Notas iniciais
Eu estava morta a meses, mas algum milagre me trouxe de volta a vida. Não deveria pedir mais desculpas por sumir (porque já fiz isso umas 1500 vezes e ngm aguenta mais) mas desculpem. Principalmente a quem mandou review e mp preocupado com a história Não tem indicação de música dessa vez, sorry

Quando ambos abriram os olhos novamente, a meia luz do quarto do Kirk era tudo que tinham. Havia uma lágrima também, compartilhada pelos dois, inegável prova da dor da perda de quatro mil seres.

— Desculpe-me. — A voz de Jim estava grossa, embargada pela emoção. Ele pigarreou, fechando os olhos azuis por um segundo. — Você não precisava...sentir isso comigo.

Spock sentiu a garganta apertada, o eco da tristeza proveniente da fusão ainda reverberando em sua mente, como se fosse seu próprio. Ele passou as costas da mão pelo rosto, limpando uma lágrima que não era sua, mas sairá inegavelmente de seus olhos.

— Pelo contrário, Jim. Eu pedi que dividisse seu fardo comigo, e não é minha intenção fazer algo diferente disso. — Foi difícil encontrar as palavras, mas o Vulcan conseguiu.

Seu capitão não conseguiu segurar seu olhar por muito tempo, escondendo o rosto entre as mãos. Ele respirava profundamente, e Spock sabia que ele fazia o possível para controlar sua resposta emocional. O Vulcan não disse nada, apenas esperou. Ele não deveria interferir, e quando estivesse preparado, Jim falaria.

Sete ponto quatro minutos depois, as palavras vieram.

— Eu tinha 12 anos quando fomos para Tarsus IV. Sam tinha fugido de casa a alguns meses, eu e Frank brigávamos todos os dias, e ele achou que seria bom que Winnona me levasse com ela em sua próxima missão, porque "não me aguentava mais". — Jim ainda cobria os olhos com as mãos, mas suas palavras eram controladas.

— Tarsus IV tinha escolas para os filhos de trabalhadores de lá, então ela simplesmente me levou. Achei que seria bom passar um tempo longe do Frank, e mais tempo perto dela, então fui sem reclamar. Ah, se eu soubesse. — Ele riu, mas não havia nenhuma diversão ali. Seus lábios se torceram em auto aversão, e ele abaixou ainda mais o rosto. Mais alguns segundos de pausa, e continuou.

— Winnona era tão ocupada em sua maldita pesquisa top-secreta-absolutamente-indispensável que eu mal via a sua cara. Mas pelo menos não tinha Frank, e isso por si só já era melhor que Iwoa. Apenas um mês depois que estávamos lá, começaram os primeiros boatos sobre as plantações. — Jim tirou a mão da frente dos olhos, mas sua cabeça continuava baixa, e ele focava em alguma coisa no tapete.

— Todos diziam que era um fungo nativo do planeta que simplesmente se desenvolveu de mais, e começava a apodrecer as plantações. Eu sabia que não era isso, desde o início. Ouvia as conversas de Winnona com sua equipe pelo comunicador, o fungo foi plantado lá. Foi boicote, queriam interromper a pesquisa deles, que quando tudo acabou a Frota Estelar revelou ser sobre um novo tipo de arma biológica. Nunca descobriram quem plantou o fungo, mas tudo indicava ser alguém da própria equipe. Cômico, não? Ter suas próprias armas viradas contra seu povo. — Jim passou a mão pelo cabelo, um sorriso cheio de raiva torcendo seu rosto.

— A partir daí, foi tudo muito rápido. Todas as plantações já tinham ido embora em menos de duas semanas, os estoques de comida eram muito poucos para essa situação, os replicadores não davam conta e sobrecarregaram muito rápido. A população não sabia o que estava acontecendo, e começou a se revoltar. Nesse ponto, eu já tinha fugido da casa que estava com Winonna. Nós tínhamos mais comida que os cidadãos comuns, por ela ser da equipe de pesquisa, e isso não entrava na minha cabeça. Porque mereciamos mais comida que os outros? Eu não era melhor que ninguém, eu não merecia aquilo. — Sua voz tremeu, e Jim engoliu as palavras. Ele suprimiu um soluço, e Spock sentiu alguma coisa alfinetar seu peito.

