Abusada ll - Sequestrada
21 Importante...
Notas iniciais
Fechei a tampa do aparelho e apertei o botão do play.
The warden threw a party in the county jail.
Peguei a vassoura encostada em uma das paredes do banheiro.
The prison band was there and they began to wail.
The band was jumpin' and the joint began to swing.
Voltei até o quarto e requebrei os quadris acompanhando a música.
Balancei a cabeça enquanto fingia que a vassoura era um microfone e eu estava dançando.
You should've heard those knocked out jailbirds sing.
Então comecei a varrer o quarto enquanto pulava e dançava ao ritmo de Elvis.
Let's rock, everybody, let's rock.
Everybody in the whole cell block
Was dancin' to the jailhouse rock.
Estava me divertindo tanto que mal percebi quando os típicos barulhos das trincas se abrindo começaram. Charlie estava chegando.
Rapidamente desliguei a música no meu CD player e peguei a pá para recolher a pouca sujeira que tinha conseguido varrer até aquele momento. Charlie odiava chegar enquanto eu estava fazendo faxina, ele tinha certas aversões à sujeira, então, me obrigava a manter o quarto sempre totalmente impecável. Atrapalhei-me tanto fazendo tudo isso de forma rápida que acabei embolando a corrente da minha tornozeleira de alguma forma e cai no chão. Logo depois disso, Charlie abriu a porta e apareceu.
Usava seu conjunto meio normal, meio social de sempre, mas carregava uma bandeja com dois pratos de comida e uma grande jarra de suco com dois copos. Rude, como sempre, ele disse:
— O que está fazendo parada ai? Pegue pelo menos a jarra de suco, preguiçosa.
Eu me levantei e tentei chegar até ele, como me mandou, mas a corrente continuava embolada, então eu apenas tropecei de novo, como se tivesse pisado em um cadarço de tênis, e voltei a cair. Charlie bufou com aquela típica expressão de “que garota patética” e ele mesmo deixou as coisas do nosso jantar na mesa. Depois foi até meu tornozelo e começou a desenrolar a corrente sozinho. Uma hora, disse:
— Como você pode ser tão burra de conseguir se complicar com isso?
— Desculpe.
— “Desculpe”... Está há mais de um ano com ela e mesmo assim...
— Eu já pedi desculpas!
Eu me exaltei um pouco nessa última frase, o que fez Charlie olhar para mim rapidamente e esbofetear minha cara, dizendo:
— Não fale assim comigo.
O lado do meu rosto que ele acertou ardeu e ficou quente na hora... Ele deve ter feito de propósito porque era justamente naquele local que eu carregava um hematoma amarelado de um soco que ele havia me dado semanas atrás... E isso fez doer mais.
Apenas abaixei minha cabeça enquanto sentia meus olhos se encherem de lágrimas, mas não dei nem sequer um suspiro denunciando o choro... Há muito tempo já havia aprendido a chorar em silêncio.
Quando ele terminou, bufou de novo e se levantou, indo em direção da comida e mandando que eu me aproximasse também. Ótimo, consegui deixar ele irritado...
Ele se sentou confortavelmente na minha cadeira. Quando comia sozinha, era lá que me sentava, mas quando ele aparecia, ele tomava meu lugar e me obrigava a sentar no chão... Mesmo que houvesse uma cama ali ao lado...
Quando estava servindo o suco, disse:
— Não sei pra que você deixa essa tornozeleira em mim até hoje.
Ele não me respondeu. Ao invés disso bebeu o suco e começou a comer calmamente. Terminei minha tarefa e fiz o mesmo, sentada no chão, como sempre. Porém, continuei falando:
— Quer dizer, não tem a menor possibilidade de eu fugir desse quarto. Você mesmo disse. E quando me leva lá pra cima, você prende meus tornozelos com algemas, de qualquer forma... Ou seja, essa corrente, é meio inútil.
— Eu quero que você fique com ela.
— Por quê?
— Pura questão de estética.
Bufei, com raiva. Beleza, agora nós dois estávamos irritando... Será um belo jantar. Ainda, como se não houvesse terminado a argumentação e quisesse deixá-la ganha (mais ainda), disse:
— Eu tenho prazer em vê-la acorrentada desse jeito.
Resolvi não responder a isso, mas senti um revirar no estômago com essa fala... Quando nos dois acabamos, Charlie foi escovar os dentes como sempre fazia e eu fui até o calendário marcar mais um dia.
Já estávamos no meu segundo Janeiro no Cativeiro... Suspirei, havia marcado um círculo no dia de hoje... Era aniversário de Eglantine... Queria chorar, mas não o faria... Não agora. Apenas quando as luzes estiverem apagadas e Charlie estiver dormindo, eu irei chorar.
Ao longe o ouvi falando do banheiro:
— Por que parou a música quando eu estava chegando?
Não respondi e depois de um tempo ele continuou sozinho.
— Eu te dei essa CD player de aniversário. Pensei que nos divertiríamos um pouco com isso, sei lá. Até te dei uns CDs antigos meus... Por que você nunca ouve comigo?
Ele estava com um leve bico nos lábios quando apareceu no quarto de novo. Revirei os olhos, agora eu é quem estava com a expressão de “que garoto patético” e segui para o banheiro,onde iria escovar os dentes também.
Mas antes disso, disse:
— Porque não tenho interessa em ouvi-las com você.
Acontece que uma vez a cada milênio, Charlie deixava eu dar uma “patada” nele, e não me espancava logo depois. Graças aos céus, essa era uma dessas vezes. Quando estava terminando minha higiene, Charlie perguntou:
— Por que marcou o dia de hoje com um círculo?
— Às vezes faço isso. Hoje era dia da faxina.
Essa era a minha desculpa para os eventuais círculos que marcavam meu calendário, a maioria, aniversários de minha antiga família e amigos... Entretanto, quando cheguei ao quarto, percebi que ele não havia caído nessa desculpa e me encarava de forma fulminante. Fiquei com medo e recuei um pouco, instintivamente. Charlie começou:
— Eu já disse para não tentar me fazer de bobo, Emily. Lembre-se, eu mando por aqui, e a sua vidinha está em minhas mãos. A nova e a antiga. Isso significa que eu sei que hoje é o aniversário de sua irmã.
Eu não ia respondê-lo, pois isso apenas o deixaria mais irritado ainda, então abaixei a cabeça e continuei ouvindo:
— Agora, por que você marcou isso no seu calendário?
— Porque... É importante...
— Não Emily! Não é importante! Você não conhece mais ela e ela nem se lembra de você!
— NÃO É VERDADE!
— Ah, quer apostar? Eu vou te dar uma prova de que onde Eglantine está ela não está ligando para você.
Dizendo isso, ele saiu andando a passos duros e rápidos e saiu do quarto, batendo a porta em resposta... Isso era estranho. Geralmente ele iria me espancar, me amarrar, me estuprar ou, pelo menos, ficar gritando comigo... Ele foi embora... Eu sei que isso não significava que eu havia ganhado a discussão... O que será que ele iria fazer agora?
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