Notas iniciais
Okay, se o nyah! não cortar minhas notas, como sempre... Primeiramente, desculpe pela demora... ENEM, FUVEST, terceiro ano afetam minha criatividade ;-;' Mas agora terei mais tempo ~ (espero ;-;) E bom... Não vou enrolar porque sei que querem ler... E obrigada por betar, Fani-chama!

“... Isso não poderia ter um final feliz, poderia? Mas quem sabe, não poderia ter um final satisfatório?”

Esse é um sentimento tão sufocante que te impede a respiração. Você não consegue se mexer um milímetro sequer, mesmo que a adrenalina corra em suas veias e que eventualmente você vá reagir, os segundos em que isso não ocorre são tão assustadores porque seu cérebro manda os comandos, grita as ordens, mas seus membros não se movem. Às vezes isso não dura um minuto, mas parecem séculos em que você é presa do próprio medo.

Se você corresse, estaria a salvo.

Mas você não corre.

É como dar uma tragada num cigarro e não conseguir soltar a negra fumaça que já fez o estrago necessário em seus pulmões.

Como se afogar.

No entanto, o mais chocante, é perceber que todo e cada segundo em que sobrevivi desde que Mihael Keehl se foi, eu vivo com um cigarro na boca.

E o terror de ter um psicopata me encarando com olhos famintos não é nada em comparação a não ter aqueles dois olhos azuis. Nada.

– O que você está fazendo aqui? – perguntei da maneira mais firme que pude.

Fiquei um tanto surpreso por não ter gaguejado, por realmente ter conseguido mostrar firmeza em minhas palavras. Mas, de novo, só existe um quadro nesse mundo que eu temo, e ele já se concretizou.

Não há medo em se perder algo que já há muito está perdido.

– Olá, Mail. – a forma como ele dizia meu nome era tão... Não sei explicar, mas as quatro letras, quatro miseras letras, pareciam o dobro, como se de repente eu tivesse um nome muito longo e que ele pronunciava com calma, como se estivesse saboreando algo doce.

– Olá, Beyond... Não, Evans. – pronunciei seu possível sobrenome, como numa aposta muda comigo mesmo.

Ele lambeu os lábios e se incorporou, seus olhos fixos nos meus, sem piscar uma única vez. E então, os cantos de sua boca se levantaram de uma maneira um tanto sombria. E sua mão esquerda estava em meu rosto. Mesmo sendo tão pálida, quase doentia – não tão diferente da minha – era quente, totalmente diferente do esperado. Diferente das mãos de Mello. E eram grandes, e percebi o quão alto ele seria se endireitasse a coluna.

E tinha o cheiro... O cheiro doce... Eu conhecia... Hoje mesmo, no metrô eu havia sentido quando um homem alto passou por mim. E não era a primeira vez. Percebi, então, que há tempos ele estava por perto. No mercado, ao conseguir um novo trabalho, ao sair para fumar ou apenas para dar uma volta.

Sua roupa era um tanto social, mas bagunçada, não tão arrumada como o homem que passara por mim mais cedo, mas... Como era possível que eu não tenha percebido isso antes?

– O primeiro nome, você descobriu? – não respondi, e ele aproximou a boca de meu ouvido e sussurrou – É Joshua.

Joshua Evans.

É um nome muito bonito, suave, mas ao mesmo tempo forte.

Inesquecível.

Eu abri minha boca para questionar alguma coisa. Não sei exatamente o quê, eram tantas coisas... O que ele fazia ali? O que queria comigo? Porque suas iniciais eram uma cicatriz em minha boca?

No entanto, nada saiu, e como se nada... Ele me beijou.

Fiquei estático, e antes mesmo de pensar em afasta-lo, ele mesmo o fez. Foi só um curto selar, e tudo o que registrei foi que sua boca estava rachada e era um tanto áspera.

Depois ele tornou à geladeira e a fechou – eu nem mesmo havia percebido que estava aberta, para começar — e quando me olhou de novo, passando a mão no cabelo, para trás, tirando a franja que insistia em ficar sobre seus olhos, dei um passo para frente, ainda decidindo o que fazer.

