About my feelings
5 Por quê? Ficamos juntos e já nos separamos
Notas iniciais
Kakashi
Depois de ver o Kou se declarando para ela, não consegui mais ficar no Fes-tival.
– Yo Kakashi, achou a Nazuna? – Gritou Obito de longe.
– .........
– Cara, você não conseguiu? – Indagou Asuma vindo atrás de mim.
– Não. Quer dizer, eu achei, mas...
– Que merda.
– Bem, eu vou para casa. Não tenho mais nenhum motivo para ficar aqui. Aproveito e vou andando, para esfriar a cabeça.
– Ok. Se cuida cara.
# * #
Estava tomando o rumo de casa, e vi um cachorrinho que pareci perdido correndo na rua.
– Ora, você também está sozinho, rapaz?
De repente, um outro cachorro chegou perto dele, os dois se cheiraram, brincaram um pouco e depois saíram correndo.
Nossa.
Nem os cães da rua são tão solitários.
Continuei andando e acabei me deparando com uma rua de duas vias. As duas levavam a minha casa; olhei bem para cada caminho, e decidi percorrer o mais longo.
O caminho possuía uma longa estrada com asfalto para carros, e em suas bordas havia estradas de pedra para os pedestres. No lado esquerdo do asfalto, se encontrava um pequeno rio, que se situava depois de um barranco não muito grande. Era realmente muito bonito. O barulho da água descendo em seu leito era calmante.
Só eu estava andando na rua naquele momento, e isso me deixou um pouco apreensivo.
De repente, escutei passadas forçadas sendo disparadas contra a estrada de pedras, correndo atrás de mim. Me virei bruscamente para ver o que era, e me de-parei com uma garota com vestido de Maid correndo.
Era Nazuna.
– Kakashi, seu baka! – Ela gritou de longe, em quanto se aproximava de mim.
– O-O que você está fazendo aqui? Não deveria estar com.... – Fui inter-rompido por socos disparados em meu peito por ela – E-Ei, N-Nazuna, para! O que você está fazendo?!
– Baka! Baka! Da onde você tirou essa ideia de que eu estou namorando?! – Ela não parava de disparar socos contra mim.
– O-O Obito e o Asuma te contaram? Bem, eu vi você e o Kou e então....
– S-Seu.... Ah...! – Ela levantou a cabeça para me dar um soco mais forte, mas eu acabei escorregando e ela, na tentativa de me segurar, acabou caindo junto.
Rolamos barranco abaixo, como duas toras de madeira.
Quando finalmente paramos, estávamos em posições embaraçosas: eu em cima dela, com uma de minhas pernas entre as dela e com minhas mãos apoiadas no chão, uma em cada lado da cabeça dela.
– N-Nazuna, d-desculpe, eu já vou sair.... – Nesse momento ela segurou a gola da minha camiseta, me impedindo de sair. Eu corei bruscamente, como ela também – E-E... o-o que foi?
– Eu não estou namorando.
# * # * # Alguns minutos antes # * # * #
Nazuna
Eu estava começando a tirar a fantasia de Maid, quando Rin me chamou e disse que Kou queria falar comigo.
– Nazuna-chan, posso falar com você, a sós? – Disse ele com um sorriso con-vencido.
– Pode. – Respondi, um tanto indiferente.
Descemos as escadas e ele me levou para um local mais distanciado das pessoas, atrás de umas barraquinhas de comida, na parte da escola onde tinham algumas árvores. Ele falava, todo convencido por estar ali comigo. Mas eu não escutava. Já sabia o que era, ele queria ficar comigo simplesmente para dizer que tinha ficado comigo. Ao longe eu procurava Kakashi, com os olhos.
– E aí Nazuna-chan, você...
– Não, eu não quero. – Simplesmente respondi sem olhar para ele, com um sorriso no rosto, por ter visto Kakashi ao longe.
– M-Mas, eu nem terminei!
– Já sei o que vai dizer. Minha resposta para você sempre será não. Lembre-se disso, ok?
Quando desviei o olhar dele, procurei por Kakashi de novo, mas ele já não estava mais lá. Sai correndo para procura-lo, mas foi em vão, não encontrei. Acabei esbarrando em Rin e Kurenai.
– Ei, vocês viram o Kakashi?
Elas me olharam espantadas.
– Não, por quê? – Kurenai falou.
– Não acho ele.
– Calma, vamos perguntar pro Obito e o Asuma. – Rin colocou uma das mãos no meu ombro.
Eu já estava quase tendo um infarto de tanto correr, e de nervosismo.
Cristo, o que foi que eu fiz para merecer isso?
– Hey, vocês viram o Kakashi? – Gritou Rin de longe, em quanto nos apro-ximávamos deles.
