Abismo

63 Sofrimento - parte 02


Notas iniciais
Capítulo especial para a Asuka e também para todas as leitoras que pediram para eu postar logo. Penúltimo capítulo, espero que gostem.

Capítulo 63 – Sofrimento – parte 02

A loira olhou mais uma vez de forma incerta para Rachel. Seus olhos transpareciam medo e arrependimento. A morena tinha as feições tomadas pela raiva desde que Carla mencionara seu tio e Puck que as observava de longe acabou se aproximando e envolvendo os ombros da amiga protetoramente.

– Que plano, Carla? Fala logo! – exigiu.

Mesmo tomada pelo pânico Carla resolveu contar toda a verdade, não sofreria mais por carregar aquele segredo, aquele sentimento de culpa.

– Rachel, eu sei que no final você não vai me perdoar e sequer vai querer me ver em sua frente alguma vez na vida. Mas eu quero te dizer que eu sei que fui totalmente leviana nas decisões que tomei e não medi as consequências. Eu estava fora do país e voltei somente agora e fiquei sabendo do seu sequestro ocorrido há algum tempo e do acidente envolvendo o carro de Quinn.

– Não estou entendendo aonde você quer chegar. – falou a morena já impaciente.

– Vou começar do princípio. – disse fechando os olhos, massageando-os – Nós começamos a namorar anos atrás porque tínhamos uma certa afinidade e nada mais que isso. Eu gostava de você e você de mim, mas não nos amávamos. Estávamos recém no começo do namoro quando um homem me procurou e ofereceu uma boa quantia em dinheiro para que eu te deixasse. – falou com os olhos baixos de vergonha – Na época eu estava muito precisando de dinheiro, você sabia, minha mãe estava passando por problemas de saúde e não pensei duas vezes em aceitar e terminar com você sem maiores explicações.

Rachel sentia que não era só aquilo, que havia mais coisas. Sentia seu corpo tremer sob o abraço protetor de Noah e a raiva começava a tomar conta de si.

– Bem, então eu aceitei o dinheiro e te deixei sem pensar duas vezes. Alguns anos depois a mesma pessoa me procurou de novo e me ofereceu uma quantia maior ainda para que eu interferisse em seu casamento... – falava baixo, temendo a reação da morena – Me ofereceu uma quantia bem maior. Achei que para ele estar me oferecendo aquilo e diante da justificativa que você havia casado com uma oportunista, não haveria mal nenhum em aceitar a proposta.

– Eu não acredito que aquela vez que nos encontramos no shopping toda aquela atitude sua era para causar um mal estar entre eu e Quinn.

– Me desculpe, Rachel, mas era sim. – tentava se desculpar, mas antes de conseguir prosseguir sentiu seu rosto arder com o tapa que Rachel lhe desferiu.

– Você merece muito mais do que esse tapa. – rosnou sendo agarrada por Puck, que ainda queria ouvir o desfecho de tudo.

– Deixe ela prosseguir, Rach. – pediu o amigo.

– Eu vi pelo pouco tempo que estive com vocês que o amor de vocês é verdadeiro e depois de ver a linda família que construíram eu desisti de tudo e decidi não atrapalhar... Você não merece isso. É uma pessoa boa e não merece todo esse mal que aquele desgraçado tem lhe feito. – continuou – Eu saí dali e telefonei dizendo que não participaria mais daquilo e ele me ameaçou de morte, caso contasse algo. Foi por isso que eu saí do país e só voltei agora...

– Quem foi o desgraçado, Carla? – falou Rachel de forma dura – Me diz quem foi o desgraçado para eu poder mata-lo.

– Calma, Rach. Não fale besteira. Deixe que o Patrick resolva tudo. Você não vai sujar suas mãos. – acalmou-a Puck.

– Foi o Richard. Foi ele quem me pagou da primeira vez para deixá-la e pelo que entendi pagou àquele namorado que foi seu colega e que você teve antes de mim. Ele me ofereceu muito dinheiro para eu separá-la de Quinn e tenho certeza que ele foi o responsável por seu sequestro e pelo acidente da sua esposa.

– AQUELE DESGRAÇADO. – gritou chorando – Eu vou mata-lo. Se alguma coisa acontecer a minha Quinn, eu vou mata-lo.

Santana e Kurt terminaram de se aproximar, estavam ouvindo tudo um pouco mais afastados, e ampararam Rachel junto com Puck. A morena chorava descontroladamente e uma enfermeira veio atende-la e levou-a junto com a latina para ser medicada com um calmante.

– Você se importa de prestar um depoimento sobre isso, Carla? – perguntou Puck.

– Não, eu quero mais é que Richard seja preso e deixe de espalhar desgraça por onde passa. Eu perdi minha mãe e nem pude vir ao seu sepultamento por causa das ameaças dele.

– Vou ligar para o Patrick e ele virá te acompanhar. Tenho certeza que a polícia te dará proteção até esse maníaco ser preso.

...

As investigações prosseguiram e depois do depoimento de Carla vários outros fatos foram apurados. Até mesmo Carmem, prima de Santana, ressurgiu e depôs contra o tio de Rachel, alegando que havia sido paga por ele para tentar afastar a morena de Quinn.

Conseguiram, após intervenção do FBI, comprovar que as sabotagens nos Hotéis de Rachel haviam sido realizadas por Richard, ou pessoalmente ou por capangas contratados por este. A polícia seguia procurando incessantemente por ele, mas sem qualquer resultado frutífero.

