Abismo

64 Amor infinito


Notas iniciais
Último capítulo. :'(

Capítulo 64 – Amor infinito

Um mês e meio havia se passado desde o atentado de Richard que resultou em sua morte. Quinn ainda permanecia em coma. Já fazia mais de dois meses que estava assim. Rachel já havia completado 30 anos, agora estava com um pouco mais de cinco meses de gestação e sua barriga de grávida já era evidente, apesar de não ser muito grande.

Ainda seguia com aquela peregrinação diária entre hospital e casa. Havia largado os negócios nas mãos dos amigos, que entendiam a situação e cuidavam de tudo com zelo. As crianças perguntavam diariamente por sua mãe e sempre se entristeciam diante da informação de que não houvera melhoras. A família estava sempre ali com ela, não a abandonaram um instante sequer.

Era uma tarde chuvosa e Rachel olhava melancolicamente pela janela do quarto. As gotículas da chuva escorriam pela janela. Seus pensamentos estavam perdidos em recordações e em orações silenciosas pedindo pela recuperação de Quinn. Estava tão absorta em seus pensamentos que não percebeu um leve movimento na cama a sua direita.

Quinn abriu os olhos lentamente e piscou várias vezes a fim de se acostumar com a claridade do ambiente. Não sabia onde estava, nem porque estava ali. Seu corpo doía e sua cabeça latejava um pouco ao tentar puxar as lembranças. Moveu a cabeça lentamente para o lado e seus olhos focaram em uma pequena figura em frente a janela.

Observou silenciosamente a silhueta da mulher que tanto amava e seu olhar parou no abdome avolumado. Abriu um sorriso fraco, sendo tomada pela felicidade. Ao mesmo tempo se perguntou há quanto tempo estava ali para Rachel estar com a barriguinha daquele tamanho.

– Então o resultado do exame era positivo... – sussurrou fraca.

Ao ouvir aquela voz rouca e baixa Rachel se virou assustada e não conseguiu conter a emoção ao ver a mulher acordada. Sem dizer nada correu em sua direção e se jogou sobre seu corpo, chorando. Quinn levantou os braços vagarosamente, sem forças e envolveu a esposa em um abraço carinhoso.

– Não chora, amor. – disse baixo.

– Quinn. Amor. – disse beijando seu rosto incessantemente – Eu achei que ia te perder...

– Eu estou aqui, Rach. Voltei para você e para nossos filhos. – falou emocionada.

– Não se mexa mais. Vou chamar a enfermeira. – disse afobada ao apertar o botão chamando a enfermeira que logo entrou no quarto.

Diante da visão da loira acordada a enfermeira se espantou e foi logo chamar o médico para que a examinasse. Doutor Marcus entrou logo em seguida no quarto, quase correndo e abriu um sorriso quando enxergou Quinn.

– Então a Bela Adormecida resolveu acordar. – disse rindo – Como se sente?

– Estou com dor no corpo e minha cabeça está latejando um pouco. – informou fraca.

– Isso é normal pelo tempo que ficou inconsciente. Apesar da fisioterapia seu corpo ficou muito tempo na mesma posição. E a cabeça dói porque você está tentando puxar as lembranças. Deixe que elas fluam normalmente, não force nada.

– O que aconteceu? Há quanto tempo estou aqui?

– Você sofreu um acidente de carro e está aqui há um pouco mais de dois meses.

– Dois meses? – falou assustada – Rachel, como estão nossos filhos? Eles devem estar sofrendo com tudo isso.

– Calma, Quinn. Eles andam tristes e sentindo sua falta, sim. Mas todos nós tínhamos certeza que você voltaria para nós.

– Quando eu posso ir para casa? Eu quero ver meus filhos e minha família. – dizia.

– Calma, vamos fazer alguns exames imediatamente e conforme for no máximo amanhã você já poderá ir para casa, mas terá algumas restrições e terá que ter acompanhamento. – informou o médico.

Não demorou muito e Quinn foi encaminhada para os exames. Rachel, que estava flutuando de tão feliz por ter a esposa de volta, esquecera-se de avisar o resto da família, lembrando-se de tal fato tão logo a loira foi levada.

Alô! Judy Fabray falando.

– Judy, sou eu. – disse e chorou de felicidade.

Oi, Rach. O que houve? Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa com a Quinn? – perguntou preocupada, diante do choro da nora.

– Sim, aconteceu... – fez suspense, assustando ainda mais a sogra – Ela acordou, Judy. Nossa Quinnie finalmente acordou. Ela voltou para nós...

Eu não acreditooo. – disse a mulher entre lágrimas de felicidade – Ben, a Mamãe acordou. Ela está bem, Rach?

