Academia De Fadas
35 Capítulo 35 — O fim
Notas iniciais
Capitulo 35 — Desentendimento
Lucy
Após o sermão do professor dizendo para que eu e Natsu parássemos de brincar em sala de aula, pois inconscientemente dei um grito para ele parar de me atormentar, o sinal tocou. O que nos livrou de alguma bronca a mais, se o professor visse as coisas escritas naqueles bilhetes, não gostaria nem de pensar no que aconteceria. Olhei para Natsu com a intenção de discutir como ele poderia escrever aquelas coisas em uma sala de aula, mas ele saiu correndo.
Tento entender o que houve, então pego minhas coisas e vou procura-lo. Queria não ter feito isso. Eu o vejo, perto do portão, conversando com Lisanna. Não queria sentir essa mágoa quando o vejo com ela. Não depois de tudo o que houve entre nós. Ele disse que me ama. Ele faz amor comigo como se me amasse. Pare de imaginar coisas, Lucy! Qual o mal deles serem amigos? Mas ele já se declarou para ela uma vez... no acampamento. Lembro dela contando animada. Não seja uma namorada psicótica! Ah, não sou a namorada dele.
Eu disse que aguardaria. Talvez ele só esteja tentando falar para ela sobre nós. Tenho que acreditar nisso. Apesar do desespero dele de sair da sala para falar com ela, mesmo depois de tudo que ficou me dizendo pelos bilhetes, foi estranho. Chega!
— Lu-chan?
Viro-me e vejo Levy-chan me fitando.
— Oi?
Ela arqueou as sobrancelhas.
— Você está bem? Está parada aí a algum tempo — disse com um sorrisinho de lado.
— Estou, estou — repito, tentando voltar a realidade — Está tudo ótimo.
— Claro... — concorda com desconfiança — Bom, — recomeça, deixando o assunto para lá — Faz tempo que não conversamos, podemos ir mais cedo para o trabalho para isso, o que acha? — propôs com um sorriso.
— Parece ótimo! — devolvo com um sorriso.
Então fomos juntas direto para o trabalho, passei pelo portão, mas nem Natsu, nem Lisanna estavam mais lá. Inutilmente, tentei não ficar completamente decepcionada pelo otário do Natsu nem me dar tchau. Mas como já disse, não tive sucesso. Procurei prestar atenção na conversa de Levy-chan. De qualquer modo, faz mesmo muito tempo que não conversamos. Ela nem ao menos sabe o que está acontecendo. E sinto muitas saudades de poder conversar com alguém. Segredo contado para melhor amiga, não deixa de ser segredo, não é mesmo?
Chegamos, abrimos a livraria e pedimos um almoço para nós. Nos sentamos em uma mesa que arrumamos a alguns dias. Estava limpa e sem sequer um livro. A livraria está cada vez mais organizada e fico orgulhosa por ter ajudado nisso.
— Pois bem... — ela começou e ficou me olhando como se eu estivesse em um julgamento.
Não compreendo.
— Pois bem? — repito para mostrar que não entendi aonde ela quer chegar.
Ela suspira indignada.
— Você está me mantendo afastada de tudo! Mas eu já sei que está rolando, ou pelo menos rolou algo entre você e o Natsu! — aponta o dedo para mim, me fazendo se afastar em defesa — Você pode tentar esconder de mim, mas sou a melhor observadora e stalker que alguém pode conhecer. Você não quis me contar nada aquele dia, quando falei pro Natsu ir para seu apartamento. E também vocês estão cheios dos olhares suspeitos, um para o outro, esses dias. Além de tudo isso e muitas outras ações suspeitas, vocês estavam trocando bilhetinhos hoje, e ao contrário do que normalmente acontece de você ficar rindo sozinha, você estava corada! Tenho medo de saber sobre o que estavam conversando.
Por fim respirou. Mas eu continuei completamente atônita a tudo aquilo. Tenho que ter cuidado com as amizades que faço.
— Hã... — balbucio, encontrando palavras certas — Sabia que tinha sido você que mandou ele lá para casa, sua traíra — digo após processar tudo.
— Só isso que tem a dizer? Desembucha! — fala inconformada.
Ela sabe mesmo virar o jogo. Estou eu aqui brigando por ela ter enfiado ele no meu apartamento e feito com que tudo isso realmente estivesse acontecendo e ela simplesmente ignora. Curiosa. Mas contar o que aconteceu... Hm...
