About my feelings
6 Só mais um dia em minha vida
Notas iniciais
Nazuna
Eu acordei na manhã seguinte com o vento batendo na janela. Olhei para meu criado mudo do lado da minha cama, e vi o álbum de fotos. A foto da turma estava sobre ele. Com aquela simples foto, todas as lembranças daquele ano fatídico vieram à minha mente.
Realmente eu não queria aquilo de novo na minha vida.
Fui tomar um banho frio para esfriar o corpo. Depois desci para tomar meu café.
No dia anterior, descubro que sou colega de trabalho do Kakashi. E em seguida, todos os velhos sentimentos que eu esperava esquecer completamente mudando novamente de cidade, voltam à tona como se sempre estivessem ali. Na verdade, sempre estiveram, eu apenas tentei joga-los em um poço escuro e fundo da minha memória, mas não adiantou nada.
# * # * #
Chegando na escola me deparei com o mesmo grupo de alunos, que agora já conhecia os nomes, fazendo a mesma algazarra de antes. Pareciam até um pouco mais exaltados.
E lá ia eu, passando de fininho para não ser notada. Tentativa inútil, que foi logo percebida pelo loiro hiperativo que veio ao meu encontro.
– Ohayou gozaimassu Mizutani-sensei!! – Gritou, literalmente, ele ao se aproximar de mim.
– Ohayo, Naruto-kun.
– Hey, hey, o que iremos fazer hoje na aula?
– Vamos iniciar a resolução de sistemas de equações por método de substituição, até agora aprendemos somente o método de adição.
– Ah.... E é muito complicado?
– Não, não, depois que se aprende fica fácil. – Desse-lhe com um sorriso nos lábios.
Logo comecei a me distanciar, na esperança de encerrar o papo, o que deu certo. Aleluia!
Andei pelo mesmo corredor que dava para o pequeno e florido pátio com suas cadeiras e mesas confortáveis. Encarei o lugar e decidi me sentar.
Fiquei apenas observando o movimento das arvores à minha frente, que eram levadas no ritmo calmo do vento, enquanto suas folhas secas caiam sobre o chão, tingindo-o com um verde velho.
Kakashi
Estava andando em corredor e me deparei com Nazuna sentada em das cadeiras do pátio arborizado, observando o movimento das árvores à sua rente. O vento mais uma vez bateu e, desta vez, envolveu os cabelos negros dela em sua sincronia. Pude sentir seu aroma delicado.
Continuava igual.
Me lembrou o dia fatídico depois do festival. Meu coração apertou. Era coincidência demais justamente ela aparecer em minha frente de novo, não? Não me segurei e caminhei até ela, que mantinha seus olhos fechados.
– Bonito aqui, não? – Ela abriu seus olhos rapidamente me encarando sem expressão alguma.
– É... – Foi a única coisa que ela disse, antes de um silêncio mortífero pairar no ar.
– Sabe Nazuna...
– Não comece. – Antes mesmo de terminar ela me cortou – Não quero escutar. – Ela se levantou e começou a caminhar, e eu a impedi segurando seu braço com força.
“Por favor, não vá embora.”
– Você não sabe o que tenho que te dizer.
– Ah, eu sei sim. Quer recomeçar do zero? Esquecer o passado e seguir em frente, com um novo caminho? Foi isso que eu tentei fazer ao me mudar para cá, mas infelizmente, você apareceu trazendo à tona coisas que eu queria esquecer a todo custo.
Senti uma pontada de felicidade ao saber que eu trouxe à tona coisas que ela queria esquecer. Isso significava que ela ainda sentia algo por mim. Mesmo que fosse pequeno, minúsculo, microscópico, eu queria trazer esse sentimento de volta, e o faria ser maior do que ela já sentiu uma vez.
Eu queria ela de volta.
– Nazuna, eu sei que você não quer isso, mas por favor. Eu fui um idiota, egoísta e ridículo no passado. Eu tinha acabado de perder meu pai, e minha cabeça estava cheia de sentimentos, e eu não sabia o que fazer com eles, mas, por favor, eu quero retomar as coisas.
– Retomar o quê, se nada começou?
– Quer que eu lhe mostre? – Falei em um sussurro e abaixando minha máscara.
Puxei-a pelo braço que eu estava segurando, e eliminei qualquer resquício de espaço que poderia ter entre nós dois. Encarei os olhos negros e assustados dela, como já havia feito uma vez e toquei seus lábios, com a maior delicadeza. A fiz se render e aceita-lo, pois, pude perceber seu impasse. Ela estava incerta.