Obito e Asuma me encararam com uma cara estranha.
– Ele acabou de sair, por quê? – Disse Obito, com um tom de desaprovação, que soou meio grosso.
– Preciso falar com ele. – Respondi, apreensiva.
– Ah, sim... pena. Ele já foi. E você? Quer falar o que com ele? Não é melhor ficar com seu namorado?
Travei.
O que ele disse?
– ......
– Hey Obito, não seja grosso. – Falou Asuma botando a mão no ombro dele. – Não é culpa dela.
– D-Do que vocês estão falando? E-Eu não tenho namorado.
– Peraí, mas o Kou não se declarou pra você? – Falou Obito assustado, arregalando os olhos.
– Eu recusei.
– Ai, merda.
# * # * # Agora # * # * #
Kakashi
Eu a olhava surpreso, sem saber que palavras usar naquele momento.
– F-Foi isso que aconteceu?
– Claro, baka. Por que eu aceitaria namorar com aquele idiota?
– P-Por acaso, o Asuma, ou o Obito te disseram o que eu queria com você? – Ela balançou a cabeça negativamente – B-Bem, eu...
Ela não me deixou terminar a frase que vinha martelando minha cabeça por três semanas. Fui interrompido por um puxão forte na gola de minha camisa, que aproximou mais aina o meu rosto do dela, sinti minha máscara do rosto ser retirada a força, e logo depois tive meus lábios bloqueados pelo toque dos dela. Foi apenas um selinho demorado, mas.... foi....
– N-Não precisa falar. Eu sei. Eu ia fazer a mesma coisa. – Fala ela me en-carando com o rosto vermelho. Imagino que o meu deveria estar do mesmo jeito, envergonhado.
“Deus, o que é isso? Essa sensação é boa demais.”
Não consigo me segurar a esta vontade incontrolável, e tomo seus lábios macios e delicados mais uma vez, porém em um beijo de verdade. Calmo, porém cheio de luxúria em certo ponto. Toquei sua bochecha, que estava quente, e passei meu polegar, acariciando. Senti minha camisa ser pressionada por uma de suas mãos.
Depois de certo ponto, a falta de ar nos atacou, e tivemos que nos separar. Pude contemplas o rosto envergonhado da garota a minha frente, que mantinha seus olhos fixos nos meus, com a luz da lua brilhando neles.
E, de novo, a vontade incontrolável assola minha mente, e não pude conter. A beijo com mais intensidade do que da outra vez, e ela corresponde na mesma altura. Logo peço passagem, e ela sede. Exploro sua boca minuciosamente, en-quanto repouso minha mão em sua nuca. Mais uma vez, ela corresponde da mesma forma, o que deixa meu corpo quente. Sinto que ela também estava ardente.
De repente sua mão repousa em meu peito, o que me leva a separar meus labos dos dela, mas ainda me manter perto de seu rosto. Rua respiração acelerada que saia dos mesmos lábios que a pouco eram tomados por mim exalavam aquele hálito de menta que sempre senti de longe.
– Estou sem a-ar.... – Ela fala, colocando a mão em minha bochecha, e mirando seus olhos brilhantes nos meus.
Eu me separei um pouco mais dela, e me levantei, ainda me mantendo sentado perto de Nazuna. Não evitei cobrir minha boca com uma de minhas mãos. Meu rosto queimava de tão vermelho. Sinto ela passar sua mão em meu cabelo delicadamente, e viro meu rosto para encara-la. E vejo seu famoso sorriso de olhos fechados. Eu abracei com força, sendo retribuído da mesma forma.
# * # * # * #
Nazuna
Acordei no outro dia com o bater do sol em meus olhos. Ainda não acreditava no que havia acontecido na noite anterior.
Ele tinha os lábios quentes e macios. Lembro de como a luz da lua fazia seus olhos negros brilharem de uma forma bela. Só de lembrar, meu rosto cora violentamente.
# * # * # * #
Era o segundo período da aula, e o Kakashi não havia chegado.
“Por que será que ele faltou? Vergonha? Não, duvido muito.”
Deixei essa passar. Ele podia ter pegado um resfriado, afinal, nós fcamos até tarde no relento.
# * # * #
Segundo dia, e ele faltou de novo.
Não consegui me segurar, e quando o sinal tocou anunciando o intervalo, fui até o Obito e o Asuma.
– Ohayou gente, é.... vocês sabem por que o Kakashi não veio ontem nem hoje? – Sinto Rin e Kurenai chegarem atrás de mim.
– V-Você não soube? – Fala Asuma com uma cara assustada.
– Do quê?
– B-Bem, o pai do Kakashi....
Ele deu uma longa pausa, me deixando ainda mais preocupada.