Então, ele pegou um sobretudo jogado no balcão – que, mais uma vez, eu não havia visto – o dobrou de qualquer jeito no braço e se dirigiu à porta.

– Nos veremos novamente. – estava prestes a sair, a mão na maçaneta.

– Espere! – o impedi e ele olhou para mim esperando uns bons segundos antes de eu formular qualquer coisa – Você... Você coloca suas iniciais em todas as suas coisas... Por que em mim também?

Um sorriso quase doce se abriu em sua boca.

– Isso não é óbvio?

E, como se nada, foi embora.

Como fumaça... E como algum tipo de sonho, porque essa foi uma situação que me pareceu tão irreal que após a porta se fechar tive que me certificar mais de uma vez que tinha mesmo acontecido. Que eu estava acordado. Que eu não estava louco.

Então, ao perceber que eu estava seguro e que sua inesperada e sem sentido aparição havia sido tão efêmera e que em momento algum ele havia querido me fazer mal – ou assim me pareceu – a adrenalina que havia corrido em meu paralisado corpo desapareceu e minha pernas estava bambas me forçando a encostar na parede mais próxima em busca de apoio. Escorreguei até o chão e deixei que o oxigênio preenchesse meus pulmões.

O quê...

Arregalei meus olhos e cobri minha boca, impedindo um grito de sair, chocado demais com tudo aquilo. Um choque tardio.

O que demônios havia acontecido?!

Era assustador.

Porque ele, Joshua Evans, Beyond Birthday, é um psicopata que já matara mais pessoas do que eu poderia contar nos dedos das mãos e dos pés. E, aparentemente, ele tinha algum tipo de obsessão doentia comigo... E se ele veio aqui foi para me mostrar que tinha fácil acesso a minha casa, aos lugares que frequento... Tudo. Acesso a mim.

Mas o pior era saber que o que me assustou tanto não foi nem mesmo o fato de ter sido uma presa fácil e vulnerável, nem seus olhos famintos em meu corpo quase nu, sem o sangue em suas mãos ou que minha vida poderia estar em perigo... Não, nada disso.

Minha falta de reação foi o pior. Eu não pensei em como fugir ou me defender, em como preservar minha própria vida. Apenas fiquei ali, esperando algo acontecer... Esperando? Não... Querendo que algo acontecesse.

Eu estava curioso, e mais de uma vez senti uma pontada de expectativa tão aguda que ecoava dolorosamente em meus ouvidos.

E continuava ecoando, me impedindo de fazer o que sabia que seria o certo... Certo para quem? E eu sequer tinha uma noção disso ainda? Afinal, mais de uma vez peguei um trabalho sujo ou sorri quando algum político corrupto teve um enfarto fulminante... Agora mesmo eu sentia os cantos da minha boca se erguendo e algo se formar em minha garganta... Algo que há muito não fazia...

Comecei a rir.

Eu não tinha ideia do que havia acontecido agora e me parecia complicado demais pensar sobre minhas próprias reações anormais. Pensar no quão suicida e doente eu era. É só que... De repente tudo isso parece tão inútil... Todas as minhas preocupações e inseguranças... Era até engraçado pensar que momentos antes havia um serial killer na minha cozinha e que tudo o que eu estava vestindo era uma toalha.

É realmente cômico ou estou ficando louco?

Assim, ao invés de pensar em como prender Beyond ou ligar para Near e deixar isso em suas mãos eu apenas continuei rindo até lágrimas escorrerem por meus olhos e me faltar ar.

Continuei a rir enquanto no automático me vestia e me enfiava debaixo das cobertas, e quando finalmente parei foi como... Foi como se eu tivesse soltado a fumaça de um comprido e interminável cigarro que estava sempre em minha boca.

Respirei fundo e com olhos vidrados num teto que eu não enxergava pela escuridão do quarto eu só pude pensar que ficaria resfriado por ir dormir com cabelos molhados...

Mas, antes de fechar os olhos, eu lembrei de suas últimas palavras.

“- Isso não é óbvio?”

Eu esperava realmente que não... Mesmo que lá no fundo talvez quisesse o contrário.

Notas finais
Eu sei, curto ;-;'''' Estou trabalhando nisso >w