— Foi aí que conheci Lydia e as outras crianças. Cada uma tinha uma história diferente. Algumas já eram órfão, outras tinham perdido seus pais nas primeiras revoltas, e outras tinham apenas fugido, como eu. Eu tirei meu ship de identificação, e ajudei com alguns saques. Vimos muitas pessoas morrerem nesse saques, a polícia local não poupava as armas letais. Quando já tinha se passado pouco mais de um mês que tudo tinha começado, as coisas estavam tão ruins que as pessoas trocavam qualquer coisa por um pedaço de pão. Vi meninas da minha idade oferecerem seus corpos aos guardas em troca de qualquer coisa comestível. Era terrível de se olhar, mas quem poderia culpá-las? Qualquer coisa é melhor que aquela terrível fome, aquela dor que parece que vai rasgar sua barriga em pedaços. Ficamos sabendo sobre o golpe de estado de Kodos, e achamos que talvez o esquema de repressão melhoraria...e foi então que chegamos onde você viu. O mais terrível é que as naves de abastecimento e resgate da Frota Estelar chegaram dois dias depois. Dois dias.

Ele levantou os olhos, mas não focou em Spock. Ele olhava para algo além dele, como se ainda visse os fantasmas de suas memórias. O azul de suas íris estava manchado pelo vermelho do choro contido.

— Quando entrei pra Frota Estelar, adulterei os meus registros sobre Tarsus IV. Não exclui, apenas criptografei. Não queria que ninguém visse aquilo, que todas aquelas pessoas tiveram que morrer enquanto eu... porquê eu continuei vivo? De todas elas, porque Winonna decidiu me salvar se ia...se eu não merecia...

Seus lábios tremeram, e ele escondeu os olhos novamente.

— Spock, eu não quero mais falar sobre isso. Eu sei que preciso, mas eu não consigo agora. Podemos, por favor... — um soluço interrompeu suas palavras, e ele apertou os lábios. O choro contido já ameaçava quebrar todas as defesas de Jim.

— Tudo bem, Jim, você foi bem. Não precisamos falar sobre isso no momento, você deve se acalmar e descansar agora. — Spock se levantou do tapete de medicação, segurou os antebraços de Jim e gentilmente o puxou para cima.

— Está tudo bem, Spock. Você poderia só...me deixar sozinho agora? — já de pé, Jim afastou seus braços do Vulcan, fugindo de suas mãos e de seus olhos.

— Tem certeza? Eu poderia ficar, você aparece—

— Eu estou bem! — Ele cortou, um pouco mais alto do que deveria. Automaticamente arrependido, Jim se encolheu ligeiramente, contraindo os lábios. — Desculpe, eu não quis gritar. Mas é sério, eu estou bem. Só preciso dormir um pouco. — ele se virou, já caminhando em direção a cama.

— Como quiser, Jim. — Spock recolheu suas mãos, ainda estendidas em direção ao outro. Ele caminhou até a porta, parando alguns centímetros antes do alcance dos sensores. — Se precisar de qualquer coisa, não exite em me contactar. Estarei aqui imediatamente.

Ele sentiu mais do que ouviu o concordar suave de Jim, e sem demoras, saiu.

O capitão jogou-se em sua cama no mesmo instante que as portas fecharam, um suspiro trêmulo deixando seus lábios. Sentia-se miserável, lembrar daquilo era doloroso de mais. A morte de todas aquelas pessoas queimava seu peito como um ferro em brasa, mas a pior parte não era essa...As palavras de sua mãe, elas ainda ecoavam em sua cabeça incansavelmente. Ele não queria mais ouvi-las, ele queria ter morrido com todos eles para não ouvir aquilo.

Ele merecia isso, aquelas pessoas não. Ele devia ser o único a morrer ali. Jim, o indigno, deveria ter morrido em Tarsos IV. Ou mesmo antes disso, lá na Kelvin, no lugar de seu tão honroso pai.

