Abismo

61 Tragédia


Notas iniciais
Oi, gurizadaaa. Como está o domingo? Capítulo especial para a July e a Tata. :D

Capítulo 61 – Tragédia

Rachel estava a um mês de fazer 30 anos e a apenas três semanas de completar os cinco anos de casada exigido pelo testamento de seus pais, e seu casamento que começou aparentemente como um arranjo ia muito bem, obrigada. Não podia ser mais feliz com a mulher que tinha e com os filhos que ela lhe dera. Agora faltava pouco para finalmente aquele abismo que se abrira sob seus pés desde a morte dos pais se fechar de vez e nunca mais se abrir.

Há alguns meses ela e Quinn vinham tentando engravidar, mas recém de umas semanas para cá veio a sentir seus tão conhecidos sintomas: sonolência, enjoos matinais e uma vontade de fazer sexo mais que a normal.

Naquele dia tinha ido ao médico fazer o exame de sangue para confirmarem suas suspeitas. Quinn tinha sido chamada para uma reunião de emergência e não conseguiu acompanha-la, mas combinaram de abrir o resultado em casa, tão logo Rachel chegasse e ela fosse liberada.

– Alô. – disse a morena distraída rindo com os filhos que brincavam, quando atendeu ao telefone.

Oi, amor. Sou eu. Só para avisar que já estou saindo daqui e no máximo em meia hora estou em casa. – anunciou Quinn animada.

– Ok, Quinnie. Vou te esperar.

Você já abriu o exame? – perguntou ansiosa.

– Ainda não, amor. Eu disse que ia te esperar. – respondeu rindo do nervosismo da loira.

Estou indo, então. Te amo, muito.

– Vou te esperar. Também te amo muito, muito. – disse sorrindo e encerrando a ligação.

Voltou a dar atenção aos filhos e cerca de uns quinze minutos depois passou mal e foi acudida por Judy, que junto com o segurança a levaram até o quarto.

– Não se preocupem, foi só um mal estar. Vou deitar um pouco e esperar a Quinn chegar. – disse – Ela deve chegar no máximo em vinte minutos.

– Tudo bem, Rachel. Vou descer e ficar com as crianças. Se precisar de alguma coisa me chame. – falou Judy carinhosa, enquanto alisava os cabelos da nora, que já estava recostada na cama.

Meia hora desde o mal estar de Rachel haviam se passado e Quinn ainda não havia chegado, com certeza ocorrera algum imprevisto. Judy estava na sala com os netos e brincava de boneca com Sarah e Sophia, enquanto Ben estava distraído montando um quebra-cabeça.

O telefone começou a tocar insistentemente e Margareth apreçou-se em atendê-lo. A mulher falou alguma coisa e em seguida veio em direção a Judy com os olhos assustados, estendendo-lhe o aparelho.

– Sra. Judy, é do hospital... – com aquela declaração um arrepio percorreu suas costas e uma sensação nada agradável lhe atingiu em cheio.

– Judy Fabray falando. – falou ao pegar o telefone.

Sra. Fabray, aqui é da emergência do Hospital Presbyterian. – quando ouviu aquilo se alarmou e levantou-se, saindo de onde estava e entrando em um dos escritórios.

– Pois não, em que posso ajuda-la?

A senhora conhece Quinn Fabray.

– Sim, é minha filha. O que houve com ela?

O carro onde ela estava envolveu-se em um acidente e ela foi trazida para cá.

– Acidente? Como assim, acidente? Como ela está? – perguntou nervosa.

O estado dela é grave e já foi encaminhada para a cirurgia.

O coração de Judy parou e ela simplesmente encerrou a ligação. Margareth a seguira e viu seu estado, indo a seu encontro para ampará-la.

– Sra. Judy, o que houve?

– É-é a Quinn. Ela sofreu um acidente. – disse chorando, mas tentando ser forte – Ligue para a Kitty e peça para elas virem para cá agora. Cuide das crianças... não deixe elas saberem. Vou falar com a Rachel.

