Notas iniciais
desculpem a demora vcs n sabem o quanto ta dificil por aki espero q gostem

Por algum motivo, quando você está ansiosa ou nervosa o relógio parece ser mais longo e os minutos parecem passar mais devagar. Considerando que durante os horários antes do almoço eu estava ansiosa e nervosa, o relógio parecia praticamente ter parado.

Assim que o sinal bateu, fui a primeira a sair da sala. Larguei os livros de qualquer forma no meu armário e praticamente corri na direção do refeitório, onde imaginava que Hector estaria.

Chegando lá, o percebi em uma mesa, um pouco mais ao canto, junto com meninos e meninas que eu identifiquei como sendo do segundo ano. Alguns faziam cálculo avançado comigo e outros história da arte, mas eu nunca havia conversado com nenhum deles.

De repente, toda a euforia que havia sentido no percurso até ali havia se esvaído e eu caminhei a passos lentos até a mesa. Alguém deveria ter contado uma piada ou um caso engraçado, pois estavam todos rindo. Cheguei devagar e puxei a barra da blusa de Hector de leve que estava de costas e não me viu chegando.

Quando ele se virou, ainda havia resquícios de sua gargalhada anterior, mas quando me reconheceu ele ficou serio na hora. Achei estranho, mas decidi não comentar. Ao invés disso disse:

— Oi. Bom dia.

— Bom dia.

Ouvi alguns risinhos de leve na mesa que de repente ficou completamente silenciosa. Inclinei-me para mais perto dele para que nenhum enxerido ficasse conseguisse ouvir e disse:

– Podemos conversar?

— Ah claro. Tava querendo fazer isso mesmo. Um instante, galera.

Ele deu um pequeno aceno e se levantou da mesa, depois indicou para que eu o seguisse e nos dois rumamos na direção do pátio que estava relativamente vazio, já que a maioria dos estudando ainda se encontravam no refeitório, almoçando.

Paramos perto de uma das inúmeras árvores que havia ali e ficamos frente a frente. Hector disse:

— Então, você primeiro.

— Ah. É... Sobre aquele dia... Eu não vim na aula ontem. É que eu não estava me sentindo bem.

— Aham. O que tem o dia que transamos?

Fiquei assustada, também com a forma que ele desviou o assunto de repente, mas principalmente pelo jeito que ele falou. Estava com um mal pressentimento e comecei a punir a garota animada que eu era a alguns dias atrás... Comecei a apertar meus dedos, mas continuei falando:

—Eu... Franklin me disse... Que você contou para alguns amigos.

— É. Algum problema?

— Não. É só que-...

— Olha Emily. Temos que ter uma conversa. Acontece que esse dia que você não veio me fez parar pra pensar sobre uma coisa. Eu não sei o que eu to tentando fazer com você.

— Hã?

— Olha, eu sou do segundo ano e você é do primeiro. Eu sou amigo de pessoas como Jhon e Victor e você... Bom, fica com aquelas pessoas... Você tem que admitir que fazemos parte de círculos sociais completamente diferentes.

— Sim. E?

— E que isso é estranho e errado, não acha? É como se duas pessoas de duas castas na Índia de repente decidissem ir contra o sistema e namorar.

— O que está querendo dizer?

— Quero dizer que, talvez nos dois juntos não seja o certo, ok? Se fosse pra ser, não acha que o universo teria feito com que a nossa união fosse um pouco mais favorável? Tipo, você é meiga, fofa e inocente e eu... Bom, eu sou eu. Eu não sou pra você. Não estou preparado para ficar com alguém com um grau de intelecto tão elevado... Está conseguindo me entender?

— Na verdade, o que você está falando não faz o menor sentido.

— Claro que faz. Viu? É por isso que não podemos ficar juntos... Olha Emily, eu quero terminar com você. Mas não estou fazendo isso por mim e sim por você.