“Seus lábios.... continuam frios e macios, como daquela vez.”
Porém, para meu desgosto ela desfez o beijo, antes de eu intensifica-lo.
– Você está ficando louco, e se alguém nos vê? E com que direito vem me tocando dessa forma? – Ela disse se afastando de mim.
– Eu disse que lhe mostraria, foi o que eu fiz.
– Você tem certeza que quer ter essa conversa aqui?
Não dei tempo para ela pensar em mais alguma coisa, e puxei ela pelo braço novamente, porém, para meu eterno desgosto, o maldito sinal tocou. Ela se soltou de mim e me encarou com uma cara emburrada.
– Conversamos depois. – Foi somente o que disse antes de virar as costas e me deixar ali.
# * #
O sinal havia tocado novamente, anunciando o fim das aulas daquele dia. Para o meu azar, não consegui encontrar Nazuna no intervalo, e duvido que eu a encontrarei agora.
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Nazuna
Eu me levantei tarde naquele sábado quente. Quente é pouco, escaldante. Não havia dormido muito bem, pois na noite passada me ocupei preparando as provas dos meus alunos. Fazia quase três semanas que comecei a dar aulas para eles, e já estávamos entrando em época de provas. Pelo que pude perceber da turma, a maioria se sairia bem, mas quem me preocupava mesmo era o Naruto-kun. Ele parecia se esforçar, mas.... perdia o foco seguidamente nas aulas.
Fui para o banheiro e tomei um banho frio, para refrescar. Depois coloquei uma roupa bem leve e fui tomar café. Quando desci as escadas me deparei com a baderna da noite passada. Muitos papeis espalhados, junto com canetas, lápis e borrachas. Comecei a recolher tudo, e logo tudo já se encontrava organizado.
Finalmente sentei na mesa para desfrutar de meu café.
Porém, a campainha toca.
“Quem será? Não conheço quase ninguém da vizinhança…”
– Oh, Iruka-sensei? O que te traz aqui?
– Ah, desculpe o incomodo Mizutani-san, mas vim falar com você sobre o Naruto.
– Sim, claro. Entre.
– Issureshimasu.
Mostrei para ele onde poderia se sentar, e assim, comecei questionando:
– Você disse que queria falar sobre o Naruto-kun?
– É, sim. Desde muito tempo eu venho acompanhando o desenvolvimento dele, com isso tenho uma afinidade com ele, como a senhorita já sabe, e por conhece-lo bem sei que ele possui uma dificuldade grande em matemática. Como já deve ter percebido ele dispersa facilmente sua atenção durante as aulas.
– Hum, sim. Eu estava pensando justamente a mesma coisa. – Falei, alcançando uma xicara de café para ele – E aí, cheguei à conclusão de que só ele precisa de algo complementar.
– S-Só ele? – Me falou com uma cara assustada.
– Ah, mas eu já pensei em uma solução: vou dar aulas de reforço para ele depois das aulas convencionais. Não se preocupe, vou fazer o meu melhor para ensina-lo – Abri um sorriso, na tentativa de acalma-lo.
– H-Hay, arigatou gozaimassu, Mizutani-san.
Depois de terminar seu café, ele foi embora.
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Segunda-feira, levantei preparada para recomeçar a semana. Nossa prova seria na próxima semana, e eu precisava resumir o conteúdo para o Naruto-kun.
Naruto
A aula seguia como sempre, até tocar o sinal, indicando que o período de matemática havia terminado.
– Ah, Naruto-kun, será que você pode vir aqui um instante? Quero falar com você. – Falou a Mizutani-sensei antes de sair da sala.
– S-Sim, já vou.
– Heeee... o que você fez agora dobe? – Sasuke veio provocativo par cima de mim.
– Nada que te interesse, teme.
– Há, deve ter feito alguma merda de novo.
– Ah, cala a boca!
– Hey, Naruto! Pare de discutir com o Sasuke-kun e venha logo! – Mizutani-sensei gritou.
Fiz mais uma careta feia para o Sasuke e fui em direção a sensei. Ela me levou até a sala dos professores. Parecia que queria conversar privadamente comigo.
“Ai droga! O que será que eu fiz dessa vez? Será que vou levar uma bronca? ”
– Bem Naruto-kun, eu te trouxe aqui para falar sobre as suas notas. Eu vi seu boletim do primeiro trimestre, e não me agradou muito.
– Ah, há, há, há…. E-Eu vou levar uma bronca ou algo do tipo...?
– Não, não, eu só quero te ajudar, então pensei em te dar aulas de reforço esta semana, para você se preparar para a prova. O que acha? Topa?
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