Abusada
28 De Joelhos...
Notas iniciais
Apesar de sentir meu olho e minha cabeça doendo, estar cambaleando de sono e não estar com o mínimo humor para uma longa sucessão de aulas, era impossível tirar o meu sorriso da cara... Percebi que ficar feliz é bom. Sorri é bom. Sonhar é bom.
Hector era perfeito, sem “mas” nem “porém”... Demos muitos outros beijos pelo caminho ate é a escola, nenhum menos maravilhoso que outro, também andamos de mãos dadas enquanto ele me fazia elogios, eu só pude corar e agradecer, envergonhada.
Não percebemos o tempo passar, então acabamos chegando uns dez minutinhos atrasados... Não que eu ache que faria alguma diferença ter assistido a esses dez minutos de aula perdidos, considerando que eu não estava conseguindo prestar atenção em nada do que nenhum professor dizia.
Eu juro que eu tentei, mas era impossível! Uma coisa é passar o dia estudando e focar 100% em todas as aulas quando você não tem em quem nem em que pensar, outra coisa bem diferente é fazer tudo isso quando você acaba de ganhar um namorado... Um instante, eu disse namorado?! Desde quando eu estou namorando?! Ele não me pediu em namoro... Pelo menos não ainda... Será que eu iria gostar de namorar Hector? Eu nunca namorei ninguém antes...
–Senhorita Gomez?
Quase pulei da carteira ao ouvir meu nome sendo pronunciado. Quando despertei dos meus devaneios sobre romance percebi que estava na aula da professora Suzanne e que todos estavam me encarando. Por um segundo, me senti no meu sonho, aquele em que dormir durante a aula, e temi ao pensar no que aconteceu nele.
As pessoas continuaram me observando em silencio. Eu me recompus e respondi:
–Sim professora?
–Você está bem? Está meio desatenta a aula.
–Estou bem. Só um pouco cansada.
–Esse machucado em seu olho é recente?
–Sim senhora.
–Hum, deve ser isso. Por que não vai até a enfermeira e vê o que ela pode fazer.
–Não é necessário, mas obrigada.
–Nada disso. Esse machucado pode ser serio e você pode estar se sentindo tonta por causa dele.
Pelo pouco que conhecia a Senhora Suzanne, eu sabia que ela era uma pessoa teimosa e insistente. Como não queria discussão eu acabei aceitando, afinal, quanto mais rápido eu fosse, mais rápido eu voltaria.
A enfermaria era no corredor de baixo, junto com a sala dos professores e a administração. Eu quase nunca ia lá, com exceção de alguns acidentes durante a aula de ginastica.
Cheguei até o meu destino e entrei, encontrando o local vazio. O local era todo branco, de menos as paredes que eram de um verde calmo e claro, havia uma mesa com papeis e um velho computador, um armário onde guardavam medicamentos, um pequeno freezer, um sofá de dois lugares e uma cama.
Se me lembrava bem, o nome da enfermeira era Dorothy, uma velha ranzinza. Chamei o nome uma vez para ter certeza de que ela não estava ali e recebi o silencio como resposta... Me virei para ir embora quando tomei um susto! Charlie estava a centímetros de distancia de mim!
Parecia que uma eternidade havia se passado desde a última vez que nos vimos. Ele usava o mesmo tipo de roupa de sempre, mais social. Com exceção do paleto, que deveria ter deixado em sua sala.
Não movi um músculo sequer, apenas esperei. Primeiro surpresa, depois temerosa, depois curiosa. Ele continuou me olhando em total silencio, sem demonstrar nenhuma emoção. Acabei ficando ansiosa e impaciente de modo que resolvi perguntar de uma vez o que ele queria. Mas Charlie me interrompeu no meio da sala e disse:
–Por que veio até a enfermaria?
Charlie não se contentava com uma meia resposta, então eu teria que contar a história toda do que aconteceu ontem. E eu não queria que Charlie soubesse mais da minha vida do que ele já sabia.
Respirei fundo e respondi:
–Ordens da professora Suzanne.
Charlie esticou o braço e segurou meu queixo para levantar minha cabeça e me fazer olhar em seus olhos. Quando o fez, ele analisou meu rosto meticulosamente. Percebeu meu olho roxo. Ele disse:
–Como conseguiu isso?
–Cai da cama.
–Mentira.
–Não, eu-...
–Emily, você vai me contar agora o que aconteceu!
O tom de voz que ele usava cresceu e eu me encolhi automaticamente. Olhei para a porta da enfermaria, estava fechada. Onde diabos estava a enfermeira Dorothy?!
Charlie percebeu para onde eu estava olhando e foi como se lesse meus pensamentos. Ele soltou meu queixo rudemente e quase me fez cair para trás com a força que usou. Caminhou até a porta, tirou uma chave do bolso e a trancou. Depois, virou-se para mim e disse:
– Há câmeras pelo corredor da escola Emily, e eu tenho acesso a elas. Quando vi você saindo da sala e vindo na direção desse corredor, supus que estava vindo para cá. Então, rapidamente, disse a Dorothy que precisava de ajuda na sala de arquivos. Onde ela ficou, por um acidente do destino, trancada. Talvez ela demore um pouco para sair de lá.
Ele caminhou na minha direção e eu recuei até ficasse encurralada entre ele e a maca hospitalar. Senti suas mãos segurando meus pulsos e elas começaram a subir pelos meus braços, fazendo um tipo de carinho medonho. Ele disse mais uma vez:
– Como conseguiu isso?
– Fui em uma festa com minha irmã... As coisas se complicaram e acabei entrando em uma briga... Levei um soco de um desconhecido.
Charlie colocou sua palma na minha bochecha e tentou aproximar nossos rostos. Eu não queria. Não era ele quem eu queria beijar. Abaixei o rosto e sussurrei um quase inaudível “não”.
