Notas iniciais
Quem mais ta nervoso com o ENEM? com medo de anularem ou adiarem a prova? quem mais ta tomando calmante q nem agua e ficando sem comer?? levanta a maozinha gente capitulo enorme pra vcs espero q gostem

— Ei Emily. Acorda. Hora de acordar, dorminhoca.

Senti sua mão tocando meu ombro e o empurrando de leve. Eu acordei, porém não queria levantar, então disse:

— Ah mais cinco minutos, Charlie.

— Nada disso, já está na hora.

Eu bufei irritada e virei-me na minha cama, o encarando. Disse:

— Não pode me deixar dormir mais uma horinha hoje? Ainda estou cansada do serviço de ontem.

— Eu sei, é por isso mesmo. Hoje é seu dia de folga. Vamos nos divertir hoje.

— Hã?

— Anda logo. Levanta.

Charlie me puxou com mais força e eu não tive opção se não levantar. Ele jogou uma toalha na minha direção e me mandou ir para o banho. Bocejei e me espreguicei. Percebi o olhar de Charlie em meus seios desnudos que ficaram mais aparentes quando eu estufei o peito ao me alongar, mas ignorei isso e fui para o banheiro.

Estávamos em pleno julho e, de acordo com Charlie, esse era um dos verões mais quentes em anos. Meu quarto ficava no subsolo e a única ventilação vinha de uma pequena janelinha em cima, então era muito quente e abafado. Por isso, eu dormia apenas de calcinha. Sim, eu sei que meu quarto é monitorado por câmeras, mas, sinceramente, não há nada aqui que Charlie não tenha visto nesses quatro anos.

Tomei um banho rápido, fui ao banheiro e escovei os dentes. Quando voltei para o quarto estranhei, pois ao contrário de uma langerie provocante e uma camisa de Charlie havia uma roupa lá. Era um lindo vestido de verão branco, curto e rodado acompanhado de algumas flores em um tom azul escuro (link nas notas finais). Além disso, havia também um biquine listrado de branco e azul escuro com alguns babados na ponta (link nas notas finais).

Será que depois de todo esse tempo, Charlie finalmente ia me deixar nadar na piscina da casa? Eu sempre pedia isso todo verão. Os dias eram quentes e longos aqui e Charlie sempre dava um mergulho pela manhã e voltava com uma cara revigorante. Infelizmente, tudo o que eu podia fazer era observá-lo da varanda, com o tornozelo preso como um cachorro encoleirado.

Sorri.

Talvez hoje seja um dia diferente.

[...]

— Não precisa. Hoje eu lavo a louça.

Levantei uma sobrancelha. Oi? Eu tive que perguntar:

— Ok, o que está acontecendo com você hoje? Ganhou uma promoção? Um meteoro caiu na Terra e somos as únicas pessoas vivas do planeta?

Ele riu e disse:

— Ah para. Até parece que eu não faço isso de vez em quando.

— Você realmente não faz. Você não arruma a casa, você não lava a louça, você não me dá roupas e você não-...

— Ta, ta, ta. Mas hoje eu estou tentando ser diferente.

— Posso saber o porquê?

— Bom, eu tive uma ideia quando acordei. Eu quero que a nossa relação seja diferente.

— Como assim?

— Você vai ver. De qualquer forma, decidi começar a te tratar de outra forma. Começando com: hoje vamos passar o dia inteiro juntos e eu quero ver você feliz. Vem comigo.

[...]

— Como você consegue fazer tanto exercício todos os dias e mesmo assim ser tão lerda?

Eu arfei enquanto continuava andando atrás dele. Recuperei o fôlego e disse:

— Me dê uma vassoura e eu arrumo uma mansão inteira, mas não me peça para fazer caminhada.

Charlie riu alguns passos a minha frente. Eu não sei o que ele estava planejando, porém, logo após o café da manhã, ele pegou uma cesta de piquenique e adentramos a mata fechada que havia no seu quintal.

Eu ri internamente. Se eu ainda fosse aquela garotinha medrosa de quatorze anos, pensaria que Charlie estava me trazendo aqui para me matar. Entretanto, hoje em dia, sei que ele jamais conseguiria fazer isso comigo... Estamos presos juntos.

O tempo passava e continuávamos avançando lentamente (por minha parte) até que, por fim, paramos. Eu perguntei:

— O que viemos fazer aqui, afinal?

Ele apenas sorriu e disse:

— Está ouvindo?

Eu me atentei e consegui ouvir um barulho de corredeiras. Virei-me para Charlie e disse:

— Que é isso? Água?

