Abstinência

18 Facada nas costas


Notas iniciais
*Tenho algumas coisas pra dizer lá nas notas finais, então leiam por favor. Opa, olá! Recebi uma recomendação novaaaa!!!!!!!!!!!!!! A maravilhosa Kitsune Amaterasu, que sempre comenta aqui, fez uma recomendação super linda e cheia de amor. Não tenho palavras para expressar o quão feliz eu estou e nem sei o que posso fazer pra agradecer. Acho que só posso manter e melhorar a qualidade da fanfic para condizer com tudo o que ela falou no textinho ♥ Um beijo especial pra você, meu amor! Esse capítulo eu dedico a ti!! Beijos e boa leitura! Hoe~

Chego aos bastidores e vejo Len conversando com o pessoal da multimídia. A sensação boa de tranquilidade que Kaito me passa é engolida num segundo e tenho de me forçar à aproximar-me mais do loiro que está de costas.

— ...a última faixa. – ouço-o terminar a frase antes de entregar um pendrive à um dos responsáveis. O homem assente com a cabeça e adianta-se, acredito eu, para a cabine que fica acima da platéia.

Junto coragem e cutuco meu irmão. Ele se vira lentamente sem demonstrar emoção.

— O que foi?

Seu tom de voz é seco e sinto-me arrepiar ao mesmo tempo em que encolho os ombros. Estou acuada, mas por quê? Não fiz nada de errado!

Talvez ele pense que sim. Melhor explicar.

— Olha, eu esbarrei com ele e estávamos pondo o papo em dia. Não aconteceu nada de mais.

— Eu não disse que havia acontecido. – ele diz, mas seus olhos não são capazes de esconder a acusação que está fazendo em silêncio.

Primeiramente eu estava disposta a ser compreensiva, pois sei dos ciúmes que ele deve sentir de Kaito devido à noite que passei em sua casa e a letra de música que ganhei de presente juntamente de toda a confusão que criei por causa dela. No entanto, graças a sua resposta, a vontade de ser boazinha evaporou e o que ficou foi uma Rin um pouco menos doce.

— Você deduziu algo estranho. – digo – Do contrário, não teria agido daquela forma.

— Desculpe se não tenho tempo para pôr o papo em dia, Rin, mas há um programa a ser gravado aqui. Não podia simplesmente deixar você lá e fazer a entrevista sozinho.

— Então está dizendo que o fato de eu estar com Kaito não te incomodou nem um pouco? – pergunto cruzando os braços.

— Exato.

— E que só foi grosso com meu amigo porque estava na hora das filmagens?

— Você é esperta. – ironiza e posso sentir a raiva inundando meu corpo.

Não me importo em deixar-me levar pelas emoções e abro bem a boca para pronunciar as próximas palavras:

— E você é um grande-

— Yollow-K, entrada em 20 segundos. – um dos diretores de palco me interrompe com um grito apontando para a porta de entrada do estúdio.

Sem esperar por mim, Len começa a caminhar na direção imposta. Eu tento me recompor enquanto vou atrás dele mantendo uma boa distância.

A música de abertura começa e ouvimos a apresentadora dar as boas vindas às câmeras e a platéia. Assim que nossos nomes são pronunciados, nós entramos e várias pessoas gritam de euforia. Tento parecer simpática mandando-lhes beijos e acenos de mão. Len está fazendo o mesmo, mas com um sorriso muito melhor que o meu.

Quando a música tema termina, nos sentamos no sofá ao lado da poltrona da apresentadora que aguarda pacientemente até que a platéia esteja mais calma para começar a falar.

— Boa tarde, Rin e Len. É um prazer tê-los aqui conosco. – ela estende uma das mãos para nos cumprimentar e posso ver que seu esmalte é de um tom vermelho sangue, assim como o resto de suas roupas. Em qualquer outra pessoa, a não variação de cores poderia ser considerado uma falha de moda e falta total de gosto, mas não nela.

— O prazer é todo nosso, Meiko! – meu irmão responde e eu permaneço com o sorriso falso estampado na cara.

Só consigo relaxar e agir mai naturalmente quando meus olhos caem sobre uma cabeleira azul logo, abaixo do palco, que lutava para fingir que entendia os comandos do chefe de câmera.

★★★

A entrevista segue de acordo com o que nos foi informado na espécie de script que lemos algumas horas antes. Algumas perguntas rápidas relacionadas a nossa passagem pelo hospital, mas sem muitos detalhes, seguido de um questionário mais profundo sobre o sucesso do último álbum, a lotação dos shows durante a turnê e nossa visão para o futuro do grupo. A tudo, respondemos com entusiasmo e dissemos mais ou menos o que os fãs querem ouvir, como sempre. No meio da conversa, me pego imaginando quando foi que ficamos tão automáticos em relação ao showbiz.