– …se suicidou.
Meu corpo travou. Meu coração falhou em seus batimentos. Senti minha barriga se revirar, e meu corpo suar frio. Era como se o mundo a minha volata estivesse parado.
“O quê? Eu escutei certo?”
Minha primeira reação foi ir até minha mesa e começar a arrumar minhas coisas na mochila.
– Hey, Nazuna, o que vai fazer? – Pergunta Kurenai surpresa.
– Diga ao professor que passei mal, ok?
– Hã? Como assim? Tá fazendo o que guria? – Indaga Rin confusa.
– Apenas diga isso. – E sai correndo da sala.
Aproveitei a distração do porteiro e sai do colégio. Logo, comecei a correr em direção a casa de Kakashi.
“Por que você não me falou nada? Droga Kakashi!”
Quando cheguei no portão de sua casa toquei a campainha e em seguida um homem alto atendeu.
– Pois não?
– E-Eu gostaria de falar com o Kakashi, sou amiga dele.
– Ah, sim já vou chama-lo.
De repente vi ele surgir na porta.
– K-Kakashi!
– Vamos conversar em outro lugar. – Falou ele, seco.
Eu nunca havia visto ele com esse olhar, ou com essa expressão em seu rosto. Meu coração apertou.
O segui até o barranco onde tínhamos nos beijado no dia passado.
– Você já sabe do meu pai, não é?
– S-Sim.
– Mas, sabe o porquê de ele ter feito isso? – Kakashi se virou para mim e me olha nos olhos, e eu balançei minha cabeça negativamente – Ele estava se en-volvendo com uma mulher do seu trabalho, o que não é normal dele, e ele acabou sendo influenciado por ela a tomar decisões que normalmente não tomaria. Sabe o que resultou? Ela era casada. Só estava com ele por interesse. E o pior, é que todos do trabalho ficaram sabendo. Tá aí o motivo dele cometer suicídio: humilhação.
– ........ – Não sabia realmente o que responder.
Um silêncio terrível pairou entre nós, até que ele o quebra.
– Eu não quero isso para mim.
– C-Como assim?
– Você sabe.
– Não, não sei. Quero escutar da sua boca. Fale. – Meus olhos começam a lacrimejar. “Por favor, não seja o que eu estou pensando.”
– Meu pai tomou atitudes que nunca tomaria por amor. Eu tomei algumas, mas ainda tenho tempo de desfaze-las.
– Você não está me falando isso. Eu não acredito. Sério? Você acha que eu estou te usando? Que vou te prejudicar? É isso?
– Não sei.
– NÃO SABE? COMO VOCÊ ME FALA QUE EU POSSO TE PREJUDICAR E “NÃO SABE” COMO?
– Não que você me prejudique. É o amor que eu sinto por você que vai me prejudicar. Esse ano, eu finalmente tinha assumido o que sinto por você, e eu cai mais no ranking de notas, estou em quarto.
– E daí? Eu fiquei em terceiro.
– Isso importa para mim.
– Mais que eu...?
– ....... – Ele não respondeu, mas eu sabia a resposta – Eu vou sair da cidade. Vou ir morar com meu tio.
– O-O quê?
– Eu não vou ficar aqui.
– M-Mas e....
– Não tem nós. – Ele virou as costas e me deu um “tchau” com a mão.
Fiquei olhando ele se distanciar até sumir.
Minhas lágrimas não paravam de querer sair de meus olhos, escorrendo por minhas bochechas e logo depois caindo de meu queixo, parando no chão... molhando o mesmo com pequenos pingos de lagrimas doidas.
Eu podia senti-las gelar a minha pele, com o vento que batia em meu rosto, que também influenciava meu cabelo a se mover descontroladamente, assim como minhas lagrimas, que saiam sem controle.
Cai no chão. Ajoelhei. Deixei as singelas gotas de chuva que começaram a cair me molhar, e se misturar com as que saiam dos meus olhos.
Eram gotas de chuva que levavam tudo embora. Menos aquela ensurdecedora dor.
Meu coração doía. Meu corpo doía. Minha mente doía.
# * # * # * #
Depois de alguns meses, o ano acabou e eu pedi para meu pai para sair daquela cidade. Mesmo já tendo se passado meses, tudo ali naquele lugar me lembrava ele. Principalmente aquele maldito barranco.
(Flash Back off)
Nazuna
Eu acordei na manhã seguinte com o vento batendo na janela. Olhei para meu criado mudo do lado da minha cama, e vi o álbum de fotos. A foto da turma estava sobre ele. Com aquela simples foto, todas as lembranças daquele ano fatídico vieram a minha mente.
Eu realmente não queria aquilo de novo na minha vida.
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