— Bom, nós ficamos — digo superficialmente, o que não deixa de ser verdade. Desvio o olhar para uma estante que parece muito interessante.
— Eu disse que isso eu já sabia! Quero detalhes, anda! A estante não quer saber, eu quero! — briga, trazendo meu olhar de volta para ela.
Meu rosto começa a esquentar.
— Ele se declarou para mim no dia do churrasco — começo a dizer, e ela logo solta um “Ahá”, que ignoro — Eu fiquei confusa, porque ele era meu melhor amigo, e eu não queria perde-lo. Então me afastei, mas ele insistia e vinha atrás de mim. Sua insistência me trouxe de volta à realidade, e percebi que nunca sentiria por Sting, o que sinto por Natsu, então terminei — olho para Levy para ver se está prestando atenção, e como vejo seus olhos vidrados em mim, prossigo, olhando para a mesa — Natsu, como você já “previa” — faço as aspas com a mão, lançando um olhar severo em sua direção — apareceu em casa, e daí ele disse que me amava, então começamos a ficar escondido por causa de Sting e Lisanna.
Terminei a história, omitindo pequenos pontos embaraçados demais para serem ditos em voz alta.
— Ai que lindo! Eu sabia! Vocês não são bons em esconder seus sentimentos! — disse animada, batendo palminhas.
— Você tinha razão — murmurei — Acho que sempre o amei, só nunca me permiti sentir isso.
— Ain — suspirou emocionada — Mal posso esperar para vê-los juntos de verdade!
— Nem eu, esse “namoro” as escondidas está me deixando irritada. E está gerando um monte de dúvidas dentro de mim. Acha que sou egoísta demais por não gostar de vê-lo perto da Lisanna? Aliás, ela gosta dele há mais tempo que eu.
— Lu, querida — começou irônica — Tempo não importa. É tão claro como Natsu se sente com você. E se ele disse as três palavras mágicas, acho que não deveria se preocupar.
Suspirei, tentando me acalmar com essas palavras.
— É estranho Levy-chan. Ele era apenas meu amigo, e de repente, parece que ele se tornou tudo, sabe? Nunca me sinto sozinha com ele. Ele tem sido muito gentil comigo também e nunca esperei por isso — comentou olhando para nenhum lugar em especial. Minha mente se fechou para me lembrar de seus sussurros, seus carinhos.
— Meu Deus, me deixe ser a madrinha do casamento! — pediu empolgada. Começo a rir.
— Isso ainda vai demorar! — confirmo, ainda rindo. Então tento mudar o rumo da conversa para não se focar em mim — E você e Gajeel? Vocês meio que sumiram no meio do festival — falo em tom sugestivo que a faz corar. Ahá!
— Bom, digamos que somos bem diferentes — comenta com um sorriso tímido — Mas isso torna as coisas interessantes, sabe? — corou, mas sem deixar de mostrar como seus olhos brilham ao falar dele.
— Aham... e ontem? — insisto com um sorriso pervertido.
— Hm...
Flashback on
Levy
— CONSEGUI! — falei assim que consegui pegar o peixe.
— NÃO ACREDITO! — falou inconformado, sendo que depois de inúmeras tentativas tudo que conseguiu foi jogar água pra fora e espantar as pessoas — O QUE VOCÊ FEZ?
— Para de gritar! — falei irritada — É que tem que ser delicado em vez de ser bruto como você é!
Ele bufou e fez bico.
— Ser delicado é para as mulherzinhas — reclamou baixinho.
Começamos a andar com meu peixinho pela feira, o clima entre a gente estava meio estranho e silencioso. Típico clima que normalmente as pessoas se viram e se beijam a qualquer instante. Mas eu não faria nada, ele é o garoto. Os garotos que dão o primeiro passo, pelo menos nos meus livros são assim. De repente sinto sua mão na minha, me assusto e olho para ele, que estava meio... corado?
Senti vontade de dizer um “Quem é você?”, mas me contive com um sorrisinho e um sentimento maravilhoso percorrendo desde minha mão para todo meu corpo.
— Q-que foi? — pergunta, rude como sempre. Apenas olhei para nossas mãos entrelaçadas e ele corou mais — I-isso é pra você não se perder de novo, pequenininha como você é qualquer um pode te arrastar por aí e... — começou a falar inúmeras coisas sem sentido, mas eu coloquei meu dedo em sua boca para ele parar de falar.
— Tudo bem, não vou me perder — sorrio.
Então fiquei nas pontas dos pés e o beijei.
