Abismo de um gato
5 Confusões
Notas iniciais
VOLTEI! SAUDADES? NÃO? Tudo bem, posto assim mesmo
Antes que os aprendizes pudessem se mexer, o gato inimigo aproximou seu rosto do de Cauda Curta, deu um pequeno risinho e o soltou.
–Se não me cumprimentar, seu cabeça de camundongo!Pata das Sombras, não ousou perguntar o porquê de seu mentor ser chamado de gatinho de gente. Por mais que mentisse e escondesse coisas as vezes, odiava quando faziam isso com ele. E era raro perdoar quem o enganava, teria de ter um bom motivo. –P-pelo Listrado? -Cauda Curta estranhou, se levantando e não hesitando de desembainhar as garras.–O próprio! -Pelo Listrado sorriu, com um tom de alegria.–Meu querido Clã das Estrelas! Não acredito! -Cauda Curta miou, com a mesma entonação.- Que saudade, pirralho!Os aprendizes estavam quietos, ambos estranhando a situação. Primeiro o gato vem o chamando de gatinho de gente, com sede de matá-lo, agora está no maior bate-papo. –Uh... Oi? -Pata de Texugo miou.- Cauda Curta, explicações, por favor.–Ah, claro. Sobre as alianças... O Clã da Noite fizera uma Aliança com o Clã do Dia, era perfeito. Durou muitas luas, mas houve uma época que estava difícil ter uma aliança, daí alguns gatos não ajudaram muito e acabou nisso, separação.Pelo Listrado concordou. Os dois conversaram um pouco, era incrível a confiança. Eles falavam de mais sobre seus clãs, até mesmo as fraquezas, Pata das Sombras não gostou. Sabia que aquilo não teria um bom fim. Bem, ele esperava que não teria um bom fim, talvez sim ou talvez não.–E sua irmã? -Pelo Listrado quis saber. Pata das Sombras reparou no tom de carinho quando perguntou. –Coração Selvagem está treinando Pata de Texugo. E eu o pretinho, Pata das Sombras.–Por enquanto, sem aprendizes. Talvez daqui algum tempo eu treine algum aprendiz. Esses dois aí serão grandes guerreiros! -Elogiou, olhando para Pata das Sombras, ele olhou também, deu apenas um pequeno sorriso.Pata de Texugo se precipitou em falar. Foi realmente necessário, se não, os dois ficariam uma lua inteira conversando.–Hey, vamos treinar, né...? Pra podermos nos tornar os gloriosos guerreiros.–Uh? Ah, desculpas! Não foi a intenção! Continuem o treino, se cuida, Cauda Curta! –Você também! -O guerreiro se despediu do amigo, dizendo que aquela era a tal divisa entre o Clã da Noite e o Clã do Dia. Era arriscado andar por aquela área, apesar de alguns gatos terem empatia com outros do clã oposto, poderia ser considerado espionagem. Alguns gatos eram "tradicionais" de mais, e acabava em briga.Continuaram em frente, Pata das Sombras ficou pensativo. O silêncio retornou, apenas o som do vento batendo nas folhas e as vezes alguns pássaros. A grama foi ficando mais mal-tratada até chegar num lugar que tinha apenas terra, mais adiante umas rochas, e um som ensurdecedor de água se chocando em algo duro. Era uma cachoeira, uma grande cachoeira. O aprendiz negro gostou do som, e o cenário também. Achou também o lugar um pouco perigoso.–Cauda Curta, que lugar é esse? -Pata das Sombras perguntou. O guerreiro estava com as orelhas empinadas, observando todo o lugar. Parou para absorver o ar, seus olhos se arregalaram, dando um passo para trás.–Queda da Noite, território do Clã da Noite. Mas sinto o cheiro de gatos do Clã da Aurora, e é recente.Pata de Texugo sentiu o cheiro também, cutucando o amigo. Ele fez o mesmo, e sentiu cheiro de sangue também. –Sangue! -Exclamou, correndo para a direção de onde vinha o odor.–Pata das Sombras! -Seu mentor gritou, correndo atrás dele, com o outro atrás de suas patas.