Charlie

Abri a porta do hall de entrada e encontrei minha casa impecável como sempre. Depois de conferir que todas as portas e janelas estavam trancadas exatamente do jeito que eu deixei eu fui até meu quarto pegar, dentro de uma gaveta trancada, o tablet com os vídeos do quarto de Emily.

E lá estava minha garota. Belíssima naquela babydoll curta e deliciosa que caia perfeitamente em seu corpo. Confesso que Emily ficava sexy com roupas provocantes de tons fortes, mas roupas como a que estava usando agora, uma camisola curta rosa clara com bolinhas de um tom rosa mais escuro (link nas notas finais), deixavam ela tão fofa que eu chegava a ficar mais excitado.

E é por isso que eu precisava vê-la o mais rápido possível.

Desci todas as escadas e passei por todas as portas até que, enfim, chegasse ao quarto de Emily no subsolo. Ela estava sentada em sua escrivaninha desenhando algo, a xícara de chocolate quente que eu havia trago para ela antes de sair para o shopping continuava intocada. Por que ela não bebeu?

Emily com certeza percebeu que eu cheguei, porém não esboçou qualquer reação. Hum... Será que ela ainda estava frustrada com ontem a noite? Resolvi tentar uma abordagem menos direta e a cumprimentei:

— Oi Emily.

Ela não respondeu e continuou desenhando. Respirei fundo e disse:

— Não vai me cumprimentar.

— Hum.

Ela resmungou e mexeu a cabeça. Com certeza ela estava com raiva, mas não queria ser punida por me ignorar. Boa garota. Entretanto, não era assim que eu a queria. Queria minha Emily toda feliz e afetuosa por ter comprado um presente para ela, oras! E olha que hoje é dia 26 de dezembro e tive que procurar muito até achar algo descente!

— Você está com raiva de mim?

Ela continuou calada. Ok, ela estava com raiva de mim. Tentei cativar sua atenção:

— Comprei um presente para você. Não quer dar uma olhada?

Ela bufou e respondeu:

— Desde quando seus presentes me fazem ficar de bem com você?

— É, de fato.

Eu me aproximei e me inclinei na sua direção na cadeira, abraçando-a por trás, e disse em seu ouvido:

— Me desculpe por ontem à noite, bebê.

Eu a senti estremecer. E não era o tipo de calafrio que eu sentia nas putas com quem transava antes de Emily aparecer... Era um calafrio que eu já caracterizava como sendo dela. Um tremor carregado de uma aceleração no coração e uma respiração pesada, às vezes, até mesmo um suor frio e lágrimas... Era medo... E confesso que, principalmente ultimamente, quando eu sentia esse tremor nela, parte de mim também sentia... Parte de mim queria me afastar e pedir perdão... Mas a outra parte... A parte que achava Emily simplesmente irresistível para esperar...

E foi por isso que, ao invés de me afastar e respeitar seu espaço, eu comecei a distribuir beijos pelo seu pescoço, ombros e clavícula. Emily continuava tendo aqueles calafrios e apertava as mãos em punho com força, porém eu não me importei.

Eu disse em seu ouvido:

— Ah Emily. Eu te amo.

E pronto. Eu havia me declarado de verdade para ela. Entretanto, minha menina não me respondeu. Imaginei que estivesse com vergonha então continuei:

— Você é tão linda, meiga, inteligente... Você é perfeita Emily. Minha Emily. Eu te amo com todo meu coração, querida.

Foi quando Emily começou a se remexer e estrebuchar tanto que eu resolvi largá-la. Ela se levantou e se afastou indo até a parede. Vi que ela tentava normalizar a respiração e seus olhos estavam prestes a derramarem lágrimas. De cabeça baixa, ela disse, quase sussurrando:

— Você me ama?... Não. Você não me ama.

— O que esta dizendo, Emily?

Minha garota levantou a cabeça e olhou diretamente para mim. Ela disse:

— Você. Não. Me. Ama.

— Emily, eu te amo.

— Não! Quem ama cuida, protege, se importa! Você não! Você me trancou aqui quando eu me recusei a ficar com você! Você me deixa sem comida, sem água, você me bate, só para conseguir o que você quer de mim! Você é um monstro e você não me ama!!!

— Pare de dizer essas bobagens Emily! Eu te prendi aqui porque você estava sendo desperdiçada lá fora! Pelo amor de Deus, olhe ao redor! Você tem um quarto só seu, você mora numa mansão, você come a melhor comida possível! O que você teria se voltasse para casa, em?! Você era uma garotinha de quatorze anos, sem amigos, com uma mãe e uma irmã que só sabiam brigar entre si e um pai morto! Você não tinha vida!

— EU PREFERIA VIVER AQUELA VIDA MIL VEZES HÁ PASSAR UM DIA NESSE INFERNO! Eu odeio esse lugar e acima de tudo, EU ODEIO VOCÊ!

— PARA DE GRITAR!!!

Eu odeio gritos. Eu odeio discussões. Por que Emily estava fazendo aquilo?!