Charlie não gostou. Sua mão deixou minha bochecha e se cerrou em um punho. Sua respiração ficou ofegante e ele segurava com força meus dois braços. Ouvi sua voz grave e profunda:
– Não? Não?! Ah Emily, você não sabe o quanto eu estou me segurando agora para não lhe dar uma grande surra. Como você consegue tirar as maiores notas da escola se não consegue entender nem uma simples ordem? Quando vai aprender que tem que me obedecer acima de tudo?... Ajoelhe-se.
– O que?
– Ajoelhe-se, Emily!
Eu obedeci... Não tenho desculpas contra isso. Eu não lutei, me ajoelhei e mantive minha cabeça baixa. Não conseguia ouvi-lo, mas escutava claramente o barulho que a fivela de seu cinto e seu zíper faziam quando eram abertos.
Levantei a cabeça e o vi. Naquela posição, o membro de Charlie estava na altura dos meus olhos, duro, pulsante e ereto. Ele o levou a minha boca e disse uma simples palavra que saiu grave e baixa parecendo causar um eco por toda a enfermaria:
– Chupe.
Olhei chorosa para ele e sussurrei:
– Por favor, não.
Ele não disse nada. Não precisava dizer. Com uma mão segurou meu rosto pela mandíbula e me forçou a abri-la enquanto, com a outra mão, guiava seu pênis ereto direto para a minha boca.
Não foi como pensei. Achei que seria algo escamoso, com um gosto e cheiro horrível e pulsante como um coração. Mas tinha o mesmo cheiro de Charlie, não tinha gosto e era liso como uma pele comum.
Da mesma forma que o beijo, ele foi paciente. Primeiro colocou apenas a ponta na minha boca, seus dedos deslizaram do meu maxilar até a lateral da minha cabeça e a empurraram até que grande parte do seu pênis estivesse dentro da minha boca.
Ele soltou um suspiro audível quando fiz isso e suas duas mãos começaram a fazer um carinho no meu cabelo. Com uma voz rouca ele disse:
– Muito bem. Agora sugue forte, como se fosse um pirulito.
Fiz o que ele me mandou e outro suspiro/gemido saiu dos seus lábios, só que mais intenso... Certa vez, ouvira (acho que de Eglantine) que os homens detestavam quando mordíamos, que doía muito... Seria bom se eu pudesse fazer isso em Charlie.
Mas como sempre ele parecia estar presente até mesmo nos pensamentos mais fundos do meu subconsciente, pois disse:
– Eu juro que se me morder agora eu vou arrancar seus dentes aqui mesmo. – Engoli em seco já que minha boca estava ocupada – Agora, comece devagar. Mecha a cabeça pra frente e pra trás e não o tire da boca.
Mais uma vez fiz o que ele mandou. Aquilo não provocava o mínimo prazer em mim, mas me dava nojo. Pensar na posição humilhante a que eu estava me submetendo me fazia querer vomitar e a grande “coisa” na minha boca reforçava ainda mais essa ideia.
Depois de um tempo assim os dedos de Charlie se enrolaram no meu cabelo e começaram a puxar minha cabeça pra frente e pra trás mais rápido do que antes. Apertei os olhos segurando lágrimas salgadas enquanto dava alguns gemidos, mas não de prazer e sim de incomodo.
Dos lábios do diretor baixos gemidos saíam de modo contínuo até que, ao puxar minha cabeça de encontro ao seu corpo, ele deu um longo suspiro e eu senti algo sendo lançado na minha boca. Não inicio não percebi a presença do liquido pois estava misturado a minha saliva, mas logo senti o gosto. Era azedo, mas não forte como um limão; não era horrível, mas não era nenhum doce. Havia tantas coisas na minha boca que não havia espaço para tudo e comecei a engasgar. Fiquei com medo de tossir e acabar mordendo o pênis dele (não queria meus dentes arrancados) então abri a boca e o empurrei.
Virei a cabeça para o lado e apoiei as mãos no azulejo frio e branco da enfermaria enquanto tossia e cuspia todo aquele líquido que percebi ser viscoso e branco. Enquanto tossia e desengasgava pude sentir as lágrimas que eu lutei para segurar escorrendo livremente pelo meu rosto... Que visão patética eu devia ser.
Quando enfim terminei olhei para o lado e vi Charlie terminando de fechar o zíper da calça, ele olhou para mim e disse:
– Bom, por ora está bom. Deveria reclamar pela sujeira que você fez, mas vou deixar essa passar já que é a sua primeira vez.
Ele ajoelhou e bateu de leve com a palma da mão no topo da minha cabeça e disse:
– Boa garota.
Para logo depois se inclinar e beijar o topo da minha cabeça... Meus olhos arderam por mais lágrimas se formando e quase me engasguei e comecei a tossir mais uma vez.
O Diretor foi até um canto da sala e voltou me oferecendo um rolo de papel toalha. Ele me mandou limpar rápido a bagunça que tinha feito e depois de uma fungada pois meu nariz estava começando a escorrer comecei a limpar o chão... A cada esfregada eu repetia em minha cabeça “eu o odeio, eu o odeio, eu o odeio, eu o odeio...”.
Quando terminei ele jogou todo a papel que eu tinha usado no lixo e depois ofereceu a mão para que eu levantasse. Recusei a ajuda e fiquei de pé. Charlie disse seco:
– Deite na cama e espere Dorothy voltar. Já vou soltá-la. E lave essa cara. É bom que ela não se desconfie de nada ouviu?
Depois disso saio da enfermaria e me deixou sozinha, no silencio frio do cômodo com meus pensamentos me atacando na minha própria cabeça.
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