Academia De Fadas

36 Capítulo 36 — Distância


Notas iniciais
Boa tarde meus lindos, como estão? Só pra dizer, já li todos os xingamentos KKKKKKKK, pedidos para Lisanna morrer, chamando o Natsu de idiota, me chamando de malvada, mas enfim, logo respondo vocês certo? Bem vindos novos leitores, por favor comentem a fic, e me incentivem a continuar (: Boa leitora ♥ ♦Capítulo reeditado

Capitulo 36 — Distância

Minhas pálpebras ardem ao se abrirem lentamente, enquanto alguns raios de sol passam pela janela e faz tudo ficar ainda pior. Minha cabeça dói, meu corpo dói, e meu coração, bom, eu nem sinto mais. Olho envolta para o meu quarto e não sinto vontade de levantar. A cena de ontem não sai de minha cabeça. Não consigo acreditar que tudo aquilo aconteceu. Foi tão rápido. Fico pensando como que em uma semana eu consegui passar do paraíso para o inferno em instantes. Como eu consegui me deixar tão facilmente, e como ele fez eu me apaixonar com tanta intensidade... para isso.

Só sinto vontade de me distanciar de todos. Ficar longe de tudo, até mesmo do meu próprio apartamento, que só me traz lembranças.

Finalmente reúno coragem para ir até o banheiro. Vejo minha aparência deplorável e sinto vontade de chorar novamente. Mas acredito que não haja mais lágrimas, meus olhos ardem tanto que minhas glândulas devem ter se cansado de trabalhar. Ouço meu celular vibrar, de novo. Durante a madrugada ele tocou persistentemente, até eu tirar o som e pôr para vibrar. Ando até o celular na escrivaninha e vejo na tela:

10 ligações perdidas.

7 mensagens não lidas.

Respiro fundo e dou meia volta. Não estou preparada para ler nada. Tomo um banho demorado, tentando me livrar de toda energia ruim que me circula. Me seco e enrolo a toalha sobre o corpo, busco um vestido solto e me visto.

Olho para a luz do celular piscando. Estou sendo criança em não ler as mensagens, em não atender aos telefonemas. Eu sei disso. Mas não quero ter que escutá-lo mentir. Não importe o que ele fale, nada pode mudar o que meus olhos viram, e o que meu coração sentiu. Sento sobre a cama, olhando para o celular. Decido abrir as mensagens, com as mãos tremendo, como se ele pudesse saber que estou fazendo isso.

“Lucy, abre a porta, por favor.” — De Natsu chatinho ♥ às 20:30

“Precisamos conversar! Eu preciso te explicar o que aconteceu. Me dê essa chance.” — De Natsu chatinho ♥ às 21:15

“Não vou sair daqui. Você precisa me ouvir! Foi um acidente. De qualquer forma me sinto muito mal pelo o que houve. Me deixe entrar” — De Natsu chatinho ♥ às 22:06

“Desculpe não ter evitado que isso acontecesse. Fui surpreendido também. Não queria que nada disso tivesse acontecido. Pode abrir essa porta? Me perdoe.” — De Natsu chatinho ♥ às 23:20

“Não irei desistir de nós. Eu sei o que sinto por você, e sei que sente o mesmo por mim. Não desista também. Me deixa explicar. Precisamos nos acertar.” — De Natsu chatinho ♥ às 00:15

“Estou me sentindo péssimo. Estou desesperado, Lucy! Por favor, não faça isso com nós.” — De Natsu chatinho ♥ às 01:20

“A sindica apareceu e me expulsou. Talvez seja melhor te deixar sozinha... Não sei o que fazer Lucy. Preciso te ver e me desculpar. Estou muito desesperado! Você precisa se acalmar, e ver que não existe nada entre eu e a Lis. Eu amo você. Eu te disse, sempre amei.” — De Natsu chatinho ♥ às 02:35

As lágrimas traidoras começam a descer por meu rosto. Não sei o que pensar com tudo isso. Sempre li livros onde havia traição e achava dramático demais tudo o que acontecia depois, e agora estou vivendo meu próprio drama. Dói demais. Preciso mesmo ficar sozinha.

De repente uma ideia brilha em meus pensamentos. Quero distância, quero ficar sozinha. Limpo as lágrimas e faço uma ligação.

— Alô? Michelle? Sim, tudo e você? É verdade, faz algum tempo que não nos falamos. Não, não estava chorando. É sério, estou bem! Estava pensando em passar alguns dias por aí, posso? Aham. Não estou fugindo de nada! Vou tentar pegar um trem ainda hoje, tá bom? Certo então! Obrigada! Te ligo quando estiver chegando. Beijos.

