Abusada
35 Virgem...
Notas iniciais
Olhei-me no espelho do banheiro pelo que deveria ser a quinta vez. Eram oito horas da noite e eu estava me arrumando para ir à casa de Hector. Arrumei a franja pela milésima vez e sai. Quando abri a porta do quarto pensei de deveria passar pelo menos um gloss na boca, então voltei novamente à frente do espelho. Quando estava o tubo estava a centímetros da minha pele pensei que seria melhor para Hector me beijar sem que minha boca estivesse grudenta e gosmenta. Continuei me olhando no espelho, arrumei mais uma vez a franja e suspirei. Ok, eu estava bastante nervosa. Apesar de eu não ser mais virgem, aquela, para mim, seria considerada a minha primeira vez.
Eu simplesmente apaguei todas as monstruosidades que Charlie fez comigo. Pelo menos por uma noite. Por uma noite eu quero ser uma garota normal com um namorado legal que vai sair escondida de casa para fazer uma loucura de adolescente e perder a virgindade... Sim, teria que ser perfeito e para isso, eu teria que estar perfeita.
Mesmo a minha irmã não estando ali, pude ouvir sua voz na minha cabeça: “ Ah Emily, vai pra puta que pariu. Você está fodasticamente linda e esse cara vai te pegar de jeito hoje. Agora vai embora daqui.”... Sim, seria exatamente isso que ela diria.
Peguei o celular, apaguei a luz e desci as escadas correndo. Por alguma sorte do destino uma das reuniões da minha mãe foram adiadas para amanhã, então ela ficaria no trabalho até mais tarde para ajeitar tudo às pressas.
Porém, quando estava abrindo a porta da frente pude ouvir uma voz vinda da cozinha:
— A onde pensa que vai, mocinha?
Era Margrethe que estava de pijamas, com um copo d’água na mão, me encarando. Engoli em seco e disse:
– Err... Dar uma volta... Fazer um pouco de exercício físico.
– Desse jeito?
Merda. Deveria ter escolhido uma roupa mais esportiva. Qualquer coisa que não fosse uma saia rodada branca, uma blusa rosa estampada e sapatilhas rosa... Fiquei encarando ela vasculhando alguma possível resposta na mente. Mas Margreth se adiantou e disse de novo:
— Deixe disso. Sei que vai sair. Agora resta saber com quem.
Pensei em algo na hora:
– Com Eliza... Por favor, não conte para mamãe. Jéssica vai fazer uma festa na casa dela e Eliza disse que me daria carona, mas mamãe não me deixou ir... Por favor.
– Ai ai... Tudo bem. Mas não volte muito tarde, ok?
Abri um enorme sorriso e disse:
– Sim senhora.
Quando estava abrindo a porta da casa ouvi sua voz mais uma vez:
— E Emilly. Tenha juízo.
– Vou ter.
Sai correndo sem nem dar chance de ela mudar de ideia. Quando confirmei que Margrethe não estava olhando pela janela me vigiando, fui na direção contrária a saída do condomínio. Fui à casa de Hector.
Chegando lá, parei na frente da porta e esperei. Respirei fundo e disse para mim mesma:
— É Emily, não tem como voltar atrás depois dessa.
Estiquei a mão e toquei a campainha. Ouvi um barulho dentro da casa e alguns minutos depois Hector apareceu na porta. Ele estava estupidamente lindo e completamente irresistível. Usava uma calça jeans clara e uma blusa social branca que faziam um ótimo contraste a sua pele morena e os cabelos estavam lavados e penteados. Ouvi-o suspirar e dizer:
– Nossa você está maravilhosa.
Sorri e respondi:
– Obrigada. Você também, a propósito.
– Valeu. Entra.
Ele abriu passagem e eu entrei devagar em sua casa. Hector fechou e trancou a porta depois parou na minha frente, passou a mão por todo o meu braço e depois entrelaçou nossas mãos. Ele sorriu e começou a me puxar, subindo a escada até uma porta que levava a um cômodo que se mostrou o seu quarto.
Passei os olhos pelo lugar, era o típico quarto de um garoto de dezesseis anos. Paredes azuis claras com pôsteres pregados nelas, um grande aparelho de som e CDs espalhados ao redor e completamente desorganizado com roupas e materiais escolares por todo canto.
Depois, pousei os olhos em Hector que não parecia nem sequer constrangido pela bagunça em seu quarto. Ficamos assim, nos encarando durante um tempo, então que ele começou a se aproximar até que nos encontramos e nos beijamos.
Como sempre, o beijo começou calmo e paciente e à medida que fomos nos sentindo mais confortáveis, luxúria foi introduzida nele. Enquanto eu acariciava seu cabelo e arranhava seu pescoço, Hector apertava minha cintura com uma mão e seguia a linha da minha espinha com a outra.
Ele abandonou minha boca e se lançou em meu pescoço beijando-o, lambendo-o e mordendo-o. Gostava de sentir seu nariz gelado passeando por minha pele e sua respiração fazendo os pelos de minha nuca eriçarem, mas ele parou esse delicioso carinho e disse com uma voz rouca:
— Venha.
Pegou minha mão carinhosamente e guiou-me até sua cama onde tirou minha blusa e me jogou no colchão. Hector deitou-se em cima de mim e começou a distribuir beijos pelo meu colo recém-descoberto. Abriu meu sutiã com proeza e intensificou suas carícias, passando para meus seios enquanto beijava e sugava meus mamilos.
Uma de suas mãos apertava meu peito e a outra subia pelas minhas coxas adentrando na minha saia. Ele a desabotoou e começou a descer a veste pelas minhas pernas, passando as mãos pela minha pele no processo e me provocando calafrios.
