Notas iniciais
olá sei q disse q ia adiantar alguns capitulos rsrs mas n consegui aguentar!!! ja terminei o primeiro e n esperava pra postar outro entao taquei o fodas pro q eu disse sorry :D entao, bem vindos dnovo :) espero q gostem

(LINK PARA A PRIMEIRA TEMPORADA: https://fanfiction.com.br/historia/575749/Abusada/)

Retomei a consciência. Vi um borrão cinza em cima de mim.

Meu corpo estava chacoalhando e eu conseguia ouvir um barulho de carro. Não sentia meus músculos direito e não conseguia mexer os que eu sentia. Estava confusa e as coisas pareciam girar à minha volta. Acho que um curto e baixo gemido saiu dos meus lábios e logo depois algo grande e escuro entrou no meu campo de visão. Senti uma pancada e apaguei de novo.

[...]

Acordei bem devagar. Primeiro apenas meus olhos se abriram, mas eu continuava sem enxergar nada. Fiquei deitada durante um tempo até que consegui mexer meus músculos... Tentei me mexer, não estava amarrada. Ótimo, isso é bom.

Estiquei meus braços e levantei meu tronco. Girei minha cabeça tentando reconhecer o ambiente, mas estava tudo escuro. Levei minhas mãos aos olhos procurando algo que estivesse sob eles, mas não havia nada.

Onde eu estava?

Era frio e logo meus dentes começaram a trincar e os pelos de meu corpo se eriçaram. O ar era úmido e tinha um forte cheiro de mofo. O chão parecia de concreto e era liso, duro e muito frio, mas eu estava em cima de uma espécie de pano.

Tentei falar algo. Primeiro minha voz saiu roca e muito fraca, mas depois de tossir e pigarrear consegui falar normalmente:

— Olá?... Tem alguém ai?... OOOOOIIIIIII.

O total silêncio foi minha resposta. Tossi um pouco. Aquele mofo realmente não estava me fazendo muito bem...

Senti algo coçando na minha perna, mais especificamente no tornozelo da minha perna direita. Levei minha mão até lá e senti algo grande e gelado... O que era aquilo? Passei a mão por toda a extensão daquela coisa e percebi que era um tipo de tornozeleira grossa e pesada. Havia uma argola presa a ela e dentro dessa argola outra e outra e outra e outra. Percebi que havia uma corrente presa na tornozeleira...

Tudo bem. Muita calma. Você está em um local totalmente escuro e em péssimas condições. Você está aparentemente sozinha. Você não sabe onde você está. Sua cabeça dói e você está tossindo. Você está com frio e não há nada com que possa se cobrir. Tem uma corrente presa na sua perna... Você está com grandes problemas...

Comecei a entrar em pânico e a respirar muito rápido. A única coisa que passava pela minha cabeça naquele instante é que eu ia morrer ali e que seria esquecida para sempre.

Precisava me acalmar e pensar racionalmente. Vamos Emily, você não é como as outras garotas. Já passou por muita coisa para morrer aqui e desse jeito. Você vai sair daqui... Mas primeiro, precisa se acalmar.

Levou algum tempo, mas minha respiração se normalizou e meus batimentos cardíacos também. Hora de vasculhar o local.

Levantei-me. Estava descalça com os meus jeans e a minha blusa, mas o meu casaco havia desaparecido, justo o que eu mais precisava... Abracei-me e esfreguei meus braços com as mãos, tentando me esquentar.

A corrente e a tornozeleira eram pesadas e faziam um barulho alto e irritante quando eu me mexia. Dei apenas três passos quando a corrente se esticou completamente e me impediu de continuar em frente. Droga! Como sairia dali daquele jeito?

Estiquei os braços para a frente e tateei algo duro. A parede. Continuei tateando com as mãos, tentando sentir outra coisa que não fosse o concreto úmido. Depois de três passos cheguei à ponta na parede e continuei seguindo, passando para a próxima logo ao lado. Depois dessa veio outra e foi nela que senti o pano que eu estava sentada no chão. Quando terminei essa, havia outras três paredes antes que eu voltasse de volta ao pano.

Eu me sentei... Estava em um cômodo quadrado com uma distancia de três passos para cada parede... Minúsculo... Não havia nada nele além de um pano fino no chão que felizmente estava seco... O que eu faria agora?

Acompanhei a corrente presa ao meu tornozelo. Ela acabava presa na parede. Peguei-a com e a puxei. Nem uma diferença.

Não ia desistir de jeito nenhum! Segurei a corrente com as duas mãos e apoiei meus pés na parede abaixo do eixo. Puxei com toda minha força e continuei fazendo isso. Sentia a palma de a minha mão esquentar, e os músculos da mesma doerem...

Não sei quanto tempo demorou, mas eu só parei de fazer aquilo quando estava ofegante e suando. Sentei no chão e apoiei minha cabeça na parede... Parecia impossível sair dali.

Senti meus olhos queimarem e ficarem molhados. Lágrimas começaram a cair deles... Eu gritei. Gritei, gritei, gritei, gritei e gritei de novo. Gritei até que minha garganta ardesse. Gritei o mais alto que eu já havia gritado em toda a minha vida. Gritei como se o mundo fosse acabar... E ele ia... Pelo menos o meu mundo havia acabado.

Estava perdida, sozinha, presa e confusa... Eu ia morrer ali. Meu coração se apertou e eu chorei e gritei e berrei e soquei as paredes e o chão e puxei aquela corrente e me remexi e fiz de tudo para tentar sair daquele lugar. Como se a qualquer momento, um buraco aparecesse e minha mãe e minha irmã viessem me salvar... Mas não aconteceu.