Suspiro. Vai ser melhor assim. Voltar um pouco para minhas origens. Deixo o celular na cama e começo arrumar minha mala. Pode ser que eu só esteja fugindo da situação, mas preciso pensar melhor em minhas ações, e pensar no que fazer depois.

―×―

Natsu

Acordo com uma tremenda dor de cabeça. Olho para o teto e me lembro de tudo o que houve ontem. Saí do prédio de Lucy arrasado. Eu realmente achei que ela simplesmente abriria a porta, me escutaria e tudo ficaria bem. Mas me enganei, e ela não quis nem ao menos falar comigo. Ainda não entendo o que ela foi fazer em casa e muito menos o que diabos aconteceu para a Lisanna me agarrar. Só sei que me sinto um idiota, e também que não posso perde-la.

Tomo um banho para tentar relaxar o corpo, o que é bem impossível. E depois tomo um remédio para ver se a dor passa, mas estou começando a pensar que essa dor é algo muito maior. Preciso resolver essa situação. Estou tentando ignorar esse vazio dentro de mim, manter a calma e pensar que vai ficar tudo bem. Eu sabia que devia ter dito a resposta de Lisanna muito antes. E colocando a amizade dela antes do meu relacionamento com a Lucy, virou essa bola de neve.

Troco de roupa para sair de casa. Ela tem que me atender hoje. Ela vai estar mais calma e vai me escutar. Tudo como minha mente planeja.

Desço as escadas e deparo com meu pai novamente. Tomando seu café e lendo seu jornal, suas olheiras ainda mais escuras e com uma expressão de tristeza nítida. Ao mesmo tempo que vejo Wendy no sofá encolhida. O que há com minha família?

Primeiro vou até Wendy, pois meu lado fraternal pede por isso. Sento ao seu lado e vejo seus olhos inchados de tanto chorar. Coloco a mão em sua cabeça.

— Aconteceu alguma coisa, pirralha? — pergunto preocupado.

Com tudo que já tive que passar por causa dela, eu realmente deveria odiá-la. Ela me atormentou, me fez levar broncas, me dedurou um milhão de vez e o pior de tudo, fez com que eu não tivesse infância. Mesmo assim, a convivência me fez amá-la, e às vezes sinto certa culpa por suas ações traiçoeiras. Eu que cuidei dela, eu deveria dar mais atenção, mas nem sempre é assim.

Ela me olha e desvia o olhar novamente. Funga baixinho, tentando conter mais lágrimas.

— Eu fiz algo horrível, nii.

— O que você fez? — questiono ainda mais preocupado.

Por favor, não tenha se metido em drogas, seja virgem, não tenha se envolvido com bebida alcoólica e não seja uma assassina. Peço, mentalmente. Por favor, seja virgem e não seja assassina. Repito em pensamentos ainda com mais ênfase, enquanto ela se encolhe ainda mais. De repente, me sinto como meu pai.

— Foi com você — responde de cabeça baixa, quase se escondendo entre os joelhos.

Fico em silêncio, tentando lembrar de alguma coisa que ela me fez recentemente. Talvez eu não tenha descoberto que era ela? Bom, ela não quebra mais minhas coisas, não costuma entrar no meu quarto, meu gato tá vivo. É... parece que ela pode continuar viva. Mesmo assim, faço a pergunta que por acaso ainda tenho medo da resposta.

— O que você fez? — repito calmamente para não assustá-la.

— Eu... — começou a dizer e as lágrimas começaram a descer — Teve um dia que a Lis veio em casa procurando você e eu sabia que você estava com ela, mesmo assim contei que te vi enrolado na cama com a Lucy — as palavras começaram a ficar confusas por causa do choro — Eu não queria te entender, eu achei errado você dormir com uma garota e estar com outra. Pode ser que eu não entenda direito dessas coisas, mas é errado, não é? Eu não fiquei com a consciência pesada, mas depois escutei você falando para o papai sobre a Lucy-san. Fiquei pensando se eu tinha causado problemas. E ontem a deixei entrar mesmo sabendo que você estava com a Lis, mas eu não estava entendendo mais nada. Então te vi correndo desesperado atrás da Lucy — fungou ainda mais alto, tentando contar — Eu não devia ter dito nada. Achei que você estava brincando, mas fiquei te esperando voltar e você não voltava.