Voltando, ele beijou cada lado do meu quadril antes de retirar minha calcinha, repetindo o processo. Ele me encarou durante longos minutos até que meu rosto corasse, quando viu minha expressão de vergonha, abriu um sorriso sacana e sedutor.
Observei meu namorado se levantar e retirar sua roupa aos poucos, até estar totalmente nu. Na primeira vez que o vi, percebi o que seu corpo era bem definido, mas só agora pude ver o quanto. Suas cochas eram grossas e seus braços musculosos, sua barriga se dividia em seis gominhos deliciosos. Me senti uma completa pervertida enquanto o encarava.
Ele se virou e, abrindo a gaveta, pegou uma camisinha barata. Abriu e a desenrolou em seu pênis com extrema facilidade. Depois, voltou para cima de mim.
Não vou mentir. Não vou dizer que foi perfeito e que ouvi sinos de igreja badalando em minhas orelhas. Não foi nada de tão especial... Apenas uma ação... Como com Charlie, senti toda a extensão do órgão de Hector entrando em mim, e senti quando ele se movimentou. Não doeu tanto, pois aquela atura já estava acostumada... Até senti uma pontada de prazer... Mas não gemi alto, não gozei e... Não aproveitei muito... A única diferença entre Hector e Charlie era que eu não tinha medo de Hector.
Já ele, não pareceu partilhar da minha confusão, pois agiu normalmente e após gozar, caiu do meu lado ofegando e olhando fixamente para cima com um mínimo sorriso no rosto. Eu também fiquei encarando o teto por um tempo, até que me recuperei e virei na cama, olhando em sua direção. Eu disse:
– Como... Como foi para você?
– Perfeito. A melhor coisa que já fiz na vida.
Ele disse sem olhar para mim e com um sorriso no canto da boca. Apesar das palavras, não senti toda a emoção em seus olhos que ele parecia querer passar. Suspirei e me deitei com as costas na cama mais uma vez. Vi com o canto do olho quando Hector virou sua cabeça na minha direção com um olhar confuso e disse:
– Ei, você está bem?
– Sim, estou ótima.
– Não parece... Você era virgem, certo?
Pensei um pouco antes de responder aquilo... Eu era virgem? Definitivamente não. Charlie me fez o favor de me tirar esse privilégio... Mas eu não queria que ele soubesse disso e dizer que eu já havia feito sexo só geraria mais perguntas. Mesmo que talvez um dia eu me sinta a vontade o suficiente para conversar sobre isso com Hector, não vai ser agora e muito menos em um momento como esse. Então, disse:
— Sim.
— Então é por isso. A primeira vez das garotas dói mais.
— Sei disso.
— Mas você está bem, não é?
— Eu já disse que estou.
Ele ficou me encarando por um mais tempo até que se deu por convencido e disse:
— OK, vou acreditar em você.
Depois ficamos cada um olhando pro teto, encarando o vazio. Como se estivéssemos em nosso mundinho particular e não quiséssemos interagir um com o outro naquele momento... Senti-me meio desconfortável com isso.
Depois de um tempo eu me levantei e comecei a me vestir. Olhei para Hector que ainda estava deitado na cama, mas que havia pegado seu celular e mexia em algo aleatório e disse:
— Acho que eu já vou indo... Não quero que minha mãe chegue antes de mim.
– Hã? Ah, claro, claro. Quer companhia até a sua casa? Eu vou só me trocar.
– Não, tudo bem. Pode ficar aqui.
— OK.
Ele disse tudo isso sem tirar os olhos da tela do celular. Depois de estar completamente vestida e sem a aparência de pós foda que Charlie tanto falava, sai do quarto. Quando estava na porta me virei de volta e perguntei:
— Hector, nos falamos mais tarde?
Nessa hora ele abaixou o celular. Parecia pensar seriamente em algo, olhou para mim de cima a baixo e mordeu os lábios antes de responder:
— Sim, claro. Nos falamos.
– OK.
Sai apressada da casa. Não entendia o porquê, mas parecia que aquele lugar estava se apertando ao meu redor e me sufocando... Quando cheguei à rua fiquei aliviada ao ver o céu iluminado pela lua e pelas estrelas acima de mim e sentir o sereno em minha pele... A volta para casa foi reconfortante.
Quando cheguei agradeci aos céus, pois a casa estava toda escura e não havia carro na garagem, o que significava que minha mãe ainda não havia chegado em casa e eu não levaria uma baita de uma bronca por causa do que eu acabei de fazer.
Destranquei a porta e liguei a luz da sala. Adorava ficar sozinha em casa, pois havia um silencio e um zumbido confortáveis quando isso acontecia. Fui até a cozinha pegar um copo de água e decidi tomar um banho.
Subi as escadas ouvindo meus passos ecoarem pelo recinto e atravessei o corredor fazendo zigue zague. Quando cheguei até meu quarto abri a porta e acendi a luz...
Então vi Charlie deitado confortavelmente em minha cama, encarando a parede a sua frente. Como num filme de terror, sua cabeça girou até nossos olhos se encararem e eu pude ver a fúria e o ódio brilhando em suas órbitas negras. Ele disse enquanto me encarava:
— Olá querida. Sentiu saudades?
Deixei o capo com água cair. O vidro se espatifou em vários pedacinhos que voaram para todos os cantos e o barulho se expandiu e tomou conta de cada mísero canto da casa.
Eu estava simplesmente apavorada... Meu pesadelo havia entrado na minha casa e se encontrava no meu quarto... E não havia ninguém para me salvar...
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