Abusada ll - Sequestrada
5 Plano...
Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS INICIAIS!!!
Eu o encarava. Charlie estava sentado na minha frente, embaixo do foco de luz. Dessa vez, vestia algo mais casual. Uma calça jeans, tênis de corrida e uma camisa polo azul clara, seus cabelos estavam bagunçados e molhados o que me fez pensar que ele havia acabado de sair do banho... Um banho cairia muito bem agora. Sentir água quente batendo em meu corpo e escorrendo... Há quanto tempo eu não tomava banho?... Há quanto tempo eu estava aqui em baixo?
Temendo a resposta, eu perguntei:
— Desde quando estou aqui em baixo?
Charlie me encarou por alguns segundos em silêncio e depois respondeu:
— Um bom tempo.
— Quanto?
Ele riu. Aquele cretino não iria me responder. Revirei os olhos e decidi olhar para um canto escuro do cômodo.
Já fazia um bom tempo que estávamos aqui. Ele simplesmente, desceu pelo buraco no teto, sentou e ficou me encarando. Ambos em silêncio até eu fazer essa pergunta.
Charlie olhou o cômodo ao redor e disse:
— O cheiro aqui está péssimo.
Agora foi a minha vez de rir. Fazendo birra eu disse:
— Experimente viver aqui.
— Não, obrigado.
E mais uma vez o silêncio. Resolvi perguntar de novo:
— Vai me deixar aqui mais quanto tempo?
— O tempo que for necessário.
— Para?
— Muitas coisas.
— Vai ficar fazendo esse joguinho e continuar sem me dar nenhuma resposta?
— Eu estou te dando várias respostas.
— Nenhuma muito útil.
— Você continua muito rebelde... Essa é uma das razões para qual eu a deixo aqui.
Levantei uma sobrancelha e disse:
— Eu sou rebelde?
Esse, sinceramente, é um adjetivo que eu nunca atribui a mim mesma. Talvez para Eglantine... Poxa, até minha mãe é mais rebelde que eu!
Charlie sorriu e disse:
— Até demais.
Ficamos mais um tempo em silêncio. Ele não parecia a fim de puxar alguma conversa e, com certeza, eu não faria isso... Na verdade, não sei exatamente, por que ele veio até aqui. Provavelmente só para ficar me encarando... O filho da puta devia estar se deliciando agora enquanto pensava que nesse momento eu estava totalmente a mercê dele... Desgraçado.
Estou começando a ficar impressionada com a minha linguagem. Eu nunca havia dito nenhum desses palavrões na vida... O que o ódio não faz a uma pessoa.
Por fim, Charlie disse:
— Bom, isso é tudo.
Ele se levantou e subiu de novo no buraco. Antes de fechar a tampa do alçapão, jogou um pacote de biscoitos igual o primeiro e duas garrafas de água.
Tudo ficou escuro e silencioso mais uma vez.
[...]
Pouco tempo depois, eu estava andando em círculos pelo quarto escuro como sempre faço quando tenho forças o suficiente, quando ouvi o barulho da porta se abrindo lá em cima.
Dessa vez, por estar mais atenta, eu corri e coloquei meu olho no buraco do teto. Quando a luz acendeu, meus olhos doeram e eu comecei a pensar que não foi uma ideia tão boa assim.
Porém, depois que me acostumei pude perceber que o teto daquele lugar era cinza, feito de concreto e havia dois canos grossos passando. Isso me fez pensar que eu não estava exatamente abaixo de uma casa. Talvez, embaixo de um porão. Ou numa espécie de fábrica. Afinal, o que exatamente era aquele lugar?
Uma sombra aproximou-se e eu logo percebi ser Charlie. Afastei-me rapidamente, mas não rápido o suficiente para que o dedo comprido que ele havia colocado pelo buraco não acertasse meu olho em cheio.
Coloquei as mãos sobre o olho machucado enquanto ouvia-o dizendo:
— Quer parar de ser tão curiosa? Ninguém te chamou aqui em cima.
Afastei um pouco do buraco com medo de que ele, ao descer pudesse me acertar com o pé, considerando sua extrema delicadeza.
Porém, dessa vez ele abriu apenas uma pequena brecha no alçapão e jogou algo aos meus pés, um cobertor. Era velho, um pouco duro e escuro, mas, mesmo assim, estava agradecida, pois aquilo com certeza me esquentaria.
Quando ele fechou o alçapão de novo, disse:
— Considere um presente. Não quero que você morra muito cedo.
Dizendo apenas isso, ele trancou o alçapão, desligou as luzes e foi embora.
Voltei ao pano que estava usando de cama e enrolei o cobertor em volta de mim, criando uma espécie de casulo.
Dei um suspiro de alívio. Havia me esquecido do quão bom era essa sensação de ficar aquecida. Dessa vez, não ia mais ficar tremendo de frio enquanto dormia, nem sentir meus pés e mãos duros e congelados... Pelo menos isso.
Quando a temperatura de meu corpo estava muito mais tolerável foi que algo passou pela minha cabeça. Eu estava presa pela corrente, claro... Mas se eu conseguia chegar até embaixo do alçapão por onde Charlie costumava sair... Por que não poderia fazer algo com ele?
Comecei a montar meu plano. Precisaria lesioná-lo para início de conversa. O Diretor (ou ex-diretor, tanto faz) era grande e forte e eu não era páreo para ele... Depois que ele estivesse inconsciente (isso se eu conseguisse fazê-lo ficar assim), poderia tentar subir pelo alçapão e tentar tirar a corrente de meu pé... Talvez achasse algo pesado lá em cima que pudesse quebrá-la ou, na melhor das hipóteses, Charlie guardaria as chaves com ele ou no andar de cima... Sim, seria um bom plano... E eu iria executá-lo na próxima vez que ele aparecesse.
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