Seu choro se torna mais intenso, e como ela esconde o rosto, suponho que tenha terminado. Não sei o que dizer. Respiro fundo, tentando me acalmar para não fazer nenhuma besteira. Aliás, Wendy tem 8 anos, e mesmo tão nova já julga o que é certo e errado. Ela não estava completamente errada. Eu a confundi. E mesmo ela tendo dito a Lisanna, não altera nada. Não aconteceu nada entre eu e a Lucy naquele dia. Suspiro e ponho a mão em sua cabeça novamente.

— Está tudo bem. Você só fez o que achou certo.

Ela levanta a cabeça com os olhos vermelhos, provavelmente para ver se estou brincando.

— Mas... nem tudo o que eu achar certo, vai ser certo, não é?

Sorrio com seu jeito perspicaz.

— Infelizmente — respondo, dissolvendo meu sorriso e olhando para as mãos.

Do mesmo jeito que achei melhor esperar para contar a Lis. Agora tenho que conviver com as consequências.

— Eu te deixei triste? — pergunta, ainda chorando.

— Não, eu estou bem — tento sorrir novamente — Não se preocupe com isso e pare de chorar, tá bom? — dou algumas batidas leves em sua cabeça e me levanto.

Fico pensando se eu deveria ficar bravo. Se fazendo desse jeito não estou apenas criando um monstro para a sociedade, mas quero acreditar que não. Lá no fundo sinto um certo orgulho, de ter uma irmã que já repara em seus próprios erros e se desculpa. Porque fazer isso tem sido cada vez mais complicado.

Respiro fundo e vou até meu pai. Acho que eu deveria fazer psicologia. Na verdade, Lucy ainda não deixa meus pensamentos. Eu também queria ser ouvido, só não tenho com quem falar.

— Bom dia pai — aceno da porta.

Ele parece acordar de uma dimensão paralela e me olha assustado. Depois logo sua expressão se suaviza novamente para aquela de acabada.

— Bom dia filho.

Sento na cadeira da ponta oposta da mesa.

— Mal dia? — pergunto apoiando-me na mesa.

— As coisas não estão indo muito bem na empresa — desabafa — Eu pensei que iria tranquilizar, mas as ações caíram novamente e alguns sócios querem sair. As vendas também não estão boas.

Abaixo a cabeça, tentando pensar no que dizer. Queria poder ajudar mais. Às vezes me sinto um pouco inútil aqui, enquanto meu pai passa dias enfurnado naquele escritório para que eu e Wendy continuemos tendo o que comer e estudando na melhor escola.

— Não se preocupe com isso, eu só queria falar — meu pai continua — Vamos passar por isso novamente, e vamos vencer — sorri de seu modo otimista.

Eu sei que é mentira. Mesmo assim tento acreditar.

―×―

Depois de fazer todo meu papel de irmão e filho mais velho, saio de casa. Os problemas começam a rodear minha mente. Sinto que quando as coisas querem dar errado, elas acontecem todas de uma vez. Mas, agora, preciso me concentrar no que me aguarda em breve.

Assim que adentro o prédio de Lucy, pois sua janela continua fechada o suficiente para que não haja invasores, a sindica me olha. Meu corpo arrepia só com aquele olhar, ainda mais depois de ser arrastado para fora ontem.

— Bom dia — cumprimento com uma reverência básica.

— Bom dia — responde mal humorada, como sempre — A Lucy não está.

Paro no primeiro degrau da escada.

— Hm... Eu posso esperar — digo, tentando ser otimista.

— Tudo bem, mas ela foi viajar. Pode ser que demore — comenta sarcasticamente.

Viajar? Respiro fundo. Sentindo parte de mim querendo desabar. Acho que ela não quer mesmo me ver. Me pergunto se estou sendo insistente demais. Mas o desespero dentro de mim não me deixa ficar parado, enquanto sei que ela está por aí, com raiva de mim.

“Levy, sabe para onde a Lucy foi?”

Envio a mensagem e vou a procura de outra pessoa.

―×―

Lucy

Pego o trem, escolhendo algum lugar perto da janela. Gosto de ver as coisas se movendo, os campos, as montanhas, os lagos e essas pequenas paisagens que não costumam se alterar tanto. Mesmo assim, faz tanto tempo que não vou para minha antiga casa, que a paisagem parece completamente diferente. Estou um pouco nervosa para encontrar meu pai. Mesmo assim pareceu a melhor coisa a se fazer no momento. Não consigo pensar lá, sabendo que ele está tão próximo. Será melhor assim. Na verdade, é estranho pensar que estou fugindo de volta para o lugar de onde fugi.

Dentro de algumas horas, o trem começou a parar. Onde desembarco é perto de casa, e estou apenas com uma mochila. Ficarei aqui por uma semana e já liguei para meu patrão pedindo licença, como também já avisei a escola. Por sorte, tenho um patrão e um diretor compreensivos. Ando lentamente com a mochila apenas em um ombro e logo avisto os largos terrenos de meu pai. Respiro fundo e continuo até estar perto da gigantesca mansão, fria e vazia.

