Abismo de um gato

6 Sonho ou Profecia?


Pata das Sombras demorou para dormir. Ele estava tenso e chateado, mas ao mesmo tempo, feliz. Ele gostava de ficar com sua irmã, se sentia seguro com ela, não seguro dos perigos. Mas sim, das coisas que o atormentavam, dos seus sonhos, de seu futuro... Entre outras coisas.

Um tempo pensando e observando o luar, ele pegou no sono.

Pata das Sombras estava confuso. Havia uma escuridão e uma densa neblina, que cobria suas patas e qualquer coisa á sua frente. Ele ouviu coelhos e camundongos correndo. Mas correndo do quê? Logo sentiu um forte cheiro de fumaça, e começou a enxergar um brilho, no começo era fraco, mas foi ficando forte. Logo depois soprou um vento forte, e a neblina se dissipou. O brilho agora estava fácil de ser descoberto: Era fogo!

O-o que... o que está acontecendo?

Pata das Sombras tentou falar, mas só ouviu seus pensamentos. O gato fechou os olhos e os abriu, olhando para cima, que estava sem nenhuma estrela, mas de repente foram surgindo várias. Mais estrelas do que as mundo real. Ele piscou por uns momentos e quando viu, o fogo dominou todo o espaço. O mesmo começou a ouvir miados altos, de dor, de socorro, de felicidade. Mais um vento soprou o fogo, e Pata das Sombras conseguiu enxergar um campo de batalha; encharcado de sangue, havia gatos lutando violentamente.

–Uh... Não faz sentido... -O felino observava tudo atentamente. Logo lembrou de uma de suas visões, muito semelhante a essa. De repente, ele viu um felino rápido como uma cobra, muito familiar, embora ele nunca o visse antes. Antes que pudesse se mexer, sentiu uma dor aguda na nuca, perfurando sua pele como adagas. Quando percebeu, era o mesmo gato que ele tinha visto antes.

–A culpa é sua! -Ele rugiu o jogando em uma pedra próxima.

Pata das Sombras estava a e levantar, e o mesmo felino pulou em cima dele, forçando sua cabeça contra a pedra. Logo decidiu revidar e afundou as suas garras no ombro do outro, forçando para o lado para que ele caísse invertessem as posições. Assim fez.

Quando percebeu, suas patas estavam lavadas de sangue, ele olhou para o corpo do gato, sem nenhum sentido, inerte. Seus olhos se arregalaram e sentiu seu coração pulsar mais rápido. Pata das Sombras não tinha a intenção de mata-lo.

O cenário mudou de novo, agora ele estava em seu acampamento, e parecia estar em uma cerimônia. O líder não era mais a brilhante Estrela Cortada, era Garra de Ferro!

–E com orgulho, nomearei meu filho! Seu nome agora é Vento das Sombras! Aquele que trará a destruição aos nossos clãs! — O guerreiro gritou. O encarando severamente, e logo, todos os gatos que ele conhecia estavam fazendo o mesmo.

Era de dia, mas a noite logo dominou. Vento das Sombras piscou, e quando abriu seus olhos cor de âmbar, todos tinham cortes em forma de X no peito, e sangrava muito. De repente, as cabeças dos gatos estavam no céu, com os olhos sangrando, e um fundo estrelado.

–Havii... Até você... -Vento das Sombras sussurrou, vendo ela o julgar com seu olhar. Em conjunto, todos os gatos começaram a repetir uma frase, uma frase que perturbava o recém guerreiro.

–Maldito será o melhor guerreiro que já existiu!

E de relance, Vento das Sombras olhou para sua esquerda e viu Pata de Texugo sussurrando algo, ele se aproximava, até que chegou perto de seu ouvido e continuou com as palavras:

–Obrigado por me matar. Obrigado por destruir as nossas vidas. A culpa é sua! A culpa é sua! — E ficou repetindo isso.

Ele virou o rosto para a direita e viu sua irmã, ela fez a mesma coisa que texugo e repetiu as mesmas palavras. Até que ele olhou para sua frente e viu Havii, andando lentamente, de maneira calma. Não era a mesma Havii que o julgava. Ela chegou bem perto dele, encostou seu focinho no de Vento das Sombras e disse, de maneira delicada:

–Não te culpo por isso, embora você seja o culpado. Não foi sua intenção, amor. Você vai mudar tudo, Vento das Sombras. Tudo... — Ela deu uma pequena lambida no focinho dele, e foi se dissipando com o vento, e logo voltou ao início o sonho. E de repente, os gatos que ele mais considerava, foram caindo do céu. E quando acabou, começou a chover sangue, e um rio vermelho foi surgindo, com os corpos dos felinos boiando. E no mesmo instante, Havii surgiu do rio, coberta de sangue, gritando"Sua culpa!"

O gato negro acordou, com a respiração ofegante.

–O que... Eu... — Ele estava assustado, com os olhos arregalados de medo. Logo cutucou a irmã e a acordou.

–O que foi, Sombrio? -Ela miou, um pouco zonza.

–Não pense que eu estou louco, certo? -Ela deu de ombros. O irmão a guiou para o meio da clareira, onde estava a amanhecer e o ar estava fresco, e logo explicou a ela todo o seu sonho e o que acontecera com o seu amigo.

–Escute, eu sou sua irmã e em hipótese alguma iria rir disso. Pode ser uma profecia. Eu ouvi Bico de Falcão comentando sobre uma dessas frases. Pergunte para Canção de Ninar. Eu só quero que você não ignore isso, eu também tive um sonho estranho. Parecido com esse... -A gata dizia tudo isso de maneira séria, ela realmente estava preocupada com o irmão.

–C-certo, Filhote Pequeno.- Ele gaguejou um pouco, mas logo mudou de assunto.- Quer caçar? Te ensino algumas coisas que eu aprendi. Bem, se não for muito esforço pra você.

–Claro, se isso te deixar mais calmo. -Filhote Pequeno se inclinou um pouco e encostou seu focinho no de seu irmão.- Eu sempre vou confiar em você, jamais irei te julgar, irmão. Estou aqui pra te ajudar em qualquer dificuldade. Vamos, esqueça isso por enquanto.

Os dois passaram a noite caçando, e ele ensinando coisas de luta e caça à ela, e ela ensinando coisas de cura para o irmão. Quando amanheceu, eles trouxeram as presas e deixaram na pilha. Depois foram até o topo das pedras e olharam o amanhecer. Isso deixou Pata das Sombras mais relaxado e deixou Filhote Pequeno mais disposta a ter a vida como a do irmão.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado