Absinto

4 Um encontro


Ronald, estava saindo do bar. Já havia feito todas as suas tarefas de hoje, e seu patrão faturará em torno de 150 libras. Ele queria dar uma volta, não estava com vontade de voltar para casa. Pegou seu irmão e deixou na casa da Sra. Sallen, e foi dar uma volta. Voltaria tarde. Queria voltar tarde.

Era 4 de Abril, um dia deveras especial. Sua mãe farias 50 anos hoje se ainda estivesse viva. Aquele tristeza que invade alguém e é bem forte. Ronald estava com frio, mas não tinha roupas melhores. Uma calça rasgada, um blusa suja e fedorenta, bastava. Seus traços eram jovens, mas ele não tinha muita espectativa de vida para si mesmo. Mesmo sendo um menino especial.

Ele andava em direção ao cemitério, quando o relógio soou 11 horas da noite. Ele pegou o caminho, onde se passava bem rente aos bosques, pra ver se pegava algumas flores de inverno para sua mãe, ou senão encontrasse nada, alguma folhas secas bastava.

Depois de uns 15 minutos catando, folhas e algumas flores murchas, ele viu um vulto sentado na rua, encolhido apoiando as costas em um muro de um terreno baldio. Ele inicialmente pensou que era um cachorro gande, ou um mendigo. O vulto estava tão encolhido que ele não sabia distinguir o que era. Ronald era um menino curioso. Ficou observando, até acelerar o passo, e ir na direção daquilo. Até que quando começou a temer o que fosse, porque... nunca se sabe... ele percebeu que era um mulher. Chegando mais perto percebeu que era uma menina encolhida perto de um muro... mais perto ainda viu que ela chorava, escondendo o rosto entre as pernas, e o cabelo loiro e lido ajudando a tampar.

Ronald se aproximou, pelas roupas viu que era uma menina rica, loira, não loira cabelos cor de ouro, era uma loiro cor de mel, branca, aliás, muito branca mesmo, magra, porém bem encorpada.As roupas dela estavam rasgadas, e ela exalava um cheiro de cerveja. " Esse povo rico devia se cuidar mais". Por um momento pensou em deixar ela, mas o fato da menina estar chorando mexeu com seus sentidos. Ele se aproximou.

Agachando bem em frente a ela, tocou com o dedo de leve seu ombro. Nada. Ela nem mecheu.Continuava a chorar. Ele tentou mais forte. Nada. Então ele chamou.

- Oi.

Pela primeira vez ela deu um sinal de vida que não consistia em só soluçar. Levantou um pouco a cabeça,com ainda metade do seu rosto coberto pelo cabelo.

Os olho verdes de Alice focaram no estranho. A imagem estava meio desfocada pelas lagrimas. Mecanicamente ela respondeu:

- Oi.

Ronald nunca viu um oi tão sem vontade. Sentou em frente a ela. Fazia frio, e ambos se encolhiam para se resguardar, pois nenhum dos dois estava com vestimento ideal.

- Sou Ronald.

- Alice.

- Você está bem?

Pela primeira vez Alice tirou o rosto totalmente do seu esconderijo que consistia em suas pernas e cabelo, e encarou o estranho. Era bem alto, e musculoso. Tinhas as roupas surradas e rasgadas, e os cabelos ondulados encrespados, a pele era de um moreno claro.

Ela balançou a cabeça positivamente.

Ronald não acreditou. Toucou delicadamente no vestido rasgado e húmido de cerveja.

-Pra fora é melhor do que pra dentro.

Alice encarou o estranho. E seu um sorriso infeliz. Olhou para a roupa e suspirou.

- Temo que isso não fora erro de mira da minha parte.

- E fora erro de quem?

Alice sentiu que ia começar a chorar de novo. Mas suspirou e disse.

- Das pessoas.

Ronald olhou para a menina. Ela deveria estar bem bonita quando saiu de casa. Infelizmente o vestido rasgado e molhado de cerveja e a maquiagem borrada, deviam ter acabado com sua noite. Ele hesitou mais no final perguntou.

- O que aconteceu?

Alice simplesmente ficou quieta. Ronald pensou em pedir desculpas, mas quando ia começar com o gesto, Alice desatou a falar tudo.

Quando acabou Alice disse:

- Queria outra vida.

- Não Alice não queira.

Ronald contou sua histórias. Aqueles momentos em que desconhecidos desabafam seu males um para o outro. Mas não fora contados todos. nem da vida de Ronald nem da vida de Alice.

Mas apesar de tudo aquilo era um começo... infelizmente o meio já estava próximo.

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