Abusada ll - Sequestrada
10 Noticiário...
Notas iniciais
Charlie
Passei cadeado nas três trancas da porta do quarto de Emily. Em seguida, coloquei a enorme caixa de geladeira cheia de isopor na frente para esconder a porta. Passei pelo pequeno “deposito” falso e entrei pelo buraco na parede. Após chegar ao “porão” coloquei o cofre que guardava o buraco na parede em seu lugar. Depois subi pelo alçapão e coloquei as tabuas do piso de madeira encima da entrada. Sai do quarto vazio com uma cama simples, uma estante de comidas enlatadas e um telefone mudo preso a parede. Caminhei pelo corredor e passei pela entrada na estante chegando até a biblioteca da casa... Quem diria que o *quarto do pânico que meus pais haviam criado teria sido tão útil afinal de contas?
Fechei a estante após apertar a combinação no controle remote e depois coloquei-o dentro do fundo falso de uma gaveta escondida do escritório do meu pai... Na verdade, agora que o velho morreu aquele meio que era o meu escritório.
Olhei para o relógio que havia no hall, ele mostrava que eram doze horas e quinze minutos. Hora exata para o meu almoço. Peguei o prato que havia preparado junto com o de Emily, sentei-me a mesa da cozinha e comi em silêncio.
Modesta parte, eu era um exímio cozinheiro. Vivo sozinho desde os meus dezesseis anos, ou seja, culinária foi mais uma das muitas coisas em eu tive de aprender “na marra”.
Quando terminei de comer, lavei o prato. O único barulho que se podia ouvir na casa inteira era o da água caindo da torneira e do barulho da louça quando eu a manuseava. Como sempre, a mansão Ross estava totalmente silenciosa. No pouco tempo em que passei aqui só conseguia ouvir algum barulho quando Rachel entrava correndo e gritando no escritório do pai dizendo que queria alguma coisa.
Os empregados nunca abriam a boca, minha mãe falecera um pouco depois de Rachel nascer e mesmo antes disso vivia fora de casa, meu pai quando não estava trabalhando estava trancado no escritório e Rachel ficava fora em shoppings ou nas casas dos amigos.
Resolvi ligar a televisão para que me fizesse companhia. Sentei no sofá para assisti-la junto com uma barra de chocolate meio amargo, meu favorito. Deixei a TV ligada no noticiário. Estava passando uma notícia sobre algum acidente de transito.
Peguei o tablet que mantinha sempre no bolso. Aquele aparelho era especial, pois fora reservado para apenas uma coisa. Liguei-o e na hora apareceu Emily. Ela estava parada na mesa olhando para frente. O prato estava vazio, então ela já havia comido, mas o bilhete permanecia intacto em cima da cama.
Por que diabos ela ainda não tinha lido ainda?!
Mordi um grande pedaço do chocolate e continuei observando-a. Estava ansioso para que ela lesse minha carta e, sem perceber, comecei a me mexer mais e comer o chocolate mais rápido. Minha pequena se levantou da mesa e caminhou até a cama. Pude vê-la melhor agora que estava de pé... Céus, ela estava maravilhosa! Aqueles seios durinhos e empinados, aquelas pernas torneadas, aquela bunda jovem e redonda... Perfeita.
Já pude sentir meu pênis dar sinal de vida dentro da calça e se enrijecer. Toquei-o por cima do jeans e comecei a pensar em Emily. Estava levantando, pronto para ir ao seu quarto de novo quando ouvi a campainha tocando.
Eu iria ignorar, mas quando estava na metade do caminho para a biblioteca a pessoa do outro lado da porta começou a apertar aquele botãozinho freneticamente, o que fez com que o som irritante de sinos ressoasse por toda a casa... Por que eu estivera reclamando do silêncio mesmo?!
Resolvi ir até a porta apenas para matar aquele visitante totalmente indesejado. Mas quando abri a porta com minha melhor carranca, vi meu tio Frederick parado com aquele sorriso idiota na cara.
Frederick estava com os cabelos quase totalmente brancos perfeitamente arrumados, tinha um óculos sem armação pousado na ponte do nariz, usava um terno negro e segurava uma pasta também negra.
Revirei os olhos e perguntei:
— O que você quer?
— Feliz natal para você também Charlie.
Ele saiu me empurrando e entrando, mesmo sem que eu o tenha convidado. Fechei e tranquei a porta sentindo que meus planos com Emily estariam arruinados agora. Pude ouvir sua voz vinda da cozinha:
— Resolvi almoçar com meu sobrinho preferido hoje.
— Eu já almocei. Ninguém disse que é mal educado aparecer na casa dos outros sem convite?
