Abismo

62 Sofrimento - parte 01


Notas iniciais
Por favor, não me matem...

Capítulo 62 – Sofrimento – parte 01

Na sala de cirurgia o médico corria contra o tempo para salvar Quinn. A hemorragia era grande, assim como o estrago que o acidente ocasionara. Uma das costelas quebradas perfurou o pulmão esquerdo e estava sendo bem trabalhosa a cirurgia.

O inchaço do cérebro ocasionado pelo choque havia sido contido, mas ainda não se sabia se havia alguma sequela em razão da lesão sofrida.

– Temos que conter a hemorragia. – disse o médico com voz de urgência.

– A frequência cardíaca está caindo.

Quando a enfermeira disse aquilo se ouviu um som contínuo na sala saindo da máquina que monitorava os batimentos cardíacos de Quinn.

...

Rachel estremeceu contra Santana e soluçou. As lágrimas voltaram a escorrer por seu rosto.

– O que houve, Rach? – perguntou preocupada.

– Uma sensação ruim, como se estivesse perdendo a Quinn. – choramingou.

– Nós não vamos perde-la. Fique calma. – Santana tentou tranquiliza-la, mas ficara bastante aflita com o que Rachel dissera.

As duas permaneceram abraçadas por um longo período, até que Rachel foi conduzida a uma poltrona confortável para aguardar. Blaine lhe trouxe um suco e obrigou-a a bebê-lo, em função dos remédios que havia tomado quando passara mal.

Quatro horas e meia desde que chegaram ao hospital já havia se passado e todos estavam angustiados pela falta de notícias. O motorista já havia sido instalado em um quarto e naquele momento estava sendo ouvido por Patrick, que até aquele momento não havia saído do local.

Quando a porta abriu pelo que parecia ser a milésima vez todos olharam em sua direção e viram o médico sair com uma cara séria e bastante cansada. Rachel saltou na frente de todos e o interpelou.

– Dr., como está Quinn? – seus olhos suplicavam por notícias boas.

– Ela está na UTI e seu quadro é bastante grave. Ela teve uma parada cardíaca durante a cirurgia e nós quase a perdemos, mas por um milagre conseguimos trazê-la de volta. – anunciava para o desespero de todos – Agora ela está em observação e o quadro dela é crucial nas próximas 24 horas.

Rachel se agarrou a Judy e Kitty, as três se abraçavam quase com desespero. Uma queria consolar a outra, mas ao mesmo tempo também queriam ser consoladas. Não podiam perder sua Quinnie.

– Eu posso ao menos vê-la? – perguntou Rachel entre soluços.

– Você e a Sra. Judy podem me acompanhar para vê-la, mas infelizmente tem que ser rapidamente. – disse e ambas concordaram imediatamente.

O médico às conduziu até uma sala de recuperação cheia de aparelhos aos quais Quinn estava ligada para ter seus sinais vitais monitorados e também para auxiliarem que permanecesse viva nas primeiras horas.

A loira estava mais pálida que o normal e respirava com ajuda de aparelhos. Aquela visão doeu em Rachel mais que tudo. Sua Quinn era uma figura frágil sobre uma cama e ela não poderia fazer nada. Chorou diante daquela visão. Queria se aproximar e abraçar a esposa, mas sabia que não podia fazê-lo para não machuca-la ainda mais.

Estava abraçada a Judy que também mantinha os olhos fixos em Quinn e chorava. Uma amparava a outra diante daquela visão que lhes partia o coração e a alma. Rachel olhava para a mulher e só conseguia pedia a Deus que ela voltasse para junto dela e dos filhos.

Os filhos. Como contaria a três crianças o ocorrido? Três crianças que já haviam sofrido muito quando a própria morena havia sido sequestrada, principalmente Ben, que entendia mais as coisas. Pensar nos seus bebês a fez sofrer ainda mais. Eles eram muito novos para serem privados da companhia de uma pessoa tão especial quanto a mamãe deles. Os três e mais o bebê que tinha certeza que estava a caminho.

