Abismo

9 Tendo certeza


Notas iniciais
Oi, gente lindaaa. Mais um capítulo para vocês. Só alertando que qualquer informação médica constante na fic é puramente fictícia, realmente não sei se são reais, até dei uma pesquisada, mas era tudo muito complexo para mim que sou de outra área, então meio que inventei, hehehehehe.

Capítulo 09 – Tendo certeza

Já fazia duas semanas que Rachel havia feito o teste de farmácia, mas ainda não tinha criado coragem de ir até o hospital para fazer os exames necessários a fim confirmar sua situação. Não que ela precisasse disso, os enjoos matinais que andava tendo e o pequeno volume em seu abdômen já eram provas suficientes confirmando sua gravidez.

Mesmo assim não podia fugir da situação e se dirigiu com Kurt ao hospital Presbyterian, onde havia marcado uma consulta com seu médico. Chegando ao local ainda teve que esperar alguns instantes para ser atendida.

– Srta. Berry, pode passar. O Dr. Marcus está a sua espera. – falou a secretária a conduzindo juntamente com Kurt para a sala do médico.

– Olá Rachel, quanto tempo? Que ventos a trazem até aqui? – perguntou Dr. Marcus que a conhecia muito bem e sabia que para ela procurá-lo deveria estar com algum problema.

– Bom dia, doutor. Eu estou bem de saúde, não se preocupe. – adiantou diante do olhar inquiridor do médico.

– Então o que a traz aqui?

– Bem, eu vou ser bem direta com o senhor. Quero fazer alguns exames para ter certeza se realmente estou grávida. – Rachel falou sem ao menos respirar – Já fiz um teste de farmácia e ele deu positivo, tenho tido enjoos pela manhã e minha barriga cresceu um pouquinho.

– Hum... ok. E você tem mais ou menos uma previsão de quanto tempo de gestação você pode estar?

– Três meses e duas semanas. – falou convicta.

– Certo... Vamos fazer então um exame de sangue para ver se está tudo bem com você e já aproveitamos para fazer uma ultrassonografia para nos certificarmos da gravidez e em caso positivo já vermos se o bebê está bem. Com esse tempo de gestação o ultrassom capta perfeitamente o bebê e talvez já dê para ver o sexo.

Quando o médico falou em ver o bebê e se ele estaria bem, Rachel deu-se conta de que realmente poderia estar carregando uma criança em seu ventre.

O médico encaminhou-a ao laboratório para a coleta do sangue que seria examinado enquanto ele fizesse a ultrassonografia. Realizada a coleta Rachel voltou à sala do médico tirando sua roupa para que pudesse fazer o exame. Kurt não saía de seu lado, como prometido. Prestava atenção em tudo que era dito a ela.

– Agora vou passar esse gel em sua barriga para fazermos o exame, pode ser um pouco gelado, mas logo passa.

POV Rachel

Dr. Marcus passou o gel em minha barriga, aquilo era extremamente gelado. Explicou-me que passaria um aparelhinho sobre o gel e o que fosse captado poderia ser visto no monitor perto da cama.

Quando ele começou a passar o aparelho em minha barriga apareceu uma imagem toda desfocada no monitor, eu não compreendia nada ali. Dr. Marcus, ao contrário, esboçou um sorriso, como se tudo fosse muito claro.

– Está vendo essa silhueta aqui, que não para de se movimentar? – questionou mostrando um ponto no monitor que realmente mexia-se bastante.

Concordei com a cabeça e ele prosseguiu.

– Aqui está o seu bebê.

Meus olhos se encheram de água e uma lágrima escorreu por meu rosto. Olhei para Kurt que estava com os olhos marejados.

O médico então girou um botão no monitor e um som de batidas rápidas e compassadas encheram o ambiente.

– Esse som é o coraçãozinho dele batendo. – falou sorrindo.

Aí sim, a emoção tomou conta de mim e já não conseguia mais segurar as lágrimas que rolavam descontroladamente. Mais uma vez olhei para Kurt, que apertava minha mão, e ele também estava na mesma situação que eu.

– Você quer saber se seu bebê é menino ou menina?

– S-sim. – afirmei.

– Está vendo aqui. – falou apontando para o monitor – Parabéns, mamãe. Você vai ter um meninão.

– E está tudo bem com ele?

– Sim, aparentemente ele está perfeito.

Ele me alcançou algumas toalhas de papel para limpar minha barriga e disse que eu me vestisse e voltasse a sua sala.

Quando voltei à sala uma pergunta não saía de minha cabeça e eu teria que perguntar ao médico, mesmo que isso não fosse influenciar em nada.

– Doutor, eu tenho uma pergunta para lhe fazer.

– Pode perguntar o que quiser, Rachel.

– O pai do meu filho na verdade não é pai, é uma outra mãe... – falei e Dr. Marcus me olhou com olhos indagadores – É que a outra mãe do meu bebê é hermafrodita e eu gostaria de saber se isso pode influenciar para que meu bebê também seja.