Foi um pouco estranho, vai que ele ficou paralisado. Também fiquei assustada com a coragem repentina que me invadiu, mas eu sentia que devia fazer isso, eu queria fazer. Mas logo ele cedeu, e mais do que isso, me puxou para si, e sua língua me tomou. Seu beijo era desesperado, desejoso e selvagem. Não estava acostumada com isso, mas era bom, muito bom.
Sinto suas mãos pela minha cintura, e então abaixando ainda mais, descendo para minhas cochas. Ele me levanta, e então me carrega para o lado da escola, longe do festival. Está escuro e só posso enxergar suas formas, mas aqui, eu sabia que ninguém iria nos atrapalhar.
Fico nervosa com a situação, meu coração estava a mil por hora. Aliás eu nunca fiquei me agarrando com ninguém. Na verdade, ele foi o primeiro cara que eu beijei na vida, o primeiro que fui a um encontro e bom, o primeiro que irei agarrar agora. Ele me prensou na parede, e nossos olhares mesmo no escuro se encontraram. Sua respiração estava tão forte quanto a minha. Sua cabeça foi se inclinando, pronto para tomar minha boca novamente. Porém, antes que nossos lábios se encostassem, ele parou e fixou o olhar em mim.
— Acho... que amo mesmo você baixinha, você me faz ficar diferente — Meu coração parecia explodir, seu olhar me dizia o quão sincero ele estava sendo e isso me desmoronou.
— D-diferente? — minha voz parecia não querer sair.
— Você é tão leal ao que quer, delicada, meiga e determinada. Me faz querer mudar, me faz querer ser... gentil? — disse, levando uma de suas mãos até meus cabelos.
Então nos encaramos por mais um tempo, até ele prensar seus lábios nos meus em um selinho demorado. Desceu até meu pescoço, fechei os olhos e me confinei a apenas sentir seus toques.
— Eu também te amo... — sussurrei sem pensar entre suas carícias. Ele parou e me olhou assustado. Sinto meu rosto esquentar. — O-o que? — gaguejo e ele sorri.
— É a primeira vez que diz isso — continua sorrindo.
Devolvo o sorriso, e ele me puxa para me beijar novamente. Me beija ferozmente, enquanto meu corpo se desmonta em seus braços fortes, e me entrego ao seu beijo.
Flashback off
Lucy
— Huuuuuum... — provoquei, assim que terminou de contar a história. Seu rosto parece um tomate de tão vermelho — Se agarrando no escurinho é, Levy-chan? Isso não se parece com você — brinquei, fazendo ela ficar ainda mais sem graça.
Porém ao invés de cair em minhas provocações, ela apenas me olhou.
— E você? — Retruca e eu congelo — Vocês estão aí namorando as escondidas, você mora sozinha, ninguém pode ver vocês... O que estão aprontando entre quatro paredes? — indica todos os argumentos possíveis para me deixar ainda mais constrangida.
— H-hã? Não sei do que está falando — minha voz sai entrecortada.
— Gaguejando é? Fala logo o que já rolou entre vocês! — Insistiu com um sorriso malicioso, meu coração acelera — Beijinhos, mãos em lugares suspeitos, quero detalhes!
Alguns flashes de nossas aventuras se passam em minha mente como um filme. A noite da nossa primeira vez, seus carinhos, sussurros. A noite em que estive na casa dele e que não vimos nada do filme. A noite que ele foi em casa e meu apartamento virou um bolo coberto de chantilly, e logo a língua dele passando por meu corpo para limpar tudo aquilo apareceu em meus pensamentos, me fazendo estremecer. Ou mesmo ontem, depois do festival, ou os bilhetes de hoje cedo dele dizendo que iria me jogar na banheira e... Meu Deus.
— Você está pensando demais Lu-chan! — disse enquanto minha mente se desenrolava — Não me diga que... — fez mais uma vez seu tom sugestivo, e me fitou. Olhei para ela, e senti meu rosto me entregar. Está calor, muito calor — Ai Meu Deus! — gritou sibilando cada palavra com ênfase — Me conte tudo agora!
— Não tem o que contar, Levy-chan — digo com a voz firme, gritando para ninguém em particular.
— Você me disse que era virgem! — gritou de volta.
— E eu era! — retruquei aos berros também, então abaixei o tom de voz e me encolhi — Era — repeti.
Ela ficou boquiaberta, olhando para mim, enquanto eu queria me enfiar em algum saco de lixo por aí. Como isso é vergonhoso.