— Uhum.

Mudamos a direção de nossos passos e poucos segundos depois eu avistei uma cachoeira. Era linda. Havia várias pedras na queda fazendo o barulho da água ser alto e gostoso. Musgo e pequenas gramíneas cobriam as margens e as pedras. A água era clara e poucos peixes estavam a vista. Eu sorri e disse:

— É linda.

— Que bom que achou. Venha.

Charlie pousou a cesta de piquenique num local seco e começou a tirar a blusa. Imaginei que ele queria que eu fizesse o mesmo então retirei meus sapatos e o vestido, revelando o biquine por baixo. Enquanto isso, ele explicava:

— A cachoeira é natural, mas acho que foi meu avô que mandou construírem a trilha e adicionar algumas pedras e plantas para deixá-la mais bonita e arrumada. Minha irmã vinha muito aqui com as amiguinhas quando era pequena. Eu só passei a vir depois que ganhei a casa.

Entramos juntos. A água estava gelada, porém muito refrescante depois de uma longa caminhada embaixo do sol. Charlie e eu brincamos como duas criancinhas na água. Ele escalou as pedras da cachoeira, mas eu fiquei com medo de escorregar e não o acompanhei. Alguns peixinhos curiosos se aventuravam entre minhas pernas. Eu brincava com eles e ria sentindo cócegas, mas Charlie odiava. Ele não gostava muito de animais já que tinha essa mania de limpeza.

Ficamos horas lá até que eu comecei a sentir muito frio então fomos até a margem e montamos o almoço num quadrado de sol disponível. A comida estava deliciosa. Nunca duvidei da comida de Charlie, era digna de um chef! Porém, naquele dia, ele havia se superado! Rimos e brincamos mais um pouco, quase como um casal normal. Bem mais tarde, fomos para casa.

Estávamos muito cansados então Charlie pediu para que eu escolhesse um filme para vermos na televisão. Achei estranho, então disse:

— Mas você nunca me deixa escolher o filme.

— Eu sei, mas hoje é um dia especial. Então, o que você gosta de assistir.

— Antes eu gostava muito de ficção científica.

— Jura? Acho que nunca imaginei você como um daqueles nerds da década de 90.

Rimos e eu respondi:

— Você se surpreenderia.

E assim, Charlie arranjou alguns filmes que eu recomendei na Smart TV dele e passamos a tarde vendo Star Wars, Star Treck, Interestelar, entre outros. Ele fez pipoca e suco natural já que tinha uma aversão a refrigerante (apesar de eu sentir certa saudade em bebê-lo). Enquanto os créditos de Star Wars Episódio 6 começavam, eu disse:

— Não acredito que você nunca viu Star Wars e eu já.

— Bom... Acho que na época em que isso estava em alta eu estava um pouco... Preso.

Ele deu uma risada fraca e sarcástica no final. É mesmo. Charlie passou parte de sua infância e adolescência na casa dos tios, sendo torturado tão ou pior como eu estou agora... Quando saiu devia estar tão traumatizado que não tinha tempo para filmes como esses... Eu queria afastar a mente dele desses tempos, então tentei mudar de assunto:

— Mas o que achou?

— Eu gostei muito.

— Que bom.

Ficamos em um silêncio um pouco desconfortável enquanto Charlie recolhia a louça suja e levava para a cozinha. Eu me ofereci para arrumar o cômodo já que ele fez isso de manhã. Charlie permitiu e disse que tinha que arrumar algumas coisas, desaparecendo e me deixando sozinha.

Quando terminei estava exausta e quando meu acompanhante apareceu percebi que ele também deveria estar. Eu disse:

— Acho melhor encerramos o dia.

Charlie me encarou e respondeu:

— Sim. Você dorme no meu quarto hoje.

Suspirei. Seria pedir demais que Charlie me deixasse dormir no meu quarto sozinha depois de um dia tão maravilhosamente programado. Ele queria alguma coisa de mim. Lembrei que mais cedo no dia, ele havia dito que tinha uma proposta a me fazer, mas não havia me dito qual era até agora.

Acompanhei-o até o andar de cima e entramos juntos no quarto. Foi quando vi que ele havia colocado velas perfumadas em todo lugar e a cama estava repleta de pétalas de rosas vermelhas... Hum, ele deve ter feito isso enquanto eu arrumava a cozinha.

Meu coração acelerou. Algo me dizia que algo grande estava por vir...

Charlie me abraçou por trás e disse:

— Gostou?

