Abusada

22 Se culpa...


Notas iniciais
MIL DESCULPAS! sim, eu sei q estou imensamente atrasada com esse capitulo realmente n deu, 1- provas, provas e mais provas 2- dever de casa, dever de casa e mais dever de casa 3- trabalhos, trabalhos e mais trabalhos 4- concurso de jazz chegando entao: dança, dança e mais dança e pra completar a desgraça essa ultima parte de reflexao da emily foi muuuuuuito dificil d escrever e demorou tipo semanas pra alguma inspiraçao vier na minha cabeça alias, tentei fazer o mais perfeito possivel entao gostaria da opniao d vcs PS: farei o cap bonus da eglantine com o kevin MAS n prometo quando pq eu to atrasada na fic e oq eu planejei pra um capitulo ta virando tipo uns 4 ¬¬ enfim, aproveitem

LEIAM AS NOTAS INICIAIS

Estava sentada no chão da sala com as costas apoiadas no sofá e comendo o terceiro pedaço do red velvet que minha irmã havia feito. Como eu senti saudade desse bolo. Come-lo me faz lembrar das milhares de vezes que eu dizia a Glá que ia apenas “provar a cobertura” e acabava comendo tanto que no final ela tinha de fazer mais para por no bolo. Eglantine não se importava em fazer essas coisas, contanto que passássemos mais tempo juntas.

Ela estava sentada no sofá, logo atrás de mim, e penteava meus cabelos com as mãos enquanto víamos seu DVD da Pequena Sereia. Apesar de eu discordar e muito, Glá acha que essa é a melhor princesa da Disney e que o filme dela tem a melhor trilha sonora de todas (tudo bem, essa parte talvez seja verdade). Um prato vazio de bolo repousava ao seu lado no sofá.

Estávamos na parte em que a Bruxa do Mar canta uma canção para persuadir Ariel a entregar sua voz a ela, usando como argumento o fato de que “o homem abomina tagarela, garota caladinha ele adora” e logo após esse trecho ouvimos a risada de Kevin vindo do corredor. Ele disse:

–Está vendo? Você certamente é abominável.

Ele falava com minha irmã que retribuiu o insulto dando um soco em sua barriga. Kevin se sentou no sofá ao lado de Eglantine, ele usava uma camiseta sem mangas e dessa forma eu consegui ver mais das suas tatuagens. Tinha alguma parte desse homem que não carregava rabiscos?! Glá notou meu olhar e disse:

–Algum problema?

–Hã? Não, não.

–Ótimo, venha comigo. Vamos levar os pratos para a cozinha.

Fiz o que ela pediu. Quando colocamos os pratos na pia ela me olhou com uma cara que dizia que ela iria começar a me dar um sermão. Maravilha. Começou:

–Eu imagino o quanto a mamãe deve ter enchido sua cabeça com histórias sobre “tipos” como o Kevin. E, acredita, a maioria delas não está certa.

–Como pode ter certeza? Não acha estranho? Ele tem mais brincos na cabeça do que eu e o corpo está cheio de rabiscos! Além disso, ele te abrigou aqui. Por que ele faria isso sem pedir nada em troca?

–Porque ele é meu namorado e se importa comigo. Eu gosto de Kevin e ele gosta de mim. Não interessa se ele é cheio de piercings e mesmo que ele tivesse tatuagem até no cu dele eu ainda iria gostar.

–Outra coisa. Você não falava assim la em casa, nem fumava, nem pintava o cabelo, nem usava essas roupas. Você mudou completamente.

–Por quê? Não gosta de como eu estou?

–Não é isso... É que não parece a minha irmã.

Eglantine suspirou antes de continuar:

–Hoje de manhã, você parecia apavorada no telefone e disse que “precisava de um tempo”, eu fui ate lá e te trouxe para minha casa. Depois, você se recusou a me contar qual era o problema. Eu não a pressionei e deixei que fizesse as coisas no seu tempo. Desde que você nasceu, eu sempre cuidei de você, não importava qual fosse o problema. Por que eu me vestir diferente ou falar diferente vai mudar o fato de que eu te amo e faria qualquer coisa por você?

–Não foi isso que eu quis dizer.

