Aborrecido atrás do balcão
11 A arte de coversar
Notas iniciais
Parte da arte de ter uma vida tranquila é evitar os atritos que não lhe envolve. Nesse quesito eu tenho um sucesso relativo, não digo que nunca me meto em nada até porque o caos me segue como se eu fosse cachaça pra mendigo.
Um desses episódios foi a alguns dias que foi desencadeado faz algumas semanas.
O evento mais antigo foi nosso gerente se desentender com a gerente do grelhado, coisa de pessoas não autorizadas pegando material e isso ocorria de ambos os lados. A conversa que chegou até mim foi que ela foi extremamente grosseira e foi logo jogando as acusações contra nós.
O veredito do caso foi uma situação de “guerra” entre as sessões que ninguém se mexia pra resolver e um esperava o outro transgredir a fronteira imaginaria para uma retaliação verbal.
Acho que se passaram quase 3 semanas nesse chove e não molha quando me esqueci disso e segui a vida.
Informação relevante para o fato: sai da parte de fatiados para ser responsável pela trituração de tudo que o setor dispõe.
Segunda informação: um dos nossos, que aqui chamarei de gordo, está de aviso para demissão, ou seja, ele não dá tanta importância para regras.
Essa semana eu estava triturando presunto que é um saco de manipular, a lâmina fica entupida com frequência e tinha aproximadamente 13 quilos para triturar. Es que o gordo aparece com uma lâmina diferente e me explica como proceder.
Me trabalho ficou mais fácil e terminei bem rápido. Depois de lavar tudo tinha que devolver a lâmina e quando saio da sala de produção lá estava a gerente do grelhado me chamando para um canto para conversar.
Pensei que ela ia comer meu fígado, mas não.
Ela foi bem amável me explicando que a discussão entre ela e meu gerente foi mais acalorada por parte dele que chegou lá como um troglodita não dando muita abertura para ela se defender.
Ela me falou que não ia falar da minha transgressão e que eu devia ter mais cuidado, lembrando que a lâmina praticamente foi jogada no meu colo e eu nem sabia a procedência.
Uma coisa que me chamou atenção foi ela reparar o jeito que eu seguro a faca, ela falou que no momento que eu começo a cortar uma barra inteira de queijo ela repara que eu me apoio na lâmina da faca e posso me cortar e toda vez que eu fazia isso ela sentia o coração gelar.
Só uma duvida passou pela minha mente: desde quando ela reparava tanto em mim?
Depois disso eu segui para meu trabalho sabendo que estava sendo observado, que essa discursão entre aqueles dois é nebulosa o suficiente para alguém estar mentindo e que o gordo não queria mais estar ali.
Sinceramente não sei o que pensar sobre nada disso.
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