Passo pelos portões de casa, e milhares de empregados aparecem. Seus sorrisos até me tranquilizam. Eu os adoro.

— Lucy-san que saudade!

— Como está linda!

— Oh, senti tanta sua falta!

Abracei a todos. Senti meus olhos marejarem com tanto carinho. Foram eles que cuidaram de mim quanto minha mãe faleceu. Sinto como se tivesse milhares de tios e tias para quem correr.

— Onde está o papai? — pergunto à Virgo, a empregada mais próxima de mim.

— Está no escritório Hime-sama.

Escritório, pelo jeito ele ainda vive lá. Ergo meu olhar até os vitrais no segundo andar, e o vejo. Está o mesmo de sempre, aquela expressão séria não muda. Entro pela casa, tão grande e tão vazia, sem vida. As paredes parecem querer me prender, ao mesmo tempo em que parecem nem existir. Vou até meu antigo quarto, e toda a nostalgia me preenche. Faz eras que não venho aqui, mas ele continua intocável, da mesma maneira que o deixei quando sai.

Deixo minha mochila em algum canto e me dirijo para o escritório do meu pai. Meu coração pulsa forte em meu peito, como se fosse sair. Não o vejo desde que resolvi sair de casa. Tentei vir visita-lo, mas ele nunca tinha tempo para mim. Fico diante da porta, respirando fundo. Bato na porta e a abro vagarosamente.

Ele direciona seu olhar dos vitrais para mim.

— Papai, estou de volta — digo fazendo reverência.

— Lucy — cumprimenta do seu jeito frio — O que faz aqui?

— Também estava com saudades, papai — respondo com ironia.

— Aposto que não aguentou mais viver naquela caverna e voltou, não é mesmo? — sorriu, convencido.

Respiro fundo. Ele realmente não muda.

— Na verdade, só vim lhe dar oi, aliás sou sua filha — relembro como se fosse algo que devia ser lembrado — Vou estar na casa da Michelle, caso queira me encontrar, o que eu acho que é improvável.

Dessa vez ele que respira fundo.

— Não fale como se eu não me importasse com você.

Tento não rir em sua cara da grande palhaçada que disse. Ele realmente se importava, era meu pai, até mesmo um amigo, quando minha mãe estava viva. Mas depois disso, ele morreu por dentro, e me matou com seus sentimentos.

— Não precisa fingir — respondo rapidamente — Não precisa nem se preocupar. Não é como se eu esperasse algo do senhor — dou um passo para trás, fazendo uma reverência e saio da sala. Antes que ele pudesse responder, antes que minhas lágrimas caiam.

Odeio esse lugar. Gosto das lembranças que tenho da mamãe, até mesmo dele antes. Queria saber o que aconteceu. Às vezes olho para ele e tenho o pressentimento que ele sabe que está errado. Mas então sua boca se abre e dali só sai absurdos.

Suspiro fundo, segurando a vontade imensa de chorar. Volto para meu quarto, pego minha mochila e vou para a casa da Michelle, ao lado. Meu único lugar seguro daqui, e o único que chamei de lar, algum dia. Assim que chego ao portão da outra gigantesca mansão, uma garota de cabelos cacheados aparece de braços abertos.

— Prima! — gritou, vindo em minha direção, me abraçar.

— Michelle! — grito de volta até alcança-la.

— Senti sua falta, Lucy — disse me puxando para dentro de sua casa.

— Também senti a sua.

―×―

Natsu

Bato na porta três vezes seguidas, com pressa de ser atendido. Escuto um grito pedindo para esperar e logo a porta se abre, dando lugar para olhos azuis, pele clara e cabelos brancos. Lisanna me olha sem expressão, esperando que eu dê o primeiro passo para mostrar como estou.

— Oi Lis — cumprimento.

— O-oi Nat-kun — responde sorridente — O que faz aqui em um sábado?

Tento respirar e pensar nas palavras certas a serem usadas. Mas no final, prefiro ir direto ao assunto. Sinto meu sangue ferver de certa forma, e tento controlar essa sensação.

— Preciso que seja sincera — peço com os olhos firmes nos dela.

— Hã... claro — responde um pouco apreensiva — Por que está tão sério?

Fico quieto. Procurando novamente palavras adequadas.

— Você planejou tudo aquilo ontem? — pergunto diretamente. Pode parecer que estou julgando, posso parecer o pior cara do mundo e só hoje, eu não ligo.