Estava divagando olhando para Quinn abraçada à sogra quando o médico anunciou que já havia passado os quinze minutos permitidos e que elas teriam de se retirar, o que fizeram sob protestos. Na sala de espera todos estavam ansiosos para saber da amiga, e ficaram bastante preocupados ao verem a expressão das duas, que demonstrava dor e sofrimento.

– Como ela está? – antecipou-se Britt e a resposta que obteve foi uma Rachel despedaçada se jogando em seus braços e chorando mais uma vez.

Diante daquela cena todos entenderam a gravidade da situação e ficaram em silêncio, processando os próprios sentimentos.

...

Já fazia cerca de seis horas que Quinn tinha saído da sala de cirurgia e estava na UTI, seu quadro continuava o mesmo. Rachel tinha sido obrigada a ir em casa descansar. Foi devidamente medicada para que pudesse dormir um pouco.

Judy foi com ela e encarregou-se de contar para as crianças, que se puseram a chorar com aquela notícia. Ben correu em direção ao quarto das mães e se deitou junto a Rachel, que estava adormecida. Passou o bracinho em volta de sua cintura e instintivamente a mãe o abraçou, trazendo-o para mais perto.

As meninas ficaram junto a Judy, abraçadas. Eram pequenas, mas entendiam a gravidade da situação e queriam sua Mamãe junto delas novamente. Choraram por um bom tempo, até que adormeceram aninhadas à avó, que mais uma vez teve o coração partido.

Kitty chegou logo em seguida com Marley para ficarem um pouco com Chrystal e também com os sobrinhos. Agora, mais do que nunca, teriam que os amparar e não deixá-los sozinhos.

Rachel acordou de um sono profundo e sentiu um calor junto ao seu corpo. Momentaneamente esqueceu-se do que tinha acontecido e achou que era Quinn, mas ao lembrar-se do acidente abriu os olhos para vislumbrar seu filho encolhido junto a si e com marca de lágrimas no rosto.

Acariciou a face que tanto lembrava a de Quinn e desejou poder tirar todo aquele sofrimento de seus filhotes. Por que aquele tipo de coisa tinha que ter acontecido com elas? Primeiro o sequestro, que custou a ser esquecido, e agora isso.

Olhou o relógio e viu que já era quase meio dia. Queria sair correndo em direção ao hospital, em direção a sua Quinn, mas primeiro daria amparo aos seus filhos, que estavam sofrendo tanto quanto ela.

– Acorda, filhote. – disse acariciando a cabecinha loira do filho – Você tem que almoçar, meu amor.

– Mamãe? – sussurrou.

– Não é a Mamãe, anjinho. É a Mami. – esclareceu e viu Ben abrir os olhos lentamente para encará-la.

Assim que se deu conta de tudo o que estava acontecendo o menino se jogou nos braços da mãe e chorou mais uma vez.

– Mami, a Mamãe vai ficar bem? Ela não vai morrer, não é? Eu não quero perder a minha Mamãe...

– Nós não vamos perde-la, ok? Ela vai ficar bem. Vai se recuperar e vai voltar para nós. – falou tentando convencer a ela mesma.

– Você promete? – perguntou esperançoso.

– Prometo, amor. – disse aquilo sabendo que ainda não devia dar esperanças para o filho, mas não conseguia vê-lo sofrer.

Ficou ainda abraçada a ele por um tempo, até que decidiu descer para ver suas filhas e providenciar o almoço dos três, pois com certeza não conseguiria colocar nada na boca.

...

Já estava de volta ao hospital e as notícias continuavam as mesmas: o quadro de Quinn ainda era instável e a situação era grave. Havia se passado 24 horas desde a cirurgia e não ocorrera alteração alguma.

Estava abraçada a Santana e Britt, cada uma de um lado, quando Patrick se aproximou com Puck.

– Rachel, será que eu poderia conversar com você? – disse com feições sérias e isso preocupou a morena.

– Claro. – foi só o que conseguiu dizer e ficou em pé, amparada pelas amigas.

Judy também se aproximou, juntamente com Kitty e Marley.

