Notas iniciais
agora o capitulo ficou mais longo XD ah pessoal gostaria d agradecer d coração a Naty fox e Hanabeahas pelas primeiras recomendaçoes dessa fic... confesso q n estava dando muito moral pra essa segunda temporada MAS vcs me fizeram continuar acreditando nela ;) espero q gostem

Tossi pela milionésima vez. Uma tosse molhada e engasgada. Já fazia algum tempo percebi que havia muco na minha garganta. Também percebi que eu estava muito quente, mas ao mesmo tempo com muito frio. Comecei a achar que estava pegando alguma espécie de gripe... No melhor dos casos.

Odeio dizer isso, mas fugir foi a pior ideia que eu já tive. Não me rendeu nenhuma pista de onde eu estava, fez com que meus dedos ficassem machucados e, o pior, deixou Charlie com raiva de mim.

Em outra situação, eu estaria pouco me fodendo para o que Charlie pensa de mim. O problema é que, eu estava começando a entender que quanto mais boazinha e mais “a amante perfeita” eu fosse, melhor eu viveria... E por mais tempo também.

Quando eu o beijei eu ganhei aquele delicioso sanduiche. Agora, não via comida desde a última vez que ele desceu com ela, pouco antes de eu tentar fugir. Todas as vezes que ele me bateu foi porque eu o desobedeci. Das vezes em que eu não fiz isso, ele nem se deu o trabalho de me amarrar... Talvez fosse isso mesmo que eu devesse fazer...

Porém, lá no fundo eu não podia aceitar isso. Sei que essa era a decisão mais racional a se fazer, mas minha alma relutava em abaixar a cabeça e ser a garota perfeita para esse monstro... Não. Eu poderia até obedecê-lo, mas não seria para sempre... Eu iria aguardar a oportunidade perfeita e sairia dali. Voltaria para a minha vida com minha mãe, minha irmã e meus amigos, mesmo que estes sejam poucos... Eu não iria viver ali para sempre. Isso era um fato.

[...]

Charlie estava tentando me deixar maluca. Antes, quando as luzes se acendiam, eu sabia que ele apareceria, geralmente com comida. Agora, as luzes se ascendiam o tempo todo. Ele aparecia, ligava as luzes e ia embora ou ficava perambulando lá em cima para que eu pudesse ouvir seus passos. Às vezes, ele abria o alçapão e o fechava sem motivo. Às vezes jogava coisas inúteis como papeis amassados em branco ou embalagens de comida vazias... Ele queria me confundir...

Um dia ele jogou uma garrafa de água, mas nenhuma comida. Não foi de todo inútil, mas não me promoveu quase nenhuma força adicional. Continuava deitada enrolada do cobertor, tossindo e sentindo a cabeça e o peito doendo.

Em um dos dias em que ele ficava andando lá em cima, eu resolvi falar com ele. Minha voz saiu fraca, mas esperei que ele ouvisse:

— C-Charlie, estou doente.

Ele parou de andar por um segundo, mas logo depois continuou. Estava tentando me ignorar. Mas eu continuei tentando:

— Tenho febre e minha cabeça dói... Por favor, me de algo para comer.

Ele continuava andando. Ouvia o barulho de seus sapatos batendo forte no chão de concreto. Tac tac tac tac tac tac... Eu disse:

— Por favor, Charlie — Fiz uma pausa para tossir e praticamente sussurrei — Eu vou morrer.

Ouvi sua voz grave e rude dizendo:

— Então não deveria ter feito aquilo.

Depois disso ele foi embora.

Gritei de raiva e bati minha cabeça na parede atrás de mim. Lágrimas começaram a escorrer pelos meus olhos... Eu, realmente, não deveria ter feito aquilo.

[...]

Tive outro pesadelo. Como aquele que havia tido com minha mão, Glá e Frank, só que dessa vez, Charlie me levava até um precipício e caíamos dele juntos.

Apesar de estar com frio, eu sabia que era por causa da febre, então comecei a evitar usar o cobertor. A água que ele havia me dado, eu usei para molhar minha testa e meus pulsos.

Charlie parou de ficar andando no andar de cima. Ele havia deixado mais uma garrafa de água e, por um milagre, biscoitos, não fazia muito tempo. A água dessa vez estava bem gelada, então eu a esfreguei em meus pulsos e melhorei bastante... Acho que isso foi um pequeno gesto de compaixão já que eu havia falado para ele que estava com febre... Mesmo assim, não foi o bastante já que continuava não me sentindo bem.

