About a Girl

2 First Kiss Just Like a Drug


Notas iniciais
Espero que gostem! Boa leitura

Era a última semana de aula, minha turma estava toda envolvida com os assuntos da formatura, mas eu havia ficado meio desligada nesse ultimo mês, então não me envolvi com nada além de escolher a minha música. Ainda não tinha dado a resposta mas estava em duvida entre "Valerie" da Amy Winehouse e "Come as You Are" da Nirvana.

Depois daquela noite em que Hannah me deixou sozinha no cinema e depois deu aquele ataque ridículo de ciúme por causa de Penélope, não conversamos mais, nada além do necessário. Eu já estava passada em todas as matérias, mas ela não, teria que fazer pelo menos quatro recuperações, eu passei o ano estudando, ao contrario dela, que passou o ano "aproveitando". Como ela sempre dizia, "tira a cara desses livros, vamos aproveitar a vida" e então saía para beber com seu namorado do mês e seus amigos mais velhos. Eu ignorei esse comportamento ridículo o ano inteiro, e estava disposta a ignorar nas férias e no ano que vem também. Penélope vai estudar na mesma escola que eu ano que vem, então não preciso me preocupar em fazer ou não amigos novos. Depois da minha briga com Hannah, eu e Penélope nos tornamos muito intimas, dormiamos uma na casa da outra e ficávamos contando historias sobre como nossas vidas eram tristes antes de nos conhecermos. Nunca tive uma amiga assim, Penélope me completava...

Meu celular vibrou, era ela.

"Gata, temos uma missão hoje a noite."

Nunca saímos juntas, como eu fazia com Hannah, esperava que não fosse nada do tipo, então mandei outra mensagem perguntando o que era, ela respondeu "Surpresa, vai lá pra casa as 9h! Beijinhos".

Acho que acabei ficando meio nervosa, por que tive dor de estomago, sempre que ficava nervosa me sentia mal. Fui tomar um banho e depois vesti uma calça jeans rasgada, botei uma blusinha de renda branca e peguei um cardigã preto. Calcei minhas botas de neve pretas. Ainda não nevava, mas eu sempre usava elas, as vezes até mesmo no verão.

Eram quase nove horas, peguei minha bolsa e deixei um recado na geladeira para minha mãe, dizendo que ia para Penélope e não sabia se voltava para dormir em casa.

Cheguei lá e ela estava no banho, sua mãe me mandou entrar e disse que eu podia esperar no quarto. Subi as escadas e deitei na cama dela, que estava bagunçada, como sempre.

Fiquei olhando para cima, onde eu e ela colamos estrelinhas que brilhavam no escuro, por todo o forro do quarto, por que ela dizia que tinha medo de escuro, e as estrelas iluminavam.

Quando Penélope saiu do banho, dei um pulo, levei um susto com o barulho da porta batendo e então fiquei sentada na cama.. Ela estava só de langerie, uma tanguinha vermelha de renda e um sutiã do mesmo conjunto, fiquei meio sem folego, e acho que acabei soltando um suspiro, por que ela me olhou e perguntou com aquele tom brincalhão dela: "que foi? Nunca viu uma gostosa de calcinha e sutiã?" E eu ri, como uma boba. Me joguei para trás de novo e fiquei deitada olhando para as estrelas até ela se vestir. Sorrindo.

– Que roupa é essa? — ela perguntou, parecendo incomodada com o que eu vestia.

– Ué, minha roupa de sempre. — ri. Sem motivo aparente.

– Vem cá, você não vai sair com isso. — ela puxou meu braço, me fazendo sair do transe que as estrelas causaram, olhei para ela e ela estava vestindo um vestido preto de paetê, extremamente justo, deixando suas curvas todas a mostra. — Vou te emprestar um vestido! Mas só hoje, e vê se não suja ele!

Ela me levou até seu guarda roupas e tirou de um cabide um vestido parecido com o seu, só que azul escuro, de paetê também. Ela me entregou e ficou me olhando. Eu acho que travei, devo ter ficado alguns minutos com o vestido nas mãos, por que ela pareceu brava, e então puxou meu cardigã e começou a tirar minha blusa. "Vai, se veste logo!" ela disse, tocando minha blusa longe. Enfim, acho que acordei do transe, falei um "OK" (mais riso do que palavra) e então acabei de tirar minha roupa sozinha, enquanto ela me observava sorrindo. Achei estranho, mas não reclamei. Minha langerie não era como a dela, era uma coisa mais menininha, da oitava série, como eu era, nós duas tínhamos a mesma idade, quase 15, mas ela tinha corpo e cara de uma garota de 17, ou até 18. E se vestia como tal, eu não, eu parecia ter 14, me vestia como se tivesse 14, e também agia como tal. Minha langerie, um sutiã rosa com corações pretos, e minha calcinha, preta com corações rosa. Ela deve ter achado engraçado.