Já fazia quase três semanas que o acidente tinha ocorrido e Quinn já estava estável, mas sem sinais de recobrar a consciência. Rachel estava sempre do seu lado no quarto que a loira ocupava, somente indo para casa para ficar um pouco com os filhos. Sua barriga já estava começando a aparecer levemente, havia se certificado de que realmente estava grávida e agora contava com cerca de três meses e meio de gestação. Não quisera saber o sexo do bebê, somente veria quando Quinn acordasse e fosse com ela para realizar o exame.

A morena sofria, pois no dia seguinte estariam comemorando cinco anos de casadas e sua esposa estava naquela situação. Seus ferimentos já estavam em franca cicatrização e os exames realizados não apuraram nenhuma lesão no cérebro. Não se sabia o motivo dela ainda estar desacordada, só restava esperar.

Rachel deu um beijo no rosto de Quinn e saiu. Iria um pouco em casa ficar com os filhos e depois retornaria para passar a noite com ela, não conseguia dormir sem ser na cama que haviam colocado para ela no quarto da loira. Por vezes deitava-se contra o corpo da esposa para sentir seu calor e enfim poder relaxar.

Saiu do quarto com uma sensação estranha. Aquele pressentimento de que estava sendo observada a tomou novamente. Olhou para os lados e não viu nada anormal, decidindo seguir seu caminho.

Mal se afastou e uma figura vestida toda de branco se aproximou da porta do quarto de Quinn e entrou sorrateiramente, após verificar que não havia sido vista. Fechou a porta e olhou em direção da cama onde a loira estava. Uma nuvem de raiva tomou conta dos olhos escuros e se aproximou do leito.

– A culpa da minha ruína é sua. Se você não tivesse voltado tudo seria meu e nada do que fui obrigado a fazer teria acontecido. – falava com ódio – Aquela idiota nunca teria recebido a herança que era minha por direito. Eu tenho o sangue de Leroy e não aquela mulherzinha que ele trouxe para junto de nós chamando de filha. Nem ela e nem aquele homem nojento que ele chamava de marido tinham direito a nada. Todo esse império foi construído por mim e ele me roubou e deu tudo para aquelazinha.

Os olhos castanhos transbordavam ira e insanidade. Era visível que coisa boa não sairia dali. O homem seguiu mirando Quinn com raiva, sem que a loira esboçasse qualquer reação em seu sono profundo.

– Agora ela vai pagar... Ela tirou o que mais valia para mim na vida e eu vou tirar o que ela mais ama. Só não vou matar aquelas crianças repugnantes porque estão sempre cercadas de proteção e não vou me arriscar a entrar naquela casa imunda e me contaminar. – disse doentiamente – Vou matar você, aberração. Vou te matar e fazer aquela desgraçada sofrer pelo resto da vida. Ela me tirou tudo, agora vou tirar algo valioso dela.

Riu diabolicamente e retirou uma arma do bolso. Encaixou o silenciador na ponta e mirou para a cabeça de Quinn. Estava levando o dedo para engatilhar a arma quando a porta do quarto abriu-se abruptamente e foi invadida por três policiais seguidos de Patrick.

– Largue a arma e vire-se lentamente. – disse um dos policiais mirando a arma para o homem que permaneceu imóvel.

– Você ouviu, Richard. Solte a arma e vire-se. Você está preso. – vociferou Patrick.

Richard deu uma risada de escárnio e não se virou. Tudo estava perdido e ele já não se importava com nada. Ou melhor, só se importava em concluir sua vingança contra Rachel. Ele engatilhou lentamente a arma e movimentou-se para novamente aponta-la para Quinn. Um disparo foi ouvido e um corpo caiu.

Ao ouvir o estampido Rachel entrou correndo no quarto seguida por Puck. Ela havia voltado para trás em seguida que saíra e viu quando Richard entrou no quarto de Quinn, tendo chamado logo em seguida os policiais que estavam de guarda em frente ao hospital. Puck e Patrick estavam chegando naquele momento e acompanharam toda a operação.

A morena estava desesperada e seu olhar foi direto à cama da esposa, que estava intocada, do mesmo jeito que a havia deixado. Deixou escapar um suspiro de alívio e olhou para a figura caída no chão que a olhava ainda com ódio.

– Tudo isso por dinheiro... Isso nunca foi importante para mim. Se você fosse outra pessoa estaria até hoje na frente dos negócios e eu teria passado ao menos uma parte da rede para você. É uma pena que sua ganância tenha te levado a ter um fim assim. Com certeza meu pai teria vergonha de você. – disse com nojo enquanto o homem se esvaía em sangue.

Um médico e enfermeiras entraram correndo no quarto e logo Richard foi retirado em uma maca. Dr. Marcus entrou no local e passou a examinar Quinn, constatando que ela estava bem e sem qualquer lesão.

– Como você está se sentindo, Rachel? – perguntou o médico, preocupado com a gravidez da morena.

– Por incrível que pareça me sinto bem, doutor. Finalmente o inferno com esse homem acabou, só falta a minha Quinnie acordar. – disse olhando esperançosa para a mulher.

– Qualquer coisa que sentir mande me chamar. – falou, prestativo e saiu logo em seguida.

Os policiais ainda permaneceram um tempo no quarto, recolhendo alguma prova que achavam necessária enquanto Patrick ouvia Rachel. Um pouco depois chegou a notícia que Richard não havia resistido ao ferimento e morrera. A morena não conseguiu sentir nada naquele momento. Nem pena, nem alívio. Parecia que havia simplesmente recebido a notícia de que um completo estranho havia morrido. O quarto foi devidamente limpo e Rachel foi deixada com Puck no quarto.

– Agora só falta a nossa loira acordar. – disse Puck olhando para amiga inconsciente.

– Realmente espero que isso não demore, Puck...

Notas finais
E aí, gostaram? Último capítulo em breve... Coração partido.