Um dia as luzes se acenderam e Charlie desceu. Ficou lá parado embaixo do foco de luz me olhando. Seu nariz já estava bem melhor, porém tinha uma pequena tala branca no topo.

Ele se aproximou e eu não fiz protestos quanto a isso. Primeiro porque não faria muita diferença e também porque minhas forças haviam se esvaído. Ele colocou um objeto frio embaixo do meu braço que percebi ser um termômetro.

Enquanto ele não apitava, Charlie ficava abaixado na minha frente. Uma hora ele esticou o braço, imagino que querendo alcançar minha cabeça, mas pensou melhor e o recolheu.

Quando o termômetro fez aquele barulhinho irritante indicando que já havia feito seu trabalho, Charlie o retirou e caminhou até o foco de luz, provavelmente para lê-lo. A cara que ele fez não foi muito boa, eu devia estar muito mal. Porém, ele apenas disse:

— Ainda assim, não estou pronto para te perdoar. Mais um pouco.

Então ele pegou uma garrafa de água e colocou no chão perto de mim. Saiu pelo buraco do alçapão, desligou as luzes e foi embora.

Fiquei lá deitada encarando o vazio. Estava com sede, mas não me dei ao trabalho de pegar a água e bebê-la. Que diferença faria de qualquer forma?

Eu só esperava que Charlie me tirasse dali logo... Ou que eu morresse de uma vez... O que viesse primeiro.

[...]

Felizmente ou infelizmente eu não morri... Apesar de estar quase a ponto de.

Um dia, eu estava particularmente ruim. Tossia muito e estava com dificuldade de respirar. Minha cabeça rodava e eu sentia que minha consciência oscilava o que significava que eu estava tendo alguns desmaios.

Foi em um desses desmaios em que “acordei” com Charlie já embaixo do foco de luz e com um rosto preocupado. Minha visão estava meio embaçada, mas pude perceber que ele carregava duas coisas brilhantes e prateadas nas mãos.

Ao se aproximar e se abaixar na minha altura, percebi serem algemas... O que ele iria fazer comigo dessa vez?

Uma das algemas ele colocou ao redor dos meus braços. O máximo que pude fazer foi dar um gemido fraco de protesto ao que ele respondeu com:

— Cale a boca, você sabe que a culpa disso é sua e somente sua.

O outro par ele colocou nos meus pés. Logo depois, tirou uma chave de dentro do bolso e senti aquela pesada tornozeleira sendo tirada de mim. Com uma das mãos, Charlie levantou minha cabeça e com a outra colocou uma espécie de saco de tecido nela, impedindo-me de ver qualquer coisa.

Meio distante e zonza, senti que ele me pegou no colo. Fui jogada como um saco de batatas no segundo andar e fiquei parada enquanto ouvia Charlie fechando o alçapão e abria a outra porta.

Meu coração começou a bater mais rápido, ele iria me tirar daquele lugar! Finalmente! Eu iria sair!

Quando a porta foi aberta comecei a sentir frio e ouvir barulho de água. A porta deveria abrir para um ambiente externo e deveria estar chovendo naquele momento.

Charlie me pegou no colo de novo e subimos alguma escada. Senti frias gotas de água caindo na minha pele. Eu estava certa, estava chovendo. Começamos a andar mais rápido. Eu ouvia o barulho dos sapatos dele pisando no que parecia ser lama. Então o barulho dos passos mudou. Agora o chão deveria ser de madeira. A chuva eventualmente parou de me alcançar, mas continuava ouvindo-a.

Fui colocada no chão e os passos de Charlie ficaram cada vez mais distantes. Comecei a tossir e ofegar. Continuava com frio, talvez por causa da febre forte ou do banho de chuva gelado que havia acabado de tomar.

Remexia-me para tentar, pelo menos, tirar aquele saco da minha cabeça, mas minhas mãos estavam presas nas costas e ele havia ajustado a algema de modo a deixá-la bem apertada. Tentei me arrastar, mas estava fraca e cansada e logo senti minha cabeça tombar. Acho que iria desmaiar de novo.

Dito e feito. Perdi parte da consciência, mas ainda conseguia ouvir o barulho forte da chuva. Senti quando fui levantada mais uma vez e, mais uma vez, colocada em um ambiente diferente.

Isso foi o máximo de sensações que consegui recolher antes que caísse no profundo silêncio e escuridão. Sem saber se havia pegado no sono, se era apenas mais um desmaio ou se havia finalmente morrido...

Notas finais
comentem