer uma ponte de gelo a tempo. Hector e eu avançamos contra o gigante, que pegou um caminhão e jogou em nossa direção, conseguimos esquivar sem dificuldade. Ele então pegou uma ambulância, depois outro caminhão e por fim um carro, o que não foi muito efetivo, no final conseguimos alcançá-lo e eu elevei meu punho para acertá-lo, porém, com um soco ele me esmagou, causando uma cratera no asfalto, o de cabelos escuros lhe deu um golpe certeiro na cabeça, mas ele continuou como se isso não fosse nada. Sem ideias do que fazer, esperei que Sora tivesse um bom plano.
Deion
Frente a frente com um possível arquinimigo, eu me sentia como nesses filmes de ação, eu e este velho com uma máscara antiquada competíamos pelo controle dos mortos-vivos. Leilani e Ethan pareciam estar curtindo o momento, fico feliz por não estarem preocupados. A de cabelos turquesa acertava todos os inimigos que via com seu tridente, Ethan de alguma forma fazia seu carrinho robô funcionar mesmo sem energia, que injetava bombas dentro dos zumbis e os explodia. Nós acabamos ganhando, então o cara estranho riu de forma maníaca, fazendo com que seus fantoches voltassem. Decidi parar de brincar em serviço. Me concentrei, então consegui me comunicar com as almas dos controlados, lhes oferecendo ajuda para recuperar seus corpos, aos poucos foram aceitando. Decidi fazer uma boa até para os que foram cuzões quando vivos.
— É hora de brilhar, caramba! — Com o poder de suas almas, os corpos pararam de se mover como assistentes, uma foice brilhando em roxo apareceu em minhas mãos, avancei contra o vilão com um sorriso no rosto. Ele defendeu-se com uma bengala, a cada ataque meu, ele conseguia defender em um tempo perfeito.
— Pega esse otário! — Ethan gritou lá de trás.
Os fantasmas começaram a me guiar, consegui acertar cortes em suas pernas e costas, o velho recuou. Porém, quando estávamos prestes a conseguir levar ele preso, um cara enorme com gelo encrustado no tórax veio gritando e tentou pegar um de meus companheiros pelo pescoço. A nossa amiga fortona lhe deu diversos socos, quebrando a camada congelada em seu corpo, mas não conseguiu fazer danos significativos no grandão. Nos reunimos com a equipe de Rosalie, o garoto de cabelos brancos teve que usar algo que nunca vi usar antes, congelou Golias de dentro para fora, acho que toda a água de seu corpo virou gelo. Este caiu sem se mover no chão, então voltou novamente, foi neste momento que notamos, ele era também um tipo diferente de morto-vivo. Não pude contatar uma alma, então isso significa que ele não a tem. Vai ser osso acabar com esse cara.
Ele fez um gesto em que juntou um punho com a palma da mão, está esperando nosso próximo ataque, pelo visto. Rosalie utilizou sua rajada ocular, isso lhe queimou, muito, mas não o impediu de avançar em todos nós com seu corpóreo afim de nos transformar em uma bela papa. Porém, para salvar o dia, Hunter comandou seu tiranossauro de pele que parecia um metal bem duro arranhá-lo e então mordê-lo com suas garras e dentes. Tais causaram um impacto mínimo, mas foi o suficiente para que Ethan carregasse seu canhão mecânico, este disparou direto no peito, formando um buraco no meio deste, fazendo-o cair de vez. Mandou bem, cara!
Rosalie
Ronin chegou com um camburão diferente do comum, este era mais amplo atrás. Com a ajuda de um guindaste, pegaram o vilão e o levaram para dentro do veículo, onde o herói partiu junto deste. Fomos deixados com a diretora Emma, que por sua vez, congratulou seu filho por ter conseguido derrubar o gigante. Voltamos para casa de ônibus, ao chegar ouvi a TV falando sobre a prisão de Golias, isso fez com que minha mãe desligasse o aparelho de forma ríspida. Exausta, deitei no sofá e apaguei, até que uma mensagem do mesmo número de antes chegou:
"Se atente aos seus arredores, Lumina."
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