Fiquei encarando ele durante um tempo sem conseguir processar essa informação de forma eficiente. Deixe-me ver se entendi. Há algumas semanas eu esbarrei em um menino no corredor que por acaso era amigo do meu amigo. Depois de dias de pura insistência eu finalmente dei uma chance e resolvi ser amiga desse menino. Conversamos por menos de um dia e nos beijamos. Depois eu fuji dele de novo. Depois eu voltei. Depois namoramos e não deve ter dado nem dois dias para que nos tenhamos feito sexo. Depois ele postou essa novidade num grupo de Whatsapp com milhões de pessoas. Depois ele inventa uma espécie de teoria da conspiração e diz que não devemos ficar juntos porque não é a vontade do universo... Eu entendi isso certo?! Foi isso mesmo que aconteceu?!

Então Emily Gomez Doyle foi tola o suficiente para cair numa armadilha tão obvia assim?! Porque colocando todos os acontecimentos em ordem, parece que tem placas escrito “você vai se dar mal” por todo o caminho!

Olhei pra baixo e tapei meus olhos com a mão, impedindo que a luminosidade viesse até mim. Minha cabeça começou a doer e se tivesse algum tipo de alimento no meu estomago, acho que o colocaria para fora agora.

Obviamente em vista de todos esses acontecimentos eu levantei a cabeça e disse:

— Tudo bem.

— Tudo bem? Serio?

— Serio.

— Hum... Olha Emily, se tiver se sentido mal de alguma forma seria bom se me falasse.

— Não. Estou ótima.

— Uhum... É melhor não fazer nada muito estúpido, tudo bem?

— Não se preocupe.

—Hum... Ok. Tudo bem. Bom, vou indo. Tchau. Até um dia talvez.

— Tchau.

Ele se virou e caminhou de volta para o refeitório. Só isso. Fim. Sentia-me um pedaço de merda. Como pude ser tão idiota?! Não parece você Emily! Por que se deixou cair no papo desse cara?!

Caminhei até o banheiro do corredor dos professores (que é o que fica mais vazio durante o intervalo) e me tranquei em um dos boxes. Pensei que choraria e iria começar a me sentir um lixo, mas não aconteceu isso... Eu sei como é me sentir um lixo e eu sei o que é chorar por isso... E, acredite, é bem pior.

E isso foi o suficiente para fazer lembrar-me de Charlie e todo o resto envolvido com ele. Eu tenho quatorze anos e nesse meio tempo eu venho sendo estuprada repetidamente pelo meu Diretor e segui um menino do ano acima que nem uma cadelinha para depois ser chutada de volta... Qual o meu problema?

O que eu tenho de errado para parecer que atraio coisas ruins? De tantos mil caras na escola, por que justo esse resolveu brincar comigo? De tantas pessoas que ele poderia escolher, por que eu?

E quanto ao Charlie? Por que ele fazia aquilo comigo? Por que ele gostava de me torturar de todas as formas possíveis? Por que ele gostava de me tratar como se fosse uma propriedade dele?

Por que eu não podia ser feliz?

Estática, constatei o quanto a minha vida era uma merda... E o quanto eu era patética... O quanto as coisas estavam saindo dos trilhos... Pouco a pouco e em alguns meses, meu mundo desmoronou... Completamente.

A porta do banheiro foi aberta, ouvi passos delicados e logo em seguida alguém bateu na porta do boxe onde eu estava. A voz de Eliza ecoou:

— Emily? É você quem está ai?

— Sim.

Por incrível que pareça, minha voz não saiu fraca e vacilante, mas seria e apática. Não consigo explicar o porquê, talvez tenha sido porque já estava cansada de demonstrar fraqueza.

O banheiro ficou em silêncio até que ouvi:

— Franklin me contou o que aconteceu. Inclusive a cena no intervalo de agora... Você está bem?

— Sim.

