— Já está chorando? Ah querida, você não viu nada. Conseguiu me deixar bem irritado hoje e agora vou dar um bom motivo para chorar. Estamos apenas começando.

Depois que ele disse isso, parecia que meu coração simplesmente parara de bater, como se estivesse congelado pelo medo.

Fechei os olhos com força e comecei a pensar em vários lugares, situações e pessoas que me fazem felizes. Pensei na minha festa de aniversário de treze anos, em um acampamento que fiz ano retrasado com Jéssica e Eliza, em Eglantine e nossas travessuras quando pequenas, nos amigos dela e na festa que ela me levou a pouco tempo... Qualquer coisa que fosse necessária para me afastar daquele momento horrível.

Deixei de sentir o peso de Charlie em cima de mim e quando pensei que ele havia ido embora senti uma dor forte no meu coro cabeludo. O Diretor estava me arrastando pelos meus cabelos. Por instinto tentei levar as mãos até minha cabeça, mas não podia, pois elas continuavam amarradas as minhas costas. Então me contentei em me debater e tentar gritar o mais alto possível.

Ele me arrastou até que minha cabeça batesse com força na parede, me deixando zonza. Senti seus braços me pegando e me levantando. Não conseguia me firmar nas pernas, primeiro porque tudo a minha frente girava e segundo porque meu traseiro ainda doía devido ao sexo anal.

Charlie me prensou na parede e retirou a gagball que me amordaçava. Tossi, pois havia engasgado com minha própria saliva. Ouvi-o dizendo:

— Sem mordaças dessa vez. Quero que você grite.

Ele me girou e empurrou minha cabeça de encontro ao gesso duro e frio da parede. O Diretor mordeu com força o meu pescoço, me fazendo gritar. Usando seus próprios pés ele separou minhas pernas e num movimento rápido me penetrou com tanta força que meu corpo inteiro bateu na parede sendo seguido pelo próprio corpo de Charlie me prensando.

Ele começou a dar estocadas, curtas, rápidas e fortes enquanto eu chorava, gritava e implorava que parasse:

— Por favor, pare. Por favor! Deixe-me em paz! Está me machucando!

— Você também me machucou muito quando a vi entrando na casa de Hector.

—Pare com isso! Me solta!

— Não Emily! Eu não vou te soltar nunca! Você é minha ouviu?! Só minha!

— Pare! Eu não sou sua! Vai embora! Eu não quero isso!

— Ah você quer sim! Você adora quando eu te fodo desse jeito! Você adora tanto que não foi suficiente transar só comigo e teve que ir atrás de Hector também.

— Não! Você está errado! Não é assim que eu vejo Hector!

— Não Emily, eu estou corretíssimo.

— Não. Para, por favor.

Eu chorava como nunca e as palavras que Charlie dizia se repetiam na minha cabeça sem parar. Ele poderia estar certo? Será que no fundo mesmo, eu gostava das coisas que ele fazia comigo? Como um masoquismo doentio? E usava Hector apenas como outra forma de me satisfazer?... Não, eu não sou assim. Eu nunca fui assim. Sempre fui inocente, comportada. Era difícil me apaixonar por garotos e tinha medo de relacionamentos... Eu não poderia ser assim... Poderia?... Será que meu subconsciente queria que eu continuasse sofrendo assim? Será que eu gostava de sofrer assim?

Ou será que isso é apenas Charlie colocando ideias na minha cabeça? Como uma lavagem cerebral maluca a fim de me fazer sentir culpada. Eu disse, praticamente gritando:

— Pare de colocar ideias na minha cabeça! Seu monstro!

— Ah, então eu sou o monstro?!

Ele me puxou na sua direção e continuou me dando estocadas fortes com seu membro, me fazendo gritar a cada uma delas. Ele disse:

— É você quem vem sem reclamar até o meu escritório toda vez que eu te chamo! — Senti um tapa forte na minha bunda quando ele terminou a frase — É você que não contou para ninguém das nossas brincadeirinhas, mesmo fazendo um mês que elas estão acontecendo! — outro tapa — É você quem me seduziu até que eu não pude mais aguentar! — mais um — É você Emily a culpada disso tudo estar acontecendo!

— Não! Pare! Você é louco! Eu nunca fiz nada disso!

