Aborrecido atrás do balcão
10 Foi um simples acidente, eu juro
Notas iniciais
Uma coisa comum do ser humano é o fato de acidentes acontecerem por prepotência.
Todas as vezes que alguma coisa acontece comigo eu revejo todo que me levou até o bendito fato e percebo que usar a cabeça é o remédio pra metade de tudo.
Quando comecei me deram a instrução de em caso de acidente era pra avisar o gestor e ser encaminhado para farmácia para fazer um curativo ou coisa assim.
Eu faço isso? Não.
Sou estupido por isso? Com certeza.
Antes de ser fatiador de queijo, ainda na época do atendimento eu me metia na sala de produção pra treinar para quem sabem surgisse a oportunidade e felizmente isso surtiu efeito, eu terminei de usar a máquina que tinha uma lamina meio exposta e resolvi limpar com uma esponja. Descobri que essas máquinas eram bem afiadas, tão afiadas que a esponja foi cortada no meio e uma bela fatia de meu dedo indicador foi junto.
Não gritava, apenas xingava. Eu tava no lugar errado, na função errada e sangrando.
Me tranquei na câmara fria pra não ser visto.
Meio que no desespero eu peguei um monte de papel e fita adesiva pra fazer eu mesmo um curativo, o sangue parou mas eu sentia o formigamento que o papel em contato com a ferida causava.
Sai dali uns minutos depois contando para poucos o que aconteceu, eles me pouparam o que conseguiram do atendimento, na hora da saída eu quase não consegui bater o cartão já que o bendito dedo cortado era minha digital no ponto eletrônico.
De algum jeito outro dedo também serviu.
Em todos esses anos nessa indústria vital essa tinha sido a primeira vez que isso me acontecia e até agora a última.
Se a pergunta for: Por que os homens vivem menos?
A resposta é: Somos mais teimosos do que inteligentes.
Sinceramente eu duvido que na próxima eu saia impune ou ileso.
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