– Sim, ela está. O médico a levou para fazer alguns exames e logo ela estará de volta ao quarto. Se tudo estiver bem logo terá alta. – vibrou.

Graças a Deus! Estou indo para aí. – anunciou e ouviu Ben gritar ao fundo que também iria.

– Pode trazê-los, Judy. O médico já autorizou e disse que será bom para Quinn e para eles também.

Algum tempo depois Quinn voltou ao quarto acompanhada por Marcus. Tinha um sorriso enorme no rosto, transparecendo toda sua felicidade pelos exames terem saído bem e em breve poder voltar para casa.

– Está tudo bem. Tudo em sua mais perfeita ordem nos exames que já ficaram prontos. – anunciou o médico – Dentro de uma hora ficam prontos os exames de sangue e o realizado para ver o desempenho pulmonar após a recuperação da cirurgia, a fim de verificar se tudo ficou 100%. Em caso positivo já vou liberar a Quinn hoje no final da tarde, ficando com ela em observação apenas por mais umas horas aqui.

Os olhos de Rachel brilhavam e não conseguia esconder a felicidade que sentia. Aproximou-se de Quinn e simplesmente a abraçou, sentindo que um peso era retirado de suas costas e finalmente conseguiriam ter paz e ser ainda mais felizes.

– Eu te amo mais que tudo. – sussurrou junto ao ouvido da esposa, deixando uma lágrima de felicidade escapar.

– Eu também te amo, Rach. Nunca vou cansar de te dizer isso. Você é meu mundo. – declarou a loira afastando a esposa e a encarando – Não chora, amor. Eu estou aqui de volta para você e não vou deixar que nada demais aconteça a você ou aos nossos filhos.

– Agora com Richard fora do nosso caminho tenho certeza que nada de ruim irá nos acontecer.

– Como assim? O que houve com ele.

Rachel olhou para o médico pedindo autorização para contar o que houve, sendo que este apenas assentiu com a cabeça. A morena passou a narrar todo o acontecido e que o responsável por tudo era realmente Richard, assim como Quinn havia desconfiado. O homem queria a todo custo o patrimônio deixado a Rachel e como forma derradeira tentou inicialmente sequestrar e mata-la e como não houve êxito sabotou o carro da loira. Tudo isso antes que elas completassem os cinco anos de casadas. Isso seria uma forma de que a cláusula do testamento fosse quebrada e que ele finalmente ficasse com tudo.

Ele só não contava que nenhum de seus planos surtissem efeito e todos os capangas contratados não conseguissem levar a cabo as determinações. Inclusive Finn e os outros falharam, tendo mandado executar Karofsky que havia sobrevivido à ação da polícia. Em um ato de completa loucura ele mesmo sabotou o carro de Quinn e acabou deixando uma impressão digital parcial, momento em que fora descoberto. O depoimento de Carla e Carmem foram outro ponto importante para as investigações, que descobriram que a mente dele era bem mais sórdida do que acreditavam ser.

Quinn ouvia tudo concentrada e com os olhos duros. Com certeza se o homem não estivesse morto ela tomaria providências sérias contra ele. Mas graças a Deus aquele inferno acabara e agora elas queriam era paz e tranquilidade junto de sua família.

O médico havia saído do quarto e deixado as duas sozinhas enquanto esperavam seus filhos e Quinn digeria toda aquela informação que lhe fora despejada. Rachel estava sentada ao lado dela na cama e a loira estava recostada contra seu corpo, com a barriga pressionando levemente suas costas.

– Então nós vamos ter outro bebezinho lindo. – disse a loira já com um sorriso enorme no rosto, se virando para ficar com o rosto de frente para a esposa.

– Sim, daqui a três meses e meio. – informou a morena com um sorriso enorme no rosto olhando para a mão da loira que afagava sua barriga.

– Você já sabe se é menino ou menina o nosso bebê? – perguntou curiosa.

– Ainda não. Estava esperando você acordar para sabermos juntas. – disse sorrindo para a esposa que se emocionou diante de mais um gesto de carinho da morena.

– É por estas atitudes suas que a cada dia te amo mais. – tomou os lábios de Rachel dando-lhe um beijo apaixonado, cheio de saudade.

Ainda se beijavam quando a porta foi aberta em um rompante e três crianças afoitas entraram correndo e abriram um sorriso que preenchia todo o rosto quando avistaram a mãe.

– MAMÃEEE!!! – os três gritaram juntos e correram para a cama.

– Meus bebêsss. Venham cá com a Mamãe. – disse esticando os braços para que os filhos se jogassem cheios de saudade.