— Onde você enfiou seu espírito natalino?
— No seu cú.
— Tudo bem, *Grinch.
— Se lembra da condição que fiz quando você me deu a casa de volta?
— Sim, “contanto que nenhum de vocês me incomode mais” bla bla bla.
— O “vocês” incluía você Frederick.
— Uhum. Bom saber.
Ele pegou duas cervejas na geladeira e me entregou uma enquanto seguia seu caminho até a sala de televisão onde eu estava.
Em passos contidos, eu o segui e o peguei sentado no sofá olhando o noticiário da TV. Disfarçadamente, sentei calmamente no sofá ao seu lado e coloquei o tablet reservado para as câmeras no quarto de Emily de volta dentro do meu bolso. Ele não percebeu nada.
Eu não queria Frederick me importunando (mais do que ele já estava), então fui direto e disse:
— Vai embora Frederick.
Ele olhou para mim carrancudo e disse:
— Eu sou família. Não se manda família embora. Principalmente no natal.
Revirei os olhos e me joguei no sofá cruzando os braços no peito. Frederick ia dizer mais alguma coisa, mas seu celular tocou. Ele olhou pro visor e revirou os olhos igual a mim.
Ele disse na minha direção:
— Sua irmã... De novo.
Ele bufou e atendeu o aparelho, colocando-o no ouvido. Olhei de canto de olho prestando atenção na conversa.
— Oi Rachel, como está indo o natal?... Já disse que não... Rachel, foi a decisão do seu pai... O que você quer que eu faça?... Isso não vai ser possível Rachel... Mais porque você quer tanto a casa? Jacob te deu uma mansão e seu pai deixou muitas coisas para você... Não, o motivo real disso é inveja... Olha, Rachel, estou cheio de trabalho aqui na empresa... Pode ser feirado para você, mas não para mim... Ligo para você mais tarde.
Ele desligou o telefone parecendo irritado. Virou para mim e disse:
— Tem ideia do que aquele testamento fez com sua irmã?
Sorri e disse:
— Tenho.
— Tira esse sorriso da cara. Não é você que tem que aguentar ela o dia inteiro... Coitado do Jacob.
Dei um gole na minha cerveja enquanto olhava para a janela ao lado que levava até o quintal. Estava um dia muito bonito lá fora.
De repente, a voz de Frederick me tirou dos meus devaneios:
— Ah você já tinha visto isso?
Olhei para a TV. A apresentadora falava com uma cara seria e havia uma imensa foto de Emily no canto da tela. Era a mesma foto que tinha nos registros do colégio. Ela
estava seria e com o olhar vazio, não parecia realmente Emily. Dei outro gole na minha cerveja, meio desconfortável.
Ouvi o que a apresentadora dizia:
“... Que desapareceu no dia Dez de Dezembro. A adolescente que fez quinze anos há alguns dias continua desaparecida. A família composta pela mãe e a irmã mais velha está em desespero.”
— Chocante não é? E olha que ela morava em um condomínio fechado.
— Realmente chocante.
— Ninguém mais está seguro nesse mundo.
— Uhum.
Alternava meu olhar entre a TV e Frederick, mas não havia nada de suspeito na sua feição. Ele apenas aproveitava a cerveja calmamente e às vezes tinha alguns olhares de espanto ou pena.
A reportagem continuou mostrando alguns takes da casa de Emily e de policiais. Um em especial foi identificado como capitão e deu uma entrevista:
“Estamos fazendo o máximo possível, mas infelizmente não há traços da garota.”
“E a policia já tem uma pista de como ela foi sequestrada, considerando que ela morava em um condomínio fechado com câmeras e um porteiro?”
“Sim. Após analisarmos o quarto da menina e as câmeras da frente descobrimos que ela saiu sozinha de casa.”
“Isso significa que ela pode ter fugido?”
“Bom... Sim. Há a possibilidade. Porém, considerando que ela ainda é de menor, a busca deve continuar.”
Sorri. Como planejado. Logo vão todos concluir que Emily fugiu de casa e sem nenhuma prova do sequestro ou dessa fuga, será impossível continuar a busca. Assim, ela fica sendo minha para sempre. Problema resolvido.
Frederick disse:
— Então ela fugiu? O que leva a uma garotinha de quatorze anos a sair de casa no meio da noite?
— Ah você sabe. Provavelmente o namoradinho playboy terminou com ela.
— Pois é. Pra onde nosso mundo foi parar?
Sorri mais uma vez e voltei meu olhar para a janela. Dei mais um gole na cerveja e respondi meu tio:
— Para um lugar cruel.
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