Notas iniciais
desculpem a demora seria, isso ta me corroendo por dentro mas quero apresentar a vcs os motivos: a) trabalho novo, estou fazendo um tipo d livro pop up com uma linha do tempo representando todos os poemas/livros/contos q representam o romantismo ao longo do tempo e isso me deixa lotada b) provas começaram entao complica mais c) peguei uma gripe e ela desencadeou um ataque d asma (sim pessoas, eu tenho bronquite asmatica) e fui parar no hospital duas vezes esse fds pra receber oxigenio e é impossivel escrever nessas condiçoes sem mais delongas, aproveitem

Algo me dizia que isso não ia acabar bem... Eu jamais deveria ter beijado Hector... Céus, o que ele fará?

Hector tentou falar comigo no início das aulas, mas consegui me esquivar e entrar no banheiro feminino. Porém ele não desistiu e me procurou de novo durante o recreio, desesperado por respostas... Bom, eu também, mas ele tem que entender que isso não pode acontecer!... Por mais que eu queira.

Eu gostei do Hector... Gostei muito dele... Aliás, não consigo pensar naquele beijo sem sorrir... Foi lindo... Claro que contei para Franklin o que tinha acontecido. Ele ficou preocupado porque não confia muito em Hector, depois ficou feliz quando eu disse o quanto foi incrível e o quanto eu gostei... Mas depois ficou confuso e triste quando eu disse que jamais aconteceria de novo. Ele também perguntou o porquê... Mas eu não podia dizer a verdade... Disse a ele que eu não estava preparada, que apesar de ter sido bom eu estava com medo e não tinha certeza se Hector era o cara com quem eu queria estar... Ele acreditou facilmente.

Hector não caiu nessa... Ele pensou que o motivo para estar fugindo dele foi que eu fiquei triste ou com raiva pela forma como ele se portou ontem a noite... Não... Alias, eu realmente não me preocupei com isso... Acho que se fosse uma situação diferente eu até “deixaria rolar” como todos dizem...Mas depois de Charlie... Acho que eu nunca mais vou deixar nada “rolar”, principalmente em matéria sexual.

O patio com certeza foi o pior lugar para que eu e Hector nos falássemos... Mas eu fiquei encurralada. Ele me abordou na saída da minha sala, até pensei em continuar la já que o corredor estava vazio e todos estavam no refeitório ou fora do prédio, mas me lembrei de quando Charlie nos abordou de repente em nossa última conversa e quis sair logo de lá. Tentei me trancar no banheiro de novo, mas ele me segurou e ficou exigindo respostas e não me deixava avançar mais nenhum passo.

Pedi que me largasse. Juro que pedi. Milhões de vezes. Tentei explicar que aquilo não era certo, que não ia acabar bem, que eu não poderia, que eu tinha medo... Não mencionei o Charlie... Não podia... Mas... Hector insistiu tanto... E então, ele me disse – com aqueles olhos grandes e brilhantes que pareciam duas avelãs maduras me encarando – “Por favor Emily. Eu só quero uma explicação... Não sei o que a noite de ontem significou para você, mas para mim foi muito especial. Jamais tinha me sentido assim antes... Por favor”.

Não ia dar... Não assim...Como posso explicar? Hector me fazia sentir algo. Ele era bom, gentil e atencioso; com ele me sentia segura, bonita, divertida e... Feliz. Ele era bom pra mim... E eu não queria mais tratá-lo desse jeito.

Eu disse: “Ontem foi... Incrível. Eu gostei e eu gosto de você também... Mas isso não pode continuar.”

“Isso?”

“Isso. Você, eu... Nós. Eu não posso. Não posso ficar com você... Não posso ficar com ninguém.”

E então eu corri. Corri o mais rápido possível. Corri até o banheiro e me tranquei no primeiro boxe de lá...Depois de vomitar tudo o que tinha comido no café da manhã e no intervalo, eu me sentei no vaso e chorei todas as minhas lágrimas.

Era tão injusto! Por que não podia ficar com Hector? Por que Charlie tem esse poder sobre mim? Por que eu simplesmente não o digo para parar?! Por que eu não consigo contar a ninguém o que está acontecendo?!

... Porque eu não consigo... Eu não posso... Eu não quero...

Quem estou querendo enganar? Eu entrei no carro, eu não o desobedeci, eu fui até a sala dele quando ele pediu e eu continuei indo! Acho que, apesar de tudo, eu não passo de uma vadia...

“Você, pequenina, é a garota mais safada que eu já conheci! Você tem quatorze anos e está debruçada na mesa do Diretor do seu colégio, amarrada com uma corda e usando uma gagball e mesmo assim geme que nem uma puta quando eu faço sexo oral em você! Deveria ter cronometrado para ver quanto tempo você demorou a gozar.”

O que eu estou fazendo?!

De repente ouço uma batida na porta do boxe. Levantei a cabeça e gritei com a voz chorosa para que quem quer que seja fosse embora, mas ouvi a voz de uma pessoa que eu, realmente, não esperava ouvir:

–Emily? É você aí dentro?

–E-Eliza?

–Em, abra a porta. Me deixe falar com você.

–Não! Vai embora!

–Eu não vou. Não até você me dizer porque você discutiu com Hector no meio do patio da escola e porque está chorando escondida no banheiro.

–E por que você se importa? Pensei que não queria falar comigo!

–Não pense que eu não me importo com você. Nós somos amigas.

–Não foi isso que você me fez entender ontem.