Vesti a roupa, e coloquei um salto que ela também me emprestou, e então saímos. Não sabia onde nós iriamos mas já imaginava que seria uma festa pelas roupas que nós estávamos usando.

Quem nos levou foi sua mãe, de carro. Chegamos em uma casa com som alto, Marta, a mãe, disse que nos buscaria as 3 horas. Ou se nós quiséssemos voltar mais cedo era só ligar. Eu perguntei para Penélope o que ela ia dizer para minha mãe, e ela disse simplesmente "a verdade ué, por que? Você não pode sair?"

– Não sei, eu nunca tentei. — respondi, sinceramente. E então ela riu. Entramos na casa e estava lotada, tinha garotos e garotas em todos os cantos. Bebendo, dançando, beijando... Penélope me levou até a cozinha, onde preparou para nós duas um drink azul, não sei o que era, mas era doce e eu acabei gostando, ela fez um só para mim e um só para ela, mas eu acabei tomando os dois e ela pegando uma dose do que eu imaginava ser vodka. A música estava alta e nós duas dançavamos coladas uma na outra, Penélope me segurava pela cintura e me fazia rebolar contra ela, estávamos completamente bêbadas, um cara chegou perto de nós e passou a mão sobre minha nuca e sobre a dela, e começou a beijar nosso pescoço, beijava o meu, fazia uma pausa e beijava o dela, e repetia, ele era bonito, parecia ter 18 anos, ou 19, talvez mais, mas não importava, estava ótimo, não podia negar. Foi então que, na minha frente, ele beijou Penélope, ele a segurava com um braço e passava a mão por todo meu corpo com o outro. Depois de um ou dois minutos, ele a largou, e então, me beijou. Eu estava apavorada, esse era meu primeiro beijo, e foi com um cara que eu nem sei o nome, nem a idade, nem o livro preferido. Eu me afastei, e saí caminhando em direção ao banheiro, me senti enjoada e com nojo de mim mesma. Entrei no banheiro e me escorei no vaso, vomitei. Penélope vrio atrás de mim, perguntou se eu estava bem e obviamente eu nem precisei responder. Ela ligou para sua mãe, que não demorou mais de dez minutos para chegar.

"Não conte nada para a mãe dela, ela não tá acostumada."

Fiquei feliz com as palavras, só de imaginar o que minha mãe faria ao me ver assim já me fazia quase chorar.

Chegamos em casa e Penélope me mandou tomar um banho, saí e vesti minha camiseta de antes e um short de pijama que ela me emprestava sempre que eu dormia aqui. Deitamos em sua cama e então ela me perguntou:

– Foi seu primeiro porre?

Fiz que sim com a cabeça. Um silêncio desconfortável tomou conta do quarto.

– E meu primeiro beijo também. — completei.

– Ai, nossa! Não acredito! Por que você não me contou? Eu teria te beijado antes dele! — e riu. Eu ri também, não por achar engraçado, por achar a ideia ótima.

– É, seria bem mais confortável.

Rimos e nos abraçamos, como sempre fazíamos antes de dormir. Passaram-se minutos, ou talvez até uma hora. Nós duas ainda estávamos bêbadas, provavelmente nenhuma lembraria do que estava prestes a acontecer no dia seguinte. Então eu sussurrei perto do seu ouvido:

– Pê...

– Quê?? — resmungou com a voz de sono mais fofa que eu já havia escutado.

– Me beija.

Ela riu, mas se inclinou mais para perto, roçou seu nariz no meu e me puxou mais para perto.

– Sempre. — ela disse, meio grogue. E me beijou, nossas bocas se juntaram, mas nenhuma abriu mais, eu senti seu hálito ainda com gosto de álcool, seus lábios quentes precionando os meus, eu senti tudo, um calor crescendo em mim me deixando tão bem que quase foi desconfortável. E então ela dormiu, e acho que eu também. Não sabia mais destinguir o que era sonho e o que era realidade.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.