Abusada
17 Briga...
Notas iniciais
Charlie
O sinal do recreio finalmente bateu... Não consegui pensar em nada a não ser em minha bonequinha de cabelos castanhos... Ela deve estar saindo da sala agora. Hum... Talvez eu possa dar uma voltinha pelo pátio da escola. Se alguém perguntar o porquê, digo que queria sair um pouco de dentro da sala. É uma ideia perfeita.
Comecei a caminhar até o local onde Emily e seus amigos costumam ficar na hora do almoço e tive que passar pelo corredor onde ficam as salas de aula, agora vazias... O que eu poderia fazer com Emily mais tarde? Tantas opções e posições. É uma pena que essa escolha é limitada graças ao local em que estamos... Ah é, quase havia me esquecido. Preciso arranjar uma desculpa para Emily ir até a minha sala, obvio. Afinal, se ela começar a vir muito a sala do Diretor sem nenhum motivo aparente as pessoas podem começar a desconfiar... Talvez algum erro em seus arquivos... Posso ir até a sala da coordenação e pegar a pasta dela, depois é só alterar alguma folha e chamá-la para preencher os novos dados ou algo assim, quando eu terminar coloco a folha original de volta. Perfeito.
Quando percebi já estava chegando no meu destino. Emily fica na parte mais arborizada do pátio e, hoje, havia mais alunos do que o normal ali graças ao fato de estar um dia quente e o lugar ser mais fresco. Corri os olhos pelo patio, mas não encontrei quem eu queria. Jéssica e Eliza estavam conversando num canto e Franklin estava do outro lado.
De repente vejo a minha garota andando rápido parecendo frustada e um pouco brava e logo atrás dela, tentando acompanhar o passo, estava aquele idiota do Hector. Como eu odeio esse menino. O que ele está fazendo indo atrás dela?! Acho que deixei bem claro para Emily que ela estava proibida de vê-lo... Isso terá que ser resolvido.
Respirei fundo para manter as aparências e caminhei até estar próximo o suficiente para enxergar a discussão. Seria muito arriscado chegar mais perto, apesar de eu querer saber do que estavam falando.
Hector parecia triste e até um pouco desesperado e tentava pegar na mão de Emily enquanto falava e gesticulava. Ela parecia apreensiva e olhava para os lados o tempo todo, provavelmente me procurando (tomei o cuidado de ficar fora de sua linha de visão), e nunca ficava muito perto de Hector. Algumas pessoas mais próximas começaram a virar suas cabeças na direção da discussão. Vi que Eliza ficou preocupada e queria se aproximar, mas Jéssica a puxou para longe e as duas subiram as escadas para as salas de aula.
No meio da discussão dos dois Emily me viu e seu rosto foi tingido por pânico. Fiz menção de ir até o precioso “casalsinho”, mas minha garota me conhece e sabe que eu não ficaria nem um pouco feliz de ter que intervir, então ela correu e se escondeu em algum lugar fora do patio.
Hector queria segui-la, mas vi Franklin o agarra-lo e puxá-lo na direção de uma parede para logo depois prensa-lo lá usando o antebraço. Como era uma briga e Emily não estava por perto, me permiti me aproximar mais para conseguir ouvir a conversa.
Franklin apontava para Hector com o dedo e dizia com uma voz de bravo:
– Não me interessa o que você pensa que pode ou não fazer. Ela é minha amiga e eu não vou deixar que a use assim.
– Para com isso Frank! O que te faz pensar que eu a estou usando?
– Sabe o que? Ontem a noite, na sua casa. Isso me deu provas suficientes.
O que?! Ontem a noite?! Na casa do Hector?! Emily estava la?! Com ele??!! Na hora fiquei louco de raiva, mas me controlei pois precisava saber de toda a história para poder interrogar Emily mais tarde.
– Eu pedi desculpas por aquilo! Pedi mil vezes: quando ela foi embora, depois pelo whatsapp, tentei ligar pra ela e procurei ela no inicio das aulas. Só que ela não quer me escutar, nem falar comigo!
– E ela tem motivos para isso... Eu te avisei! Se machucasse a Emily ia ter comigo. Não avisei?!
Hector pareceu se cansar daquilo e segurou o pulso de Franklin que estava apontando o dedo para ele. Num giro rápido as coisas pareciam ter sido invertidas pois Hector estava atrás de Franklin e o segurava por uma chave de braço. Ele disse para o garoto domado:
– Você acha mesmo que eu tenho medo de você? Me poupe, Franklin. Eu gosto da Emily e ela gosta de mim e-...
– Ah é? Tirou essa conclusão sozinho?
– Não. Pra sua informação, ela me disse. Logo agora no patio.
– O que?
– Exatamente. Ela queria aquele beijo, mas algo a está impedindo de ficar comigo. E eu vou descobrir o que ou quem é e então, vou fazer Emily parar de ter medo.
Hector empurrou Franklin fazendo-o bater com a parede, mas o garoto usou as mãos para amortece-lo. Hector disse:
– E nem você, nem qualquer outra pessoa vai me impedir.
Ok, já chega disso. Não aguento mais esse menino... Me aproximei dos dois e cruzei os braços no peito enquanto fazia minha cara de “educador mau”. Encarei cada um dos alunos que olhavam espantados para mim e disse:
– Posso saber o que estava acontecendo aqui?
– N-não senhor – Disse Hector que de repente parecia ter perdido toda a coragem – Quer dizer, sim senhor. Não é nada e não vai acontecer de novo.
– Acho bom mesmo. Porque senão eu vou ter que suspender vocês dois e chamar seus pais. Querem isso?
– Não senhor – Disseram os dois garotos ao mesmo tempo.
– Ótimo. Agora vão embora.
Franklin saiu correndo no mesmo instante e Hector enfiou as mãos no bolso e começou a andar emburrado. Mas eu não ia deixar ele se safar assim e disse:
– Ainda não Hector Agabo. Eu ouvi sobre o que estavam discutindo.
– Não é nada Diretor. Só uns probleminhas de adolescente.
– Não me parecia um probleminha. Escute aqui, eu não quero ouvir que você está causando problemas na minha escola, nem que está perseguindo uma das jovens mais promissoras dessa instituição. Ouça o meu conselho de adulto, ela não é garota para gente como você. Então, faça-me um favor e fique longe de Emily. Para o bem de todos. Tudo bem?
O menino me olhou com uma cara confusa. Ele não respondeu, apenas balançou os ombros e continuou seguindo para aonde quer que estivesse indo. Antes que se afastasse muito, eu disse:
– Vou ficar de olho.
Pronto. Acho que consegui deixar o meu ponto... Hum... Talvez eu tenha passado um pouco dos limites como diretor... Não importa, pelo menos deve ter funcionado para alguma coisa... Resolvi o problema com Hector (por enquanto), agora resta interrogar Emily e. se necessário, acertar minhas contas com ela...
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