Ele deve ter merecido, no núcleo de dobra também. Deveria ter ficado daquela forma, se ele nunca seria bom o suficiente para merecer viver.

Um soluço cortou seus pensamentos, junto com as lágrimas quentes que quase feriam seu rosto. Ele tateou no criado mudo, pegando o hypospray que McCoy lhe dera. Injetou-o apressadamente, rezando para que o calmante tirasse aqueles pensamentos da sua cabeça.

Jim encolheu-se na cama, apertando-se contra suas pernas, esperando que derivasse em direção a calmante escuridão do sono.

Mas quando ele veio, não era como Jim esperava.

~

Seus olhos azuis abriram-se para a escuridão de seu oceano particular. Como inconscientemente já havia se acostumado, ele procurou pelo portão, pelas águas quentes, os cheiros desconhecidos e a companhia agradável.

Porém, eles não estavam lá.

O portão ainda estava, mas a pequena rachadura que lhe dava o vislumbre do outro lado não existia mais. Ele nadou desesperadamente para lá, tateando a pedra escura, procurando qualquer passagem. Procurou pela água qualquer resquício do cheiro ou do calor, mas não tinha nada.

Seu peito se apertou, doeu. Ele não sentia mais nada vindo do outro lado.

Bateu no portão, desesperado. Onde estava seu companheiro? Ele estava com dor, precisava de ajuda. Gritou, mas nenhum som saiu de seus lábios. Ao invés disso, ele viu sangue.

Vermelho, como o brilho de T'Khut*. Era seu sangue, e ele estava sufocando nele. Seu peito doeu ainda mais, e ele tentou gritar ainda mais alto. Seu companheiro tinha que ouvi-lo, ele tinha estado lá esse tempo todo. Porque agora não estava mais?

Seus pulmões doeram, como se estivessem sendo apertados por mãos invisíveis. Tudo estava vermelho, e ele estava sozinho.

Ele estava morrendo, completamente sozinho.

~

Jim acordou num salto. Sentou-se na cama, ofegante, completamente suado, e com o rosto molhado pelo choro. Sabia que tinha sonhado, mas não se lembrava de nada além da terrível sensação de estar completamente sozinho. Ela ainda estava lá, esmagando seu peito.

Estava doendo tanto, que por um momento ele cogitou ligar para Bones pelo comunicador.

Passado o desespero inicial, Jim ignorou esse pensamento. Ele colocou a mão no peito, expirando e inspirando o ar o mais lentamente que conseguia.

Ajudou com a dor, mas a solidão ainda estava lá. Pelo menos agora tinha certeza que não estava tendo um ataque cardíaco.

Seu comunicador shiou alto ao lado da cama, sobressaltando-o.

— Kirk aqui. — Respondeu, tentando parecer o menos sonolento possível. Procurou o relógio do computador com os olhos, só para reparar que ele deveria estar na ponte a 15 minuto.

— Spock aqui, capitão. Aconteceu algo? Notei o seu atraso, e tomei a decisão de vir checar antes que uma equipe médica fosse solicitada, como manda o protocolo. — A voz de Spock era calma, mas Jim podia sentir aquela pontada de preocupação. Ele olhou pra porta do quarto, de alguma forma tendo a certeza que Spock estava parado ali no corredor, como uma estátua.

— Está tudo bem, Spock, eu só dormi de mais. Obrigada por isso. Eu vou reportar a ponte e justificar o atraso — Jim apertou os olhos com as costas da mão, sentindo-os doer. Contraiu os lábios numa careta, prevendo que logo logo teria uma dor de cabeça que provavelmente o seguiria por todo o dia.

— Isso é aceitável, senhor. Se precisar de qualquer outra coisa, estarei a disposição. — E então desligou.

Jim respirou fundo mais uma vez, então se levantou para se arrumar o mais rápido possível. Aquele era um dia importante, e ele fez uma súplica silenciosa para seu corpo e sua maldita cabeça para se comportarem bem.