–Foi exatamente o que você quis dizer. E isso vale para Kevin também. Só porque ele é diferente não significa que seja mal. Dê uma chance.

–Tudo bem.

Ela afagou meus cabelos e passou por mim, indo na direção da sala. Porém depois de alguns passos parou e olhou para mim:

–Já quer me contar o que houve mais cedo?

Eu e Eglantine trocamos olhares, ela receptiva e eu temerosa... O que eu diria? “O meu Diretor me estuprou.” “Oh não. Quantas vezes?” “Sabe que eu não sei? Perdi a conta.” “Nossa, e o que você fez?” “Bom... nada... Eu chorei. Isso conta?”. Não mesmo.

Por que esse medo Emily?! Sentia a ponta dos dedos gelada e minha respiração começava a ficar mais rápida, os cortes que Charlie me fez pareciam pulsar e ganhar vida mais uma vez. A humilhação, a dor, o medo... Ele já me ameaçou... E eu sentia, no fundo do meu ser que ele era capaz de cumprir cada ameaça... Mas Charlie poderia me alcançar aqui?... Sim. Da última vez que eu me convenci de que ele não poderia me fazer mal eu acabei beijando Hector... E depois... Ele me amarrou, me humilhou e me torturou...

–Não.

Emily Gomez Doyle, você vai para o inferno por isso.

Eglantine suspirou, decepcionada, e seguiu rumo até a sala onde Kevin já havia dormido obviamente entediado pelo filme.

Depois que terminamos o DVD, decidi me trancar no quarto onde tinha deixado minha mochila e fazer os deveres para deixar os dois a sós. Eu os ouvia conversando e passeando pela casa, mas nada que me deixasse preocupada ou perturbada... Quando terminei os exercícios acabei tirando uma soneca deitada no sofá que descobri ser incrivelmente confortável e quando acordei já eram seis da tarde.

Meu celular estava desligado desde que eu tinha ligado para Eglantine de manhã e não o liguei com medo de que minha mãe me ligasse... Ela já deve ter ligado milhões de vezes e a essa hora deve estar morrendo de preocupação... Bom, as vezes ela passa a noite fora de casa sem me avisar e também me deixa bastante preocupada... Não vai morrer se eu ficar aqui só por um dia... Talvez dois...

Sai do quarto bocejando e arrumando os cabelos bagunçados e notei que os dois estavam no quarto deles. A porta estava entreaberta e pude ver Glá em pé na frente de um espelho penteando os fios azuis de seu cabelo. Quando ia entrar, vi Patrick sair do banheiro e abraçar Eglantine por trás... Mas ela não retribuiu como eu imaginava.

Apesar de estar de frente para um espelho e estar vendo o que vinha atrás de si, Glá não percebeu Kevin se aproximando e assim que a pele dele entrou em contato com a sua seu corpo inteiro se retesou. Ela se virou e acertou um tapa forte no rosto dele para logo depois empurrá-lo com toda força e praticamente jogá-lo no chão a alguns metros de si.

Por que ela fez aquilo? Kevin segurou a bochecha e estava com um olhar surpreso, mas não parecia muito magoado. Era como se esta não fosse a primeira vez que algo assim acontecesse...

De repente a expressão de Eglantine mudou completamente, de extrema fúria e medo, para susto e pânico. Suas mãos foram até a cabeça e seus olhos se enxeram de lagrimas. Ela correu até o namorado e disse com a voz engasgada:

–Kev! Kev, você está bem? Se machucou? Ah meu Deus! Me desculpe!

–Ei, ei, ei, calma.

Ela se ajoelhou ao seu lado abraçou sua cintura e escondeu o rosto em seu peito enquanto chorava descontroladamente. Kevin a abraçou também e afagou seus cabelos enquanto a beijava e murmurava coisas como “não se preocupe”, “vai ficar tudo bem”, “eu estou aqui” e “nada mais vai te machucar”... Eu me lembrei que uma vez Glá havia feito algo parecido comigo...

Era tarde, muito tarde. Algo havia me acordado... O que havia sido? Lá fora estava chovendo então presumi que havia sido algum trovão. Resolvi dormir com Eglantine essa noite para impedir que outro barulho assustador me tirasse de meus sonhos.

