Notas iniciais
Espero q gostem

Estava flutuando. Tudo ao meu redor era negro. Não havia som. Não havia sensação... Apenas um vazio e eu. Não conseguia pensar, nem tomar nenhuma atitude... Estava perfeito.

Parecia que tinha passado uma vida inteira lá quando um barulho alto e estridente começou e fui arrancada violentamente do canto mais feliz do mundo para a minha cama. Meus olhos se abriram e vi o sol entrando através da cortina da janela do meu quarto.

Bastou um único movimento para desligar o despertador que senti as dores. Parecia que tinha uma bola de boliche em cima do meu peito impedindo-me de respirar, os músculos dos meus braços e pernas estavam tão doloridos que dificilmente me obedeciam.

Quando desativei o despertador percebi que havia uma marca roxa ao redor do meu pulso... Não foi um sonho. Senti meus olhos doerem por mais lagrimas caindo... Levantei o cobertor e puxei a blusa de meu pijama para cima, minha barriga também estava repleta de hematomas. Minha cabeça parecia estar recebendo marteladas e encostar no meu coro cabeludo era impossível. Eu não poderia sair daquela cama... Eu não queria sair daquela cama.

Olhei para os raios de sol tentando entrar no cômodo mais um vez, passei o cobertor por cima de minha cabeça e voltei a dormir.

[...]

— Emily. Emily, querida, acorde. Desse jeito vai chegar atrasada.

Abri meus olhos devagar e vi Janeth sentada na cama ao meu lado, me sacudindo e tentando me acordar. Ela cheirava a café e a farinha. Aspirei fundo e disse:

— Não estou me sentindo bem.

— O que você tem?

— Meu corpo dói.

— Levante e coma alguma coisa.

Ela começou a tirar o cobertor de cima de mim, mas eu o puxei de volta e disse:

— Não. Por favor. Não quero levantar da cama.

Janeth me olhou por um tempo até que disse:

— Tudo bem. Vou ver o que sua mãe acha antes que ela saia.

Depois, ela saiu do quarto. Nem tentei dormir, pois sabia que não demoraria muito para Charlotte vir subindo as escadas correndo. Então, apenas virei para o outro lado e continuei a observar o sol passando pela cortina.

Como eu esperava, logo ouvi os paços de minha mãe entrando e ela dizendo um pouco rude:

— Emily, levanta. Agora.

— Mãe, por favor. Não estou me sentindo bem.

— Ok. Vai continuar não se sentindo bem lá na escola.

Não respondi nada, apenas me encolhi no cobertor. O quarto ficou em silencio até que ela disse:

— O que você está sentindo.

— Mal estar. Dor de cabeça.

Ela veio até mim e colocou a mão fria na minha testa. Então disse:

— Você não está com febre. Não é tão ruim assim. Vou te dar um remédio para dor e você vai pra escola.

— Por favor, mãe. Qual foi a última vez que eu faltei algum dia de aula. Eu juro para você, estou passando muito mal. Não consigo me levantar.

— Ah então agora vai faltar de aula só por causa disso! Emily, se eu decidisse não ir ao trabalho por uma dor de cabeça, a essa altura já teria sido despedida.

Continuei em silencio. Conheço minha mãe. Em situações assim, o melhor a fazer é ficar calada e deixar que as ideias cozinhem em sua cabeça. Por fim, Charlotte disse:

— Escute aqui. Essa é a última vez que fará isso. Estou indo trabalhar. Tchau.

Depois ela saiu do quarto.

Voltei a dormir.

[...]

— Emily, acorda. Você precisa comer.

Abri os olhos devagar. O quarto estava mais iluminado e mais quente também, mesmo assim não tive vontade de sair de baixo do cobertor. Não sabia que horas eram, mas devia ser mais ou menos meio dia, pois Margrethe estava na minha frente segurando uma bandeja onde estava um prato com uma sopa de batata com macarrão e um copo de suco de uva.

Ela disse:

— Achei melhor você comer uma coisa mais leve.

Apenas acenei a cabeça confirmando. Ela voltou a dizer:

— Levante para que eu a coloque no seu colo.

— Não, deixe aí do lado da cama. Já vou me levantar.

— Tudo bem. Qualquer coisa é só chamar.

Ela me deu um beijo na testa, deixou a bandeja do lado da cama como eu pedi e saiu do quarto, deixando a porta aberta. Ignorei a comida, virei para o lado e voltei a dormir.

[...]

Acordei com o barulho do celular tocando na minha cômoda. Peguei o aparelho e olhei para a tela, era o número de Franklin ligando. Não estava com vontade de falar com ninguém naquele momento, então devolvi o celular ao moveu e voltei a dormir.

[...]

Acordei mais uma vez com o celular tocando. Dessa vez era Eliza. O histórico dizia que havia outras seis ligações tanto dela quanto de Franklin. Recusei a ligação e desliguei o aparelho... Voltei a dormir.

[...]

Acordei quando Rosa retirou o termômetro apitando debaixo do meu braço. O quarto estava iluminado pela lâmpada, então o sol já deveria ter ido embora. Na porta do quarto estavam Margrethe e Janeth observando.

Rosa olhou no aparelho e disse:

— Pelo menos você não está com febre... Mas passou o dia inteiro na cama. O que foi? Aconteceu alguma coisa?

— Não.

— Continua com a cabeça doendo?

— Sim.

Na verdade, ela já havia parado de doer, mas como sentia que havia uma pedra enorme encima de mim, continuava sendo a mesma coisa. Rosa suspirou e disse:

— Acho melhor avisar a Dona Charlotte. Talvez seja melhor você ir a um médico.

— Não, eu estou bem. Só preciso dormir mais um pouco.

Virei para o outro lado e fechei os olhos. Depois de algum tempo ouvi passos saindo do quarto e fechando a porta... Elas haviam ido embora.

Voltei a dormir... Voltei para o vazio...

Notas finais
Criticas sao bem vindas comentem