Notas iniciais
Não demorei tanto dessa vez, não é?~ Bom, sendo sincera, vai ser curto. E provavelmente, mais uns dois ou três já que serão narrados por outras personagens também. Mas acho que finalmente penso em como será o final. Boa leitura! E revisei, mas estou com tanto sono que nem sei se conta, como sempre, qualquer erro me avisem

Nem sempre as melhores histórias tem finais felizes.

Mas o que é um final feliz? É quando termina com todas as personagens sorrindo? É quando termina com todos os leitores sorrindo? Ou quando termina em tragédia, mas o protagonista não tem arrependimentos afinal? Quando o mundo é salvo? Quando o herói fica com a mocinha? Quando a excluída da escola é convidada para o baile pelo garoto mais popular?

O que faz o “final feliz” realmente feliz?

Onde entram as possibilidades? Se um pai de família morre ao lado da amorosa esposa e filhos bem sucedidos com seus oitenta e nove anos, todos dirão que ele viveu uma vida plena, não? Mas e se ele deixou a verdadeira chance de ser feliz escapar por amar a pessoa mais corretamente errada?

Quem pode julgar se um final é feliz ou não?

No fim, creio sempre será uma questão de ponto de vista.

Eu já me perguntei que dia chegaria o meu “felizes para sempre”, questionei ao nada dia após dia e esperei na angustiante esperança à sombra do meu pessimismo. No entanto, eu percebi que não é o final, nunca é. E tampouco é o começo, mesmo que esse seja bem importante. É apenas aquele momento intermediário em que você vive o melhor o possível, em que você tenta dizer ou fazer sem pensar muito no amanhã, mas sem esquecer totalmente dele.

E era isso que eu tentava fazer agora, viver.

O meu “começo” havia sido há duas semanas atrás, quando escapei de morrer nas mãos de um serial killer e por mais que tenha sido um dos momentos mais tensos e assustadores da minha curta vida, eu passaria por aquilo de novo, se fosse para ver o mundo como vejo hoje.

Me olhei no espelho enquanto escovava os dentes, e é até estranho não pensar em nada ruim. Sou só eu, enxaguando minha boca e dando uma rápida olhada no lado dentro do meu lábio inferior para ver como vai a cicatrização da lembrancinha que Beyond Birthday deixou. E por sinal, ela vai muito bem, obrigado.

Eu não havia dito nada sobre ela para Mello, nem mesmo para L, mesmo sabendo que poderia ser algo importante para a investigação. Bom, importante para eles, eu não sabia bem por que, mas... Eu sentia “J.E.” era algo muito mais intimo, algo que ele fez espontaneamente e não algum tipo de dica para descobrir que não era só um jogo e sim de algo muito maior no final. Eu duvidava que devêssemos esperar por algo grande. Nada aconteceria.

Tinha pesquisado sobre ele, e aparentemente a única coisa em especial que ele fazia e que o marcava como serial killer era deixar... Geléia de morango nas geladeiras das vítimas.

Talvez... Talvez fosse um nome? Ou quem sabe...

Braços fortes envolveram a minha cintura ao mesmo tempo que lábios quentes beijaram minha nuca, fazendo meu corpo se estremecer. E... Adeus raciocínio.

– Bom dia. – falou agora contra a minha própria boca, e me deu um breve selinho.

– Bom dia, Mello. – sorri e me virei para olha-lo melhor nos olhos.

– Seu cabelo cresceu bastante... – comentou pegando uma mecha que quase batia em meu ombro e cheirou, fazendo meu rosto esquentar, como sempre. E seu sorriso se alargou, sabendo o que causa em mim. Idiota.

– Está na hora de cortar... – falei tentando acalmar meu coração que parecia querer sair do meu peito quando sua outra mão em minhas costas desceu um pouco mais do que devia, assim como tentava fazer que meus músculos não ficassem tão tensos ao seu toque.

– Não, eu gosto assim... Te deixa ainda mais parecido com uma garota. – disse isso e rapidamente saiu do banheiro desviando do sabonete que tentei tacar em sua cabeça.

– Agora eu definitivamente vou cortar, idiota! – gritei e fechei a porta com força, escondendo meu rosto vermelho entre as mãos, mas logo escutei duas batidas rápidas.

– Mas, sério, você fica bonito assim. – escutei a voz abafada pela porta — Te espero lá embaixo.

Talvez eu não cortasse tão cedo.