Ouvi um suspiro. A porta se mexeu um pouco. Talvez ela tenha se apoiado nela ou apenas tentado abri-la. Eu não sei. Eliza continuou falando:

— O fim de um relacionamento pode ser difícil, eu sei. Mas talvez não fosse pra ser, sabe? Ele não era o cara certo pra você. Tenho certeza que vai encontrar um.

— Esse foi o discurso mais de merda que já ouvi.

Eu falei isso alto? Eu apenas pensei isso, não era pra sair essas palavras da minha boca! Eliza não gostou muito, pois sua voz aumentou um tom na resposta:

— Estou apenas tentando ajudar, ok?

Tudo ficou em silêncio de novo. Vi sua sombra se movimentando. Ela se sentou na frente no boxe do banheiro. Ela disse:

— Sei que as coisas estão meio complicadas entre nós. Andei falando com a Jéssica, tentando fazê-la mudar de ideia... Sabe, acho que o Erick não é tão bom quanto ela vive falando. Fomos a algumas festas nos três e posso jurar que ele já deu encima de mim disfarçadamente umas três vezes... Mas resolvi não contar isso pra Eliza.

Ela fez uma pausa, provavelmente esperando que eu falasse algo. Como fiquei calada ela continuou:

— Não dou muito tempo pro namoro dos dois. Talvez mais alguns meses e então eles terminam e podemos voltar a ser aquelas três melhores amigas inseparáveis que sempre fomos.

Um silêncio incomodo seguiu, até eu falei:

— Nós duas sabemos que nada vai voltar a ser como era antes.

Silêncio mais uma vez. Eliza disse:

— Ta afim de tomar um sorvete depois da aula? Só eu e você. Podemos pegar o ônibus e ir naquela sorveteria do shopping que você gosta.

— Não, obrigado.

Si-lên-cio. Uma das torneiras do banheiro começou a pingar e eu conseguia ouvir o barulho das gotas batendo na cerâmica. Comecei a contá-las: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Eliza disse:

— Bom, eu tentei.

Ouvi o barulho dela se levantando e passos. A porta do banheiro abriu e fechou e, mais uma vez, eu estava sozinha. Apoiei minha cabeça na parede do boxe ao meu lado e suspirei. Continuei contando as gotas, voltando ao número um. Quando cheguei a cinquenta gotas ouvi o barulho do sinal indicando o fim do almoço tocando e resolvi sair de uma vez.

Ao passar pelo corredor onde fica a sala dos professores vi alguém indo em direção à sala de Charlie carregando uma pesada caixa cheia de algumas bugigangas. Era a Vice-diretora, Amanda Mason, uma velhinha gorda e baixinha, é muito amável e organizada, mas não era a diretora, pois nunca conseguia ter mão firme com os alunos. Quando passei em frente, vi a sala aberta, lotada de caixas e bem bagunçada. Parei de andar e observei, achando aquilo estranho e curioso. Quando Amanda passou por mim mais uma vez, a parei:

— Ah, Senhora Mason. Com licença, o que está acontecendo na sala do Diretor Charlie?

— Ah, olá Emily. Não soube querida? Charlie se demitiu. Vou ficar com o cargo dele, pelo menos por um tempo. Estou apenas mudando minhas coisas de sala.

— O Diretor... Demitiu-se?

— Sim. Parece que ganhou uma herança de um parente fabulosamente rico. É tanto dinheiro que acho que ele não precisa mais trabalhar — Ela deu uma risada — Quem me dera. Agora, querida, preciso ir. Estou muito atarefada.

Ela passou reto por mim em direção a sua antiga sala. Não estava acreditando.

Charlie se demitiu.

Ele foi embora.

Meu coração começou a bater rápido e até fiquei com falta de ar...

Será que finalmente havia acabado?

Notas finais
até o proximo capitulo só uma coisa: obrigada pelas pessoas q leem isso e comentam ultimamente vcs estao sendo meu unico conforto