About a Girl
1 A Mess it Grows
Notas iniciais
Prólogo
Eu nunca fui de me apaixonar. Não até entrar no ensino médio. Eu via minhas amigas com namorados desde cedo, quase sempre namorados de brincadeira mas algumas vezes eram de verdade, mas eu não entendia, eu me perguntava como elas conseguiam, como gostavam desse tipo de coisa. Nós estávamos na oitava série e o meu maior interesse por garotos era para brincar de esconde-esconde no intervalo. Minha melhor amiga, Hannah, conhecera um garoto chamado Arnold, ele era do 2° ano do ensino médio, eu não entendia como ele havia se interessado por uma garota tão nova como ela, mas fingi que havia apoiado, para não deixá-la triste. A mãe de Hannah não deixava ela sair sozinha, nem a minha, então sempre que Hannah e Arnold iam se encontrar eu ia junto, a mãe dela nos dava dinheiro e Hannah mentia que íamos ao cinema.
Passaram-se dois meses desde o primeiro encontro, eu sempre via os beijos e os amassos que eles davam e Arnold sempre demonstrava querer mais do que só beijos e os gemidos forçados dela. Foi então que um dia, ele a chamou para ir a casa dele...
O plano era simples, falamos para a mãe dela que íamos no cinema, como sempre, mas dessa vez Arnold me largou mesmo no cinema. Sozinha. E foram para a casa dele. Bom, nada que eu fizesse impediria que Hannah cometesse esse erro terrível. Então, peguei o dinheiro que sua mãe nos deu e comprei pipoca e um ingresso para ver Letra e Música, um romance, o primeiro que eu vi no cinema. Não gostava muito de romance, sempre via em dvd’s com minha mãe em casa, mas nunca no cinema.
Algum tempo depois, quando o filme acabou, saí da sala onde o vi, e fui sentar em um banco na frente do cinema. Vi meu celular e havia uma mensagem de Hannah. Que dizia o seguinte:
“amiga, avisei a mãe que ia dormir na sua casa, pode ir, eu chego mais tarde.”
Nossa, ok! Levantei, peguei meus fones e fiz o caminho até minha casa em silêncio. Quando cheguei notei um movimento estranho na casa da frente. Fiquei um tempo observando e vi que havia um caminhão de mudança ao lado da casa, e logo em seguida vi um vulto, talvez um garoto com cabelos compridos, ou uma garota alta, não consegui definir porque ela, ou ele, estava de costas.
Entrei e avisei mamãe que Hannah viria mais tarde, ela foi preparar macarrão com queijo, nosso prato favorito, enquanto eu subia para meu quarto e pegava meu pijama. Tomei um banho rápido e quando desci as escadas para ir até a cozinha ouvi algumas vozes, pensei que Hannah poderia ter chegado, mas nenhuma das vozes eram dela, nenhuma voz era conhecida.
Continuei descendo e foi então que vi duas mulheres. Melhor: uma mulher e uma garota mais nova. Lembrei do caminhão de mudança, fiquei pensando que podiam ser vizinhas novas.
– May! – minha mãe gritou, me tirando do transe que havia entrado. – venha conhecer nossas vizinhas novas!
Desci as escadas, envergonhada, e então a garota veio em minha direção.
– Oi, sou Penélope. – disse sorrindo.
– Oi. – respondi, sem jeito. – Maysa. May.
– Ok, May. – disse, pensativa. – É um bom nome.
Minha mãe nos chamou e me apresentou para a mulher mais velha, que aparentemente era a mãe de Penélope.
– Nós estamos esperando uma amiga de May, quem sabe você não fica para conhecê-la? – minha mãe perguntou para Penélope.
– Se não for incomodo para a senhora. — respondeu sorrindo, esbanjando simpatia. – E se minha mãe deixar.
Minha mãe riu, a mãe dela riu, ela riu... Fui obrigada a rir também. Depois da seção de risadas falsas, minha mãe mandou eu mostrar a casa para Penélope. Subimos a escadas e fomos para o meu quarto, que estava milagrosamente arrumado. Penélope observava minhas prateleiras com livros, CDs e DVDs, quando me surpreendeu com a pergunta: “Você tem namorado?” respondi que não, quase gritando. E ela riu, de novo. “Que bom, eu também não. Meninos são bobões.”
Nós duas rimos, concordei com ela. Essa foi a primeira vez que me senti a vontade ao falar sobre meninos com alguém. Ela tinha as mesmas preocupações e perguntas que eu sempre tive. Ficamos rindo e falando mal deles sentadas na minha cama, até alguém abrir a porta e entrar correndo. Hannah.
– Que porra é essa? – quase gritou, me fazendo pular da cama.
– Oi pra você também. –respondi, fria. – Essa é a Penélope, ela se mudou para a casa da frente.
– Ok. – ela debochou, soando irônica. – Acho que vou para casa, não estou me sentindo bem.
Ao falar isso não esperou nem se quer a minha resposta. Saiu porta a fora e nem se despediu.
– Nossa, acho que ela tava meio alterada. – Penélope disse rindo.
Passamos a noite rindo e conversando, falando sobre tudo que tínhamos em comum e vendo cada vez mais que devíamos ter nos conhecido desde que nascemos.
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