Meia hora depois, ele já estava na ponte. Sorriso no rosto e uma máscara de bom humor bem colocada. Ninguém diria que aquela solidão massacrante ainda estava lá, e Jim esperou que continuasse assim.

Assim que chegou, foi atualizado com todas as informações que o sensores da nave captaram nas últimas horas. As coordenadas dadas pelos aliens estavam corretas, eles já haviam coletado dados suficientes do sistema solar e arredores para acreditar que ir ao encontro com a nova espécie era seguro. Com isso em mente, Jim deu o comando para oficial substituto de comunicação mandar um aviso aos aliens e deixou a cadeira de comando com Sulu, deixando a ponte juntamente com Uhura e Spock.

Toda equipe para a reunião já havia sido escalada no dia anterior, e com uma convocação rápida pelos comunicadores todos já estavam se dirigindo para a sala de teletransporte. O caminho para lá foi feito em completo silêncio; Uhura e Spock ainda estavam visivelmente pisando em ovos entre si, e Jim tentava não prestar atenção nisso, preferindo focar seus esforços em manter o frio na boca do estômago sob controle.

Quando chegaram, somente os dois tenentes escalados do departamento de segurança estavam lá. Jéssica, a mais antiga na equipe dos dois, comprimentou Jim com um manear de cabeça suave, enquanto Karl respondeu com um gesto mais rígido e ligeiramente ansioso. O segundo tenente de comunicação chegou logo depois, faltando apenas McCoy para completar a equipe.

No mesmo instante que McCoy chegou, apenas uns poucos minutos depois, as coordenadas foram recebidas. Todos subiram na plataforma, e Jim segurou uma respiração profunda. Ele estava nervoso, suas mãos suavam. Jim se moveu um pouco, e seu cotovelo esbarrou de leve no braço de Spock, que estava parado exatamente ao seu lado. O capitão lhe deu um olhar de lado, sentindo aqueles olhos vigilantes bem presos nele, e aquilo lhe deu um pouco mais de segurança.

— Energizar — Ele disse, logo sentindo aquele puxão características no abdômen, e a sala desapareceu em pontos luminosos.

Quando eles se materializaram novamente, a primeira coisa que viram foram os três aliens. Eles estavam parados a cerca de três metros de onde estavam, exatamente em frente à eles, seus olhos grandes e atentos já fixos neles.

— Hyan'janss , viajantes. Estamos contentes que tenham aceitado nosso convite, é um prazer recebê-los — O ser que parecia se chamar Hjakaar, o que mandara a primeira mensagem, aproximou-se um passo. Sua figura esguia e alta, com provavelmente mais de dois metros, inclinou-se ligeiramente na direção deles. Ele usava uma túnica do mesmo estilo das outras, a parte de cima era de um dourado suave que sobrepunha uma camada de tecido azul, visível na altura das pernas do ser. Hjakaar ergueu a mão direita, repetindo o gesto que fizera na saudação.

— O prazer é todo nosso, senhor. — Jim inclinou-se ligeiramente, num comprimento. Não se atreveu a repetir o gesto do ser, ou realizar algum cumprimento muito humano, por questões de sensibilidade cultural.

— Por favor, sigam-nos. Vamos levá-los até a sala de reuniões. — Ele disse, e seus dois colegas azuis já começaram a se direcionar a uma porta a suas costas.

Jim e seu grupo os seguiu enquanto eram levados por corredores largos de iluminação suave. A arquitetura e decoração da nave eram bem simples e práticas, ele reparou. Haviam uns poucos painéis e portas arredondadas pelo corredor, não mais do que isso. As paredes eram de algum material escuro lembrando granito, e em algumas partes telas de painéis brilhavam informações em uma língua que ele não conhecia, com letras alaranjadas.

Eles entraram na porta aberta no fim do corredor, e uma sala extensa se abriu a sua frente. Estava quase completamente vazia, com exceção de uma mesa branca comprida, cerca de 20 cadeiras a sua volta, um grande painel levemente luminoso ao fim da sala e uma janela que ocupava quase toda a parede lateral, ao lado da mesa. O planeta dos seres mostrava-de orgulhosamente pela janela, quase completamente azul devido a uma porcentagem enorme de oceanos.