Digo, desde que descobrimos nosso amor pela música, sonhamos com o estrelato e a divulgação de nossos sentimentos através de nossas vozes, mas hoje somos praticamente marionetes da mídia. Nossas letras são quase todas extremamente comerciais, assim como nosso visual. Há muito tempo também que não digo o que realmente penso diante das câmeras e tenho quase certeza de que Len jamais o fez.

Num momento de lucidez – ou não – resolvo mudar a situação.

— E quanto ao lado pessoal de Rin e Len? – Meiko cruza as pernas – Apesar dos vários boatos que ouvimos de vez em quando, nunca foi confirmada alguma relação de vocês com outras pessoas que não fossem do grupo. Acham que o trabalho impossibilita a criação de laços?

— Bom, Meiko, nós sempre damos prioridade à nossa música e... — Len começa a resposta ensaiada que sempre damos quando nos perguntam sobre relações afetivas, mas seguro sua mão esquerda que estava pousada na almofada ao meu lado – Rin?

— Os horários e tarefas realmente não ajudam muito, mas isso não quer dizer que não tenhamos amigos ou até mesmo que nos interessemos por algumas pessoas. — a platéia vai a loucura devido à sua empolgação. Olho para meu irmão, que está pálido e coço a garganta antes de continuar – O maior problema na verdade é que somos novos demais para conhecer pessoas de forma interessante.

Meiko ri devido à reação do público.

— Forma interessante?

— Em bares e boates, ora. Ou quem sabe, em caminhadas noturnas pela cidade. – digo e acabo arrancando mais risadas da entrevistadora e da platéia. Procuro por Kaito e vejo que ele também está rindo bastante enquanto apóia um dos cotovelos na aparelhagem.

— Bom, acho que você tem razão quanto à isso, Rin. Mal vejo a hora de vê-los celebrando seu aniversário. Aposto que teremos muitas novidades. Posso contar com isso? – a mulher de cabelos curtos e castanhos se dirige a platéia – Vocês querem ver os irmãos Kagamine arrasando nas noitadas, não é mesmo?

Fico satisfeita com a reação geral, e, quando olho para Len, sua cor voltou ao normal e ele quase ri junto dos demais. Eu diria que sua expressão é de mais puro alívio. Pergunto-me o motivo.

— Acha que sua irmã vai dar muito trabalho, Len? – a morena provoca.

— Ela já dá. – responde num tom brincalhão.

— Olha quem fala! – resmungo alto o bastante para que todos peguem minhas palavras e novas risadas ecoam pelo estúdio.

— Vocês parecem ter mesmo muita sintonia. Não tenho dúvidas de que isso reflete na música. – Meiko puxa a conversa de volta para o rumo do programa com muita habilidade – O que acham de uma pequena demonstração do que estou falando?

Essa é a pergunta chave. Nossa deixa para fazer nossa performance.

— Ora, mas é claro. – Len e eu levantamos ao mesmo tempo, mas o loiro Poe a mão em minha clavícula e vira-se novamente para a apresentadora – Meiko, acha que posso ir sozinho?

— Vocês são meus convidados esta noite. Sintam-se à vontade! – responde simpática ao fazer um sinal com a mão como se estivesse abrindo caminho para meu irmão.

Não digo nada enquanto observo Len ir até a parte da frente, onde assistentes de palco estão arrumando os microfones. Quando está tudo certo, as luzes mudam para um tom mais quente e um holofote foca no cantor.

— Essa canção é inédita. – avisa ele e a platéia volta a estourar em gritos histéricos – Minha querida irmã a compôs há pouco tempo e hoje vou apresentá-la à vocês.

— Ai meu Deus... – sussurro.

Não, ele não faria isso...

Faria?

— Senhoras e senhores: Prisioner.

Minha boca se abre num “o” e minhas sobrancelhas se unem em desespero quando ele começa a cantar quase que imediatamente após a apresentação. Os instrumentos vem de caixas de som, tal como os efeitos de som, mas sua voz é 100% real e mesmo assim não posso acreditar que ele esteja de fato fazendo isso comigo.

Agradeço silenciosamente por estar numa parte escura da cena, pois tenho certeza de que minha face nesse momento ganharia destaque em todas as revistas de fofoca quando o programa for ao ar.