– Olha Rachel, a causa dessa situação ainda é muito obscura para a medicina, mas é quase certo que não é uma herança genética. Então eu aconselho que você não se preocupe, não há nada no momento que possamos fazer para verificar se é um caso de hermafroditismo ou não, mas tenho quase certeza que não seja.

– Não se preocupe, doutor, só queria tirar essa dúvida mesmo. Meu filho não vai deixar de ser menos amado se nascer assim ou não. – falei convicta.

– Fico feliz em ouvir isso. Muitas pessoas optariam por um aborto caso soubessem que poderia haver a possibilidade de seu filho nascer assim.

– Eu nunca faria isso. Jamais desistiria desse serzinho que eu já amo. – falei acariciando minha barriga.

Agora era real, começava a entender a grandiosidade da experiência que estava passando. Estava carregando um bebê, um ser inocente e que eu já amava acima de tudo. Faria qualquer coisa para proteger meu filho.

Doutor Marcus terminou de me dar algumas explicações de como eu deveria proceder, de como me cuidar dali para frente e me liberou.

Saí do hospital com a mão sobre o ventre. A sensação que sentia era inexplicável, era como se uma força tivesse tomado conta de mim e que dali para a frente eu não estaria mais só.

Olhei para Kurt e ele estava com um sorriso enorme no rosto. Estava tão feliz quanto eu.

– Você tem noção do que está acontecendo, Rach? Nós vamos ter um bebê, um bebezinho para correr dentro de casa e alegrar nossas vidas. – falou animado, envolvendo meus ombros com um braço.

– Calma, Kurt. Minha barriga nem cresceu ainda e você já está imaginando meu filho correndo pela casa. – falei não conseguindo segurar uma gargalhada. As pessoas que passavam perto me olharam, mas eu nem me importei, estava muito feliz.

– É que eu estou muito animado. Não vejo a hora de começarmos a comprar as coisas para ele e a montar seu quartinho.

– Uauuu, mas você é rápido, heim. Vamos devagar que ainda tenho muitas coisas para resolver. Não esqueça que ainda tenho aquele problemão para solucionar e que terá início daqui a dois meses e meio.

– Qual?

– Kuuurt! Minha pensão será cortada, lembra?

– Ai, é claro que lembro. Mas é que a notícia foi tão boa que acabei deletando por um momento.

– É, mas agora mesmo é que eu não posso esquecer disso. Daqui para a frente não posso pensar só em mim, tenho que me preocupar com meu filho também.

– Aiiii, que lindooo você falando “meu filho”. – surtou ele.

– Sem piti, por favor Kurt. – falei rindo, estava muito feliz para me importar com o escândalo que ele estava fazendo em público.

– Peraí! – falou pegando o celular e tirando uma foto da minha barriga – Tenho que contar isso para a Marl’s e para B.

– Nem isso eu vou poder fazer? – perguntei indignada enquanto ele mandava uma mensagem de texto com a foto de minha barriga para Blaine e Marley.

– Claro que não, eu falei que ia ser um padrinho babão. Só estou cumprindo com minha promessa. – disse eufórico me mostrando a mensagem que havia enviado a nossos amigos: “É um menino. Nosso afilhado está a caminho. Ass. Padrinho Babão”.

Ri da mensagem e meneei a cabeça: Kurt não tinha jeito mesmo, às vezes era melhor acompanhar suas loucuras do que tentar discutir, sempre acabávamos perdendo mesmo.

– Vem, vamos ao shopping que preciso fazer algumas compras. – anunciou.

Kurt me arrastou para alguns outros lugares antes de irmos para casa. Quando chegamos ao apartamento já estava anoitecendo e estava tudo escuro. Ao abrir a porta e entrar me surpreendi...

– SURPRESAAA!!! – gritaram Marley, Blaine e Kurt ao mesmo tempo.

– Ó, meu Deusss! – falei com os olhos arregalados pela surpresa.

Eles tinha feito uma decoração simples com motivos infantis azuis, havia balões em formato de chupeta pela sala e Blaine segurava uma roupinha azul que dizia Sou da mamãe.

– Estamos tão felizes com a notícia, Rach. – disse Marley passando a mão pela minha barriga.

– É verdade, com certeza esse principezinho que você está carregando já é extremamente amado por nós. – prosseguiu Blaine, também se aproximando e acariciando minha barriga.

– Nós queremos que você saiba que sempre estaremos do seu lado para o que for preciso. Nós te amamos e somos sua família, pode contar conosco sempre. – Kurt afirmou. Meus amigos eram mesmo muito especiais.

Aquilo fez com que me emocionasse e começasse a chorar. Meus amigos me abraçaram me confortando, mas eu não chorava de tristeza, e sim de felicidade por saber que não estaria sozinha naquela minha jornada.

Notas finais
Obrigada a todos que acompanham e comentam. Um bom findi para todos. Ps.: Hoje estou postando mais cedo e segunda não vou conseguir postar. Vou viajar agora ao meio dia e só retorno na segunda à noite, se meu cansaço permitir eu posto quando chegar na madrugada de terça. Bjooo