Hjakaar fez um movimento com o braço para que se sentassem à mesa, e Jim foi o primeiro a fazê-lo. Escolheu um lugar ao lado da última cadeira da lateral da mesa, sentindo Spock estabelecer-se na cadeira exatamente a seu lado direito. Hjakaar sentou-se na ponta, e os outros seres sentaram-se um de cada lado seu. Uhura estava exatamente a frente de Kirk, McCoy ao seu lado. O resto da equipe distribuiu-se timidamente nas cadeiras próximas. Os agentes de seguranças estavam um pouco tensos, como era de se imaginar, olhos correndo de um lado ao outro da sala.

— Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que colocassem pelo menos uma de suas shinashi sobre a mesa. — Hjakaar pediu, com a voz suave, olhando para os humanos. Kirk piscou, não sabendo a que ele se referia. Olhou para Uhura, que moveu a boca como se quisesse falar algo, mas fechou-a no mesmo instante, olhando de volta para seu capitão. Oh, problemas no tradutor universal, ele pensou.

— Perdoem-nos, imagino que não entendam muito bem nossa língua. — o ser que sentava-se a direita falou, quase lendo os pensamentos de Jim, e moveu a cabeça minimamente ao lado, fazendo seus fios verdes neon movimentarem-se levemente.

— Shinashi...— ele disse, então ergueu as duas longas mãos de três dedos, espalmando-as para os humanos presentes. — Nós queremos que vocês coloquem-nas sobre a mesa, dessa forma. — E colocou as mãos sobre a mesa, que Jim teve a impressão de ver cintilar.

Todos olharam para o capitão nessa hora, como que pedindo por ordens para continuar. Jim ponderou, querendo perguntar o motivo de tal pedido. Não o fez, temendo ofendê-los com o questionamento. Imaginou que o contato valia o pequeno risco, e confirmou um sim com a cabeça. Foi o primeiro a espalmar a mão direita sobre a mesa, e os olhos espelharam seu movimento.

— Agradeço. Não irá demorar, e isso nos poupará tempo. — Hjakaar falou novamente, colocando suas mãos também sobre a meda. Ele e seus dois companheiros fecharam os olhos amendoados, e seus chifres encheram-se de pontos luminosos.

No mesmo segundo, uma explosão de cores preencheu a mesa antes completamente branca, e ela esquentou sobre a palma da mão de Jim. Vários filamentos coloridos e luminosos deslocavam-se pela mesa, saindo diretamente das mãos dos humanos presentes até as dos aliens, como se eles sugassem riachos de tinta sob a mesa.

Os olhos azuis de Jim se arregalaram em surpresa, e ele teve que controlar um reflexo de tirar sua mão da mesa. Pela visão periférica, observou McCoy efetivamente tentar fazer o que tinha pensado, mas a mão do médico pareciam colada. Logo depois ouviu o resmundo de seu amigo, e sentiu seus olhos espantados sobre si.

Durou poucos segundos, e logo a mesa voltou a sua cor branca de antes. As perguntas vibravam em sua mente quando o capitão mirou seus olhos nos aliens novamente, que ja haviam aberto seus olhos. Antes que Jim disparasse perguntas, Hjakaar falou.

— Não me surpreende que estejam cheios de dúvidas e suspeitas, parece que sua espécie tem passado por situações terríveis. — Jim franziu as sobrancelhas, e sentiu Spock endurecer ao seu lado. Chegou a abrir a boca para falar, mas o alien continuou antes disso — Nós somos seres com capacidades telepáticas muito desenvolvidas, e o que fizemos agora foi avaliar a índole de sua equipe através de uma análise mental superficial. Não se preocupe, capitão, não é do nosso interesse captar informações confidenciais da sua nave ou da Federação. Nós só queríamos saber se seria seguro permitir a entrada de vocês em nosso planeta, e agora sabemos.