Como se estivesse de saco cheio de mim, ele pegou meus cabelos e me empurrou para o lado me jogando no chão com toda a força. Estava em posição fetal quando senti uma dor forte e aguda na boca do estomago. Agora, Charlie estava me chutando. A cada chute ele repetia:

— A culpa é sua! A culpa é sua! A culpa é sua! A culpa é sua! A culpa é sua! A culpa é sua! A culpa é sua! A culpa é sua! A culpa é sua! A culpa é sua! A culpa é sua!

Aquilo durou por uma eternidade. Eu chorava e chorava e chorava. Tentava abrir a boca para falar alguma coisa, mas não conseguia. Os chutes vinham continuamente e tudo que eu conseguia fazer era gemer e tossir, engasgando.

Por fim, ele pareceu cansar. Deu um último berro longo e saiu de perto de mim... Não sabia para onde ele havia ido, nem se ele continuava no mesmo cômodo que eu... Só sabia que parecia que tinha acabado.

Eu não fiz nada. Fiquei parada no chão completamente estática e tremendo de frio e medo, exatamente como da primeira vez que ele me estuprou... Não conseguia fazer nada. Queria me levantar, correr, me trancar no banheiro, mergulhar dentro da banheira cheia e talvez me afogar nela... Mas meu corpo não me obedecia de jeito nenhum.

Os soluços e gemidos acabaram, em determinado momento as lágrimas pararam de cair e meu rosto ficou cheio de trilhas de água salgada secas. Fechei os olhos, sentindo-os arder de uma forma gostosa e não sei por quanto tempo fiquei assim.

Sei que ouvi um soluço que estranhamente não tinha saído da minha boca. Com dificuldade arrastei minha cabeça para o lado até identificar de onde vinha o barulho. Charlie estava sentado na cadeira da minha escrivaninha e apoiava a cabeça nas mãos, apoiadas nos joelhos. Ele tinha minúsculas convulsões e às vezes soluçava baixinho... Não é possível... Ele está chorando!

Isso me surpreendeu, tenho de admitir, mas não o suficiente para sentir pena dele. Ele deve ter percebido que eu o encarava, pois levantou o rosto rapidamente. Havia lágrimas no canto dos seus olhos e seu nariz estava avermelhado. Encaramo-nos durante um tempo até que eu virei minha cabeça e voltei para a minha posição original.

Outra vez, longos minutos se passaram até que ouvi Charlie se levantar. Ouvi seus passos seguindo até o banheiro para então ouvir o barulho de água escorrendo na banheira. Ele se aproximou e de repente senti suas mãos retirando o cinto que me prendia e seus braços me erguendo do chão e me pegando no colo delicadamente.

Queria ter me debatido e gritado, mas estava tão cansada e com tanta dor que tudo que consegui emitir foi um baixo ruído de protesto.

Fui conduzida até o banheiro onde ele colocou cuidadosamente na banheira cheia de água quente. Juro que nunca tinha tido uma sensação melhor que essa. Meus músculos pareciam estar flutuando e era como se eu pudesse sentir toda a tensão e dor indo embora. Completamente derrotada apenas fechei os olhos e apoiei minha cabeça na borda da banheira.

Senti minha esponja sendo passada pelo meu corpo de forma a não provocar nenhum machucado. Percebi que havia um cuidado maior em passar pela minha barriga e cochas. Mãos massagearam minha cabeça e meu cabelo fazendo a dor passar. Senti líquidos escorrendo pela minha testa que deveriam ser xampu e condicionador. Depois fui completamente enxaguada.

Ouvi o barulho do ralo sendo aberto e senti o nível da água abaixando cada vez mais. Quando comecei a sentir calafrios, uma toalha felpuda e cheirosa me envolveu e mãos fortes me levantaram e me carregaram de volta para o quarto.

Ele me colocou deitada na cama e me secou com cuidado. Senti uma roupa macia sendo colocada em mim, provavelmente meu pijama que fica em cima do travesseiro. Logo, fui levantada mais uma vez, por pouco tempo, depois ele me pousou de volta ao colchão e senti-o me cobrindo com o lençol e o cobertor.

Ouvi seus passos para longe e logo a claridade diminuiu mostrando que ele havia apagado as luzes, mesmo assim não ousei abrir meus olhos.

Não trocamos qualquer outra palavra e não entendia porque ele havia feito aquilo tudo comigo... Mas não queria pensar naquilo àquela hora. Apenas me remexi de forma a ficar mais confortável na cama e deixei que o sono me levasse o que não demorou muito tempo.

Tudo que eu queria naquele momento era dormir e viajar para um mundo diferente. Esquecer da dor, da confusão e do medo. Apenas relaxar e dormir...