Margareth saiu e ligou para Kitty como Judy pediu, após foi tomar conta das crianças, que ainda estavam alheias a tudo.

Judy tentava se controlar, mas o medo de perder a filha começava a lhe tomar. Respirou fundo e se acalmou, tinha que estar bem para amparar Rachel, que provavelmente estava grávida e isso poderia prejudicar o bebê.

– A Kitty e a Marley já estão chegando. Disseram que no máximo em cinco minutos estão aqui. – anunciou Margareth da porta – Elas já estavam vindo para cá para saberem o resultado do teste que Rachel fez.

– Vou espera-las então.

Menos de cinco minutos depois as duas irromperam pela porta e entregaram Chrystal para Margareth, enquanto iam ao encontro de Judy, que já estava desesperada.

– Mamãe, o que houve?

– Filha... – abraçou-se a Kitty.

– Fala, mãe. O que aconteceu, estou ficando nervosa.

– A Quinn... a Quinn sofreu um acidente e está no hospital. O estado dela é grave.

Ouvindo aquilo Kitty agarrou-se a mãe e entregou-se ao choro. Marley perdeu a cor e só conseguiu encostar-se em uma poltrona perto.

– A Rachel já sabe? – a morena perguntou.

– Ainda não tive coragem. Estava esperando vocês. E ainda tem o agravante dela poder estar grávida. – explicou.

– Deixa que eu falo com ela. Vocês não estão em condições. – disse Marley recompondo-se e acariciando as costas da esposa.

Imediatamente Marley rumou para o quarto de Rachel e a encontrou cochilando. Olhou para a figura frágil da amiga e ficou com pena de acordá-la para dar uma notícia ruim, mas elas tinham que ir logo para o hospital saber do estado de Quinn. Sentou-se na cama ao lado dela e passou a acariciar seus cabelos.

– Rach. – chamou – Rach, acorde.

Rachel abriu os olhos sonolentos e não entendeu o que Marley fazia ali. Ela esperava por Quinn e não pela amiga.

– Marley? – falou olhando para a amiga e uma onde de pânico tomou conta do seu corpo quando ela viu sua expressão – Cadê a Quinn?

– Rach, calma. – disse e puxou o ar com dificuldade – R, olha só... a Quinn estava vindo para casa e aconteceu um acidente...

– Cadê a Quinnie, Marley? – disse em pânico – Cadê a minha mulher?

– Ela está no hospital, Rach...

– Me diz que ela está bem, por favor. Que foi só um susto. – implorou já chorando.

– Amiga, eu não posso te dizer isso...

– E-ela... mo...reu? – sussurrou já soluçando. Aquilo não podia estar acontecendo.

– Não, Rach. Ela não morreu. – tranquilizou-a – O estado dela é grave e ela está em uma cirurgia, mas tenho certeza que ela ficará bem.

– Eu quero ver a minha Quinn. Me leva lá agora. Eu quero a Quinn comigo.

Levantou-se apressada e trocou de roupa. O rosto era banhado de lágrimas e ela repetia incessantemente “não posso perde-la, não posso perde-la”. Correu para a porta da frente e tranquilizou-se ao ver Margareth e a babá com seus filhos. Saiu sem se despedir para não alarmá-los.

O motorista dirigia o mais rápido possível. Rachel ia com o rosto virado para a janela, os olhos perdidos. Um flashback da vida delas ia passando diante de seus olhos. A imagem de Quinn parecendo um anjo ao dormir, seu sorriso sonolento ao acordar ou aquele radiante que era dirigido só a ela, o calor de seus corpos abraçados ou um simples carinho dirigido a ela como forma de expressar seu amor.

A morena chorava e foi envolvida pelo ombros em um abraço carinhoso de Judy, que também tinha o rosto banhado em lágrimas. Não podiam perder suas Quinnie, isso não seria justo.

O carro mal parou em frente ao hospital e Rachel saltou, indo apressada para a recepção, sendo seguida de perto pela sogra. Marley e Kitty chegaram com seu próprio carro logo em seguida e as seguiram.