– As notícias que eu tenho sobre o acidente são um tanto reveladoras. – anunciou – Eu consegui falar com o motorista de vocês e ele me contou como as coisas aconteceram e temos quase certeza que o carro de Quinn foi sabotado.

Diante daquela declaração todos arregalaram os olhos sem poderem acreditar. Ninguém movia sequer um músculo, até Rachel falar.

– Como assim sabotado? Nós tomamos muito cuidado depois do me sequestro, como conseguiram mexer no carro de Quinn?

– Isso é uma coisa que ainda temos que descobrir.

– E o que ele falou?

– Parece que eles saíram normalmente com o veículo e se dirigiam até a casa de vocês e ao se aproximar de um farol que trocava para vermelho ele foi acionar o freio para parar e este não funcionou... O motorista tentou mais vezes e o carro não parou, ultrapassando o sinal e sendo abalroado pela camionete que vinha na via transversal com velocidade elevada, atingindo em cheio o lado que a Quinn vinha.

Todos ficaram chocados com aquela informação e ao mesmo tempo se questionavam como aquilo poderia ter acontecido se a loira era extremamente detalhista e sempre mandava os veículos para revisão.

– O carro foi enviado para a perícia e foi constatado que houve sabotagem. Houve um corte na mangueira que levava o fluído de freio ao seu destino e este vasou em sua totalidade. Seja qual for o motivo isso tudo foi intencional, era para atingir a Quinn gravemente.

Aquela notícia fez todos ficarem estarrecidos. Quem poderia querer fazer mal a Quinn? Um filme passou em sua cabeça desde que se casaram e que coisas ruins ou no mínimo estranhas aconteceram com elas. Acabou por lembrar das suspeitas de sua esposa no sentido de que poderia ser Richard por trás de muitas coisas que ocorreram.

O corpo de Rachel tremia descontroladamente. Puck a abraçava e a apertava fortemente em seus braços a fim de acalmá-la.

– A-a Quinn achava que as coisas que v-vinham acontecendo nas filiais dos nossos Hotéis Golden Star poderiam ser coisa do Ri-Richard. – sussurrou arrasada por não ter dado ouvido às suspeitas da esposa antes.

– Se tiver sido ele nós iremos descobrir. Não se preocupe. – tentou acalmá-la Patrick.

...

O prazo dado como crucial pelo médico já havia passado e Quinn continuava na mesma. Seu estado não melhorava, mas tampouco piorava. As investigações continuavam e a polícia estava empenhada em localizar Richard. Na perícia realizada no carro foi localizada uma digital parcial e esta batia com a do tio de Rachel.

A morena seguia no hospital e se negava em ir para casa enquanto Quinn não tivesse uma melhora. Nem sob o argumento de que precisava ver os filhos e descansar ela cedia. Puck, Kurt e Santana seguiam em sua companhia enquanto os demais haviam ido em casa.

Rachel estava perdida em pensamentos quando viu uma figura loira de cabelos ondulados se aproximar timidamente. A mulher vinha em sua direção de forma cautelosa, como se estivesse com medo. A morena levantou os olhos e se deparou com Carla, que tinha feições incertas.

– Carla?

– O-olá, Rachel. – sussurrou diante do olhar curioso da outra – Será que eu poderia falar com você?

– Claro. – falou após alguns segundos observando-a.

A mulher se afastou um pouco e Rachel levantou-se de onde estava e a seguiu, sem entender o que ela queria. Carla parou um pouco afastada de onde os amigos da morena estavam e após alguns instantes tomou coragem e a encarou.

– Você deve estar se perguntando o que eu estou fazendo aqui. – disse e diante da concordância da morena apenas continuou – Eu vim te pedir perdão...

– Perdão exatamente pelo quê, Carla? – perguntou Rachel, confusa.

A loira a olhava incerta. Respirou fundo, enchendo-se de coragem e prosseguiu.

– Perdão por ter participado desse plano sórdido arquitetado por seu tio para ficar com sua herança...

– Plano? Que plano? – perguntou confusa, mas já se enchendo de raiva com a simples menção daquele homem que aprendera a odiar.

Notas finais
Peguei muito pesado? Contagem regressiva para o fim... :(