Depois de tanto fazer isso acabei dormindo.

[...]

Meus olhos se abriram, dessa vez mais devagar. Estava cansada. Minha garganta doía e minha voz falhava consideravelmente.

Infelizmente, quando eu acordei eu sabia exatamente onde eu estava. Não havia pensado que fora um sonho... Não havia me imaginado acordando em minha casa... Já havia aceitado aquele pesadelo como a realidade.

Tossi três vezes. Isso fez minha garganta doer mais ainda... Deve ser o mofo, está começando a me fazer mal.

Minha barriga roncou. Senti meus lábios e boca seca. Precisava de comida e água. Mas onde teria isso?

Um pensamento passou pela minha cabeça. É bem óbvio que eu fui sequestrada, mas onde estava meu sequestrador? Tentei falar alguma coisa, mas não consegui. Se a pessoa não ouviu meus gritos ontem, duvido que ouviria agora.

Outro pensamento... E se o ar daqui acabasse?... Obviamente, o local não tão pequeno como um caixão, então eu sabia que não seria a qualquer instante que eu não ia conseguir respirar. Mas mesmo assim, eu não senti nenhuma janela enquanto tateava as paredes ontem... Por onde entraria o ar depois que o daqui acabasse?

Levantei-me. Foi mais difícil que da outra vez. Não sabia se era devido ao frio, devido à falta de comida ou devido à falta de sol... Caminhei. A corrente fazia um barulho que me fazia querer cortar minhas orelhas, meus pés estavam muito frios e doíam quando eu pisava e meu corpo todo parecia relutante a isso.

Como não conseguia enxergar nada, automaticamente meus outros sentidos ficaram mais aguçados. Foi por causa disso que senti uma fraca corrente de ar batendo em minha cabeça. Olhei para cima, devia haver uma abertura no teto... Só não sabia o tamanho nem onde era o teto.

Levantei meus braços e mal consegui esticá-los completamente quando bati em algo duro e frio que fez um barulho característico. Era uma espécie de metal. Havia um buraco nele. Um circulo por onde passava a minha mão... Talvez eu conseguisse sair a partir dali.

Coloquei a mão para fora da abertura e girei-a, tateando o que havia em volta, mas não consegui sentir nada ao redor. Retirei-a e comecei a tatear o teto pelo lado de dentro. Percebi que apesar dele ser feito de concreto (ou pelo menos, do mesmo material do chão e das paredes), bem no meio havia um quadrado de metal... Talvez eu conseguisse abri-lo empurrando-o.

Soquei aquela porta três vezes com toda a força que consegui. Logo depois minha barriga roncou forte protestando, eu comecei a ofegar de cansaço e tossi e espirrei algumas vezes... Talvez tenha levantado um pouco de poeira.

Soltei um muxoxo de desapontamento.

Caminhei devagar até o cantinho onde eu havia dormido onde se encontrava o pano e meus pés agradeceram por encostar-se a algo relativamente quente e por deixar de sustentar o peso do meu corpo. Coloquei a mão neles. Estavam muito gelados e o mesmo podia ser dito dos meus dedos das mãos... Se continuasse naquele lugar e naquelas condições...

Mesmo com meus músculos protestando, comecei a fazer uma massagem neles, principalmente nos dedos. Estava com medo de que congelassem e perdessem a mobilidade. Depois enrolei esses quatro membros no pano que estava no chão e fiquei um tempo parada...

Testei minha voz algumas vezes e depois de um tempo, ela parou de falhar. Então tentei algum contato de novo:

— Oooooooooooi. Alguém está ai?... Por favor, estou com fome... Por favor... Quem me deixou aqui? Por que fez isso?... Oooooooooi.

Suspirei. Aquilo não estava dando certo.

Meus olhos arderam de novo. Ia começar a chorar.

Não. Não iria chorar por causa daquilo. Não seria fraca. Aguentaria de cabeça erguida aquela situação... Não seria fraca. Não dessa vez. Não serei fraca, não serei fraca, não serei fraca, não serei fraca, não serei fraca...

Comecei a chorar... Sou fraca... Depois que as três primeiras lágrimas caíram, eu pensei: “Quer saber de uma coisa? Há 90% de chance de eu ter sido abandonada aqui para morrer. Não preciso fingir ser forte... Estou sozinha de qualquer forma... E não quero passar meus últimos momentos fingindo ser algo que eu não sou...”

Depois disso as lágrimas rolaram soltas. Eu chorei e eu gritei. Fiz um escândalo igual a uma criancinha. Disse que isso não era justo, perguntei “por que comigo?”, disse que isso não ia ficar daquele jeito e todas essas coisas de gente que faz pirraça... E quer saber de uma coisa? Foi a melhor coisa que já havia feito nos últimos tempos.

Como se um enorme peso tivesse saído de cima das minhas costas.

Não ia mais fingir ser uma coisa que eu não era. Algo estava me incomodando? Sim. Eu me sentia um lixo? Sim. Eu achava que não era justo? Sim. Eu queria morrer? Sim. Então qual a necessidade de continuar me fazendo passar de forte?... Sabe, pela primeira vez eu vou me fazer de coitada sim.

Porque, às vezes, você já se fez de forte por tanto tempo que é bom se fazer de coitada para si mesma... É bom reclamar de vez em quando, sim...

Notas finais
espero q tenham gostadopor favor, comentem!!!!