Notas iniciais
olá pessoas to com sono e passando mal entao serei rapida desculpa, as aulas tao me matando e me tomando cada misero segundo semana q vem entro d ferias e posto com mais frequencia

O caminho na volta pra casa se alternou entre um silencio incomodo e minha mãe perguntando o que a Doutora Hellen queria conversar comigo. A minha primeira resposta foi “se ela quisesse que você soubesse, não teria lhe pedido para sair da sala”. Obviamente Charlote não gostou nem um pouco da resposta, mas sabia que eu estava certa... Isso não impediu ela de perguntar outras vezes a mesma coisa. No final, acabei me cansando e disse que eram coisas sobre os meus hormônios que ela julgou que eu ficaria envergonhada em falar na frente de outra pessoa.

Minha mãe me deixou em casa e saiu logo em seguida de volta para o trabalho. Atravessei o jardim da frente devagar e entrei na sala largando a mochila, tirando e pendurando o casaco. Não demorou muito até Rosa vir andando da cozinha, ela sorriu ao me ver e disse:

–Você tem visitas.

–Hã? Quem?

A primeira pessoa que pensei que fosse era Eliza. Fazia tempo que não conversávamos e sentia falta das nossas tardes juntas. Mas quando cheguei a cozinha, não era Eliza que estava sentada na mesa e sim Hector.

Ele olhou para mim, deu aquele lindo e galante sorriso e disse:

–Olá. Fiquei te esperando um tempão no estacionamento da escola até que resolvi vir aqui ver se já tinha voltado.

–Ah desculpe. Tinha um compromisso com a minha mãe.

–Sem problema.

Ele disse sorrindo mais uma vez. Aquele sorriso era lindo e tinha algo que me contagiava, acabei sorrindo junto. Ficamos assim que nem dois idiotas encarando um ao outro até que minha ficha caiu e eu percebi que Josephine, Margrethe e Rosa também estavam na cozinha.

Elas também evidenciaram sua presença quando Margreth disse:

–Então Emily, quem é seu amigo?

–Ah... Ele é...

–Hector Agabo. Eu e Emily somos muito próximos.

–É, da pra ver.

Disse Josephine com um genuíno sorriso. Corei na hora e abaixei a cabeça, então disse:

–Eu e Hector temos algumas coisas para fazer. Posso levá-lo para o meu quarto?

–Hum... Pode. – disse Josephine, a mais velha – Mas quero a porta aberta, ouviu bem?

–Sem problemas.

Peguei a mão de Hector e o puxei escadaria acima até o meu quarto. Ao chegar, ele deu uma volta, encarando o comodo.

Não era um quarto grande, nem chique, nem detalhado. Três paredes eram brancas e uma rosa bebê, os móveis, todos brancos, incluíam uma cama, uma cabeceira, um guarda roupa, uma estante e uma escrivaninha. O banheiro não era muito grande e também era branco com detalhes em dourado. A única coisa que diferenciava meu quarto um desses quartos modelos que aparecem em propagandas era que a estante estava cheia de livros.

Hector sentou sorridente na cama e deu palmadinhas no colchão ao lado dele. Eu andei até lá e sentei ao seu lado juntando minhas mãos e começando a brincar com meus dedos de nervosismo. Ouvi ele dizer um “tsc” e depois pegar minha mão e entrelaçar na dela enquanto acariciava-a. Ele deu uma olhada no quarto mais uma vez e disse:

–Então, como foi a aula?

–Bem. E-e a sua?

Ele riu um pouco antes de dizer:

–Confesso que não consegui prestar atenção em muita coisa.

–Ah não? Por que?

–Ora, estava muito ocupado pensando em você.

Eu sorri e abaixei minha cabeça. Ele tinha essa capacidade de me deixar acanhada. Suas palavras doces, seus gestos bondosos, tudo nele era perfeito. Eu disse baixinho:

–E-eu também fiquei assim durante a aula.

–Isso é bom.

Eu senti seus dedos segurarem de forma delicada meu queixo e ergue-lo na sua direção. Ficamos naquela gostosa troca de olhares por um tempo até que Hector fechou os olhos e se aproximou de mim. Eu fiz o mesmo e logo nós dois estávamos nos beijando mais uma vez. Aquele beijo gostoso que me provoca uma euforia desconcertante.

Acho que perdi parte d vergonha que tinha ao beijá-lo pois desta vez senti vontade de explorar sua boca com a minha língua da mesma forma que ele fazia com a minha. E eu o fiz.

Uma de sua mãos foi para a minha cintura e a outra, para o meu pescoço, me puxando para mais perto. O beijo ficou mais intenso e nós dois respirávamos com força a essa altura, desesperados por ar já que não queríamos nos separar. Hector apertou minha cintura com força e começou a se inclinar na minha direção fazendo com que eu deitasse na cama.

Ele deitou por cima de mim e continuou com nosso doce e viciante beijo. Mas logo seus lábios se separaram dos meus e foram na direção do meu pescoço, descendo até o colo...