Ela fica paralisada e por um momento não sei se está se sentindo culpada ou se está com raiva de mim por fazer uma pergunta dessas. Mas eu preciso resolver isso e para isso, preciso ir direto na fonte.

— Do que está falando? — arqueia as sobrancelhas e vejo seu corpo tremer — Como assim planejar? — fala indignada — Você me chamou para um encontro ontem, daí a Lucy apareceu, você saiu correndo sem me explicar nada. Por que ela saiu correndo, falando nisso? E depois de tudo, fiquei te esperando voltar e você não voltou. Ainda assim está dizendo que eu fiz isso tudo acontecer?

Talvez eu comece a me importar em ser o pior cara do mundo. Mas... suas feições não me convencem por completo. Eu a conheço a muito tempo, e eu sempre descobri as vezes que ela mentiu.

— Vou acreditar em você, Lis — digo um pouco triste, com nada em especial — Espero não me decepcionar.

Sai dali, deixando ela com os próprios pensamentos. Acho que sei porque me sinto decepcionado. Se fosse algum plano da Lis, e ela confessasse, eu pediria para que ela contasse a Lucy e tudo ficaria bem. Ou pelo menos eu não seria culpado. Mas isso não aconteceu e quase perdi uma amiga antiga. Não acho que Lis faria algo assim de propósito também... Acho que fui eu que deixei tudo isso acontecer, só estou tentando encontrar quem culpar.

―×―

O fim de semana se passa devagar. Parece que não tenho com quem conversar. Nunca imaginei ficar tão mal por uma garota. Ontem antes de dormir fiquei lembrando quando conheci Lucy, e a maneira como ela me encantava. Faz tanto tempo e mesmo assim, demorei tanto para dizer. Pego meu celular com esperança que ela tenha respondido alguma mensagem. Nada. Nenhuma ligação também. Vejo uma foto que tiramos em casa, e no zoológico. Fizemos algumas caretas, eu disse que isso era ridículo, mas mesmo assim fiz. Porque eu queria ver ela sorrindo.

Inconscientemente disco seu número. Escuto chamar, sentindo meu coração acelerar em cada toque, até cair na caixa postal mais uma vez. Então crio coragem e resolvo enviar uma mensagem.

“Oi Lucy. Hoje faz dois dias que não nos falamos. Sei que não quer nem ao menos me ver, mas eu sinto sua falta. E tenho a esperança que você também sinta a minha. Então pode parar de fugir e me escutar uma única vez? Estou me sentindo vazio. Quando você volta? Vi algumas fotos nossas, e senti falta de seu sorriso. Ele sempre me encantou, e sinto muito por ter feito ele se apagar. Juro que tem uma explicação para tudo isso. Então me dê a chance de me redimir. Estou mesmo desesperado. Eu amo você.”

Li e reli essa mensagem. Fui escrevendo tudo o que senti. Mas então a apaguei. Não adianta, tenho que esperar ela voltar. Ela não vai me responder, nem ao menos sei se vai ler. Não quis me atender esse tempo que estamos afastados. Não vou deixar as coisas acabarem assim, não posso deixar, sem tentar.

―×―

Lucy

O domingo traz consigo um lindo pôr do sol. Mas é estranho como ele parece tão apagado. Senti raiva de mim mesma por estar a quilômetros de distância e mesmo assim, pensar nele. Às vezes, me pego pensando no que ele deve estar fazendo. Então aquela cena volta a minha mente e sinto vontade de chorar.

Meus tios tentaram me animar. Eles sempre me trataram muito bem, e também conversei muito com Michelle. Contei tudo sobre minha nova vida, sem pôr tal rosado no meio. Levy enviou um milhão de mensagens perguntando o que aconteceu. Eu disse que contaria quando voltasse. Ela tentou me ligar, mas eu sabia que se fosse falar, iria chorar.

Hoje enquanto eu e Michelle andávamos pelos campos de nossos pais, meu celular tocou. Eu sabia que deveria deixa-lo na casa, mas algo mais forte do que eu, gosta de sofrer. Vejo o nome dele na tela, e só com isso sinto meu coração despedaçar.

— Não vai atender? — Michelle pergunta curiosa.

Ignoro a chamada e volto a olhá-la.

— Não é nada importante — sorrio fracamente.

Não há muito o que fazer aqui, mas tudo é tranquilo, e o ar daqui parece mais puro. É bom para refletir, mas sempre que eu faço isso, eu volto a chorar. Até quando essa dor vai durar?

Notas finais
Muito triste eles longe? Até quando isso vai durar?Beijinhos e quero reviews ♥