- Volte aqui! Não é seguro!Pata de Texugo não prestava atenção onde pisava, estava com a mente distraída, acabará pisando numa pedra molhada, que o fez cair e escorregar para a beirada, onde rachou.–Cauda Curta! Socorro! — gritou, desesperado. O guerreiro desviou a atenção, parou e olhou para Pata de Texugo e para onde seu aprendiz fora. Suas garras não iriam aguentar mais tempo, os pingos de água caíam sob seu pelo e sob a rocha, as gotas deslizavam para suas patas, fazendo "cócegas" nas almofadinhas.–Cauda Curta...-Segurou com mais força, sentindo que seria seu fim.- Não vou aguentar mais, adeus.-Deixou que suas garras deslizassem, caindo de costas em uma pedra frágil abaixo, caindo em direção à água. O guerreiro malhado tentou se mexer, mas o aprendiz já estava caindo, uma onda de culpa se chocou contra ele.–Pata... de Texugo... Não...-Lamentou, tristonho. Ficou observando Pata de Texugo cair.A queda não foi tão violenta quanto esperava, mas ainda assim, as chances de ele sobreviver eram poucas.–Cauda Curta! Corre aqui! -Pata das Sombras berrou, chamando o mentor.Ele olhou mais uma vez, e viu as patas do aprendiz afundarem na água, logo, uma mancha de sangue subiu, e uma estaca emergiu do fundo, a ponta afiada com manchas vermelhas. Cauda Curta não tinha dúvidas, Pata de Texugo morreu. Virou a cabeça lentamente, apertando os olhos com um tom de amargura no coração. Chegou onde Pata das Sombras estava, e se deparou com mais uma terrível cena: A mensageira dos quatro clãs deitada no chão, com uma gatinha recém nascida nas patas do aprendiz.
–Ela pariu essa aqui. -Ele miou, olhando para a gatinha.–Canção de Ninar? Está bem? -Ele perguntou, se agachando em sua frente.–Me leve ao seu clã, preciso descansar. Ela é minha filha, minha herdeira, como o Código dos Guerreiros diz... -A gata azulada de olhos rosados ronronou um pouco, era notável que estava falando rápido por causa do cansaço do parto. –Me deixe descansar no Clã da Noite, tenho uma profecia para anunciar. Profecia para todos os clãs.Cauda Curta concordou, a levantando, enquanto Pata das Sombras olhava feliz para a filha da mensageira.Depois de um tempo, eles chegaram no clã, seguindo as instruções do ritual do novo mensageiro. E após o término do ritual, Cauda Curta foi até a toca da líder, seu semblante era triste, não era o de sempre.–Estrela Cortada, tenho que falar uma coisa. –Sim. Diga. -A líder miou serena.–Vi Pata de Texugo caindo da Queda da Noite. Não sei se ele está vivo, acredito que ele morreu...A gata branca empinou as orelhas, arregalando os olhos.–Meu Clã das Estrelas... -Lamentou.-Mandarei uma patrulha para vasculhar a área amanhã. Anunciarei sua morte amanhã. Infelizmente...Pata das Sombras estava espiando tudo. Seus olhos se nublaram, colou as orelhas na cabeça, abaixando a cauda. Acabara de perder um amigo. Pela primeira vez na vida, sentira pena de alguém que não era seu familiar. Não... Pata de Texugo morreu... Oh, por que? Justo hoje... Isso só pode ser minha culpa! Minha culpa!Pata das Sombras pensou, se afastando da toca da líder e descendo a escada. Correu para o berçário e olhou de relance para a nova mensageira, de lá, cruzou a clareira correndo, direto para a toca do curandeiro. Encontrou sua irmã acordada, a cumprimentou e ficou conversando e ensinando coisas a ela até a hora de dormir. A líder deu permissão para que essa noite, ele dormisse com Filhote Pequeno. De uma coisa ele tinha certeza, seu sonho não seria bom.
Notas finais
Pois é. Bem confuso. Por isso o nome. Fãquin lógiqui.
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