Ou talvez eu raspasse.

Sorri sabendo que não faria isso, e simplesmente terminei de me arrumar, sentindo os lugares onde havia sido tocado formigarem.

Já pronto, me dirigi para o refeitório onde meu agora namorado loiro me esperava, com a sua e a minha bandeja feitas à mesa. Corei um pouco – pra variar – e me juntei a ele. Meu café era preto e pouco adoçado exatamente como eu gostava. Comemos em silêncio, cada um com seus pensamentos.

Mello parecia distraído e olhava para algo além de mim, o que me deu a oportunidade de estuda-lo melhor sem ter que terminar com o rosto vermelho, o que vinha acontecendo bastante. Sempre fiz muito isso, e sempre me considerei discreto porque ele nunca falava nada, mas desde que estamos juntos, juntos, parece que ele faz questão de fazer algum comentário sobre isso.

Observei como sua boca desenhada estava um pouco seca e rachada e fiz um lembrete mental de arranjar manteiga de cacau para ele. Seu cabelo também havia crescido e já havia perdido o corte, sua franja era maior e ele a deixava de lado. Eu gostava de seu cabelo assim, por mais que eu soubesse que ele podia ser careca e eu o acharia tão perfeito quanto sempre achei, mas seus fios dourados menos certinhos lhe davam um ar mais... Selvagem? Sensual?

No entanto eu sabia que ele voltaria a cortar, para falar a verdade.

Mesmo se eu dissesse que gostava assim.

Como se no meio de todas as milhares de mudanças que eu estava sofrendo, Mello não me acompanhasse do todo.

.A b s t r a t o.

Quando começou a entardecer as aulas foram suspendidas porque havia uma grande possibilidade de tempestade das pesadas, e os professores não queriam passar a noite na Wammy’s. Um ou outro moravam aqui, como o professor de auto-defesa que era mais uma aula extra à nossa escolha. Assim como outros funcionários sua verdadeira função era proteger a mansão. Sendo assim nos dispersamos para fazermos o que quiséssemos.

Mello estava na quadra coberta jogando alguma coisa com as crianças mais novas, e eu resolvi voltar para nosso quarto para fazer algumas pesquisas simples sobre os nomes e sobrenomes mais comuns na Inglaterra. Eu iria fazer uma lista, porque eu havia concluído que as duas letras que Beyond Birthday havia marcado em mim, só podiam ser a sigla de um nome.

Sentei na escrivaninha e abri meu notebook, pegando um caderno qualquer e uma caneta para anotar.

Comecei a anotar todos os nomes e sobrenomes com a letra “J” e depois fiz o mesmo com a letra “E”. Não considerei os femininos, mas também não os descartei. E eu sabia que tudo isso era um tiro no escuro, incluindo considerar apenas a Inglaterra, mas se minha intuição estivesse certa, então certamente era um nome masculino, o do próprio Beyond. Também, considerando seu forte acento britânico eu deduzi que ele poderia ser natural daqui, já que as crianças Wammy’s, mesmo sendo de diversas partes do mundo geralmente chegam já com certa idade. Mello tem um sotaque germânico muito leve, mas deixa totalmente à mostra quando está bravo, por exemplo.

Minha lista estava meio grande, e dificilmente eu acharia primeiro nome só com isso, mas se “J.E.” estiver seguindo nome e depois sobrenome, então não seria tão difícil descobrir o sobrenome. Até porque realmente não tinham muitos com a letra “e”, em mais de uma lista com os sobrenomes mais comuns, só um começava com a segunda vogal, então, ainda usando deduções sem fundamento algum que provavelmente não darão em nada, eu chego a um veredicto.

O sobrenome de Beyeond Birthday é Evans.

Ou assim espero.

Ou talvez, melhor ainda, não deveria esperar e ir agora mesmo contar sobre isso para L, quem certamente sabe o verdadeiro nome do meu agressor e quem sabe, não se importasse de me contar ou deduzir qualquer coisa que pudesse aplacar minha irritante curiosidade.

Soltei um pesado suspiro.

Eu sabia que não faria isso, e não sabia o porquê, mesmo que de uma coisa estivesse certo... Isso não poderia ter um final feliz, poderia? Mas quem sabe, não poderia ter um final satisfatório?

Notas finais
Ah... Começo a pensar sobre procurar um beta... Bom, será que Matt deu mesmo um tiro no escuro? Chu*