Eu respondi trêmula:

— S-sim. Mas o que você quer de mim?

Senti-o sorrir e ele me virou para que ficássemos cara a cara. Depois, disse:

— Você se lembra da noite de natal... Você disse que... Que queria tentar comigo. Tentar de verdade... E eu... Bem, naturalmente, eu fui um idiota.

— Sim. E?

— E... Eu queria tentar de novo.

— Hã?

Ele pegou minha mão e me puxou na direção da cama. Percebi que na cabeceira havia uma garrafa de champanhe dentro de um balde de gelo. Charlie abriu-a e serviu duas taças para nós, entregando-me uma. Eu observei o líquido dourado e borbulhante e ouvi-o falar:

— Se tem uma coisa que podia deixar esse dia perfeito... É você se deitar comigo de bom grado. — Ele pegou a lateral da minha cabeça e me levantou para que eu o olhasse — Eu disse que queria levar nossa relação a outro nível... Para isso, eu preciso que você faça isso comigo.

Eu desviei o olhar e me afastei dele, encaminhando-me até a cama e sentando-me na beirada. O cheiro daquelas velas estava começando a me deixar enjoada. Encarei minha taça. Eu precisaria de algo alcoólico no estômago para isso. Eu dei um longo gole do champanhe gelado. Fiz uma careta. Nos filmes isso não parecia ser tão amargo. Mesmo assim, ignorando o gosto, virei a taça toda. Encarei a parede por uns segundos antes de me levantar e dizer olhando para Charlie:

— Eu faço.

Ele sorriu e caminhou na minha direção. Como um animal, meu instinto foi andar para trás e me afastar, porém, cravei meus pés no chão e o observei se aproximar. Eu precisava ser forte para aquilo.

Charlie enlaçou minha cintura com uma mão e usou a outra para levantar meu pescoço fazendo com que eu o encarasse. Aproximamos-nos e ambos nos beijamos. Era estranho. Não parecia o Charlie que eu conhecia, este era calmo e lento... Ele estava tentando não me assustar também.

Devagar, fomos nos sentando na cama e quando isso estava feito, ele me empurrou até que estivéssemos deitados com Charlie em cima de mim. Continuamos aos beijos. Resolvi tomar um pouco de coragem e levei minhas mãos aos cabelos dele, acariciando-os. Eram macios e sedosos. Nunca duvidei disso, considerando sua mania por limpeza e perfeição.

Senti a mão dele descendo pela minha cintura me causando maus calafrios... Era como se meu corpo fosse contra aquilo, como se estivesse programado a ter medo. Rapidamente meu vestido foi retirado e o nó do sutiã do meu biquíni desamarrado. Charlie afastou da minha boca para retirar o tecido solto de cima de mim e desviar sua atenção para meus seios.

Quando Charlie pegava em meu busto, era sempre bruto. Mordendo, beliscando e apertando de forma que eu sempre amanhecia com os mamilos roxos e doloridos. Entretanto, dessa vez, ele foi mais carinhosos e massageou-os ao invés de apenas apertá-los. Charlie colocou um dos mamilos na boca e os chupou como se fosse algum doce. Eu realmente gostava daquilo.

Desviei minha mente e seus pensamentos horríveis para nossa manhã na cachoeira e a tarde dos filmes. Tentei me lembrar de todos os momentos em que Charlie fez algo legal para mim. Eu precisava ir até o final com isso!

Ele estava entre minhas pernas e, apesar de continuar com a calça e eu com a calcinha, Charlie começou a fazer movimentos pélvicos com sua cintura o que fazia nossos corpos rasparem. Com isso, meu clitóris recebeu certo atrito e eu me lembrei do quanto aquilo era bom. Gemi fraco. Céus, há quanto tempo não recebia um toque ali?

Minhas mãos tremiam de medo, porém eu fui capaz de retirar a blusa que Charlie usava e voltar a beijá-lo, dessa vez segurando seu rosto. As mãos dele foram até a minha calcinha, nos afastamos e ele a retirou. Charlie estava sentado a minha frente agora e ele, gentilmente, abriu minhas pernas e inclinou-se na minha direção. Eu fiquei com vergonha e virei o rosto. Minha mente automaticamente se foi para momentos em que Charlie me fez passar vergonha e em que eu quis me esconder embaixo da Terra, mas tentei afastar esses pensamentos que de nada me ajudariam.

Enquanto estava devaneando, senti algo quente e molhado encostar-se a minha intimidade. Céus, Charlie estava usando a boca! Ele não fazia isso desde que eu tinha 14 anos, na sua sala no colégio... E puxa! Como eu havia esquecido o quanto aquilo era gostoso!

