Notas iniciais
Desculpem a demora e o capitulo pequeno, mas primeiro gostaria de deixar um suspense e n jogar informaçoes d uma vez e segundo tinha apenas o rascunho da ideia e deu um pequeno bloqueio criativo kkkkk prometo q irei recompensá-los

Meus olhos se abriram vagarosamente, mas eu não estava mais naquela espécie de porão... Estava no meu quarto.

Minha cama nunca fora tão macia quanto agora e meu quarto nunca fora tão iluminado. Abri um sorriso imenso e sentei-me. Coloquei os pés para fora da cama e toquei o chão gelado sentindo um calafrio gostoso.

Ao me levantar ouvi uma voz calma e gentil atrás de mim:

— Emily?

Reconheci-a na hora e virei-me. Era a minha irmã, Eglantine. Ela me olhava como se estivesse vendo um fantasma, porém eu via o lampejo de alívio e felicidade passando por seus olhos.

Enquanto isso, os meus se encheram de lágrimas de saudades. Eu dei um suspiro longo e corri de encontro aos seus braços abertos, recebendo um forte e caloroso abraço. Era como se aquele fosse o melhor lugar do mundo.

Apertei minha irmã forte e disse:

— Você não imagina o quanto estou feliz em te ver. Eu te amo tanto, mas tanto! É tão bom te ver de novo.

Ela ficou em silêncio, depois disse com a voz engasgada:

— Emily...

— Eu te amo, Glá.

— Emily...

Levantei a cabeça e disse:

— O que?

— Como pôde?

Isso me surpreendeu. Olhei para seu rosto. Ela me olhava com raiva... Com nojo... Afastei-me de seu abraço e perguntei confusa:

— Do que está falando?

— Como pôde fazer aquilo? Primeiro você fugiu com ele... Depois... Você o pediu para que a beijasse.

— O que?

— Você... Você...

Ela não conseguia falar direito. Via que engasgava com o choro. Agora, seu olhar mostrava uma decepção tão grande que eu tive vontade de abrir um buraco no assoalho e me enfiar lá dentro.

Tentei pegar em sua mão, mas Eglantine me empurrou com força e praticamente gritou:

— Não me toca!

Eu me desequilibrei e me afastei. Algo atrás de mim atraiu minha atenção. Quando me virei percebi que era minha mãe. Ela também chorava e carregava o mesmo olhar de decepção de minha irmã. Eu disse:

— Mãe... Você também?

— Eu te avisei filha. Eu disse para não se tornar igual a ela... E você me faz isso? Faz sexo com um homem que além de ter o dobro da sua idade, é o diretor da sua escola?!

— Não. Mãe, você entendeu errado. Não foi isso que-...

— Não quero ouvir suas desculpas! Você pediu para que ele te beijasse! Você mesma.

— Mas eu estava com tanto medo, com tanta fome. Ele... Ele...

— Nada do que você disser vai mudar a realidade Emily. Você quis aquilo. Você teve inúmeras chances de contar a verdade, de escapar do “pesadelo” que você dizia viver... E você não o fez.

Logo, eu também estava chorando... O que eu mais temia estava acontecendo... Não queria que minha mãe e minha irmã pensassem isso de mim. Essa nunca foi minha intenção... Sentia meu coração ardendo em chamas. Queria me matar naquele momento. Não aguentava aqueles olhares de decepção sobre mim.

Virando para o lado eu vi Franklin. Como meu último recurso, corri até ele e agarrei a sua camisa, dizendo, quase implorando:

— Frank! Por favor, diga a elas que estão erradas. Diga que estão erradas sobre mim. Diga que não sou assim!

Ele pegou minha mão e a tirou de sua camisa. Olhou-me fundo nos olhos e disse:

— Não adianta fingir Emily. Você sabe o que é.

— Não. Você também não.

— Saia de perto de mim.

Ele também me empurrou. Fiquei olhando para as três pessoas mais importantes da minha vida e todas elas me encaravam de volta como se eu fosse algo repulsivo... Eu ajoelhei no chão e comecei a chorar. Sentia facas entrando no meu corpo. Elas me machucavam me dilaceravam de dentro para fora.

Minha mãe me pegou pelo cotovelo e me puxou de forma a me levantar, então me atirou a um canto, onde cai nos braços de uma pessoa.

Quando olhei para trás, era Charlie quem me agarrava e me encarava com um olhar sádico e ameaçador. Eu comecei a me debater e a gritar:

— Não! Não! Por favor! Não me deixem ir com ele! Socorro!

Eglantine se aproximou e disse:

— Leve-a. Não queremos mais ela aqui.

O aperto de Charlie se tornou mais forte e ele me levantou do chão e me pegou no colo.

Eu acertava chutes e socos nele, mas tudo parecia ser inútil e nada daquilo produzia nenhum efeito. Eu continuei gritando a plenos pulmões:

— Não! Não deixem que ele me leve! Socorro! Mamãe! Glá! Frank! Eu não quero! Perdoem-me! Eu vou ser boa! Perdoem-me!

Mas nenhum deles parecia me escutar. Todos viraram as costas e começaram a se distanciar de mim. Não sabia para onde Charlie estava me levando. Meu corpo inteiro tremeu... Eu estava com medo.

Correntes invisíveis apareceram. Elas envolveram meus pés, minhas mãos e apertaram forte meu pescoço. Uma mordaça também apareceu e tapou minha boca.

Eu me debatia e tentava me mexer para escapar. Tentava gritar por ajuda. Qualquer ajuda. Qualquer pessoa. Qualquer coisa que me tirasse de perto dele... Que me tirasse de perto de mim mesma. Que me fizesse voltar no tempo. Numa época onde as coisas eram simples. Onde eu não chorava com tanta frequência... Onde eu não tinha medo até de mim mesma.

Uma época antes de Charlie.

Foi aí que acordei.

Meu corpo inteiro tremia e eu estava ensopada de suor. Meus olhos estavam esbugalhados e passeavam por todos os cantos, mas eu não podia ver nada, pois continuava naquele lugar frio, escuro e solitário...

Sentei-me e me encolhi em posição fetal abraçando meus joelhos. Eu me balançava para frente e para trás... Estava apavorada... Estava com medo... Precisava de alguém... Um amigo... Qualquer um.

Por quanto tempo aguentaria aquilo?

Notas finais
espero q tenham gostado comentem XD