Nervosa e sem ter o que fazer, permaneço sentada esperando que esse inferno acabe. Recebo cada verso e sinto cada entonação como uma flechada no peito: tanto pela traição de Len quanto pelo que deve estar causando à Kaito ouvir sua preciosa letra sendo cantada ao vivo para uma platéia e que, mais tarde, será transmitido para milhares de pessoas.

O que ele deve estar pensando de mim? Como poderei reverter isso? Procuro por ele, mas tudo está turvo demais.

Vem o refrão e minha garganta aperta e meus olhos ardem, mas faço o possível para impedir as lágrimas de caírem. A canção é linda, tocante, e me faz sentir pior a cada segundo por não ter lido nenhuma vez sequer até hoje.

Agora vejo a correlação entre ela e Paper Plane e quase desejo ser a menina da história, só para poder morrer e sumir desse mundo.

Percebo que a música está chegando ao seu fim e tento, com todas as forças, me recompor pela segunda vez desde que chegamos à essa maldita gravação.

As luzes se acendem aos poucos, voltando ao tom frio das lâmpadas de led e todos estão aplaudindo. Len agradece e larga o microfone para ajeitar a franja. Quando volta para seu lugar no sofá, Meiko me parabeniza pela criatividade e a meu irmão pelo desempenho, mas mal posso acompanhar o que acontece depois, pois estou prestando atenção à um ponto específico abaixo do palco.

Uma das câmeras está abandonada, sem alguém para girá-la ou comandá-la.

— ...Rin?

— O quê? – pergunto subitamente.

— Estava pensando em que quando compôs esta letra magnífica? – Meiko pergunta parecendo realmente interessada.

Com a cabeça a mil, não consigo elaborar nenhuma resposta decente.

— Eu não sei. – é o que digo.

— Ela é muito tímida quanto à suas criações. – Len sorri e passa um dos braços ao meu redor. Não me movo e continuo em estado de choque até finalmente tudo acabar.

★★★

— Como você pôde?! – grito assim que saímos do estúdio. O corredor está lotado, mas não me importo.

Len não me responde. Ao invés disso, segue seu caminho até o camarim onde foi arrumado e fecha a porta na minha cara. Não me dou por vencida e esmurro a enorme estrutura de metal.

— Len, você não tinha esse direito! Não acredito que foi capaz de uma coisa dessas! Por que fez isso?! – eu bato na porta e choro ao mesmo tempo. Não demora até que alguém venha até mim junto de Subaru.

— O que está havendo, pelo amor de Deus? – o empresário pergunta agarrando-me pelos ombros.

— Ele não podia ter cantado aquela música! – esperneio tentando livrar-me de seu aperto, mas tudo que consigo é chutar a porta produzindo um som de lata caindo no chão. – Seu covarde!

— Eu também fiquei surpreso já que não foi a música combinada e também porque não fui informado de nenhuma letra inédita. Yuhi e Blanca vão se ver comigo..

— Foda-se isso, Subaru! – berro com todo o ar de meus pulmões e lhe dou um soco no braço – A letra..! Eu... Eu... — começo a gaguejar e sinto mais ódio ainda — Len, seu filho da puta! Você sabia que ele estava aqui! Você sabia!

Uma equipe de seguranças da emissora aparece para me acalmar e pedir a todos que deixem o local, mas não consigo agir com racionalidade e é só quando já estou do outro lado do corredor, próxima a saída que me dou conta de algo.

— Eu tenho que vê-lo! Por favor, me solta! – peço aos brutamontes que me carregam – Por favor! Eu preciso consertar as coisas! Ele é meu amigo!

— Nós vamos ter que trancá-la no carro. – Subaru adverte à todos, ignorando-me por completo. – Eu tenho que fazer um monte de coisas e buscar o Len. Esperem por mim.

— Não! – me sacudo para atrapalhar e atrasar os homens.

— Rin! – Subaru grita – Ou você para com essa palhaçada ou eu vou te sedar num hospital. Está ouvindo?

Volto a chorar depois da ameaça e percebo que não há como convencê-lo a me deixar ir. Paro de me mover e aceito meu destino.

Notas finais
1- Gostaram da capa nova? Eu cansei da outra porque acho que parecia muito com os Rin e Len de 14 anos que conhecemos, enquanto que nessa fanfic eles tem quase 18. 2- Estou atrasadíssima com os reviews, então peço um SUPER perdão pelo vacilo!! 3- Decidi que dá sim pra esticar a fic um pouquinho e ir até o capítulo 25 pelo menos. Uhuul! Bjss e até mais! Espero que favoritem a história também porque isso ajuda pra cacete.