Retirei as pesadas cobertas de cima de mim e arrastei meu pequeno corpo até a beira da cama, corri até a porta do quarto e a abri. Papai estava entrando no quarto dele, deve ter se assustado com o trovão e acordado também... Apesar de que ele não parecia estar assustado. A porta foi fechada e o corredor ficou silencioso.

Fui até o quarto de Glá e esperava vê-la deitada adormecida em sua cama, mas não foi isso que eu encontrei. Minha irmã estava sentada na beira da cama, que estava completamente desarrumada, de costas para mim. Não usava seu pijama, mas sim um roupão.

Subi em sua cama e engatinhei até estar ajoelhada atrás dela, então cutuquei seu ombro para chamá-la. Eglantine reagiu rápido, se virou e me acertou um tapa em cheio no rosto que me fez tombar para o lado e bater a cabeça na cabeceira da cama. Meus olhos ficaram molhados de lágrimas e minhas pequeninas mãos foram até o local machucado e o afaguei. Doeu.

Ela teve a mesma reação com Kevin, veio até mim e começou a murmurar milhões de pedidos de desculpas enquanto me abraçava em seu colo e me beijava e me aninhava. O roupão que usava, ou estava aberto ou se abriu durante a ação e por algum motivo ela estava nua por baixo. Fiquei calada enquanto Eglantine chorava e me abraçava ao mesmo tempo. No final, adormecemos juntas.

Me afastei da porta e me sentei no sofá da sala enquanto abraçava meus joelhos... Agora eu havia me lembrado... O que a minha pura e infantil mente afastou para o canto mais escuro que pode encontrar e me fez esquecer do que fizeram a minha irmã... A minha boa, pura e gentil irmã...

Tudo isso aconteceu em nossa casa, debaixo de nosso teto... Todas as provas estavam a minha disposição, mas eu não percebi. Durante um longo tempo, minha mãe soubera o que acontecia e não havia feito nada. Bom, pelo menos nada de bom... As brigas e os gritos eram constantes durante o dia, haviam noites que mamãe deixava Eglantine trancada no quarto, as vezes o final de semana inteiro. Outras vezes, ela simplesmente me pegava e ficava rodeando o condomínio com o carro até receber uma ligação e voltarmos para casa... Apenas para encontrar minha irmã sozinha e desamparada, soluçando e chorando... Eu não fiz nada.

Eu não me lembro quando começou, acho que eu era muito nova pra lembrar. Mas terminou quando papai saiu de casa, quando ele e mamãe finalmente se divorciaram aos meus dez anos...

Foram anos difíceis. Não se passava um dia sem que minha irmã e minha mãe não brigassem, antes e depois do divórcio... Eu ficava no meu quarto, trancada dentro do armário. As vezes Eglantine entrava no banheiro e ficava lá por horas, quando ela saía o comodo tinha um cheiro metálico e adocicado e havia sempre um apontador desparafusado em cima da pia... Ela ainda tem as marcas disso.

Lagrimas começaram a cair de meus olhos seu que eu percebesse... Eu estava chorando a dor da minha irma... Minha querida irmã...

Foi então que eu decidi não contar a ela o que estava acontecendo. Eu conhecia Eglantine muito bem para saber de uma coisa, ela iria se culpar. Iria se culpar por ter escondido de mim as coisas que papai fazia, por ter dado um mal exemplo na forma como ela reagia, por ser a culpa das brigas constantes e principalmente, ela se culparia por ir embora e me deixar sozinha... Mesmo nada disso sendo realmente culpa dela, ela se culparia... Ela tomaria a dor para si e iria tentar, mais uma vez, me manter longe da podridão do mundo... Pois é o que minha irmã faz...

Mas não dessa vez. Chega. Chega de minha irmã viver minhas batalhas, chega de jogar o peso nas costas dela e olhar enquanto ela luta... Dessa vez, eu estava por minha conta... Não podia – não queria – destruir minha irmã mais do que ela já havia sido destruída... Não podia deixá-la saber que mesmo após todos os seus esforços, eu acabei sendo machucada...

Notas finais
espero q tenham gostado comentem ate o proximo