– Estávamos morrendo de saudades de você, Mamãe. – choramingou Ben.

– Agora a Mamãe está aqui, anjinho. – disse enquanto apertava os três filhos.

Judy olhava aquela cena um pouco mais afastada. Tinha os olhos marejados por ver sua filha bem e de volta para eles.

– Mãe, não chora. – disse Quinn para Judy.

– Me deixa chorar, Quinn. Não é todo dia que meu bebê tem a chance de renascer.

– Mãe... – disse simplesmente chamando a loira mais velha para se juntar ao abraço, o que foi prontamente atendido.

Rachel tinha os olhos marejados ao ver sua família completa e feliz novamente. Finalmente suas orações haviam sido ouvidas e Quinn tinha voltado para ela.

...

Duas semanas haviam se passado desde que a loira teve alta. Rachel completara seis meses de gestação e naquela tarde elas teriam uma consulta onde finalmente saberiam o sexo do bebê.

O médico passava o aparelho sobre a barriga volumosa de Rachel e mostrava a elas que tudo estava bem com a criança. As duas não conseguiam segurar a felicidade e tinham sorrisos enormes estampando seus rostos.

– Então, Dr. Marcus... – disse Quinn ansiosa. A loira estava quase que 100% recuperada das limitações impostas e naquele dia o doutor já havia a liberado das restrições.

– Parabéns mamães, vocês terão outra menina. – disse sorrindo.

– Outra menininha igual a você, Quinnie. – disse Rachel emocionada.

– Ou igual a você, meu amor. – falou boba.

– Já estou acostumada que nossos filhos sejam seu xerox, Quinn. Como você mesma disse: seus genes são dominantes. – riu.

– Não importa com quem nossa menininha se pareça, ela vai ser mais uma princesinha em nosso reino.

– Cada vez mais me apaixono por este seu romantismo. – selou os lábios da loira.

Em casa todos comemoraram a novidade da chegada de mais uma menininha. Sarah e Sophia vibravam com a expectativa de mais uma companheira para as brincadeiras e Ben estava feliz porque seguiria sendo o homem da casa e ainda que seria mais uma irmãzinha para ele proteger.

– Estou tão feliz com a reação das crianças, Quinnie. – disse Rachel já recostada na cama esperando a loira ir deitar.

– Nossos filhos são surpreendentes e muito inteligentes. As meninas vão ser ótimas professoras para a bebê e Ben, como sempre, será muito protetor. – falou com os olhos brilhando.

Quinn deitou-se ao lado de Rachel e a encarou. A morena conhecia aquele olhar muito bem e seu corpo se arrepiou por completo. A loira olhou para os lábios carnudos e lambeu a própria boca, desejosa por contato.

Sem conseguir se conter Rachel fechou a distância que havia entre as duas e beijou-a com desejo, cheia de saudade. O beijo era ardente, repleto de expectativa pelo que viria a seguir. Apesar de já fazer alguns dias que Quinn estava em casa, recém o médico havia lhe dado alta e não precisavam mais refrear seus ímpetos.

As mãos passeavam pelos corpos que já estavam desnudos. Não tinham um lugar certo para massagear ou acariciar. A saudade que sentiam do toque da outra era incontrolável. A pele ardia. Seus sexos pulsavam. Seus corpos imploravam por mais contato.

Sem mais conseguir se conter Rachel deitou Quinn de costas para o colchão e sentou em sua cintura. A loira sentou e tomou seus lábios e foi baixando pelo pescoço até começar a sugar os seios crescidos em função da gravidez. Sugava os mamilos com vontade e mordiscava os bicos rijos.

Rachel arqueou o quadril e forçou a penetração. Vendo o desespero da esposa Quinn investiu contra ela, preenchendo-a lentamente.

– Cavalga sobre mim. – gemeu Quinn.

Obedecendo ao pedido suplicante da esposa a morena passou a ondular seu corpo sobre o pênis de Quinn. Subia e descia sensualmente. Tinha a boca aberta e os olhos brilhantes de desejo encaravam o mar verde a sua frente.

Apoiou as mãos nas coxas de Quinn e arqueou-se para trás. Sentia o pênis da esposa indo até seu limite e atingindo seu ponto de prazer. Não precisou muito tempo para que as duas se perdessem nas estrelas que enxergaram ao atingir o clímax.

Rachel se aninhou contra o corpo de Quinn como sempre fazia antes de dormir. Tinha um ar de satisfação e paz. Aquele era o local que se sentia bem. Repleta. Feliz. Mas acima de tudo, segura.

– Não me deixe mais, por favor.

– Nunca mais meu amor.

Notas finais
É duro deixar um filho partir...