— NÃO ACREDITO! ME CONTA! — berrou de novo, quase pulando sobre a mesa para chacoalhar meus ombros.
— Isso é muito constrangedor — reclamei, sentindo que o tomate agora era eu.
— Tivesse vergonha na hora de fazer, agora conta! — replicou, me deixando ainda pior.
Então eu contei, sem detalhe tão sórdidos. Lógico. Porque sem eles já era vergonhoso demais. Ela interrompia às vezes, fazendo perguntas se doía e essas dúvidas que as garotas sempre tem. Falei que Natsu foi extremamente carinhoso comigo na primeira vez e fez de tudo para tentar me relaxar. Contei também que estava morrendo de vergonha. Depois de muita insistência contei que isso não aconteceu mais que uma ou duas vezes, e ela soltou um grito me chamando de safada.
— Você se arrepende, Lu-chan? Por alguma coisa? Você namorava o Sting e nunca aconteceu nada, e de repente...
— Falando desse jeito me sinto mal — brinco, ainda com o rosto queimando — Não sei, simplesmente não acontecia com Sting sabe? Aquela faísca... Mas com Natsu, sinto que ela esteve sempre lá, escondida por mim. Fiquei com muito medo, mas quando aconteceu, parecia certo. Meus sentimentos explodiram no mesmo instante.
— Esse Natsu está podendo hein? — brincou com uma piscadinha.
Comecei a rir envergonhada. Depois o constrangimento passou e se tornou divertido. Começamos a ter conversas nada inocentes, cheguei até a contar sobre a vez do chantilly. Então nosso almoço chegou e depois começamos a trabalhar. O dia foi bem movimentado, as vendas foram boas, o que era bom para passar o tempo rápido. Mas não o suficiente, eu queria vê-lo.
―×―
Lucy
Assim que o expediente acabou, fui pegar minha bolsa para ir embora. Ajeito os novos livros que peguei emprestado e sinto meu celular vibrar. Vejo que é uma mensagem de Natsu e meu coração celebra.
“Oi chatinha, quero te ver, vem em casa depois do trabalho? Beijos” — De Natsu chatinho ♥
Um sorriso se forma em meus lábios ao imaginar que ele também esteve pensando em mim. Então vou ao banheiro, arrumar meu cabelo e retocar a maquiagem para parecer mais apresentável. Eu queria tomar um banho antes, mas a pressa em querer revê-lo é grande. Mesmo depois de todos os pensamentos negativos de hoje, quero muito, muito abraça-lo e ver que nada mudou.
— Vai sair, Lu-chan? — Levy pergunta ao passar pela porta do banheiro.
— Vou me encontrar com Natsu — respondo animada, enquanto passo um batom claro.
Ela ri com minha empolgação.
— Outra noite quente? — provoca, encostando-se no batente da porta.
— Se eu tiver sorte — mordo o lábio inferior, sem conseguir conter a alegria dentro de mim.
Levy ri abertamente.
— Boa sorte então, verei se Gajeel terá tempo para mim também — disse com um sorriso.
Termino de me arrumar, pronta para encontra-lo. Pego minha bolsa, despeço-me de Levy e vou em direção a casa de Natsu. Meu coração parecia acelerar a medida que eu me aproximava. Não sabia o porquê de tanto nervosismo. A gente tem estado sempre junto. Ele disse que me ama mais que duas vezes. A gente fez amor mais que três. E quando ele me abraça, eu me sinto completa. Tento pensar nessas coisas para me acalmar, quando finalmente me vejo em frente à sua casa.
Bato na porta timidamente, e logo sua sorridente irmã abre a porta.
— Olá! — diz com um largo sorriso.
— Oi... — digo sem graça, não esperava encontra-la — Wendy, certo?
Ela balança a cabeça positivamente.
— E você é a Lucy Heart alguma coisa, não é? — pergunta de forma inocente.
— Isso mesmo. Heartfilia, como sabe meu sobrenome? — questiono, abaixando-se para ficar na mesma altura que ela.
— Ouvi o Nii falar para o papai, hoje de manhã — respondeu ainda sorridente — Ele disse que gostava de você pra valer.
Meu coração acelera ao ouvir essas palavras. Tento conter que o sorriso chegue a minha orelha, mas é impossível.
— E seu irmão está? — indago educadamente.
Ela se afastou da porta para deixar passagem.
— Está no quarto, acho que você já sabe onde fica — seu sorriso é inocente, mas no seu olhar vejo certa provocação. Começo a rir e agradeço ao entrar na casa.