Eu sentia cada milímetro da língua de Charlie passeando por toda a extensão da minha vagina. Ele brincava com meu clitóris me provocando espasmos e quando resolveu me masturbar com os dedos ao mesmo tempo eu comecei a arquear as costas e suspirar.

Era estranho... Eu estava muito mais sensível do que da última vez em que ele fez um oral em mim... Ah claro. Naquela época eu era quase uma criança. Agora já sou uma adolescente com quase 18 anos. É como se meu corpo chamasse por isso, o que me causava uma guerra interna.

Parte de mim odiava Charlie. Odiava seu cheiro, seu toque sua presença. Mas a outra, especificamente a que estava com a língua entre as minhas pernas, céus, essa eu amava. Por isso, não demorou muito que uma sensação antiga e quase desconhecida tomasse o meu corpo e eu gozasse na boca do meu sequestrador.

Charlie sorriu. Ele retirou a calça e a coeca, antes de retornar até a minha frente dizendo:

— Beije-me.

Eu peguei seu rosto e fiz como me mandou. Enquanto movimentava mecanicamente minha língua em sua boca senti-me sendo preenchida. Charlie começou a me penetrar devagar, como se eu fosse uma garotinha virgem tendo minha primeira vez. Era diferente das outras formas como ele fazia, menos bruto e mais gostoso, de certa forma.

Ele começou a se movimentar e me penetrar mais profundamente. Um suspiro saiu da minha boca e eu não consegui impedi que minhas mãos rodeassem seus os ombros e arranhassem suas costas. Isso era bom! Meu sequestrador começou a me estocar mais rapidamente e logo estávamos em um ritmo frenético. Eu o ouvia gemendo no meu ouvido ate que, após uma estocada mais funda, senti que Charlie gozou e lançou seus líquidos dentro de mim.

Ambos nos afastamos ofegantes e nos deitamos lado a lado. Eu não havia gozado no final, mas essa era a segunda vez eu toda a minha vida que eu podia dizer que havia realmente transado, então estava feliz, de certa forma. Por isso, depois que ambos nos acalmamos, virei-me para Charlie e disse:

— Obrigada.

Do meu lado o colchão se afundou e senti a mão de Charlie na minha bochecha, fazendo com que eu virasse a cabeça e o olhasse. Ele disse:

— Tudo por você querida. Eu te amo, afinal.

Não queria respondê-lo da forma como ele queria que eu respondesse, então me limitei a sorrir de leve. Senti que ele ficou um pouco desapontado, mas continuou dizendo:

— O que me leva a minha proposta. A que eu disse que ia fazer a você hoje de manhã.

— Ah sim. O que quer?

Charlie se sentou na cama e me puxou para que eu me sentasse na sua frente também. Ele pegou minha mão e começou a dizer:

— Eu disse que queria levar o nosso relacionamento a outro nível. E bom... Eu quero que você tenha tudo o que mais quiser no mundo. Eu quero que você seja plena e feliz comigo.

Isso estava indo aonde eu achava que estava indo? Meu coração começou a bater forte e rápido de euforia... Oh céus... Charlie iria me libertar! Após todos esses anos! Tentei me conter e disse:

— Quer dizer que você vai me deixar sair daqui?

— Em parte sim. Emily, eu quero me casar com você e ter uma família com você. — meu coração começou a diminuir o ritmo — Mas sei que você não pode ter isso comigo aqui. — Diminuir... — Não posso correr o risco de toda vez que sairmos alguém te reconhecer como a garota desaparecida de 14 anos — Diminuir... — Tenho medo de te perder. — Diminuir... — É por isso que vamos nos mudar. Para bem longe daqui. Aonde nunca ninguém vai nos encontrar. Vamos fugir dessas lembranças ruins do passado e começar uma nova vida. Juntos.

Parou. Me coração parou. Eu não conseguia respirar. Charlie ia se mudar. Nós íamos nos mudar. Para longe. Para um lugar aonde nunca ninguém da minha família jamais irá me encontrar. Nunca. Uma vida inteira do lado dele. Um casamento. Uma família.

Eu consegui dizer, apesar de minha voz ter saído fraca:

— M-mas Charlie-...

— Eu estava pensando em Suíça ou Holanda, mas sei que você não sabe falar a língua de lá. Porém, podemos aprender facilmente. Eu sei o quanto você é inteligente.