Não vou dizer que não foi bom, pois estava gostoso. Mas isso não impediu que imagens assustadoras viessem a minha mente. Imagens de Charlie. Imagens da primeira vez que ele me estuprou, da vez que ele marcou com uma faca um “C” em minha barriga, quando ele me tirou o meu primeiro beijo e hoje de manhã quando me obrigou a chupá-lo. Humilhação, medo e desespero de repente me tomaram e eu esqueci completamente do momento maravilhoso que eu, até então, estava compartilhando com meu namorado.

Empurrei Hector com força e ele, sem protestar, saiu de cima de mim e voltou ao seu lugar na cama. Eu me levantei e o encarei. Estava com uma cara de completa confusão e disse:

–O que aconteceu? Fiz algo de errado?

Eu fiquei balançando a cabeça de um lado para o outro dizendo “não”. Precisava inventar uma desculpa melhor do que “Enquanto você me beijava pensei no meu estuprador me torturando” então inventei algo rapidamente:

–Josephine, Margreth e Rosa estão lá embaixo e elas podem querer subir.

Não era totalmente mentira, claro. Hector compreendeu e sorriu, passou a mão por uma das mechas do meu cabelo e disse:

–A gente bem que podia ir pra um lugar mais afastado. Sabe? Tipo, só nós dois. Sem interrupções.

–E-e-eu não tenha certeza se isso... Se isso é uma boa ideia.

–Por que?

–B-bom. Não nos conhecemos a muito tempo e-...

–Emily. Eu gosto de você e você gosta de mim. Eu quero ficar com você. Me tornar um com você. Quero compartilhar com você esse momento precioso... Eu sei que já fiquei com muitas outras meninas, mas... Acredite, dessa vez é especial.

Abaixei minha cabeça e fiquei olhando para os meus pés. Ninguém me disse que se apaixonar e namorar seria tão complicado... E quanto a essa coisa de nos tornarmos um? Eu já li isso em muitos romances e confesso que seria maravilhoso ter essa sensação e compartilhar esse momento com alguém de quem eu realmente gostasse, mas... Seria Hector a pessoa certa?... E não é só isso... Como conseguirei fazer isso com ele se até quando nos beijamos não consigo parar de ter medo de Charlie? Ele é como uma sombra. Sinto como se estivesse sempre ao me lado me torturando e me ameaçando... Acho que nunca poderia ficar inteiramente com Hector, nem com qualquer outro garoto.

Abri a boca para responde-lo umas três vezes, mas eu nenhuma delas consegui completar minha frase. No final, minha voz saiu mais baixa que em um sussurro:

–É muito complicado.

Ouvi ele bufar e levantar da cama. Hector veio na minha direção e me deu um abraço apertado, qual eu retribui. Ele beijou meus cabelos e disse:

–Você sabe que não precisa ter receio de mim. Pode me contar qualquer coisa. Eu sou seu namorado e gosto muito de você. Te ver desse jeito faz com que eu também fique triste... Eu simplesmente não entendo... Parece que você não quer ser feliz.

Meus olhos começaram a arder... Haviam lágrimas prestes a cair deles. Respirei fundo e disse, com a cabeça escondida no seu ombro:

–Não é isso... Eu... Tenho medo.

–Medo de que? De mim?!

–Claro que não! É de mim que eu tenho medo.

–Como assim?

–Acho que... Tenho medo de você não gostar... De fazer alguma coisa errada... De desistir na hora H.

Ele beijou meus cabelos mais uma vez e começou a fazer um cafuné neles. Sua voz veio carinhosa e preocupada quando ele disse:

–Por favor, não sinta isso. Não existe nenhuma possibilidade de eu não gostar de você. Quanto a parte de desistir... Se realmente quiser, se sentir medo ou algo assim, eu vou entender e vou parar na hora... Jamais faria qualquer coisa para deixá-la triste Emily.

Finalmente comecei a chorar, emiti um suspiro enquanto escondia minha cabeça mais fundo em seu ombro. Ele me tirou de seu abraço e segurou os dois lados do meu rosto:

–Não chore, não por mim.

Seus polegares acariciaram as minhas bochechas e secaram minhas lágrimas. Ele disse:

–Você é maravilhosa Emily, eu gosto muito de você.

–Ah Hector, você é tão bom. Isso tudo não pode ser real.

–Hey, pode sim. E eu vou provar.

Ele se inclinou e nos beijamos mais uma vez. Um beijo calma e carinhoso onde demonstramos todos os nossos sentimentos. Quando terminou ele sussurrou no meu ouvido:

–Amanha a noite, invente uma desculpa para sua mãe, diga que vai sair para dar uma volta ou algo assim, e vá até a minha casa.

–Sim, eu irei.

Ele beijou minha testa e sorriu largamente para mim. Eu retribui e acabamos começando a rir como dois tolos. Em seguida ele disse que precisava ir embora porque tinha algumas coisas importantes da escola para fazer, me deu um selinho e partiu.

Fiquei deitada na minha cama com um sorriso apaixonada que teimava em sair do meu rosto. Estava apaixonada. E totalmente ansiosa para o dia de amanhã, pois dessa vez, nem Charlie me impediria de ser feliz.

Notas finais
espero q tenham gostado comentem vlw