— Eu sou Vulcan, por isso também sou dotado de capacidades telepáticas. Creio que teria sido mais apropriado pedir o consentimentos dos presentes antes de iniciar tal avaliação. Seres humanos não são telepatas por natureza, isso significa que não estão acostumados ou culturalmente confortáveis com tal intrusão. — Spock respondeu, soando quase ofendido ao lado de Jim. Jim sentiu algo quase pessoal em seu tom de voz, e internamente estranhou, mas não pôde deixar de concordar.

— Meu primeiro oficial tem um ponto válido, senhor. Gostaria de ter sido informado de tal...intrusão. Temos alguma garantia de que não foram extraídas informações confidenciais dessa avaliação? — Adicionou, em tom firme. Hjakaar inclinou a cabeça levemente, e seus grandes lábios se curvaram no que parecia ser um sorriso.

— Peço desculpas por nossa intrusão, senhores. Vocês são apenas o quarto grupo de exploradores que encontramos desde que deixamos nosso convite pela vastidão do espaço, confesso que não estamos acostumados a lidar com espécies não-telepatas. Tivemos um mal entendido com o primeiro grupo que permitimos entrar em nosso planeta sem o uso desse “teste”, por isso começamos a usá-lo, pelo bem de nosso povo. Vidas preciosas foram perdidas, e não queríamos que o ocorrido se repetisse. — Ele começou, com a voz mansa, quase cantada. O alien que se sentava à esquerda, que não havia se pronunciado até aquele momento, continuou. Kirk lembrava que ele era o que se chamava Kgauss, pelos cabelos cinzentos.

— Se serve de garantia, seu primeiro oficial tem total liberdade de tocar nossas mentes e se certificar que só tomamos informações superficiais. — Sua voz era mais grave que a dois outros dois, e parecia mais séria. A atenção dos três — além da do resto da equipe de Kirk — estava sobre Kirk e Spock. o capitão virou o rosto para o Vulcan, pronto para perguntar se concordava com isso, mas Spock foi mais rápido.

— Estou de acordo. — Respondeu, decidido.

— Tem certeza, Sr.Spock? Se não estiver confortável, podemos procurar outra forma. — O capitão perguntou, mas Spock nem o olhou para responder, mantendo os olhos fixos nos aliens.

— É o método mais seguro, lhe garanto, capitão. Estou de acordo.

Jim piscou, um pouco tenso. Sabia que Spock não gostava de estabelecer contato com outras mentes, era íntimo de mais. Moveu a mandíbula incomodamente, pensando em pedir por outra solução, mas isso provavelmente geraria um desentendimento com Spock. Vencido, ele focou o olhar em Kgauss, acenando afirmativamente. O alien piscou lentamente, em seguida se virou para Spock.

— Por favor, ponha sua mão sobre a mesa. — E pôs a sua própria, Spock repetindo o movimento em seguida. Como da outra vez, diversas cores surgiram sobre a superfície branca, mas dessas vez elas fluíram tanto de Spock para o alien, quanto dele para Spock. Ambos mantinham contato visual fixo, e aquilo se estendeu por cerca de 15 segundos. Jim percebeu a equipe de segurança se mover nervosamente em seu assento, e tentou acalmá-los com um olhar. McCoy e Uhura também não pareciam tranquilos, mas mantinham-se imóveis. Derrepente, as cores desapareceram, e ambos retiravam as mãos do móvel.

— Eles dizem a verdade, capitão. Sua telepatia captou apenas as intenções superficiais, mas autênticas, de nossa equipe. Se um de nós tivesse algum interesse escuso sobre o planeta, eles perceberiam, mas nada além disso. — A postura do Vulcan não parecia tão rígida quanto antes, Kirk percebeu. Isso significava que ele realmente tinha se certificado que nenhuma informação havia vazado. O loiro se permitiu um sorriso, relaxando um pouco suas próprias costas tensas.

— Confirmado isso, podemos prosseguir. Se me seguirem, levarei-os até o portal para Merlyk.