Essa palavra provocou um estalo na minha mente. Ele tem razão Emily. Você é inteligente. Recuse isso de uma forma que ele não perceba. Eu disse:

— E quanto aos passaportes e as câmeras do aeroporto? Como vamos sair do país sem que ninguém me reconheça?

— Eu cuidaria de tudo. Tenho meus contatos e meu tio poderia nos emprestar o jato particular dele. Isso não seria um problema.

— Mas e a casa e a sua empresa?

— Eu vou vender tudo. Não quero nada disso. Nunca quis. Com o dinheiro podemos comprar outra mais aconchegante para nos dois. — Ele fez um carinho na lateral do meu rosto e disse — Eu não quero esperar para ser feliz Emily. Finalmente tenho a minha chance. A nossa chance. E quanto mais cedo formos — Seu olhar desviou para um local mais abaixo do meu corpo — Mais cedo podemos começar uma família juntos.

Com medo eu percebi que ele olhava para a minha barriga. Não... Ele não estaria pensando em... Coloquei a mão na minha frente como se isso pudesse me oferecer alguma proteção e disse:

— O que quer dizer com isso, Charlie?

— Eu sei. Você ainda é muito nova. Apenas 17 anos. Mas podemos dar um jeito. Você sabe que é mais madura que a maioria das garotas da sua idade. Tenho certeza que será uma boa mãe. E quando formos para um desses países nórdicos afastados, podemos comprar o melhor Plano de Saúde que existe e ninguém vai te associar a desaparecida Emily.

Oh não... Charlie queria me engravidar e me prender num país desconhecido, com uma língua desconhecida sem uma pessoa próxima a quilômetros de distância além dele. Ele queria me apagar completamente do mapa para que eu pudesse ser única e exclusivamente dele... Ele queria... Ele queria um filho comigo... Um filho...

Imaginei-me grávida. Imaginei-me naquela cela cheia de ratos grávida. Imaginei Charlie me batendo e surrando minha barriga. Imaginei o bebê... Ele teria o rosto de Charlie. Ele seria igual a Charlie. Ele veria cada coisa que acontecesse nessa casa. Ele veria Charlie me batendo e me estuprando. Ele nunca conheceria a avó ou a tia. Seríamos apenas nos três... Charlie teria duas vidas em suas mãos ao invés de uma. E se essa criança crescesse... E fosse igual a ele? E se ele se tornasse um sociopata cruel e sádico? E se eu tivesse dois agressores e um deles fosse o meu próprio filho?!

Se tinha uma coisa que eu não queria e jamais iria aceitar, é ter um filho com esse homem cruel e horrível. Eu odiava Charlie. Odiava cada coisa que vinha de Charlie. E eu odiaria um filho de Charlie. Eu odiaria o meu filho.

Voltei para realidade com meu sequestrador segurando e beijando minha mão. Ele olhou nos meus olhos e disse:

— O que me diz, querida?

Retirei minha mão das suas delicadamente. Precisava ser racional. Vamos Emily. Comecei a dizer:

— Por que não esperamos um pouco?

Eu vi sua cara se fechar em uma careta aterrorizadora. Ele disse:

— Por quê?

— Eu acho que eu não estou... Biologicamente evoluída para ter um bebê.

— Como assim?

— Charlie, estou baixa para a minha idade. Obviamente estou abaixo do peso e com carência de vitamina K. Não estou saudável o suficiente. Além disso, cuidar de uma criança é muita responsabilidade. Sei que você quer ser um bom pai, mas acho que temos que estudar melhor isso por enquanto.

Ele ficou calado por longos e longos segundos. Eu só esperava que ele tivesse engolido o que eu havia dito. Surpreendendo-me, Charlie disse:

— Tudo bem, você tem razão — Mas quando já estava prestes a dar pulos internos de alegria ele completou — Mas logo depois que você fizer 18 anos vamos tentar ter um filho e assim que sua gravidez estiver confirmada, vamos viajar.

Eu congelei. Eu não queria fazer isso. Mas, mesmo assim, confirmei com a cabeça e disse:

— Sim, Charlie.

— E assim que chegarmos ao país que escolhermos vamos no casar.

— S-sim, Charlie.

— Promete?

Desviei os olhos dele e lutei contra as lágrimas para que Charlie não me visse chorar. Eu disse:

— Prometo.

Notas finais
http://www.ladyluxswimwear.com/blog/wp-content/uploads/2013/08/Nautical1.jpg https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/77/c7/56/77c75654c21d9012a39e1725cc132b18.jpg boa sorte pro povo q vai fazer ENEM ai comentem