Subo as escadas vagarosamente, ouvindo algumas vozes, que não pude identificar. Meu sorriso ainda não abandonou meu rosto. Vejo que a porta de Natsu está aberta, então apareço sem bater.
Meu sorriso se dissolve mais rapidamente do que foi formado. Sinto meu corpo fraquejar, enquanto minhas mãos tremem. Não sei se é raiva, mágoa, ou qualquer outro sentimento ruim. Pois diante de mim, vejo Natsu beijando Lisanna em sua cama. Olho para cena, pensando se é um pesadelo. Meu coração se aperta tanto, que a dor que passa por todo meu corpo é indescritível. Queria apenas sair correndo e fingir que não vi nada disso, mas as lágrimas despencam e com ela meu instinto age mais rápido. Não acredito que ele fez isso...
— Conversa interessante a de vocês, Natsu — digo com a voz entrecortada, e fico ali apenas o tempo suficiente para ter certeza que eles me escutaram.
Eles se viraram, espantados. Então eu corri. Não era o ato mais corajoso que já realizei. Mas com a sensação do meu mundo desabando, não era hora para atos dignos. As lágrimas em meus olhos mal me deixariam fazer qualquer outra coisa. Tentei não pensar em nada, desde o momento que passei novamente pela porta da casa dele, até estar perto de meu apartamento.
Ouvi passos apressados atrás de mim, e corri ainda mais. Não sabia que poderia correr tanto até esse dia. Entrei pelo prédio, ouvindo sua voz atrás de mim.
— Lucy, espera! — gritou, mas eu ignorei.
Corri as escadas para meu apartamento, tranquei a porta e as janelas. Puxei as cortinas para que não pudesse vê-lo. Então olhei para aquele apartamento minúsculo, me sentindo sufocada pelas paredes. Olhei para a cama, e me lembrei como tive coragem de me entregar para ele. Para o chão, meu Deus. Me encolho em um canto que me sinto segura de lembranças. E só então percebo que havia parado de chorar. Então sinto meu coração se apertar e as lágrimas voltam de uma vez.
Como fui burra! Ele ainda a amava sim! Aposto que estavam saindo desde a época do acampamento. Fiquei tão iludida com tudo que estava acontecendo que nem reparei que na verdade eu era apenas mais uma! O que ele queria dizendo que estava apaixonado por mim? Fazer com que eu me apaixonasse de verdade para depois me jogar fora? Me mandou uma mensagem só para me dispensar e nem aguentou que eu chegasse para se agarrar com ela?
Não poderia ter dito de outra maneira que eu era apenas... Meu Deus. Ele só queria transar comigo. Todas aquelas palavras doces para... As lágrimas disparam de meus olhos ainda mais frequentes.
Ouço batidas fortes na porta e por um momento parece que ela irá ceder. Paro de respirar no mesmo instante, chorando baixinho para que ninguém me escute.
— Lucy, me deixa entrar! — sua voz soou pela porta.
Por que veio atrás de mim, seu idiota? Para esclarecer que eu era apenas uma diversão? Fico em silêncio com a esperança que ele se vá.
— Aquilo foi um acidente, você precisa me escutar! — vociferou, batendo outra vez na porta — Eu amo você — disse mais baixo, mas o suficiente para que eu escutasse.
Mentiroso. Me ama tanto a ponto de chamar outra garota para ir na sua casa, entra em seu quarto e deitar em sua cama? Com você sobre ela? Justamente a garota que ele amou, antes mesmo de saber de minha existência? Na verdade, ela devia estar se sentindo mal. Ele deve ter se afastado dela para fingir que se importava com nós, mas ela sempre foi a garota que ele ficaria de verdade. Eu fui a outra. Tenho nojo até mesmo de mim.
— Vamos conversar — insistiu — Deixa eu te explicar. Abre essa porta, por favor.
Não ousei me movimentar. Deixei as lágrimas escorrerem, me sentindo a garota mais idiota do mundo. A cena dos dois se beijando não deixava minha mente. Natsu bateu mais algumas vezes na porta até parar de insistir. Agradeci o silêncio. Mesmo assim, as horas não passavam. Espero que ele tenha ido embora. Respirei fundo e fui para minha cama. Agarrada ao meu travesseiro, chorei ainda mais. Lembrando de tudo o que houve entre nós, me sentindo usada e suja. Depois de horas pensando no idiota que virou minha vida de cabeça para baixo, adormeci.
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