–O que está acontecendo agora não tem nada a ver com a sua situação com a Jéssica. Sabe que eu só estou fazendo isso para resolver as coisas entre vocês.

–E essa é a melhor forma de resolver as coisas?! Me ignorando?!

–Não me peça pra escolher um dos lados do muro.

–Mas que muro?! Não tem muro! Só tem eu tentando ser uma boa amiga e avisar a Jéssica do cafajeste que ela anda mantendo ao lado dela!

–Pois o que ela enxerga é uma pessoa que ela pensava que era uma amiga, mas que ficou com inveja e ciúmes e tentou sabotá-la!

–Por que eu teria ciúmes deles? Por que eu teria inveja da Jéssica? Eu não quero o que ela tem! Quero que ela seja feliz!

–Então pare de se meter no caminho quando ela tenta isso!

Depois ela foi embora... E eu comecei a chorar mais uma vez...

.

.

–Com licença. Emily Gomez? O Diretor a aguarda na sala.

Disse a secretária na porta da minha sala.

Depois de passar o resto do intervalo e um horário inteiro no banheiro eu consegui me acalmar e inventar uma desculpa qualquer sobre “problemas femininos” para que o professor me deixasse entrar na classe.

Estávamos no último horário e eu estava tentando, pela décima vez, apagar aquele péssimo início de dia da minha mente e me concentrar na matéria que estava no quadro quando bateram na porta. Uma mulher veio me pedindo que fosse até meu inferno particular, ou seja, a sala do Diretor Charlie... Mais uma vez.

Sem escolha, eu me levantei e segui a secretária pelos corredores.

Eu não quero voltar lá. Eu não posso voltar lá. Ela não pode me obrigar. Eu posso correr... Mas ela vai achar estranho. E, com certeza, vai querer saber o motivo do meu comportamento... Talvez chame o próprio Diretor. Talvez chame a minha mãe... Ela vai pensar que eu sou uma vadia qualquer por ter feito tudo isso... Céus, minha mãe nem sequer sabe do Hector! O que ela vai pensar sobre mim!

A mulher parou na porta da diretoria e eu bati nas suas costas pois estava distraída com meus próprios pensamentos. Ela não perguntou o motivo de eu estar nervosa e olhando para os lados, não parecia se importar.

Depois de abrir a porta e me anunciar ela se retirou até a sua sala e não saiu de lá...Agora éramos eu e Charlie, os dois se encarando... Eu pensei em, simplesmente, sair correndo e não entrar na sala, mas ele disse com sua típica voz dura e grave, mais ameaçadora e carregada de fúria do que o normal (se é que isso era possível):

–Entre, Emily.

E eu entrei. Sim, eu entrei.

Com os passos mais pequenos que um ser humano poderia dar, eu entrei naquela camara de tortura e fechei a porta atrás de mim, trancando-a... A ameaça dele de me colocar entre cordas e mordaças de novo ainda estava fresca na minha memória.

Ele estava tenso e parecia se conter. Seu corpo emanava raiva e isso não me deixou nem um pouco feliz. Ele ordenou:

–Venha até o meu lado.

Meus pés pareciam se mover sozinhos e pararam ao lado da cadeira onde Charlie estava sentado. Ele a virou na minha direção para ficar de frente para mim, como daquela vez que ele me beijou.

O Diretor segurou meu pulso com força e me puxou para sua direção até que eu tive que me apoiar em seu ombro com a mão livre para não cair em cima dele. Ele passou seu braço pela minha cintura e fez com que eu me sentasse em cima e de frente para ele, com uma perna de cada lado de seu corpo.

Charlie não ficou mais calmo depois disso, aliás ficou ainda mais violento. Segurou meus dois pulsos dessa vez e os empurrou até que meus braços estivessem nas minhas costas. Seu cinto estava aberto então foi fácil para ele tirá-lo e usá-lo para prender meus braços onde ele os tinha colocado.

Ele virou a cadeira, comigo e com ele, de volta para a posição original e me empurrou até que eu ficasse quase deitada encima da mesa. A quina desta estava fazendo pressão em uma parte da minha coluna vertebral e eu sentia que aquela posição me deixaria dolorida mais tarde.

Charlie retirou a gravata e a colocou exatamente do meu lado, sem jamais tirar os olhos de cima de mim. Ele começou a dizer:

–Eu não vou te amordaçar... Não agora... Porque quero que responda as minhas perguntas.

–Perguntas? Q-que perguntas?

–Você vai ver.

Ele se inclinou um pouco e abriu uma das gavetas de sua escrivaninha que estava cheia de papéis. Depois de vasculha-la durante um tempo ele pegou um canivete.

Era prateado e vermelho metálico e era grande e parecia cheio de apetrechos. O Diretor o colocou bem na minha frente e fez aparecer dele uma lamina do comprimento do meu dedo médio. Seu brilho refletia em meus olhos e pude sentir uma gota de suor descendo pela minha testa.

Eu não congelei como das outras vezes, comecei a arfar e me balançar para sair daquela posição vulnerável em que me encontrava.

Charlie percebeu e usou a outra mão, a que não estava segurando o canivete, para prensar meu peito de volta na madeira fria da mesa. Segurando a lamina contra meu pescoço ele disse de forma pausada e, como sempre, ameaçadora:

–Agora minha querida, quero que fale a verdade e apenas a verdade para mim, ouviu? Você viu, nem que seja a sombra, de Hector Agabo ontem a noite?

Notas finais
espero q tenham gostado comentem bjs