Abusada ll - Sequestrada
6 Fuga...
Notas iniciais
A próxima vez que ele apareceu demorou muito. Eu percebi porque quando ouvi o alçapão abrindo, já estava naquela posição deplorável de não conseguir me levantar de fome há algum tempo.
Charlie desceu carregando uma garrafa de água e o pacote de biscoitos de sempre. Usava calça jeans e uma blusa polo branca. Por acaso ele tinha uma coleção de blusas polo e social?
Tentei alcança-lo, mas não consegui mais do que levantar meu tronco. Ouvi-o dizendo:
— Sabe, estava tão ocupado que já havia até me esquecido de você. Não devia ter demorado tanto assim.
Ele jogou as duas coisas que trazia na mão na minha direção. A garrafa de água, inclusive, bateu na minha cintura e me fez cair de volta no pano onde eu estava deitada. Ele disse um baixo e cômico “opa”.
Quando estava subindo disse:
— Não se preocupe. Logo, logo a segunda parte do meu plano vai começar.
Enquanto as luzes se apagavam e seus passos ficavam distantes, eu pensava, “Mal posso esperar, cretino”.
[...]
Desta vez eu estava forte o suficiente. O que significa que o intervalo de tempo entre essa visita e a passada foi bem menor.
Assim que ouvi a porta lá de cima se abrindo eu tratei de me levantar e ficar a espreita, um pouco ao lado do alçapão.
Charlie assobiava uma canção irritante quando apareceu. Por algum motivo, ele devia estar muito feliz... As luzes se acenderam e ele se abaixou enquanto abria o alçapão.
Quando ele colocou suas pernas para dentro, pronto para entrar... Eu tomei impulso e agarrei-as com toda a minha força e puxei-as para baixo no mesmo instante.
Ouvi um urro vindo de Charlie de surpresa e de dor. Ele havia caído no chão, mas seu braço já estava em posição de alavanca, pronto para levantar e me pegar. Porém eu fui mais rápida. Levantei meu pé e o chutei com toda a minha força.
A cabeça de Charlie era mais dura do que eu pensava e meu pé doeu com o chute. Mas eu não podia descansar agora. Não quando já estava tão perto.
Coloquei as mãos para fora do alçapão e impulsionei meu corpo todo para cima. Era quase como sair de uma piscina, só que eu nunca fui muito boa em sair de piscinas desse jeito.
Por estar magra e fraca, não consegui ser tão rápida quanto estava planejando e, rapidamente, já estava cansada e ofegante.
Usando os braços me arrastei para fora daquele buraco até que todo meu tronco estivesse para fora. Foi quando senti um puxão na perna onde estava presa minha corrente e cai no chão com um grito de surpresa.
Pelo visto não havia conseguido deixar Charlie desacordado. Mexi com minha perna tentando acertá-lo, mas não conseguia! Não ia desistir aquela altura. Finquei meus dedos no chão a minha frente e tentei puxar meu corpo para longe.
Outro puxão e dessa vez meu corpo foi arrastado alguns centímetros para trás. Senti meus dedos doerem, algumas unhas haviam se partido e meus dedos sagravam.
Com o rosto pingando de suor, travei os dentes e ignorei a dor. Tentei pegar impulso mais uma vez... Mas senti as duas mãos de Charlie na minha cintura e dessa vez sua força foi tão grande que ele conseguiu me arrastar para dentro daquele buraco e me jogar no chão, fazendo-me bater a lateral da minha bacia e a minha cabeça no concreto.
Olhei para cima. Charlie estava em fúria. Seu cabelo estava completamente desarrumando e seus olhos queimavam de ódio. Seu nariz estava em um ângulo estranho e escorria sangue dele. Dei um sorriso mínimo de vitória. Pelo menos havia conseguido machucá-lo.
Ele me deu um chute na barriga como já havia feito antes e pisou no meu rosto, mantendo o pé lá. Gemi com dor enquanto Charlie pressionava minha cabeça mais forte e se aproximava de mim. Ele disse:
— Estou vendo que todo o tempo que passou aqui foi inútil não? Parece que você ainda não aprendeu modos.
Ele soltou minha cabeça e se afastou. Eu o encarei e disse:
— Não pode me culpar por tentar.
— Ah eu posso sim. Sabe de uma coisa? Estava pensando em dar um upgrade em suas acomodações... Mas você precisa aprender uma liçãozinha.
Rapidamente, ele subiu o alçapão e o trancou não me dando tempo para mais nenhuma reação.
Quando estava lá em cima, ainda pude ouvi-lo dizer:
— Veremos se você aguenta mais uma rodada.
Depois tudo ficou escuro.
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