Eu corri até ela e agarrei seu pescoço, apertando-o. Eu só queria que ela ficasse calma e parasse de gritar comigo. Queria que sentássemos e tivéssemos uma conversa civilizada como adultos... Mas ela tinha que se comportar como uma criancinha e começar a fazer birra.

Eu continuei apertando aquele pescocinho até que ela ficasse azul e seus olhos começassem a rolar pelas órbitas. Eu não queria matá-la. Então, eu a soltei e andei para trás, escondendo minhas mãos atrás das minhas costas... Eu não podia machucá-la mais.

Emily ajoelhou no chão, apertando o pescoço, tossindo e tomando longas golfadas de ar. Depois de um tempo, ela olhou para minha, começando a chorar e disse, dessa vez com a voz mais calma e rouca:

— Você roubou minha adolescência. Todos os dias, eu acordo nesse lugar e desejo voltar para casa. Todos os dias você me faz limpar, cozinhar, conversar, transar e ter uma vida normal de uma jovem mulher casada... Mas eu odeio isso. Eu odeio perguntar como foi o seu dia. Eu odeio ter que ter permissão para mudar de cômodo. Eu odeio quando você me amarra. Eu odeio me olhar no espelho e ver que eu estou cheia de cicatrizes, hematomas; que eu não tenho mais nenhum resquício da menina que fui quando cheguei aqui. Por causa disso, eu te odeio... E vou te odiar para sempre.

Aquilo doeu. Aquilo doeu muito. Essa foi a primeira vez que eu havia e declarado para alguém. Não fiz isso nem sequer pros meus pais. Eu fui seduzido por essa menina quando ela tinha quatorze anos de idade... Tudo bem, posso ter feito algumas coisas erradas, mas tudo que fiz foi para que Emily ficasse mais perto de mim... É tão bom acordar todas as manhãs e saber que ela está aqui comigo. É tão bom chegar em casa e ter uma companhia para as refeições, alguém para perguntar como foi o meu dia... É tão bom ter Emily por perto.

Ouvir essas coisas horríveis da boca da pessoa quem eu amo me destruiu completamente. Agora, ela não era a única chorando... Eu também derramava lágrimas silenciosas.

Cansado daquilo eu me sentei no chão, escondi a cabeça nos joelhos e chorei tudo o que tinha para chorar. Será que eu era mesmo um monstro? Será que tudo o que fiz para deixar minha Emily feliz não adiantou de nada?

Eu disse:

— Eu sei que não é o que parece, mas eu sempre me preocupei com você. Eu nunca havia beijado ninguém antes de você. Eu passei dias projetando esse quarto só para você. Eu mudei a decoração da casa para algo que você gostasse mais. Quando você me pediu o primeiro livro eu passei a revirar livrarias de cima a baixo depois do trabalho ou na hora do almoço para achar algo de que te interessasse... Você sempre foi a primeira pessoa em quem eu pensava na hora de levantar e na hora de dormir...

Ficamos em silêncio durante um tempo até que ela disse:

— O que quer que eu diga? Que peça desculpas, que fale que te amo também e me jogue aos seus pés? Se me pedir, eu farei isso. Porque se eu não fizer exatamente o que você me pede... Se eu não for uma atriz coadjuvante na sua vida... Eu vou morrer... Não vou mentir Charlie. Eu preciso de você. Sem você eu não como, não bebo, não durmo, não penso, não respiro... Eu preciso de você. Da mesma forma que se eu morrer, você morre. Se você morrer, eu morro também... Somos dependentes um do outro... Então, vamos, mande que eu diga que te amo também.

Eu olhei em seus olhos... Emily tinha razão. Eu precisava dela aqui ao meu lado para sobreviver. E ela também. Quando foi que minha garotinha de quatorze anos cresceu tanto?

Eu me levantei e me aproximei dela, beijando sua testa com todo o carinho que eu consegui transmitir. Depois eu disse:

— Não precisa dizer se não quiser. Eu continuo te amando, mesmo assim.

Eu beijei sua cabeça de novo e me levantei. Precisava sair dali. Parecia que as paredes estavam se fechando. Eu precisava ficar um tempo sozinho e Emily também. Quando estava prestes a fechar a porta atrás de mim, ouvi ela me chamar:

— Charlie... Você diz que me ama, então prove. Deixe-me sair. Deixe-me ir embora desse lugar.

— Não. Sem chance. Nunca

Emily ir embora significava uma palavra: solidão. Significava que eu ia voltar a morar sozinho e infeliz. Que eu não teria mais aquela doce menina ao meu lado todos os dias. Significava que eu nunca mais ia vê-la.

Eu disse:

— Se você for, jamais voltará para mim.

E eu tinha razão. E ela sabia que eu tinha razão. Por isso ficou calada e permitiu que eu fechasse a porta e fosse embora.

Notas finais
http://i01.i.aliimg.com/wsphoto/v0/693558917/Free-Shipping-Lady-Cute-Smile-Face-Lace-Nightwear-Womens-Chemise-Babydoll-Suits-for-Women-Garment-Nightgown.jpg esse capitulo ficou meio pesado né? mas foi necessario u.u digam o q acharam, deu muito trabalho pra fazer esse dialogo