Sem esperar por uma resposta, os três se levantaram ao mesmo tempo, encaminhando-se para a única porta que havia na sala, além da qual entraram. Kirk levantou primeiro, e os outros o seguiram, fazendo o mesmo. Assim que começaram a andar atrás do aliens, McCoy chegou se meteu entre Kirk e Spock, sussurrando.

— Eles disseram “portal”? Mas Merlyk não é o planeta deles? — Ele parecia um pouco confuso, com a expressão contraída em seriedade. Jim tinha um palpite que o médico não tinha gostado nada daquela história de telepatia, o que justificava aquela carranca dele.

— Parece que sim. Acho que descobriremos daqui a pouco. — Querendo desconversar para que os aliens não ouvissem a conversa. McCoy fez um bico irritado, torcendo o lábio em seguida. Eles entraram por mais um corredor, dessa vez com ainda menos decoração. Conforme andavam as paredes se alargavam aos poucos, até que finalmente pararam em frente a um porta larga, de aproximadamente quatro metros de largura, em formato circular.

Tudo que não havia pelas paredes, havia na porta. Era do mesmo material das outras, mas haviam desenhos delicadamente esculpidos por toda sua extensão. Animais que nunca haviam visto, paisagens, plantas e a própria figura dos aliens pareciam ser representada numa composição harmoniosa, onde até seres que lembravam sereias terrestres surgiam do que parecia ser uma construção submersa. Era tanta informação que Kirk não conseguiu assimilar tudo antes da porta se abrir, revelando uma sala ampla e completamente vazia, com exceção de um portal metálico em formato circular no centro. Com cerca de três metros de diâmetro, o portal parecia ser feito de um metal negro, também com desenhos como os da porta esculpidos. Em seu centro, uma névoa sutil parecia se mover, pequenos pontos luminosos cintilando como partículas de poeira ao sol moviam-se ao acaso.

— O portal nos levará a Merlyk, assim como seu teletransporte os trouxe até aqui. É a forma mais segura e prática de chegar até o planeta. Temos uma barreira que não permite a entrada de sinal de teletransportadores, e a aproximação de naves, sem nossa autorização, é interceptada. Tudo para a segurança de nosso povo. — Hjakaar explicou, com aquela curvatura de lábios que se parecia com um sorriso. Jim sentiu uma contração nas sobrancelhas, ligeiramente desconfiado com toda aquela proteção...e principalmente com toda aquela tecnologia.

— Só precisam atravessar, e estaremos lá. Irei primeiro, Kgauss e Wiahss irão depois de vocês. — Dito isso, o alien se aproximou do portal, acenando gentilmente com a cabeça antes de dar um passo à frente, desaparecendo ao atravessar a camada fina de névoa. Wiahss, o alien com os cabelos esverdeados, indicou o portal com a mão direita, em sinal para eles entrarem. Jim respirou fundo, dando um passo à frente, quando McCoy segurou seu braço.

— Hey, peraí...Você realmente acha que é seguro entrar assim, capitão? nós nem temos certeza absoluta de onde isso vai dar. — A voz do médico estava desconfiada, e seu aperto era firme no braço do loiro.

— Bones, está tudo bem. Precisamos dar o voto de confiança, afinal um primeiro contato precisa disso. — O capitão sorriu, tirando gentilmente a mão do médico de seu braço. Ele percebeu Spock abrir brevemente os lábios para falar algo, mas os fechou em seguida, antes que alguém percebesse. Imaginou que o Vulcan fosse se oferecer para entrar primeiro, e decidiu que era melhor se apressar antes que isso acontecesse. McCoy ainda parecia desconfiado pela forma que mordeu o lábio, mas deixou Jim ir.

— Vejo vocês do outro lado. — “Seja onde for que isso vai dar” Acrescentou em pensamento, sentindo um nervoso característico na boca do estômago antes de finalmente dar o passo que faltava, atravessando a névoa em direção ao desconhecido.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo, afinal levei mais de meio ano escrevendo ele, né. Eu demoro, mas eu sempre volto pra vocês.