– Por favor, minha esposa deu entrada aqui há pouco tempo. Preciso saber dela. – disse desesperada.

– Qual é o nome dela, senhora? – perguntou calmamente a recepcionista.

– Lucy Quinn Berry-Fabray.

– Ah sim. Ela deu entrada aqui a cerca de uma hora. Ela está sendo encaminhada para a sala de cirurgia.

– Mas ela está bem? Como é o estado dela? – se desesperou ainda mais.

– Senhora, peço que se acalme, por favor.

– DIZ LOGO! – gritou fora de controle e Marley agarrou-a pelos ombros.

– Calma, Rach. Ficar assim não vai ajuda-la.

– O estado dela é grave. Ela sofreu traumatismo craniano e quebrou duas costelas, sendo que uma delas perfurou um dos pulmões.

Ouvindo aquilo Rachel não aguentou e desmaiou, sendo logo amparada pelos enfermeiros que estavam ali perto.

– Ela pode estar grávida. – orientou-os Judy, até para que fosse observada a medicação que fosse necessário ministrar.

Cerca de uma hora depois Rachel acordou em uma maca. Junto a ela estavam Kurt, Blaine e Ashley. Ao verem ela se movimentar, alarmaram-se e foram para mais perto da cama.

– Rach, como você se sente? – perguntou Kurt.

– Meio zonza. – disse com os olhos nublados – Foi tudo um sonho?

– Não, meu bem. Infelizmente é verdade... – respondeu Ashley.

– Como está a minha Quinn? – questionou já chorando.

– Calma. Ela ainda está na cirurgia.

Assim que viu que ela havia acordado uma enfermeira se aproximou e liberou-a para ir para a sala de espera junto com os demais. Caminhou amparada por Blaine, que a abraçava carinhosamente pelos ombros.

Ao chegar ao local, deparou-se com todos os amigos ali e junto deles estava Patrick, que conversava um pouco mais afastado com Puck. Andaram em sua direção, assim que a enxergaram.

– Rachel, como você está? – perguntou Puck.

– Péssima.

– A Quinnie vai ficar bem, eu tenho certeza disso. – tentou tranquiliza-la enquanto lhe dava um fraterno abraço.

– Tomara mesmo, Puck. Eu não sei viver sem aquela mulher. – declarou.

– Rachel, sinto muito pelo que aconteceu. – disse Patrick se aproximando de Rachel, que apenas assentiu – Será que eu poderia falar com você e Judy?

– Claro. – estranhou, mas sinalizou para a sogra se aproximar.

Ele explicou que o carro que Quinn vinha perdeu o controle, provavelmente por falha nos freios, e cruzou o sinal vermelho sendo acertado em cheio por uma caminhonete que vinha da rua paralela. Mesmo vindo de cinto, o lado que ela estava no carro sofreu todo o impacto do choque e ela acabou muito machucada. O motorista do carro também se machucou, mas não tanto quanto Quinn. Havia apenas sofrido escoriações pelo corpo e quebrado um dos braços. Também estava sendo atendido e fazendo alguns exames para ver se não havia ocorrido danos internos. O motorista da camionete nada sofrera em razão do air bag que se acionou na hora do impacto. A perícia havia recolhido o carro para averiguar os motivos do acidente.

Pela expressão que ele tinha dava para perceber que não achava se tratar apenas de um acidente. Que aquilo poderia, muito bem, estar diretamente ligado ao sequestro de Rachel meses atrás. Sequestro esse que foi ferrenhamente investigado sem haver qualquer conclusão definitiva.

Santana se aproximou deles e puxou Rachel para seus braços, mantendo-a ali por um bom tempo. A latina podia viver implicando com a amiga, mas o amor que sentia por ela e Quinn com certeza era incondicional e a dor que ela sentia com certeza também era a sua.

Notas finais
Gostaram? Obrigada a quem tem comentado a fic e deixado palavras de carinho. :D