Abusada ll - Sequestrada
19 Dia das mães...
Notas iniciais
Estava terminando meu banho quente. Era domingo e Charlie estava em casa aquele dia... Só que não era qualquer domingo, era o segundo domingo do mês de maio... Hoje era dia das mães... E eu nem sabia onde minha mãe estava...
Fechei o registro do chuveiro e puxei a toalha que deixei pendurada no boxe. Milagrosamente, Charlie deixou que eu terminasse meu banho sozinha, o que foi um alívio.
Após me secar e me enrolar na toalha, sai do banheiro, encontrando meu sequestrador deitado relaxadamente em minha cama segurando um aviãozinho de papel que provavelmente acabara de fazer. Ignorei-o e caminhei até a escrivaninha em que ele havia colocado uma calcinha de renda rosa bebê e uma blusa branca com o escrito em “Best Girlfriend” em letras rosa. Bufei com aquela mensagem, mas decidi não reclamar, pois queria que Charlie mantivesse seu bom humor.
Deixei que a toalha escorregasse em meu corpo, não me importando com sua presença constante atrás de mim. Afinal, não havia nada ali que ele não estivesse acostumado. Olhei para baixo, para meu corpo. Havia marcas de dedos rochas em meu quadril, meus peitos e pescoços carregavam chupões e havia uma marca de mordida em meu ombro e em minha bunda. Pode até pensar que é uma marca normal, dessas que namorados dão em momentos de prazer em suas companheiras, mas essas marcas tinham sangrado e estavam começando a cicatrizar só agora, apesar da área ao redor estar arroxeada e bastante dolorida.
Após colocar a roupa, ouvi a voz de Charlie baixa atrás de mim:
— Pegue a escova de cabelo e sente-se no chão na frente da cama.
Fiz o que ele mandou e, após pegar a escova na pia do banheiro e entregar para ele, sentei-me a sua frente no chão. Charlie então, sentado na cama, começou a pentear meus cabelos com cuidado. Não o questionei com isso... Por favor, continue com o bom humor!
Criei coragem e comecei:
— Então... Sabe que dia é hoje?
— Domingo.
— É, mas é um domingo especial.
— Ah é? E por que seria?
— Porque hoje é dia das mães.
— Oh. Não estou acostumado a festejar essa data. Minha mãe morreu cedo, lembra?
Sim, ele já havia me contado aquilo antes. Mas, sinceramente, quem se importa? Porém, fiquei calada. Depois de mais um tempo em silêncio, recomecei:
— Eu estive pensando-...
— Não.
— Mas eu nem tinha terminado!
— Não interessa. A resposta é não.
— Você nem sabe o que eu ia pedir.
Charlie parou de pentear meus cabelos e eu ouvi seu suspiro de frustração atrás de mim. Depois, disse:
— O que é então?
Limpei a garganta e me levantei. Embaixo da pilha de papeis que eu tinha na escrivaninha eu havia guardado uma carta. Peguei-a cuidadosamente e levei-a até Charlie, parando na frente dele e disse:
— Pode entregar uma carta à minha mãe?
— Nem pensar.
— Por quê?
— Porque eu não vejo motivo. Você mora aqui agora, comigo. Pra que ficar se prendendo a sua vida passada se isso só vai te deixar com vontade de voltar pra lá? Eu já disse que você não vai embora daqui, nem se eu morrer. Se eu fosse você esquecia logo da sua família e dos seus amigos de antes se não vai ser mais difícil para se acostumar.
— Exatamente por isso. Eu nunca mais vou vê-los... Por favor... Pode ler a carta antes de enviá-la. Não há nada que revele minha localização nem a sua identidade nela! Só estou falando que estou bem e sinto falta deles!... Por favor, só dessa vez. Prometo que nunca mais te pedirei nada relacionado a esse assunto.
Charlie desviou o olhar de mim e mirou num canto da parede. Parecia estar pensando seriamente sobre isso. Eu continuei em pé na sua frente segurando a carta para minha mãe em meus dedos com mais força.
Ele revirou os olhos e disse “não” mais uma vez. Suspirei. Iria tentar só mais uma coisa, minha última opção...
Charlie estava sentado com as pernas abertas na cama e eu, devagar, sentei-me de lado em seu joelho esquerdo. Ele pareceu se assustar e deu um pequeno pulo, me encarando com curiosidade após isso. Respirei fundo e apoiei minha cabeça em seu ombro. Com os lábios próximos de sua orelha, disse:
— Por favor.
Eu o senti estremecer abaixo de mim. Achei que tinha conseguido, mas ele passou as mãos pela minha cintura e tirou meu corpo de seu colo, jogando-me na cama. Charlie se levantou e disse:
— Bela tentativa, mas a resposta ainda é não.
Então ele escondeu as mãos nos bolsos e saiu do quarto a passos largos... Ele tentou esconder, mas suas mãos estavam tremendo... Eu quase consegui convencê-lo... Hum... Talvez eu possa tentar convencer Charlie a me fazer coisas desse modo... Não apanhar, não passar fome... Quem sabe até um dia de descanso... Eu só precisaria me esforçar mais... Entretanto, isso era algo que deveria ser aperfeiçoado com o tempo e com o máximo de cuidado possível, antes que ele percebesse minhas reais intenções.
Por hora, apenas suspirei e me levantei da cama lentamente. Olhei para a carta em minhas mãos...
Querida mamãe,
Feliz dia das mães... Imagino que não esteja sendo um dia lá muito bonito, por isso, este ano, quero que tenha um dia muito mais alegre e especial que os outros.
Sei que você, Glá e meus amigos devem estar se perguntando onde estou... Não posso lhe dar todos os detalhes. As coisas estão meio complicadas... Mas eu estou bem mamãe... Por favor, não se preocupe.
Estou me alimentando bem, me agasalhando e me divertindo. É serio. Queria poder dizer onde estou para que me mandem cartas, queria dar a vocês um endereço de email ou algo assim... Mas, infelizmente, não posso...
Não sei quando voltarei. O que importa é que estou tendo uma vida ótima por agora!
Por favor, não brigue com Eglantine. Fique do lado dela e diga-lhe o que estou te passando por essa carta. Ah e dê uma chance a Kevin também!
Diga a Franklin que eu estou bem. A noite em que nos falamos no celular foi tudo um mal entendido. E diga a Eliza que eu a perdoo e me desculpo por ter sido grossa com ela.
Resumindo, minha vida está ótima e não precisam se preocupar comigo. Tenham um feliz dia das mães esse ano e todos os seguintes, o mesmo para aniversários, natais, páscoas, dias de ação de grassas e quaisquer outras datas festivas.
Amo todos vocês. Estou com saudade.
Emily.
Tudo bem. Eu sei que quase tudo ali era mentira. Minha vida não estava ótima e eu não estava me divertindo. Passava fome constantemente e meu corpo está coberto de hematomas... Mas elas não precisam saber de nada disso...
Se achassem que eu estou bem e feliz, talvez parem de se preocupar... Eu não quero viver o resto da minha vida com essa dúvida... Sem saber se, ao menos, estão vivendo suas vidas normalmente... Queria tanto minha mãe aqui comigo... E Glá e Franklin e Eliza... Quanta coisa queria ter dito com eles? Queria ter feito com eles?
Mas agora, não sei se isso será algum dia possível.
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